Ela sorri enquanto carrega a maior das dores

Num peito de fibra desfeita como papel molhado;

Cambaleia por dentro, mas segue pelo estrado

Andando firme, reta, entre medos desanimadores.

Segue enquanto espera um raio, uma garrafa,

Uma pedra, qualquer coisa mais impossível

Que lhe caia sobre a cabeça sensível

E lhe destrua o amanhã que lh`estafa.

Mas caminhar de cabeça erguida é uma arte,

Não se pode desatentar do sorriso falso

Enquanto os outros lhe olham o passo:

Pode lhe cair a dignidade e não outra parte.