﻿<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?>
<rss version="2.0"
	xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"
	xmlns:wfw="http://wellformedweb.org/CommentAPI/"
	xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/"
	xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom"
	xmlns:sy="http://purl.org/rss/1.0/modules/syndication/"
	xmlns:slash="http://purl.org/rss/1.0/modules/slash/"
	>

<channel>
	<title>Descompassado &#187; drogas</title>
	<atom:link href="http://descompassado.com/tag/drogas/feed/" rel="self" type="application/rss+xml" />
	<link>http://descompassado.com</link>
	<description></description>
	<lastBuildDate>Sat, 15 Oct 2011 20:21:23 +0000</lastBuildDate>
	<language>en</language>
	<sy:updatePeriod>hourly</sy:updatePeriod>
	<sy:updateFrequency>1</sy:updateFrequency>
	<generator>http://wordpress.org/?v=3.3</generator>
<xhtml:meta xmlns:xhtml="http://www.w3.org/1999/xhtml" name="robots" content="noindex" />
		<item>
		<title>Causos Abafados &#8211; I &#8211; Parte Dois</title>
		<link>http://descompassado.com/causos-abafados-i-parte-dois/</link>
		<comments>http://descompassado.com/causos-abafados-i-parte-dois/#comments</comments>
		<pubDate>Thu, 15 Oct 2009 16:30:34 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Christian  Silveira</dc:creator>
				<category><![CDATA[Causos Abafados]]></category>
		<category><![CDATA[adolescência]]></category>
		<category><![CDATA[adultos]]></category>
		<category><![CDATA[álcool]]></category>
		<category><![CDATA[drama]]></category>
		<category><![CDATA[drogas]]></category>
		<category><![CDATA[reabilitação]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://descompassado.com/?p=422</guid>
		<description><![CDATA[Nem ele nem o amigo que sobreviveu entenderam o que estava acontecendo, e beberam em homenagem ao amigo morto, beberam pela raiva que sentiam do mundo que n&#227;o compreendiam, que n&#227;o os compreendia. Aos 17 anos j&#225; haviam reprovados duas vezes, sempre os dois juntos, e j&#225; n&#227;o eram mais sucesso entre as garotas, nem [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[
<div class="topsy_widget_data topsy_theme_blue" style="float: right;margin-left: 0.75em; background: url(data:,%7B%20%22url%22%3A%20%22http%253A%252F%252Fdescompassado.com%252Fcausos-abafados-i-parte-dois%252F%22%2C%20%22style%22%3A%20%22big%22%2C%20%22title%22%3A%20%22Causos%20Abafados%20-%20I%20-%20Parte%20Dois%20%23%22%20%7D);"></div>
<p>Nem ele nem o amigo que sobreviveu entenderam o que estava acontecendo, e beberam em homenagem ao amigo morto, beberam pela raiva que sentiam do mundo que n&atilde;o compreendiam, que n&atilde;o os compreendia.</p>
<p>Aos 17 anos j&aacute; haviam reprovados duas vezes, sempre os dois juntos, e j&aacute; n&atilde;o eram mais sucesso entre as garotas, nem as mais novas que agora eram suas colegas. As coisas iam piorando, como uma bola de neve, primeiro  seu amigo foi internado numa cl&iacute;nica para drogados. Sem parceria e num momento de sensatez, ficou 6 meses longe das ruas, passou de ano, ainda tinha facilidade com as mat&eacute;rias da escola.</p>
<p>Sua m&atilde;e trabalhava de manh&atilde; e de tarde, &agrave; noite assistia televis&atilde;o e ouvia velhos discos. Cozinhava mal, mas sempre deixava pronta a janta para ele, o almo&ccedil;o ela n&atilde;o tinha tempo.</p>
<p>Quando o amigo voltou da cl&iacute;nica, magro, com olheiras, ele sentiu uma esp&eacute;cie de asco, medo, raiva, tudo ao mesmo tempo. Ele n&atilde;o via mais o mesmo amigo, era algu&eacute;m diferente, apagado, mas que, de forma alguma estava curado. No primeiro final de semana juntos queimaram uma bomba, pra “relembrar os velhos tempos”.</p>
<p>No rein&iacute;cio se controlaram, bebiam e fumavam apenas finais de semana, mas as coisas iam acontecendo, os pais do amigo internado se separaram, e por uns dias ele foi posar na casa do nosso jovem e sua m&atilde;e. Ambos tinham 18 anos, e as drogas voltaram, a coca&iacute;na se tornou mais frequente, um conhecido novo levava a branca pra eles por um pre&ccedil;o bem em conta.</p>
<p>No dia em que completou 19 anos aconteceu a overdose de coca&iacute;na. O agora j&aacute; n&atilde;o t&atilde;o mais jovem foi internado no hospital por 4 dias, recuperou-se bem, e na volta para casa, na mesma noite, pegou uma buchinha escondida no arm&aacute;rio e cheirou inteira. Sua m&atilde;e ouviu gritos no quarto, com m&uacute;sica alta, de madrugada, e finalmente percebeu que algo estava errado.</p>
<p>Um m&ecirc;s e outra overdose depois, ele foi internado na mesma cl&iacute;nica que seu amigo estivera. Foram 4 anos de idas e vindas, limpas e reca&iacute;das, e hoje, limpo por quase um ano, me conta essa hist&oacute;ria com um pesar na alma que me d&aacute; um n&oacute; na garganta s&oacute; de lembrar.</p>
<p>Seu pai continua apenas enviando pens&atilde;o, parece que gosta desse jeito, mant&eacute;m sua consci&ecirc;ncia limpa e seu tempo imaculado da presen&ccedil;a do filho quase esquecido. Sua m&atilde;e d&aacute; aulas ainda, ainda assiste novela e ouve discos &agrave; noite, mas tamb&eacute;m faz um curso de mestrado duas vezes por m&ecirc;s. Ele est&aacute; na faculdade, e ningu&eacute;m da sua antiga turma est&aacute; por perto para relembr&aacute;-lo do passado que ele n&atilde;o faz quest&atilde;o de lembrar.</p>

]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://descompassado.com/causos-abafados-i-parte-dois/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Causos Abafados &#8211; I &#8211; Parte Um</title>
		<link>http://descompassado.com/causos-abafados-i-parte-um/</link>
		<comments>http://descompassado.com/causos-abafados-i-parte-um/#comments</comments>
		<pubDate>Thu, 15 Oct 2009 05:20:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Christian  Silveira</dc:creator>
				<category><![CDATA[Causos Abafados]]></category>
		<category><![CDATA[adolescência]]></category>
		<category><![CDATA[álcool]]></category>
		<category><![CDATA[drama]]></category>
		<category><![CDATA[drogas]]></category>
		<category><![CDATA[problemas]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://descompassado.com/?p=420</guid>
		<description><![CDATA[Na &#233;poca ele era jovem, tinha 19 anos, morava numa cidade do interior, nem pequena nem grande. Sua m&#227;e era professora do ensino m&#233;dio numa escola estadual, morena, magra, cabelos crespos, estava com 38 anos na &#233;poca, ainda mantinha uma certa beleza, e seu jeito hippie ainda persistia na forma de caminhar, de se vestir, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[
<div class="topsy_widget_data topsy_theme_blue" style="float: right;margin-left: 0.75em; background: url(data:,%7B%20%22url%22%3A%20%22http%253A%252F%252Fdescompassado.com%252Fcausos-abafados-i-parte-um%252F%22%2C%20%22style%22%3A%20%22big%22%2C%20%22title%22%3A%20%22Causos%20Abafados%20-%20I%20-%20Parte%20Um%20%23%22%20%7D);"></div>
<p>Na &eacute;poca ele era jovem, tinha 19 anos, morava numa cidade do interior, nem pequena nem grande. Sua m&atilde;e era professora do ensino m&eacute;dio numa escola estadual, morena, magra, cabelos crespos, estava com 38 anos na &eacute;poca, ainda mantinha uma certa beleza, e seu jeito hippie ainda persistia na forma de caminhar, de se vestir, de olhar e de viajar internamente, sem dar muita import&acirc;ncia, ou sem perceber, ao que pensavam sobre ela, seus alunos ou seus colegas de trabalho. Ela n&atilde;o tinha muitos amigos, havia se mudado para aquela cidade quando ficara gr&aacute;vida dele, isso porque seu marido na &eacute;poca, o pai do garoto, havia sido transferido. O pai do jovem estava na &eacute;poca com 44 anos, a transfer&ecirc;ncia aconteceu quando ele fora promovido para subgerente do banco em que trabalha at&eacute; hoje; no tempo em que a crian&ccedil;a nascera ele era bonito, tamb&eacute;m moreno, jogava futebol com os amigos, tinha quase corpo de atleta, fumava maconha com a, ent&atilde;o, namorada, divertia-se e adorava escapar para outros corpos femininos, nos churrascos ap&oacute;s os jogos ia a bailes e se divertia com as loiras, dizia ele que s&oacute; seria trai&ccedil;&atilde;o se fosse morena como sua futura esposa.</p>
<p>Ele nasceu e ela interrompeu os estudos, que terminaria dois anos depois, deixando a crian&ccedil;a muito tempo com a bab&aacute;, que colocava calmante na sua mamadeira. Os tempos eram bons, a economia do pa&iacute;s era boa, as coisas eram compradas facilmente, n&atilde;o havia infla&ccedil;&atilde;o, o dinheiro rendia e a comida estava sempre na mesa, e os natais eram cheios de presentes e alegres.</p>
<p>No dia em que completou 6 anos seu pai recebeu a not&iacute;cia de uma promo&ccedil;&atilde;o, seria agora gerente do banco, contudo, precisavam mudar de cidade. Ela ficou muito feliz pela promo&ccedil;&atilde;o, mas detestou a id&eacute;ia de se mudarem novamente, dessa vez para uma cidade fora do estado. Como o pai precisava ir logo, foi sozinho, at&eacute; que o ano letivo terminasse, isso duraria quase 3 meses.</p>
<p>Ela estava dando aula para a quarta-s&eacute;rie, seu filho estava na primeira e era um prod&iacute;gio. O pai, l&aacute; de longe, mandava dinheiro toda semana; e, no in&iacute;cio do segundo m&ecirc;s, come&ccedil;ou a enviar quantias maiores. Ela pensava que era porque estava ganhando muito bem, ele fazia isso como jeito de limpar a consci&ecirc;ncia do que estava fazendo.</p>
<p>L&aacute; na cidade nova, no Paran&aacute;, ele conhecera uma morena, mais bonita, mais inteligente, mais independente, mais apaixonante. Come&ccedil;ou a se relacionar e o que mais queria evitar aconteceu: apaixonou-se.</p>
<p>Chegando perto do final do ano letivo o pai voltou &agrave; cidade, ela pensando que era pra ajudar na mudan&ccedil;a, e ele querendo dar um fim ao casamento de maneira amig&aacute;vel. Quando ela recebeu a not&iacute;cia ficou sem rea&ccedil;&atilde;o por alguns segundos, depois teve um ataque hist&eacute;rico o qual parece ter sido o in&iacute;cio de uma s&eacute;rie de problemas psicol&oacute;gicos. O estopim.</p>
<p>O garoto cresceu com o sal&aacute;rio da m&atilde;e professora e a pens&atilde;o generosa do pai bem-sucedido que, ali&aacute;s, era repelido ao m&aacute;ximo por sua m&atilde;e, e seu contato com ele foi diminuindo. Como o pai parecia n&atilde;o fazer muita quest&atilde;o de estabelecer uma rela&ccedil;&atilde;o, o la&ccedil;o foi se desfazendo, e a figura paterna n&atilde;o foi substitu&iacute;da por ningu&eacute;m mais, nem av&ocirc;, nem tio, nem padrasto.</p>
<p>Aos doze anos tomou o primeiro porre com o pessoal da escola, numa festinha do irm&atilde;o mais velho de um dos colegas. Era sempre ele e seus quatro amigos, roqueiros, os cinco que todos finais de semana tomavam cacha&ccedil;a com coca-cola com o dinheiro economizado do lanche da escola. E a m&atilde;e do rapaz parecia sempre imersa dentro dela mesma, afogada demais pra perceber as mudan&ccedil;as, pra perceber que o prod&iacute;gio estava sendo apagado aos poucos.</p>
<p>A cacha&ccedil;a com coca ficou mais frequente, e o baseado entrou na hist&oacute;ria quando eles tinham 13 pra 14 anos. Era f&aacute;cil conseguir, era barato, e era, acima de tudo, descolado, as garotas achavam eles os maiorais, e assim foi at&eacute; os 16 anos, quando todos come&ccedil;aram a estudar com mais afinco. Dois dos cinco se afastaram, retomaram as r&eacute;deas, assumiram as responsabilidades. Restou ele e mais dois dos amigos.</p>
<p>Foi numa noitada, ap&oacute;s um dos dois ter brigado com seus pais, que eles tomaram um dos maiores porres da vida e o filho que fugira de casa roubara o carro dos pais. B&ecirc;bados, chapados, experimentaram a coca&iacute;na e a velocidade do carro que mal sabiam dirigir. A primeira morte da turma, a do garoto que havia brigado com os pais.</p>

]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://descompassado.com/causos-abafados-i-parte-um/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Parte Primeira</title>
		<link>http://descompassado.com/parte-primeira/</link>
		<comments>http://descompassado.com/parte-primeira/#comments</comments>
		<pubDate>Thu, 27 Aug 2009 00:52:19 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Christian  Silveira</dc:creator>
				<category><![CDATA[Interlúdio]]></category>
		<category><![CDATA[angústia]]></category>
		<category><![CDATA[busca]]></category>
		<category><![CDATA[drogas]]></category>
		<category><![CDATA[subjetivismo]]></category>
		<category><![CDATA[viagem]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://descompassado.com/?p=287</guid>
		<description><![CDATA[                Tudo bem que era uma hora da madrugada, o tempo continuava feio, raios cortavam o c&#233;u escuro e iluminavam a noite, iluminavam a vida. Eu disse tempo feio? Pois bem, n&#227;o sei, sentir aquela eletricidade me fez bem, espantou um pouco do marasmo da alma, e eu criei &#226;nimo para ligar pro L&#250;cio.                 [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[
<div class="topsy_widget_data topsy_theme_blue" style="float: right;margin-left: 0.75em; background: url(data:,%7B%20%22url%22%3A%20%22http%253A%252F%252Fdescompassado.com%252Fparte-primeira%252F%22%2C%20%22style%22%3A%20%22big%22%2C%20%22title%22%3A%20%22Parte%20Primeira%20%23%22%20%7D);"></div>
<p>                Tudo bem que era uma hora da madrugada, o tempo continuava feio, raios cortavam o c&eacute;u escuro e iluminavam a noite, iluminavam a vida. Eu disse tempo feio? Pois bem, n&atilde;o sei, sentir aquela eletricidade me fez bem, espantou um pouco do marasmo da alma, e eu criei &acirc;nimo para ligar pro L&uacute;cio.</p>
<p>                Naquela rodovi&aacute;ria imunda eu pensei em comer alguma coisa antes de pegar o t&aacute;xi e ir at&eacute; onde o L&uacute;cio disse para que eu fosse, mas pensei que seria melhor continuar em jejum. Peguei o t&aacute;xi e dei o endere&ccedil;o da tal da D&eacute;bora, que era onde estavam. Quando o carro parou, eu paguei os quinze reais, desci minha mochila e minha mala e parei na frente do pr&eacute;dio. Era cheio de vidros escuros, uma constru&ccedil;&atilde;o visivelmente nova, e eu via o reflexo de cada rel&acirc;mpago que momentaneamente iluminava a noite.</p>
<p>                Liguei de novo para o celular do L&uacute;cio, s&oacute; que dessa vez ele n&atilde;o atendeu, ent&atilde;o toquei no interfone do apartamento. Quando uma voz feminina atendeu eu ouvi uma barulheira no fundo, n&atilde;o consegui distinguir muita coisa, “Quem fala?” perguntou ela, eu perguntei de volta “D&eacute;bora?”, ela riu e disse que n&atilde;o era a D&eacute;bora. Eu disse “ah, sou amigo do”, ent&atilde;o ela me interrompeu “sim sim, do L&uacute;cio. V&ecirc; se abre a&iacute;”, eu abri o port&atilde;o de ferro, caminhei por um corredor largo, com plantas, muito bem cuidado, mais al&eacute;m estava o porteiro voltando dos fundos daquele lugar, ele cumprimentou, provavelmente deduzindo que eu estava indo pra festa. Subi o elevador com as malas nas m&atilde;os, na subida ainda consegui passar um perfume.</p>
<p>                Quando entrei n&atilde;o vi o L&uacute;cio, mas a garota que falou comigo no interfone, a Cac&aacute;, me recebeu e j&aacute; me apresentou pra v&aacute;rios amigos, todos foram muito simp&aacute;ticos comigo, como se eu n&atilde;o soubesse dos efeitos do &aacute;lcool e de outras coisas mais. A Cac&aacute;, devo dizer, era maravilhosa, linda, e estava um pouco b&ecirc;bada, mas eu via que era s&oacute; &aacute;lcool, ela me apresentou a D&eacute;bora, que me disse que “teu amigo falou muito sobre ti, fez muita propaganda” e deu uma risada e me ofereceu o quarto dos pais dela pra que eu deixasse minhas malas, l&aacute; ningu&eacute;m entraria.</p>
<p>                O L&uacute;cio estava ocupado, a Cac&aacute; me disse com uma risada maliciosa me servindo um copo de whisky com energ&eacute;tico. Eu puxei um cigarro e ela me pediu o fogo. Ela n&atilde;o me deixou um segundo sozinho, e eu j&aacute; esquecia da minha ang&uacute;stia interior, estava deslumbrado, ou, no m&iacute;nimo, ocupado demais com aquelas novidades para que pudesse pensar para dentro. Eu respirava o perfume dela, misturado com o cheiro do cigarro.</p>
<p>                Depois de muitos whiskies e, de alguma forma que n&atilde;o sei mais explicar, depois de beijar muito a Cac&aacute;, o L&uacute;cio finalmente apareceu, acompanhado. J&aacute; est&aacute;vamos todos b&ecirc;bados, o pessoal come&ccedil;ou a sair do apartamento, iam pra uma festa em algum lugar da Cidade Baixa. Por&eacute;m, eu, a Cac&aacute;, o L&uacute;cio e a guria que estava com ele, a D&eacute;bora e o Gui, ficante dela, n&atilde;o sa&iacute;mos. Era 3:15 da madrugada, t&iacute;nhamos ainda algum pouco de whisky e energ&eacute;tico e muitos cigarros. Conversamos um bom tempo ainda, rimos muito, eu fui para um quarto com a Cac&aacute;, ela adormeceu &agrave;s 06h mais ou menos, eu ainda levantei e fui tomar uma &aacute;gua. Ningu&eacute;m na sala nem na cozinha, provavelmente tinham ido fazer o mesmo que n&oacute;s dois.</p>
<p>                Acordei no outro dia com o L&uacute;cio me chamando. Era duas da tarde, eu n&atilde;o sentia ressaca, mas sentia uma ang&uacute;stia, talvez tenha tido um sonho ruim, apesar da noite incrivelmente agrad&aacute;vel. Nos despedimos das gurias que estavam l&aacute; ainda e fomos para a rua, o Gui nos acompanhou at&eacute; perto do mercado p&uacute;blico. Era um dia de sol, daqueles que se sente o calor &uacute;mido da &aacute;gua acumulada nas cal&ccedil;adas, nos pr&eacute;dios, nos ossos. Ali perto subimos no apartamento do L&uacute;cio e eu deixei minhas malas, como n&atilde;o tinha nada para comer e ambos est&aacute;vamos morrendo de fome, precisando de uma coca-cola bem gelada, resolvemos descer num caf&eacute; ali perto comer umas empadas que, segundo o parceiro, eram muito boas e baratas.</p>
<p>                Foi no caf&eacute;, pouco depois de comer, quando convers&aacute;vamos sobre a noite, meio ressaqueados mas bem, que eu olhei pra porta e, como se n&atilde;o acreditasse, pisquei involuntariamente e tornei a olhar com maior precis&atilde;o. A B&ecirc; entrando no caf&eacute; foi como retornar pra Cruz Alta, pras festas, algu&eacute;m conhecido de tempos num lugar daqueles, naquela circunst&acirc;ncia n&atilde;o poderia ser irrelevante. Levantei pra chamar ela, pensando que ela n&atilde;o tivesse nos visto, e o L&uacute;cio ficou me olhando ainda mastigando uma empada de carne mo&iacute;da.</p>
<p>[V&aacute; agora para: <a title="Interl&uacute;dio Parte Primeira" href="http://mairathums.com/interludio-parte-um" target="_blank">V&aacute;lvula de Escape</a>]</p>

]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://descompassado.com/parte-primeira/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>3</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>C.R.A.Z.Y. &#8211; Loucos de Amor</title>
		<link>http://descompassado.com/c-r-a-z-y-loucos-de-amor/</link>
		<comments>http://descompassado.com/c-r-a-z-y-loucos-de-amor/#comments</comments>
		<pubDate>Tue, 04 Nov 2008 00:20:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Christian  Silveira</dc:creator>
				<category><![CDATA[Eu]]></category>
		<category><![CDATA[amor]]></category>
		<category><![CDATA[ansiedade]]></category>
		<category><![CDATA[drogas]]></category>
		<category><![CDATA[fotografia]]></category>
		<category><![CDATA[Música]]></category>
		<category><![CDATA[nerd]]></category>
		<category><![CDATA[ovo]]></category>
		<category><![CDATA[problemas]]></category>
		<category><![CDATA[rock]]></category>
		<category><![CDATA[sexo]]></category>
		<category><![CDATA[televisão]]></category>
		<category><![CDATA[vida]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://rosaouazul.com.br/descompassado/?p=170</guid>
		<description><![CDATA[Ontem &#224; noite vi um filme. Deus, isso por si s&#243; j&#225; &#233; um grande evento, porque nos &#250;ltimos tempos n&#227;o havia macumba que me fizesse ou ficar acordado ou vencer a ansiedade pra n&#227;o trocar de canal no meio do filme, ou ainda fazer outra coisa ao mesmo tempo. Ent&#227;o, falemos do grande evento [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[
<div class="topsy_widget_data topsy_theme_blue" style="float: right;margin-left: 0.75em; background: url(data:,%7B%20%22url%22%3A%20%22http%253A%252F%252Fdescompassado.com%252Fc-r-a-z-y-loucos-de-amor%252F%22%2C%20%22style%22%3A%20%22big%22%2C%20%22title%22%3A%20%22C.R.A.Z.Y.%20-%20Loucos%20de%20Amor%20%23%22%20%7D);"></div>
<p><a href="http://1.bp.blogspot.com/_RRUwkF_C8Ig/SQ-VwD5L7yI/AAAAAAAAAC0/0CJT2tWOQ2s/s1600-h/crazy-loucos+de+amor.jpg"><img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5264591142330822434" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 222px; CURSOR: hand; HEIGHT: 320px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_RRUwkF_C8Ig/SQ-VwD5L7yI/AAAAAAAAAC0/0CJT2tWOQ2s/s320/crazy-loucos+de+amor.jpg" border="0" /></a>
<div>Ontem &agrave; noite vi um filme. Deus, isso por si s&oacute; j&aacute; &eacute; um grande evento, porque nos &uacute;ltimos tempos n&atilde;o havia macumba que me fizesse ou ficar acordado ou vencer a ansiedade pra n&atilde;o trocar de canal no meio do filme, ou ainda fazer outra coisa ao mesmo tempo. Ent&atilde;o, falemos do grande evento que me foi assistir esse filme (ai ai, suspiro saudosista da minha &eacute;poca de cin&eacute;folo – folo?).<br />Pois bem, o nome do filme &eacute; C.R.A.Z.Y. – Loucos de Amor. H&aacute; tempos eu via as chamadas nos intervalos do Telecine e ansiava por v&ecirc;-lo, ontem dei sorte de ligar a televis&atilde;o bem na hora que come&ccedil;ava.<br />A hist&oacute;ria &eacute; de uma fam&iacute;lia comum, isso implica em problemas, vidas conturbadas, drogas, brigas, homossexualidade, bebedeiras e muita m&uacute;sica boa. Zac, um dos filhos de um casal europeu bastante t&iacute;pico, &eacute; o protagonista, e possui 4 irm&atilde;os: o mais velho (creio eu), extremamente rock and roll, drogas, sexo (hetero), tatuagens e cigarro o tempo todo; um outro irm&atilde;o, que n&atilde;o recordo o nome, estilo semi-nerd, inteligente, um promissor na arte almofadinha; o terceiro, um esportista, jogador de algum esporte, com tudo que tem direito o estere&oacute;tipo; Zac, o sexualmente indefinido, oscilando entre homossexualidades e garotas (mas hetero do que homo), n&atilde;o tantas drogas quanto o irm&atilde;o mais velho, um estilo meio poser, um f&atilde; de David Bowie, que mais tarde ganha a vida como discotec&aacute;rio; e, finalmente, o mais novo, gordinho, cabeludo, sem import&acirc;ncia nisso tudo.<br />S&atilde;o v&aacute;rios os momentos interessantes do filme. A fotografia &eacute; &oacute;tima, mas melhor ainda &eacute; a trilha sonora, impec&aacute;vel. Quanta intensidade naqueles relacionamentos, e a fundamenta&ccedil;&atilde;o psicol&oacute;gica dos personagens, com suas impress&otilde;es, idiossincrasias e nuances.<br />Fiquei extremamente tentado a dar detalhes, descrever minhas opini&otilde;es, mas n&atilde;o o farei. Veja o filme, s&oacute; digo isso. O final nos reserva momentos de incr&iacute;vel emo&ccedil;&atilde;o, coisas q Hollywood n&atilde;o faz por voc&ecirc;, mas o cinema europeu faz. Uma li&ccedil;&atilde;o de toler&acirc;ncia, de valores de uma fam&iacute;lia de verdade.<br />Valores? Sim, valores. Ser casto, asseado, branquinho e polido o tempo todo n&atilde;o &eacute; a ess&ecirc;ncia. A humildade, o saber voltar atr&aacute;s, o saber perdoar ofensas, saber que o sentimento de paternidade, maternidade, irmandade, qualquer rela&ccedil;&atilde;o desse tipo, est&aacute; muito acima de ef&ecirc;meras inconveni&ecirc;ncias.<br />Filmes inspiradores assim me deixam t&atilde;o desinspirado.</div>

]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://descompassado.com/c-r-a-z-y-loucos-de-amor/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>4</slash:comments>
		</item>
	</channel>
</rss>

