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Dormir é alívio II

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Analgésico, calmante, relaxante muscular, ansiolítico

Paracetamol, dipirona, paroxetina, morfina

Café, café, café e um chocolate

Cigarros, muitos cigarros

Dois Noctal

Boa noite

Dormir é alívio

Dormir é alívio

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Desacreditar, duvidar, de novo e de novo

Acordar como cotidiano, dormir como alívio

E se manter na rotina, morta, sem razão evidente

Deixar as horas sem luzes de vida

Dormir como um alívio e perder-se no sono

Encontrar-se num sonho

Acordar como morte

- Dormir é alívio

Yngwie Malmsteen – I`d Die Without you

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Acordei me sentindo inconscientemente nostálgico?

- Titião, como assim “inconscientemente” nostálgico?

Não sei explicar, não sei mesmo, talvez tenha sonhado com alguma coisa que me fez acordar assim. Ah, como um sonho pode afetar nossa alma, abalar nosso espírito, mexer com coisas que estão esquecidas dentro de nossos corações.

Essa sensação de pretérito não me durou muito, pois logo comecei a me ocupar de outras coisas. No entanto, depois, baixei um CD do Yngwie Malmsteen para ouvir a música I`d die without you. Aí sim pude estar nostálgico de verdade.

Uma parte da letra diz o seguinte: things have gone wrong, my love (as coisas deram errado, meu amor). Uma frase pequena, porém, forte, me lembra uma do Herbert Vianna (Há um segundo tudo estava em paz). Voltando ao Yngwie: essa música marcou um ano da minha vida em que eu vivi completamente fora de mim, fazia cada pequena coisa pensando em outra pessoa, nunca em mim, talvez por isso o rumo tenha sido contrário ao planejado.

Lembro de um dia em que acordei, liguei o rádio para ouvir algo que precisava, meu pai estava ao meu lado. Lembro de não ouvir o que gostaria, meu pai disse que estava tudo bem, que fazia parte, eu me fiz resignado, disse que estava tudo bem, que fazia parte. Então, virei e disse que iria voltar a dormir, ele fechou a porta do quarto e eu fechei os olhos para suportar o aperto no peito, o nó na garganta e todas aquelas sensações de angústia e tristeza. Eu pensava naquele instante que tinha perdido uma luta em que eu tinha investido toda minha alma, eu simplesmente havia caído de muito alto, precisava me reconstruir sem saber por onde começar nem para onde ir. A única corda que eu pude me equilibrar foi a família.

Things have gone wrong, my love. Essa frase eu poderia repetir por anos e anos na minha vida, sem superar aquela batalha trágica que marcou o ocaso de um ser que eu esqueci. Fui me reconstruindo aos poucos, continuo fazendo isso, mas hey, ao contrário da música, eu não morri sem ela. Ou morri? O outro morreu, eu sei.

A lembrança pode nos ser perigosa, e é melhor exorcizá-la enquanto há tempo.

Boa noite.

(aga)in vain

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Primeiro diziam “chora que passa”, mas continuava chorando e nada passava, só ficava cansado depois de tanto gritar. Depois veio o “dorme que passa”, mas não queria dormir, e chorava até cair na cama, cansado, com dor de cabeça e querendo dormir, não que acordasse melhor, mas tinha que acordar.
Depois de vários anos, aprende-se a muito custo a engolir, a aceitar, a acalmar o que não deve ser acalmado; e depois de vários espasmos, colapsos, surtos, etc., dizem “põe pra fora que faz bem”. Então se inicia uma desconstrução do “engole o choro” para o colocar tudo pra fora, como se limpasse a chaminé, mas nisso vem o “contenha-se, está exagerando”.
Acho que só queria uma terça-feira de temporal, almoçar vendo o dia ficar cada vez mais escuros, as nuvens cada vez mais carregadas, o vento mais forte e o ar com mais eletricidade, depois disso, trabalhar com uma barulho ensurdecedor de chuva, que seja forte, para que os pensamentos não sejam escutados pelo humano, e o trabalho seja feito em paz.
O maior problema do temporal é que ele acaba, e depois já não se sabe mais como encarar o sol. E eu prefiro o triste desfecho de um dia pálido e vazio do que o de um dia bronzeado e mais vazio ainda.

ensino decadente

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Entrar na universidade para que lhe digam para ler o capítulo xv e responder às questões de um a treze é meio inútil, se fosse esse objetivo teria ficado em casa aproveitando melhor o tempo. O que está nos livros já está lá (óbvio), e ninguém que está na universidade deveria ter problemas cognitivos graves o suficiente para ler e não entender nada. Nenhum aluno é contente em ser um copiador de conhecimento.
Aulas expositivas: eis que se perdeu o senso de direção do ensino. Não há razão para ficar quatro horas sentado em uma cadeira pouco confortável ouvindo o resumo de um professor sobre um capítulo de um livro que ele “adotou” como roteiro básico para suas aulas. Quando muito, temos o prazer de ter um trabalho verdadeiro de um professor mais evoluído baseado em referências mais amplas e exposto de forma mais interessante, porém, ainda assim, se a aula fica exclusivamente expositiva, é preferível dormir e aprender sozinho, usando-se de auxílios externos.
Ora, presumo que o estudante pretender descobrir coisas, imaginar, inventar, criar. Claro que é necessário ter os conhecimentos desenvolvidos até aqui, mas para que isso seja válido, a exposição de conteúdo deve ser simples, rápida e cheia de espaço para discussões, questionamentos e comparações.
Os professores têm trabalhado com um método muito simples: pede e quer ser atendido da forma que imaginou previamente, ou seja, o aluno deve corresponder a expectativas, não deve comparar e opinar; deve citar, mesmo que esse conhecimento já lhe seja comum; deve embasar, mesmo que seja ponto pacífico. Criar hipóteses é algo fora de cogitação. Imagine, um simples graduando tendo a ousadia de supor algo além dos livros… Quanta empáfia.
Não consigo ver gênios sendo descobertos como poderiam ser, pois que não poderia enxergar Einstein sentado nas fileiras de uma sala de aula ouvindo o resumo do capítulo xv que o professor resolveu ensinar. Acho que o seu Alberto seria capaz de ler um capítulo, compreender e reescrever da sua forma (e corretamente) sem precisar de uma sala de aula para tal.
Se a grande falta do mercado é criatividade e versatilidade profissional, isso se deve à forma com que se educa os cidadãos, sem incitá-los ao misterioso que ainda há por ser desvendado.
Uns fingem que ensinam, outros fingem que aprendem, e assim fica tudo bem. Dar aulas vazias e desinteressantes não é um problema, seria, sim, se a ementa não fosse cumprida.
Ai, como Saramago, Kundera, Hesse e outros têm me caído bem – melhor do que pensava – em aulas de engenharia.

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