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Espaço-tempo e a entropia na mente
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Tradicionalmente, somos levados a acreditar que toda superfície que olhamos é plana: uma tábua de madeira, uma parede de concreto bem feita, uma bola de sinuca, enfim, todos esses objetos que se nos apresentam em grande escala diariamente e nos dão a impressão de serem perfeitamente lisos.
Contudo, hoje já é mais propriedade do senso comum entender que em uma escala menor esses elementos possuem ranhuras, texturas que não são tão lisas assim. O que não é tão conhecido assim é que esses mesmos objetos podem apresentar lacunas em suas estruturas, lugares e caminhos em que não haja matéria.
Milan Kundera e a existência
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“Tenho sempre diante dos olhos Tereza sentada sobre um tronco, acariciando a cabeça Karenin, e pensando no desvio da humanidade. Ao mesmo tempo, surge para mim uma outra imagem: Nietzsche esta saindo de um hotel em Turim. Vê diante de si um cavalo, e um cocheiro espancando-o com um chicote. Nietzsche se aproxima do cavalo, abraça-lhe o pescoço, e sob o olhar do cocheiro, explode em soluços. Isso aconteceu em 1889, e Nietzsche já estava também distanciado dos homens. Em outras palavras: foi precisamente nesse momento que se declarou sua doença mental. Mas, para mim, e justamente isso que confere ao gesto seu sentido profundo. Nietzsche veio pedir ao cavalo perdão por Descartes. Sua loucura (portanto seu divorcio da humanidade) começa no instante em que chora sobre o cavalo. E este Nietzsche que amo, da mesma forma que amo Tereza, acariciando em seus joelhos a cabeça de um cachorro mortalmente doente. Vejo-os lado a lado: os dois se afastam do caminho no qual a humanidade, “senhora e proprietária da natureza”, prossegue sua marcha para a frente.”
- A Insustentável Leveza do Ser (mais…)
sensações áridas
2É a nudez do meu corpo
que mostra aonde está alma
que deixa as cicatrizes contarem onde estive
que deixa as formas falarem de quem sou
das vitórias e das derrotas
Dos frutos podres – Parte Um
2Foi ontem ou anteontem, acordei perto das 07h da manhã para me arrumar para sair, fui até a cozinha esquentar água para um café e olhei pela janela, lá fora há uma bergamoteira, não está na minha casa, mas na casa do vizinho, contudo, a maior parte das frutas fica pro lado de cá. O que acontece é que, por não comer as bergamotas, a maioria delas apodreceu ainda no galho, e para que perceba aonde anda minha mente, eu tive alguns pensamentos um tanto peculiares.
Logo que vi esse cenário, pensei em mim, é claro. Sinto-me como uma dessas frutas que, sem conseguir se desvincular dessa rede infinita, sempre nutrida por algo envolvente, vai apodrecendo por tempos lentos e densos, sem saber precisamente como irá terminar. Vendo isso, temos duas opções para um fim: ou ser derrubado por um vento forte e terminar partindo ao meio no chão, com a queda não resta muito da fruta que já estava pútrida, a força do impacto, normalmente, é grande o suficiente para terminar com aquilo que dá características de uma fruta e transformá-la numa massa amorfa no chão; ou então ir secando, lentamente, secando e murchando, ficando escura, sem, contudo, se desligar da rede.
A segunda opção para o final que descrevi me parece a mais recorrente, a mais comum. Não são muitos aqueles que se percebem independentes, que conseguem, levemente, anular os efeitos autômatos do comprar e vender, e se vender; e são pouquíssimos aqueles que, tendo se apercebido nessa ilusão, conseguem se desvincular, esses são os frutos doces que logo são colhidos e têm um destino mais nobre. No entanto, eu falo dos que não têm força para fazer valer essa individualidade notada, e passam a vida secando, de dentro pra fora, murchando o espírito junto com a pele, perdendo o sabor enquanto assistem a uns frutos apodrecerem, a outros cairem, e assim por diante.
