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As crianças do Santos F.C.

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Podemos ficar indignados, brabos, tristes, qualquer coisa assim, mas jamais surpresos ou admirados com o que aconteceu com os jogadores Madson, Zé Eduardo, Felipe e companhia, todos dos Santos.

Pra quem ainda não sabe, os três jogadores citados e mais alguns outros companheiros do clube, após uma partida contra o Grêmio Prudente pelo Campeonato Brasileiro, iniciaram uma exibição bastante infeliz pela twitcam. Na ocasião, usaram de toda falta de educação possível para o momento, conseguiram ser a amostra do que a vaidade faz com um moleque despreparado.

Não podemos nem ao menos ficar admirados com isso que aconteceu, tampouco com o já nauseabundo caso do Bruno do Flamengo, sobre este último, porém, são outros quinhentos, e não vou entrar no assunto.

Eu me pergunto: o que esperar de jogadores, aliás, de moleques idiotas que são tirados da escola, que não receberam nenhuma educação em casa, e vão para um clube jogar futebol. De repente, simplesmente por saberem jogar futebol, recebem salários monstruosos.

Uma coisa é certa: idiota com dinheiro não dá boa coisa. Vide o acontecido.

Sim, são moleques idiotas, deslumbrados com o mundo de dinheiro que, repentinamente, se abriu pra eles. São a marca da falta de dignidade.

No Brasil, o piso salarial dos professores é de R$1.024,67. Não sei quanto os referidos jogadores ganham, mas tendo por base a média salarial dos maiores clubes do país, suponhamos que eles ganhem algo como R$100.000,00 (cem mil reais).

É preocupante saber que as crianças desse país são educadas e alfabetizadas por profissionais que ganham mil reais por mês e possuem uma responsabilidade monstruosa, sobre os futuros jovens e adultos e, consequentemente, sobre o país. Mas enquanto elas estão nas salas, recebendo lições desses senhores e senhoras, alguns jogadores ganham um salário dez vezes maior para jogar duas partidas de futebol por semana e reclamar de cansaço, e andar de carro importado, e usar correntes, e tatuar “eu sou foda” (ou algo assim, né?), e ser boçal de uma forma primorosamente estúpida para todos que quiserem ver.

Enquanto isso nós, sentadinhos aqui, tomando nossa cerveja, sentamos e batemos palma como macaquinhos.

- Viva! Pão e circo!

É ridículo um imbecil, mau-educado, receber dinheiro nessa quantia enquanto educadores, por exemplo, recebem um salário bastante insatisfatório para se viver confortavelmente no país.

Jogadores europeus costumam ter boa educação, recebem salários mais altos, mas tratamos de realidades bastante distintas e comportamentos também diversos.

Não fico nem um pouco surpreso ao ver o comportamento simiesco desse bando, urrando em umas jaulas de ouro. Demos dinheiro, carros, jóias e mulheres para eles e continuaremos tendo uma obra bastante fiel do que é nosso país (e muitos outros, para não generalizar): um zoológico.

Pagar imbecis dessa estirpe, desse naipe, nessa soma absurda, pode trazer conseqüências e escândalos não pretendidos. E isso poderia ser um aviso da secretaria da educação. Vide exemplos bonitos como os de Adriano, Vagner Love, Bruno, as criancinhas do Santos e muitos outros.

Voando certo

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“Quanto mais alto voamos, menores parecemos aos olhos daqueles que não sabem voar.” Nietzsche

Muitos desavisados podem interpretar essa frase forma errônea, pensar que o voar alto é conquistar coisas, é gritar “sou independente, tenho meu dinheiro e não preciso de ninguém”, é empilhar coisas e mais coisas num delírio de grandeza. Errado, pequeno gafanhoto, isso não é voar alto.

O que disse acima é tão somente o símbolo da sociedade fantasiosa e suspensa de consciência em que vivemos, a marca registrado do capitalismo desmedido iludindo as nossas cabecinhas.

É quase sufocante a ignorância de quem pensa que acumular riquezas sem propósito é um fim em si. Atente: de forma alguma sou contra ter dinheiro, pelo contrário, acredito que o dinheiro traz muita felicidade sim, contudo, apenas se for bem aproveitado. Viagens, experiência, vivências, coisas que possam trazer, além de inteligência, sabedoria, como expus num certo textículo anterior.

Voltando ao assunto. Voar alto é, para Nietzsche, mais ou menos a mesma coisa que seu personagem Zaratustra explicava sobre o macaco, o Homem e o Sobre-homem. Voar alto é caminhar sobre a corda bamba, a ponte que liga o macaco ao sobre-homem, voar alto é ser o Homem caminhando em direção ao sobre-homem, superar a si mesmo no sentido mais amplo da expressão, é conhecer-se, ir até o limite, transcender o limite.

Muitos assim o fizeram, compreenderam a natureza do espírito e da alma, ultrapassaram a moralidade, comeram do fruto do conhecimento, descobriram que bem e mal são apenas falácias mal contextualizadas.

Parecer menor pra quem voa muito alto deve ser quase um prazer, passar-se desapercebido, sem ser notado quando não se quer, um bom modo de escapar das futilidades tóxicas.

Nem um buda, nem um cristo, nem qualquer outro “iluminado” poderia se dizer imune às armadilhas que o mundo de riquezas e vaidades nos reserva. Atenção é uma palavra fundamental na vida, o diabo está nos detalhes, e quando se voa alto e não se presta atenção, pode-se ter um destino semelhante ao de Icaro.

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