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Uma Fábula Reconfortante
3Esse é o terceiro vídeo da Série Sagan que eu, fortemente, recomendo que assistam todos.
Esse, em especial, inspirou/revoltou o texto a seguir.
Olhando para o planeta Terra, esse planeta que habitamos de forma inconseqüente, irresponsável e parasitária, olhando para ele, um ponto azul perdido num Universo infinitamente grande… nada acontece olhando de longe, em verdade, o que acontece é praticamente insignificante para o Universo.
Somos partículas infinitesimais de poeira sobre a superfície de um grão de poeira um pouco maior. Somos ácaros.
É uma arrogância exorbitante pensarmo-nos seres especiais nisso tudo. É, além de arrogante, estúpido pensar, por um momento sequer, que religiões, ideias, conceitos, opções sexuais, fronteiras nacionais ou qualquer outro motivo ou valor ou ideal tão transitório possa ser o único, o verdadeiro. Aquele que diz “eu tenho orgulho de ser assim, pois assim é o certo”, aquele que grita sua verdade (sua e somente sua), que levanta suas armas com outras centenas de milhares de pessoas que pensam estar no mesmo barco (pois cada um está sozinho no seu, porém, no mesmo oceano), é o maior arrogante, o maior estúpido, pois ele mata por um ideal inconsistente.
Aquele que pode se transformar num assassino ou agressor apenas para defender seu ponto de vista, defender sua bandeira, seja ela colorida, preta e branca ou a cor que for, está errado, ainda que nesse jogo não exista, de fato, tal coisa de estar totalmente errado.
“O Homem, em sua arrogância, pensa de si mesmo uma grande obra, merecedora da intervenção de uma divindade.” (Darwin)
O que te faz pensar que suas opções são melhores que as do outro? Por que pensas que tua causa é a mais justa e, por isso, um deus qualquer deve intervir e te apoiar e te permitir sobrepujar toda e qualquer pessoa ou coisa que esteja em seu caminho? Como chegaste a esse ponto?
Nós falhamos em compreender nosso universo.
Nós não nascemos prontos. Somos filhos de bilhões de anos de evolução, somos átomos, pó de estrela, carbono e energia, somos sinapses e, quem sabe, num outro instante, somos nada.
Não podemos dominar o Universo, não podemos domar deus (se ele existe) para que satisfaça nossos, indubitavelmente egoístas, desejos, não podemos muitas coisas pois somos limitados no que fazemos e no que compreendemos. Porém, podemos sim, esforçarmo-nos, de maneira tépida, calma e lenta mas consistente, para que nosso planetinha azul, perdido nesse infinito de escuridão e “vazios”, seja um lugar melhor.
Não pense que um deus qualquer vai te salvar quando tu ergueres as mãos para o céu pedindo perdão; tampouco seres de outro planeta (se existirem) virão te salvar desse caos, pois tu és merecedor.
Não! Não existem milagres!
Podemos ser filhos de um átomo em especial, o primeiro a ter sofrido uma mutação de sucesso, e ele foi nosso deus, e se for assim, ele não irá nos salvar novamente. Estamos sozinhos, abandonados à própria sorte, e já está mais do que na hora de limpar a nossa casa.
Olhando assim, de longe, também não parece tão suja. Mas daqui de dentro, essas diferenças que não sabemos suportar nos fazem imundos.