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A verdade no dia dos namorados
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Pois é, está chegando um fenômeno do comportamento humano traduzido em um dia tão singelo e opressor, quero dizer, capitalisticamente opressor: Dia dos Namorados.
Seria hipocrisia da minha parte dizer que desse dia só se traz o consumismo. Há, eu sei, casais que se regozijam com esse dias, se renovam, mesmo que apenas por alguns dias, esperando a próxima data para colocar mais fogo na lareira. Infelizmente, precisamos ser lembrados do quanto gostamos de certas pessoas, e, também, precisamos demonstrar isso… com presentes… caros.
Acho interessante como outros, os solteiros, dão tanto valor a esse dia, também. Fazem gato e sapato pra arranjar algo realmente intenso e envolvente no dito dia para que se não lhes bata uma espécie de tristeza, de solidão. É, temos medo de sentir solidão.
Com tudo isso, com tantos romances no cinema, nos livros e nas músicas, com tanta dor e amor rimados em poesias ralas, ou rimas mais ricas em poesias mais doridas, eu não acredito que possam afirmar que o romantismo está acabando.
As declarações, as paixões, os ímpetos de sentimentos avassaladores, impulsos irrefreáveis que trazem à tona tantas atitudes e palavras são imbuídos da mesma carga emocional que tinham nos tempos de Casablanca, de Michael Curtiz, ou, indo além, nos tempos de Byron.
Ah, mas a calhordagem dos homens… se me trouxerem à baila o papo de que o homem não presta hoje, não quer compromisso, não tem escrúpulos e é galinha, eu digo, então:
1 – A busca pelas aventuras amorosas dos homens de hoje são exatamente as mesmas desde que o mundo é mundo, apenas são mais descuidadas agora. O macho sempre possuiu esse modo “inquieto”, e não vou entrar no mérito dos porquês e poréns.
2 – Um fenômeno recente pode ser observado, as mulheres também entraram na onda dos vai-e-vem, da traição, no entanto, com uma habilidade inquestionável de esconder isso e permanecer resoluta em seus olhos de mentira. Sempre digo, quando uma mulher resolve trair um homem ela o fará e ele nunca ficará sabendo, mulheres têm talento pra dissimulação e isso é indiscutível.
Então, meus queridos amigos casados, feliz dia dos namorados. Não questionem muito, não investiguem, não compliquem, senão é capaz de surgirem coisas desnecessárias pro momento.
E aos solteiros, sem desespero, um trago faz bem, mas não vá exagerar pra não acordar no outro dia com um panda gordo.
Pense nisso.
Crescimento humano X Crescimento bacteriano
5Se você ainda não compreendeu bem o que acontece com o mundo, fique atento.
O quadro abaixo foi retirado do http://www.un.org/esa/population/publications/sixbillion/sixbilpart1.pdf
| TABLE 1. WORLD POPULATION, YEAR 0 TO NEAR STABILIZATION | |
| Year | Population |
| (in billions) | |
| 0 | 0.30 |
| 1000 | 0.31 |
| 1250 | 0.40 |
| 1500 | 0.50 |
| 1750 | 0.79 |
| 1800 | 0.98 |
| 1850 | 1.26 |
| 1900 | 1.65 |
| 1910 | 1.75 |
| 1920 | 1.86 |
| 1930 | 2.07 |
| 1940 | 2.30 |
| 1950 | 2.52 |
| 1960 | 3.02 |
| 1970 | 3.70 |
| 1980 | 4.44 |
| 1990 | 5.27 |
| 1999 | 5.98 |
| 2000 | 6.06 |
| 2010 | 6.79 |
| 2020 | 7.50 |
| 2030 | 8.11 |
| 2040 | 8.58 |
| 2050 | 8.91 |
| 2100 | 9.46 |
| 2150 | 9.75 |
| Near stabilization (after 2200) | Just above 10 billion |
Source: United Nations Population Division.
Se você não teve paciência para prestar atenção, eu resumo: quando começamos a contar os anos (“depois de Cristo”), éramos em 0,3 bilhões de pessoas sobre a terra, hoje somos 6,79 bilhões, o que nos dá um crescimento de mais de 2000%, não?
O interessante disso tudo é analisar como somos uns monstrinhos, ou, tendo uma visão mais fofa, uns animaizinhos inconscientes, prontos pra lutar cegamente e explorar tudo que temos ao alcance: cheirar e copular com as fêmeas, parir, comer, conquistar, matar, copular, morrer e deixar a prole continuar o mesmo esquema.
Tão legal é ver que o mesmo comportamento, claro que estou fazendo analogias e não sendo literal, têm as bactérias. O crescimento microbiano segue a mesma curva padrão (exponencial) que nós seguimos, e sabe como é? Não? Vou explicar bem rapidinho:
Primeiro, temos a chamada Fase Lag, quando há bastantes nutrientes, poucos microrganismos, e um crescimento relativamente baixo. Depois, temos a fase exponencial, quando há alimento, muitas bactéria, e a reprodução começa a ficar grande e rápida. Em pouco tempo, pouco mesmo, entra-se na Fase Estacionária, quando as bactérias se estabilizam, pois o alimento já fica escasso, o espaço também, e depois de certo tempo, com a falta de tudo que é necessário à sobrevivência, as coitadinhas vão morrendo, também rapidamente, na chamada Fase de Declínio.
http://www.profcupido.hpg.ig.com.br/bioqbacterias-3.gif
Pois bem, o que acontece é que crescemos assustadoramente nos últimos 2000 anos, muito mais, mas muito mesmo, do que crescemos nos 2000 mil anos anteriores ao D.C. no calendário cristão.
A curva do crescimento populacional mundial segue a mesmíssima forma, e ainda estamos na fase exponencial. Não sei de como será (se existir) a fase estacionária, ou, pior, a fase de declínio, e nem quero descobrir.
Vamos crescendo, nos reproduzindo, poluindo tudo, nossas casas, nossas ruas, nosso mundo, nossas mentes, nossos ouvidos, et Cetera.
Até quando pode durar isso?
Existem quase tantas ironias nisso tudo quanto pessoas vivendo na superfície terrestre. Uma dessas ironias é que temos a mania de nos pensarmos especiais, abençoados por deus, livres de todo mal e detentores de toda sua graça e sabedoria. Ledo engano, pequeno gafanhoto, você não é especial, eu não sou especial e arrisco a dizer que ninguém é especial. Forçando, diria que Gandhi foi especial, Jesus, Crowley, Sidharta, Hesse, Nietzsche, sei lá mais quem, podem ter sido especiais, ou não, pois que o mundo ainda é o mesmo, se não até pior.
Descubra-se fora dessa cultura bacteriana, depois diga que é especial e que tem sabedoria.
Enquanto isso não acontece, dê uma olhadinha nos gráficos das curvas e fique meditando sobre o assunto.
http://www.globalchange.umich.edu/globalchange2/current/lectures/human_pop/human_pop.html