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Sartre – A Idade da Razão – Mathieu
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“Esperara tanto tempo. Seus últimos anos tinham sido uma vigília. Esperara através de mil e uma preocupações cotidianas. Naturalmente, durante esse tempo andara atrás de mulheres, viajara e ganhara a vida. Mas através de tudo isso sua única preocupação fora manter-se disponível. Para uma ação. Um ato. Um ato livre e refletido que acarretaria o destino de sua vida e seria o início de uma nova existência. Nunca pudera amarrar-se definitivamente a um amor, a um prazer, nunca fora realmente infeliz; sempre lhe parecera estar alhures, ainda não nascido completamente. Esperava. E enquanto isso, devagar, sub-repticiamente, os anos tinham chegado, e o haviam envolvido.”
O âmago de Mathieu, personagem do livro, sendo exposto.
Fragmentos – Gertrud (II)
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HESSE, Hermann. Gertrud. 4. ed. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1977.
“E nisso ocorreu-me uma sentença de Muoth que repeti ao meu pai. Muoth dissera, certa vez, se bem que não a sério, que considerava a juventude como o período mais difícil da existência, e que achava que as pessoas idosas são, nas mais das vezes, muito mais alegres e contentes do que os jovens. Meu pai riu e depois, pensativo, opinou:
licença, Zé
2Há alguns dias terminei de ler o excelente livro de José Saramago “Ensaio sobre a cegueira”. Sinto-me impelido a fazer algumas citações dos diálogos dos personagens ou de observações do próprio escritor, mas não o farei. Claro que a história contém vários elementos um tanto tangentes à realidade, no entanto, a realidade psicológica se torna tão crua e fiel que podemos relevar algumas minúcias.
O que vem ao caso é o que seria de nós num mundo de cegos? É certo que teríamos, inicialmente, diversos problemas de higiene e alimentação, de desenvolvimento de tecnologias e de organização social. Porém, acredito que teríamos ainda razão suficiente para superar tudo isso e passar a um novo estado (estágio) de (sobre)vivência.
O que mais me admira, entretanto, é como o foco de nossas atenção estaria sendo desviado. Eu explico. É que, atualmente, vejo mais do que 50% da nossa vida ser guiada pelas aparências visuais (e ressalto desde já que não sou absolutamente nada contra isso, talvez até seja um tanto a favor, o que também não vem muito ao caso). Antes de ouvir, observamos; antes de nos apresentarmos, observamos; antes de cheirar, observamos. Analisamos as pessoas, os alimentos e produtos em geral pelas cores, pelas formas visuais, mas e se tudo isso fosse, de repente, apagado? E se restasse para nós apenas o cheiro, o tato, o paladar e a audição para que nos comunicássemos com o mundo?
Será que cegos aprenderíamos (inventaríamos) uma nova forma de vaidade, de estética? Eu poderia muito bem ser atraído por uma mulher unicamente por sua voz, combinada com a textura de sua pele e seu cheiro, afinal, no fim das contas é isso que conta juntamente com a beleza visual. Porém, não penso que existiria um padrão de beleza tão rígido e senso comum, parece-me que sob tal condição nos abriríamos a novas formas de experimentar os corpos alheios e o próprio corpo, teríamos mais tato e nos aproximaríamos mais, ouviríamos mais o que têm para nos dizer, seríamos mais atento ao recheio daquelas mentes que se escondem em panos e laços.
E melhor ainda seria se, depois de perdermos a visão, voltássemos a tê-la no momento mais inoportuno, para vermos, de fato, o que a realidade não-visual nos trazia em tal hora.
Será que seríamos seres humanos melhores ou piores? Penso que seríamos os mesmos, com aquilo que chamamos de “futilidade”, mas no fundo tanto nos prende, desviada para outro tipo de sensação.
Mas a música, com certeza, seria mais deliciosa.