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Alhures
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Segurou firme aquela carne flácida, carne da sua carne, um pedaço do seu próprio corpo, no entanto, parecendo tão alheio quanto os pensamentos de qualquer desconhecido que se lhe passasse pela rua.
Aquele pedaço de carne e gordura, pele e osso, não tinha significado nenhum, parecia estar conectado a si por um mero acaso da vida, ou melhor, todo o seu corpo parecia um amontoado de peças de vários quebra-cabeças que não se encontravam mas, de alguma forma, encaixavam-se de uma maneira mais ou menos simétrica e harmônica. Contudo, nada disso lhe era suficiente, era um pedaço de carne, e era estranho; era um pedaço dele mesmo, porém, era alheio a sua vontade ou consciência.
Era estranho como aqueles milhões de células podiam se juntar daquela forma, naquele corpo, que não parecia ser seu. Agarrava aquele pedaço da sua perna e entendia que para aquelas células estarem ali foram necessárias explosões estrelares, forças gravitacionais, dor, raiva, amor, paixão, sexo, morte, guerra, uma funcionária de um banco e um funcionário do governo. Milhares e milhares de fatos precisaram acontecer de uma forma específica para que aquele pedaço de carne que segurava agora estivesse ali e para que ele pensasse naquilo como algo estranho.
Poderia estar apenas olhando seus pêlos, admirando suas veias que, sutilmente, se avançavam pela pele, como uma cobra nadando quase na superfície da água, revelando por pouco sua silhueta, seu formato, suas cores e tamanhos. Poderia apenas estar se queixando de uma dor muscular ou, com mais azar, de um osso quebrado.
Não, nada disso. Ele olhava para aquela pele que cobria ossos e se perguntava o por quê daquilo ser daquela forma.
Seus pensamentos iam muito além da perna e do sangue que corria dentro das veias que cruzavam aquele membro, seus pensamentos vagavam distantes, corriam por montanhas pré-históricas, por ruas e casebres da idade média, voavam por entre planetas e estrelas que já não existem mais, por entre nebulosas e energias que, de alguma forma, pode ser que jamais sejam completamente compreendidas pelos homens.
Seus pensamentos chegavam até o início de tudo, ao Big Bang, a Deus, a Força Primordial. A Criação.
Mas tudo voltava aquela perna, agora alhures. O que, diabos, ele fazia ali, perguntando-se sobre tudo aquilo? E por que aquele corpo? Por que aquelas formas, pelos, cores, cheiros? Por que esses por quês?
Debatia-se em suas próprias ideias, pra lá e pra cá, como um macaquinho selvagem aprisionado, como um pássaro preso em uma gaiola, como um ser humano que pensa demais.
Um conjunto de células não poderia ser ele mesmo. Aquele mundo que existia dentro de si não poderia ser apenas a soma de uma predisposição biológica e uma fisiológica agregadas a estímulos elétricos do que vira e vivera em toda sua vida, da sua relação com seus amigos, irmãos, pai e mãe e, assim, consequentemente, das mais remotas escolhas pessoais desses que lhe educaram. É uma loucura ad infinitum.
Não conseguia aceitar que todo seu universo interior era apenas reflexo, uma resposta do seu corpo ao meio-ambiente. No entanto, tudo apontava numa direção pouco magnânima, era puro determinismo. Nada mais, nada além.
Soltou aquela perna e prestou atenção no chimarrão que agora lhe alcançavam. Era melhor sorver um amargo e parar de besteira.
A carne que se trai
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Ela tinha os lábios brancos ainda quando ele os olhou, quando sua própria boca parou de tocar a dela. Logo o sangue voltou a circular normalmente, mas naqueles segundos em que os lábios dela estavam pálidos ele pensou que iria perdê-la… para sempre.
Suas mãos seguravam a carne, o que antes eram braços passou a ser carne, pele, osso e pressão; talvez, um ponto de referência, algo para se agarrar em segurança durante um tornado, não sem o sentimento de desespero.
Ela olhava com olhos de ressaca: era dissimulada. Tentava negar em sua face a leve sensação de dor que aquelas mãos lhe traziam aos braços. Queria dizer com sua expressão “ei, você me perdeu, não adianta me segurar”; queria, contudo, dizer de verdade “ei, por que assim? Por que fez isso? Por que estragar desse jeito?”. Por fim, disse com uma voz baixa, firme, rouca e incolor “me solta”.
Havia muito sangue em suas veias; ele estava confuso, cego e despreparado.
Acabara de beijá-la como se fosse o último beijo, seus lábios quentes se encontraram em um espaço salgado, temperado pelas lágrimas de arrependimento e consciência. Ele sabia o que viria a seguir, mas não queria aceitar.
Ela acabara de beijá-lo de volta, não estava sonhando. Mas como podia ser tão fria?
Me solta, ela repetiu com uma voz glacial. Ele aliviou a pressão, mas não soltou, não poderia soltar.
Duas toneladas de segredo lhe pesavam os ombros. Não era o que ela sabia, era o que já tinha feito, tudo lhe pesava e lhe ardia. Seus dedos que seguravam a carne queimavam como se fosse o braço dela que lhe agarrasse e torcesse as falanges.
Ela queria dar-lhe um tapa e gritar de dor, chorar lágrimas quentes e salgadas. Ela queria ficar histérica por alguns instantes e acreditar que depois disso tudo ficaria bem, que era tudo uma brincadeira de mau gosto.
Seus olhos, os dela, castanhos claro, marejavam, e uma só lágrima rolou fervendo, quase vapor, sobre sua boca, e a respiração ofegante fez-la voar. Se pudesse congelar o instante, eu diria que aquele sopro dela fez mais do que a gota de dor voar e se espalhar em milhares pelo ar, diria que aquele sopro despedaçou a esperança que ele tinha de voltar ao que era antes, ao início.
Milhares de peças voando pelo ar, impossíveis de serem montadas novamente.
O amor é assim, quando se quebra os cacos não podem mais ser juntados com precisão, sempre falta uma peça, um encaixe. E aquela vacância ficará para sempre, uma nódoa travestida de lição e trauma. Impossível de esconder ou relevar.
Um dia lhe perguntariam “onde está aquela peça?” e ele responderia “perdi, em algum lugar entre a minha infantilidade e a minha estupidez”.
Essas manchas que nos pesam no coração não são retiradas, elas ficam mesmo sob aquela chuva que molha até os ossos. Os outros perdoam porque não enxergam a mácula que nos dobra as costas sob seu peso.
Ela queria abraçá-lo, dizer “tudo bem amor, eu te perdôo”, mas logo a histeria se renovava em algum lugar recôndito de seus pensamentos, surgia como um assaltante e lhe rendia o que havia de bom, então queria gritar “por que assim?”.
Ele soltou a carne dos braços dela, mas não a soltaria, nem no momento seguinte nem por muito tempo, nem quando ela lhe desse as costas e fosse embora nem quando, anos depois, ela casasse sem convidá-lo, para nunca mais participar de sua vida.
São cheiros que ficam, do amor ao sexo, dos lábios às lágrimas. Mas está tudo repartido em milhares de gotículas que vão secar… vão secar como tudo aquilo que existe.
Proteínas e Aminoácidos, um resumão
17NOTA: As seguintes questões formam um roteiro de estudos indicado pelo professor da matéria Química dos Compostos II. A maioria das respostas foram retiradas do livro Proteínas em Alimentos Protéicos de Valdomiro C. Sgarbieri. O presente texto não passou por nenhuma correção, serve apenas como base de alguns conceitos.
1- O que são proteínas?
Proteínas são estruturas formadas por ligações entre unidades basilares chamadas de aminoácidos. Os aminoácidos, por sua vez, são formados por, basicamente, quatro elementos (Carbono, Hidrogênio, Oxigênio e Nitrogênio), que se organizam de forma que existam duas funções orgânicas conhecidas na molécula: amina e ácido carboxílico.
As proteínas desempenham diversas funções, tais como a de estruturação celular e de tecidos orgânicos, a de contração muscular, a de síntese de hormônios, a de nutrir organismos, etc. Podem, outrossim, ser classificadas de acordo com a presença apenas de aminoácidos (proteínas simples) ou, também, a presença de outras substâncias (proteínas conjugadas). As proteínas conjugadas são divididades em: nucleoproteínas, glicoproteínas, lipoproteínas, hemoproteínas, flavoproteínas, fosfoproteínas e metaloproteínas.
Proteínas podem, ainda, ser classificadas com base nas suas cadeias laterais: laterais alifáticas, laterais hidroxiladas, laterais com carboxilas e suas respectivas amidas, laterais básicas, laterais aromáticas e laterais sulfuradas.
2- Qual a classificação dos aminoácidos?
Aminoácidos podem ser classificados de forma nutricional, como essenciais, não-essenciais e condicionalmente essenciais.
- Essenciais: arginina, fenilalanina, isoleucina, leucina, lisina, metionina, histidina, treonina, triptofano e valina.
- Não-essenciais: alanina, glutamato, arpargina, aspartato.
- Condicionalmente essenciais: taurina, tirosina, cisteína, glicina, serina, prolina e glutamina.
Também podem ser classificados por sua estrutura química como:
- Apolares: alanina, leucina, valina, isoleucina, prolina, fenialanina, triptofano e metionina;
- Polares neutros: glicina, serina, treonina, cisteína, tirosina, aspargina e glutamina;
- Ácidos: ácidos aspártico e glutâmico;
- Básicos: arginina, lisina e histidina.
3- O que são aminoácidos essenciais?
Aminoácidos essenciais são aqueles que não são produzidos pelo corpo humano em nenhuma escala, e, sendo indispensáveis à nutrição do homem devem ser ingeridos através dos diversos alimentos em que se encontram disponíveis.
A Valina, Leucina e Isoleucina, que são aminoácidos essenciais de cadeia ramificada (chamados BCAA`s – Brain Chained Aminoacids) são encontrados principalmente em carnes, mas podem estar disponíveis em leguminosas como soja e feijão.
4- Qual a importância do ponto isoelétrico?
Aminoácidos possuem, ao menos, dois grupos ionizáveis ( -COOH- e –NH3+), o que faz com que sejam dipolares, de caráter anfótero, podendo agir tanto como ácidos quanto como bases. Existe um ponto de pH para cada aminoácido em que o mesmo terá suas forças positivas e negativas equanimes, esse ponto é chamado de Isoelétrico.
A importância do ponto isoelétrico reside na possibilidade de efetuar, assim, uma diferenciação e separação de aminoácidos através de um gradiente de pH pela migração eletroforética, técnica denominada focalização isoelétrica.
5- Por que os aminoácidos podem ser considerados íons dipolares?
Por conterem dois grupos ionizáveis, o grupo carboxílico –COOH- e o grupo amínico –NH3+, os aminoácidos são íons dipolares.
6- O que é ligação peptídica e qual sua importância?
Ligação peptídica é a ligação que ocorre entre o grupo carboxílico de um aminoácido com o grupo amínico de outro, formando amidas e liberando água. Esse tipo de ligação é responsável pela formação das proteínas, que são diversos aminoácidos ligados entre si.
7- Em que está baseada a classificação das proteínas? Explique a diferença entre as classes?
Primeiramente, classifica-se as proteínas em duas grandes classes: a das proteínas simples, que possuem apenas aminoácidos em sua estrutura; e a das proteínas conjugadas, que, além dos aminoácidos, possuem outras substâncias que compões a chamada parte não-protéica.
As proteínas conjugadas são subdivididas em:
- Nucleoproteínas: formadas de polipeptídios mais ácidos nucléicos;
- Glicoproteínas: formadas de polipetdídios mais carboidratos;
- Lipoproteínas: possuem polipeptídios, triglicerídios, fosfatídios e colesterol;
- Hemoproteínas: formadas por polipeptídios e um ou mais radicais HEME como radical prostético;
- Flavoproteínas: polipeptídios mais nucleotídeos de flavina e/ou adenina;
- Fosfoproteínas: formadas de polipeptídeos mais radicais fosfato ligados à serina, treonina e/ou asparagina;
- Metaloproteínas: polipeptídios mais elementos metálicos (Fe, Zn, Cu, etc.)
8- O que é grupo prostético?
É um componente não-protéico das proteínas conjugadas, encontra-se ligado permanentemente à proteínas e, no caso das enzimas, ligado ao centro ativo. Exemplos foram citados na resposta da questão anterior.
9 – Explique a importância das estruturas primária, secundária, terciária e quaternária.
Estrutura Primária: apresenta apenas ligações peptídicas entre os aminoácidos, isso permite a análise quantitativa e qualitativa dos aminoácidos presentes no polipeptídio ou proteína.
Estrutura Secundária: acontece pelo arranjo de aminoácidos na estrutura primária entre si, e essa ocorrência é possibilitada pela rotação dos carbonos alfa, e a não rotação do carbono ligado ao nitrogênio da ligação peptídica. A estrutura secundária é mantida pelas ligações ou pontes de hidrogênio, que podem ser intramolecular (alfa-hélice) ou intermolecular (folha pregueada). Essa estrutura confere mais resitência à proteína, formando proteínas fibrosas importantes para alguns tipos de células.
Estrutura terciária: é um arranjo espacial da cadeia polipeptídica (dobramento), dotada ou não de estrutura secundária. Na sua estabilização entram forças diversas, como: ligações dissulfeto (covalentes), ligações salinas ou interações eletrostáticas, ligações ou pontes de hidrogênio, interações dipolares e interações hidrofóbicas ou de Van der Waals. Essa estrutura confere atividade biológica às proteínas.
Estrutura Quaternária: unidades estruturais das proteínas podem conter um ou mais polipeptídios, e cada polipeptídio tem seu grau de estruturação (primário, secundário ou terciário), quando as subunidades estruturais se unem por ligação não covalentes há a formação da estrutura quaternária. Essa estrutura forma diversos tipos de proteínas com várias funções, dentre elas está a hemoglobina.
10 – Que funções uma proteína pode ter em determinado organismo?
Função Estrutural e Contrátil: proteínas miofibrilares (actina e miosina), colágeno (pele, tendões e ligamentos), elastina (vasos sanguíneos) e queratinas (pêlo, cabelo e pele de animais). São praticamente insolúveis em água e são filamentosas.
Catalisadores biológicos: as chamadas enzimas, que atuam como catalisadores de reações bioquímicas.
Hormônios: substâncias secretadas por glândulas endócrinas e lançadas no sangue, por onde alcança os tecidos e órgãos do corpo. Alguns hormônios protéicos são a insulina, o glicagônio, tireotropina, entre outros.
Transporte: proteínas transportam nutrientes e metabólicos, entre fluidos fisiológicos e tecidos, por exemplo, a hemoglobina que transporta O2 dos alvéolos pulmonares para os tecidos e CO2 dos tecidos para os pulmões (respiração aeróbica).
Antígenos e anticorpos: antígenos são proteínas indesejadas que se alojam nos organismos, estes que precisam produzir (ou serem supridos de) anticorpos específicos para combater os antígenos.
Nutrição: qualquer proteínas não tóxica tem função nutricional, e seu valor nutritivo dependerá diretamente de sua digestibilidade e composição de aminoácidos essenciais biodisponíveis.
11- Comente sobre as propriedades nutricionais das proteínas.
Como dito anteriormente, qualquer proteína não tóxica pode ter função nutricional. Os valores nutritivos das proteínas variam de acordo com alguns pontos, a saber: digestibilidade, biodisponibilidade e quantidade e variedade de aminoácidos.
Algumas proteínas tem grande quantidade de aminoácidos, porém, são de difícil absorção. A proteína da soja, por exemplo, não é tão completa em aminoácidos quanto a proteína da carne vermelha, esta que também é mais rica que a da carne branca.
12- O que é desnaturação protéica? Quais seus efeitos?
A desnaturação da proteína é a quebra da estrutura secundária ou terciária da mesma. Contudo, os aminoácidos permanecem em suas estruturas primárias. Costuma-se atribuir à desnaturação protéica a perda do valor biológico da proteína em questão, ainda que isso nem sempre ocorra, é o mais comum, e se deve ao fato de que alguns aminoácidos deixam de ser biodisponíveis quando a proteína é desnaturada. Assim se tem, também, a idéia de valor biológico, associado ao quanto podemos absorver de determinado nutriente ao ingerir um alimento.
13- Compare a variedade de aminoácidos encontrados em proteínas do ovo e de grãos.
O ovo, apenas na clara, possui alanina, arginina, ácido aspártico, cistina, ácido glutâmico, glicina, histidina, isoleucina, leucina, lisina, metionina, fenilalanina, prolina, serina, treonina, triptofano, tirosina, valina, ácido siálico, entre outros aminoácidos, contidos em partes da clara tais como a ovoalbumina, conalbumina, ovomucóide, ovomucina, etc. Ainda no ovo, na gema, existem a serina, a arginina, a lisina, a tirosina, e outros aminoácidos, formando diversos tipos de proteínas, inclusive metaloproteínas, fosfoproteínas, lipoproteínas. Cabe ressaltar, que todas esses e aminoácidos se encontram em um estado de grande digestibilidade, altamente biodisponíveis.
Os grãos, como o trigo, possuem quantidade de proteína albumina concentrada, principalmente no endosperma, por isso, para um maior aproveitamente nutricional, deve-se consumir o grão integral. Contudo, a maior parte das proteínas do trigo são as proteínas do glúten, que são pouco ou nada digeríveis. Os aminoácidos presentes no referido grão são: triptofano, lisina, histidina, amonia, arginina, ácido aspártico, treonina, serina, ácido glutâmico, prolina, glicina, alanina, cistina, valina, metionina, isoleucina, leucina, tirosina e fenilalanina.
No arroz, os aminoácidos encontrados são: isoleucina, leucina, lisina, metionina, cisteína associada com metionina, fenilalanina, treonina, triptofano e valina.
No milho, os aminoácidos são: lisina, histidina, treonina, valina, cisteína, metionina, isoleucina, leucina, fenilalanina, tirosina e triptofano.
No feijão: lisina, histidina, arginina, ácido aspártico, treonina, serina, ácido glutâmico, prolina, glicina, alanina, cisteína, valina, metionina, isoleucina, leucina, tirosina, fenilalanina e triptofano.
14 – Pesquise quais os métodos mais comuns para determinação de proteínas.
- Métodos Químicos: proteólise ou digestibilidade in vitro, aminograma e escore químico, lisina potencialmente biodisponível e metionina potencialmente biodisponível;
- Métodos Biológicos: balanço de nitrogênio, digestibilidade, valor biológico, utilização líquida da proteína (NPU), quociente de eficiência protéica (PER), quociente de eficiência líquida da proteína (NPR), valor nutritivo relativo (RNV);
Métodos Microbiológicos.
15 – Diferencia as propriedades funcionais das proteínas.
- Hidrofílicas: afinidade da proteína com a água;
- Interfásicas: capacidade das moléculas de proteína se unirem, formando uma película entre duas fases imiscíveis (emulsificação, formação de espumas);
- Intermoleculares: propriedade das proteínas formarem ligações entre si ou com outros componentes do alimentos (fibras de proteínas, geleificação);
- Reológicas: propriedades que dependem de características físicas e químicas específicas das proteínas (viscosidade);
- Organolépicas: também chamadas de propriedades sensoriais, manifestam-se através dos órgãos dos sentidos, referem-se a textura, cor, gosto e aroma.
)(
1o filho do sol espera o carneiro passar sob o raio de ouro
espera como um prisioneiro espera sua morte com alívio
não conta as horas dessa agonia, espera segundo por segundo
o porvir é sempre mais belo
a promessa é tão promissora
e o filho do sol espera o carneiro dourado
a lua lhe contou um segredo, e este foi dividido
sob um onírico signo ela vai falando
e ele não vê o fim da saga
mas ela também espera
e juntos cantam uma música diferente, dançam sem ritmo
e é a alegria da criança coroada vê-los sem rumo, no cercadinho que lhes foi dado
agora faça silêncio, o temporal vai começar
whiter shade of pale
1Pobre, tinha tanta dificuldade em se despir da sua razão e apenas sentir o que elas lhe diziam que ficou tanto tempo parado, sem sequer se aproximar, tendenciosamente, de uma delas.
Por fim, resolveu obedecer a um impulso ignoto, coisa de animal, o tipo de sentimento que ele costumava relevar, ou omitir, ou até mesmo esconder de si mesmo. Aproximou-se de uma das portas e, lentamente, começou a ser invadido por um saudosismo. Mas aquilo não tinha sentido algum, era uma sala cheia de portas, fechadas, sem janelas, uma parca luz vinda de algum lugar, era óbvio que sentiria uma sensação do tipo, seria jogado para a infância, lugares na memória onde se sentiria confortável e seguro.
No entanto, as lembranças ficavam cada vez mais nítidas. Lembrou-se de um dos dias em que saiu pela rua com seus amigos para fazer nada, tinham todos entre dez e onze anos, compraram uma coca-cola e vários salgadinhos, e caminharam em direção a praça. Era perto das cinco horas da tarde, o horário de verão ainda não havia começado, em cerca de uma hora iria escurecer, e eles se sentiam livres, leves, donos de si, com guloseimas e um mundo imenso ao seu redor.
Havia um cheiro suave das árvores ao redor, e eles sentaram no banco da praça, estavam entre quatro. O clima não era mais tão frio, era agradável, havia um vento não tão suave vindo do sul, e eles conversavam sobre rock and roll, sobre as namoradinhas da sexta série. Tudo era divertido, cheio de ingenuidade.
Ele se afastou da porta. Sentiu a tristeza de olhar para trás, tinha a certeza de que jamais teria anos tão felizes quanto aqueles da sua juventude.
Sentia um aperto no coração, literalmente, parecia que se lhe houvessem socado no peito não seria tão ruim. O amargo o fez recuar e se dirigir para uma porta mais à esquerda. Ao chegar perto sentiu um cheiro de comida, era carne de panela e feijão. Parecia que podia tocar no cenário, mas se via um adolescente agora, já tinha quinze anos, era meio-dia e chegara do colégio para almoçar, sua mãe preparava o almoço, e ele estava brigado com seu pai, já manifestava os primeiros sinais de auto-afirmação. Olhava para o pátio da casa e observava as nuvens escuras chegando rapidamente com o vento, em breve iria chover, e ele poderia ficar o dia inteiro em casa, sem fazer nada de especial. Sentia naquilo tudo um vazio, ali começara sua derrocada, naqueles momentos sóbrios de ociosidade infrutífera, iniciara ali seu afastamento do mundo, o pequeno lobo aprendendo a ser selvagem, mostrando os dentes.
Afastou-se dessa porta também, não sabia o que mais lhe doía, se era a saudade de tempos incontestavelmente ótimos ou o reconhecimento de erros tão distante e pueris que, mesmo podendo ser concertados, demandariam um esforço quase sobre-humano em sua psique. Ele já era matéria sólida, sua teimosia em si mesmo residia como um parasita lhe sugando uma seiva vital.
Permaneceu um tempo parado no centro da sala oval, olhando para o chão, vendo a luz fraca se espalhar. Batalhava contra si mesmo, o lobo queria dar um jeito de sair do jogo, estava cansado e precisava morder alguma coisa, o homem queria saber de cada porta, o que elas significavam e outras tantas coisas.
Num esforço, voltou-se para trás e foi rapidamente para outra porta. Tocou nela, sentiu sua textura, era madeira, cedro, espessa, escura, fria. Aquela frieza o lembrou de tempos não tão distantes, das suas buscas vãs por um espírito satisfeito, por uma alma sadia, mas o mais perto que chegou foi do sadismo. Havia sexo ali, e só sexo, já não conhecia o amor apaixonado da adolescência, nem o amor comedido dos seus vinte anos. Já estava com vinte e cinco, recém formado, trabalhava e ganhava um dinheiro bom. Saía aos finais de semana com os poucos amigos que tinha, e estes ele sempre os mantinha a certa distância com medo não se sabe de que. No seu quarto só entravam mulheres, às vezes até mais de uma na mesma noite. Era sexo, e só sexo. Sentia falta do amor, e esse vazio o fazia distante, satisfazia-as com prazer, mas nunca com sentimento, não por maldade, mas por impossibilidade. Já nao era apto ao verbo amar.
Meditava, outras vezes, com seus exercícios espirituais, sem nunca saber ao certo se estaria fazendo a estrada correta. E essa dúvida revivida o fez recuar da porta e pensar que poderia ter seguido por escolhas erradas atrás de outras também erradas, enganando-se de porta em porta, já não poderia voltar nem mesmo imaginar alguma outra hipótese de vida.
Com toda certeza, aquela foi a porta que mais lhe esvaziou os sentimentos. Não era dor, era comedimento e resignação. O lobo estava angustiado, já babava de raiva, mas o homem sufocava o instinto, e a ira ficava contida.
Resolveu tentar outra vez. Havia uma porta reto a sua direita, e ele se dirigiu para lá. Ao chegar bem perto, sentiu nada, absolutamente nada. Era como se ficasse envolto de uma luz totalmente branca, a maior alvidez possível, o próprio princípio da luz. E já não sabia quantificar o espaço ou o tempo, não sabia se situar em coordenadas ou dimensões.
Havia cansado de memórias, de lamentações. As ilusões eram as mesmas, invariavelmente. As lembranças estariam sempre ali para ele se lamentar de suas escolhas, sem nem ao menos lhe ser permitido saber se teria possibilidade de ter feitos caminhos diferentes. Às vezes acreditava que não podia, nunca, ter feito nada diferente, se lhe dessem mil ocasiões repetidas, ele seria impelido por forças incognoscíveis a fazer mil vezes exatamente o mesmo.
Ah,ele abriu a porta e entrou, resoluto.
