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Voando certo

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“Quanto mais alto voamos, menores parecemos aos olhos daqueles que não sabem voar.” Nietzsche

Muitos desavisados podem interpretar essa frase forma errônea, pensar que o voar alto é conquistar coisas, é gritar “sou independente, tenho meu dinheiro e não preciso de ninguém”, é empilhar coisas e mais coisas num delírio de grandeza. Errado, pequeno gafanhoto, isso não é voar alto.

O que disse acima é tão somente o símbolo da sociedade fantasiosa e suspensa de consciência em que vivemos, a marca registrado do capitalismo desmedido iludindo as nossas cabecinhas.

É quase sufocante a ignorância de quem pensa que acumular riquezas sem propósito é um fim em si. Atente: de forma alguma sou contra ter dinheiro, pelo contrário, acredito que o dinheiro traz muita felicidade sim, contudo, apenas se for bem aproveitado. Viagens, experiência, vivências, coisas que possam trazer, além de inteligência, sabedoria, como expus num certo textículo anterior.

Voltando ao assunto. Voar alto é, para Nietzsche, mais ou menos a mesma coisa que seu personagem Zaratustra explicava sobre o macaco, o Homem e o Sobre-homem. Voar alto é caminhar sobre a corda bamba, a ponte que liga o macaco ao sobre-homem, voar alto é ser o Homem caminhando em direção ao sobre-homem, superar a si mesmo no sentido mais amplo da expressão, é conhecer-se, ir até o limite, transcender o limite.

Muitos assim o fizeram, compreenderam a natureza do espírito e da alma, ultrapassaram a moralidade, comeram do fruto do conhecimento, descobriram que bem e mal são apenas falácias mal contextualizadas.

Parecer menor pra quem voa muito alto deve ser quase um prazer, passar-se desapercebido, sem ser notado quando não se quer, um bom modo de escapar das futilidades tóxicas.

Nem um buda, nem um cristo, nem qualquer outro “iluminado” poderia se dizer imune às armadilhas que o mundo de riquezas e vaidades nos reserva. Atenção é uma palavra fundamental na vida, o diabo está nos detalhes, e quando se voa alto e não se presta atenção, pode-se ter um destino semelhante ao de Icaro.

Inteligência e Sabedoria

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A diferença não é nada sutil, ainda assim, muitas pessoas costumam confundir inteligência com sabedoria. Então, deixa-me contar um segredo: inteligência e sabedoria são coisas bem diferentes.

A inteligência é a habilidade de manejar conhecimento e aplicá-lo. Se uma pessoa passa 16 horas por dia estudando sozinha ela se torna inteligente, quer dizer, ao menos deveria ser assim se não há problemas de atenção ou cognitivos no processo.

Enfim, uma pessoa pode ficar inteligente com muito estudo, mas uma rotina que afaste sua atenção dos próprios processos mentais e emocionais e psíquicos, das relações do seu próprio âmago e também das relações interpessoais jamais permitirá que ela se torne sábia.

Sabedoria é uma virtude em falta atualmente. Crianças são criadas para ser boas em línguas, matemática, física, química, passar no vestibular, ser o número um, etc. Crescer nessa competitividade nos trouxe um avanço fenomenal na capacidade de reter, interpretar e aplicar informações; com isso, inventamos o carro, o avião, a bomba, a internet, os transplantes, e muitas outras coisas, no entanto, nesse emaranhado de novidades e desejos de ter e comprar, nos perdemos.

A sabedoria não nasce do cárcere de idéias. Uma pessoa que pode se tornar sábia é uma pessoa atenta, alguém que sabe aprender com situações, seja com os bons ou maus momentos, com exemplos.

Também não é sinônimo de experiência, passar por inúmeros problemas sem que se saiba avaliar e pesar os acontecimentos não faz de nós sábios. Aliás, sabedoria poderia ser explicada como uma espécie de mistura entre experiência e inteligência. É saber calcular e estudar com atenção as experiências, é ter humildade para reconhecer quando se erra e não se vangloriar de vitórias.

Em uma parte da música Nihil Morari do Pain of Salvation é dito o seguinte: You think we have developed fast; that we’re civilized and intelligent
I’ll let you in on a secret: we have developed Things!
The rest is simply knowledge passed on
Hell, 99% of humanity couldn’t put together a simple light bulb if you
put a gun to their heads!
And the intellect rubs off on fear.

Estamos em um período assim, passando conhecimento adiante, seria otimista demais, temos sido assim desde sempre, apenas passando conhecimento.

Em não muito tempo teremos uma sociedade extremamente madura em tecnologia e conhecimentos, contudo, completamente infantilizada no campo emocional, que nos faria sábios. O egoísmo, a posse, a guerra, a raiva, são sentimentos nosso, inatos, mas é impossível deixar de vê-los como, e tão somente, nossa animalidade se manifestando.

Vejo homens ricos, bem sucedidos, mestres, doutores, pesquisadores, médicos, advogados, todos, atolados em carros importados e móveis de luxo, sem a mínima noção de humildade, de vivência emocional, são pedras teimosas que assistem televisão e discutem a tabela FIPE e falam do dólar, e isso é tudo que podem fazer, é tudo que aprenderam a fazer.

Pois eu vou lhes contar um outro segredo: somos inteligentes, mas não o suficiente para usarmos essa inteligência em nós mesmos, não para avaliarmos a necessidade de sabedoria.

Enquanto isso, na Casa Branca, Dalai Lama se encontra com Obama…

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