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Esses dias atuais…
4E segue a disputa pelo maior número de mortes pela gripe do porquinho nos estados brasileiros. Os paulistas tão liderando, muito a frente dos cariocas. Que bonito isso, uma disputa saudável e sem brigas entre os estados, muuuuuito melhor que futebol. Né?
Não sei, foram suspensas minha aulas, consequentemente, meu estágio, portanto, sem nada para fazer, sinto uma quase obrigação de vir aqui escrever bobagens. Né?
Então pessoas, leiam o meu blogue, cada vez mais e mais e mais e mais…
Por quê? Porque sim, oras, vocês não têm nada para fazer, precisam ficar em casa, longe de lugares com muitas pessoas, com um chazinho vick do lado e umas pastilhas de vitamina C.
Sendo assim: leeeeeeeia este blog.
E não vá, sob hipótese alguma, à Igreja Universal do Reino do Deus Deles. Não dê dinheiro para eles, dê para mim se quiser, eu prometo a salvação sob nome do deus que desejar. Além do mais, eu abençoo sua alma daqui de casa mesmo, e você fica aí, fechadinho, protegido, não precisa se misturar com um monte de gente tossindo e espirrando nuns bancos duros, num templo gelado escutando um homem gritar lá na frente “Jesus salva, irmão!! Sacrifique seu dinheiro em nome do senhor”. No fim da frase bem que podiam especificar o nome do senhor beneficiado (Edir Macedo?).
Acho que vou fundar uma igreja também. Alguém me ajuda?
Amém.
Atchim.
combate à fome
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Achei tão bonitinho hoje quando li que o G8 se comprometeu em doar, em 3 anos, 20 bilhões de dólares para ajudar no combate a fome mundial. Já é um passo. Ainda que não estejam ensinando ninguém a utilizar a natureza do seu país para cultivar algo, financiando maquinários e afins, dar o peixe, mesmo sem ensinar a pescar, já é um primeiro passo grandioso nessa sociedade egoísta que vivemos.
Entretanto, eu não posso fazer nada além de esboçar um rápido sorriso amarelo, depois volto a minha carranca e mau-humor para questionar: e com a guerra, quanto se gasta?
Fui pesquisar quanto esses países gastam com produtos bélicos. Encontrei diversos números: os dos EUA, da China, da França, da Alemanha, etc. Contudo, o que mais me deixou, digamos assim, embasbacado, foi o fato de que, apenas em 2008, o Brasil, país subdesenvolvido, emergente (?), que não está, teoricamente, em guerra e tem, comparado a diversos outros países, um gasto bélico muito pequeno, gastou cerca de 23,3 bilhões de dólares.
Vamos à matemática agora, mas bem simples: G8 são oito países, ricos, que se comprometem a gastar U$20 bilhões com uma causa nobre. Dividindo os 20 por 3, temos uma dízima de 6,66666; pois bem, são 6,66 bilhões de dólares gastos anualmente pelo G8, mas o grupo é formado por oito países, então dividamos por 8 o resultado anterior, temos então 0,8333 bilhões de dólares gastos, anualmente, por cada país. Concluo, portanto, que apenas o Brasil gastou cerca de 27 vezes mais em produtos militares do que será gasto para o combate à fome (e ainda temos audácia de dizer que combatemos a fome com o Fome Zero).
É impressão minha ou tem alguma coisa de muito errado aí? Ah, o grande irmão não tem interesse em terminar a guerra.
Infelizmente, não consigo ter esperanças de uma sociedade, no mínimo, decente para se viver enquanto números assim, postos de uma forma tão simples, se apresentam diante de nós. Nem sequer entrei nas questões dos assaltos, homicídios, tráfico e toda sorte de coisas divertidas assim que vemos diariamente por todos os meios de comunicação.
Se o Brasil, que é um país sem nenhuma tradição com grandes armamentos, tecnologia bélica e tudo mais, gasta nessa magnitude com a “guerra”, nem serei obrigado a entrar na questão dos países como EUA e China. No entanto, só para termos uma idéia, a China, que foi o segundo país que mais gastou com a indústria bélica em 2008 (primeiro foram os EUA, com 41,5%) o fez na proporção de cerca de 100 vezes mais do que o que será gasto para combater a fome.
Penso que não é impressão minha. Há, de fato, algo de muito errado aí.
Ah, agora vem a nova tendência: Guerra Cibernética. Boa sorte pras Coréias e pra todos os usuários da internet. Vossa Fordeza já vê onde isso tudo pode parar.
uma anedota pro rei do pop
3E se acontecesse mais ou menos assim: terça-feira, às 10h da manhã em Los Angeles, 14h aqui no Brasil pelo horário de Brasília, o ginásio dos Lakers, Staples Center, completamente lotado de pessoas histéricas, ou muito mais do que histéricas. Do lado de fora mais outras tantas milhares de pessoas se empurrando numa confusão sem tamanho para assistir pelo telão posto do lado de fora.
São dez horas da manhã da terça-feira, 07 de julho, lá em Los Angeles, o telão, por enquanto, está com a imagem fixa do centro do ginásio, onde muitos seguranças estão se esforçando para manter um círculo com velas e tapete vermelho para onde há apenas um acesso vindo dos vestiários. De repente os gritos que haviam se acalmado recomeçam, ensurdecedores.
Seis homens vestidos de preto, seguidos por alguns poucos familiares e amigos, entram pelo corredor com tapete vermelho carregando, lentamente, o féretro do cantor. Enquanto se encaminham para o centro do ginásio os gritos se tornam tão fortes que até pensar se torna difícil. A agitação é enorme, os seguranças se esforçam muito para que não seja quebrada a segurança.
O caixão é depositado sobre quatro hastes que já estavam lá, revestidas em dourado. Tudo parece um incrível cenário de filme, com brilhos, luzes e toda a grandeza de Hollywood. Alguns minutos se passam após o ataúde ser deixado no centro e então, finalmente, o público parece começar a se acalmar.
Outros tantos minutos até que haja silêncio total. Janet está com o microfone em mãos, parada, imóvel, esperando pelo silêncio. Vira-se de frente para o caixão, inclina-se e um grito ecoa pelo ginásio, pelo lado de fora através dos alto-falantes, pelas casas que estão assistindo à transmissão ao vivo do funeral. O silêncio continua.
Como se viesse de longe, uma bateria começa a tocar com um ritmo implacável. Quase a atenção é desviada do caixão, onde Janet continua debruçada, impedindo a visão sobre o rosto de Michael. Então, outro grito alto e instrumentos se juntam à bateria. É claro, começa a música They Don`t Care About Us.
Janet sai de cima do caixão e o cantor, como num filme de terror, começa a se levantar. As pessoas que estão assistindo àquilo ficam sem reação, umas choram, outras ficam em transe, outras gritam, enfim, uma maré de sentimentos invade o ginásio Staples Center, e todos que assistem ao espetáculo. Lá está o astro, em pé, vivo, inexorável, brilhando em seu terno preto e prata e cantando.
Tudo se resolve, como num sonho bom, como na Terra do Nunca, e ele está em pé, cantando com sua irmã, no maior espetáculo que já se teve notícia. Todos parecem incrédulos do que está acontecendo, mas é inegável, lá está Michael Jackson.
Não seria de se admirar se algo assim acontecesse, tendo em vista a mania de grandeza do cantor e sua obsessão por clipes e filmes lúgubres. Não consigo imaginar melhor maneira de promover sua própria turnê.
seca
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Era uma intimista, ao menos representava ser. Tinha na sua casa um cactus somente pra poder lembrar da vida que não precisava ser regada, que não precisava de muita atenção, acontecia de qualquer forma, preferia isso às violetas, estas precisavam de água, de sol, de ar e, como sua mãe dizia, de atenção. Ela não queria dar atenção, não queria cuidar, não queria ser cuidada, não era uma planta.
Destacou-se no ensino médio por suas idéias diferentes, não era necessariamente egoísta, mas pensava como se fosse, e revelava novas luzes aos seus colegas e professores, com redações de acidez inequívoca, o trabalho dela era sempre o mais sutil. Nem sempre agradava aos professores, conservadores, principalmente as professoras religiosas, cheias de pudores, de limitações. Ela costumava comparar as velhas professoras com cavalos com cela, quem as montava era a madre superiora da escola, e elas, tão tementes à madre, disfarçavam sob o manto de Jesus suas lamentações, diziam ser fiéis a deus e ao senhor jesus, balela, tinham medo de perder as bênçãos da carrasca superiora.
A vida de universitária também não lhe foi uma maravilha. Iniciou o ensino superior com total dedicação, mas ainda no primeiro semestre percebeu – e tentou negar a si mesma – que nada seria como ela esperava, as aulas eram vazias, os mestres eram pessoas comuns, lutando para sustentar seus filhos, vendendo idéias alheias e muito mais baixas do que aquelas que eles tinham antes de se perderem de seus sonhos. Velhos frustrados, foi assim que ela os qualificou, mas precisava de um diploma, com ou sem a simpatia dos mestres. E assim se foram os dez semestres do curso de direito, cada semestre ela ansiava em vão por aulas melhores, por professores competentes, a maioria era de conchas vazias, ecoando palavras que escutaram ou leram em livros, e assim escondiam seus cérebros quase caindo em desuso. Uns outros, porém, conseguiram a atenção da jovem, justamente por não o precisarem, eram almas livres, não estavam ali para alimentar ninguém, ensinavam porque queriam, porque tinham um ideal que não podia ser apagado tão facilmente. Certo que dentre estes apenas um já era senhor de idade avançada, os outros ainda jovens poderiam se transformar em conchas, mas este senhor não, já demonstrara toda sua tenacidade durante a vida, e assim seria até a morte.
Por várias noites se juntou aos verdadeiros mestres da universidade, e ela se sentia à vontade, como poucas vezes na vida. Entre vinhos e whiskies, entre charutos e cigarros, descobriu um outro mundo fora das leis da sociedade. Era um grupo de estudiosos de um mundo oculto, e ela conheceu professores de direito, filosofia, engenharia, psicologia, empresários, jovens, velhos, solteiros, casados, enfim, várias pessoas diferentes unidas em um círculo para um objetivo comum: celebrarem à vida à vontade em liberdade.
Um dos homens daquele grupo acabou se aproximando dela, ele era também universitário, cursava psicologia. Mas essa não é uma história de amor, e a nossa moça não se apegou ao rapaz, apesar de com ele ter descoberto muito mais sobre sexo, paixão, tesão e companheirismo.
Após sua formatura, seus trabalhos durante o curso lhe renderam uma bolsa de estudos fora do Brasil. Fora estudar na Espanha. A Europa era incrível, cheia de tradições, e por mais que as pessoas fossem calorosas e muitas vezes expansivas, ela nunca sentira tanta vida interna no Brasil como sentira por lá, as pessoas cultivavam coisas dentro de si, umas possuíam jardins, campos de trigo, violetas, outras tinham campos de pedra, esgotos e prisões, mas já era alguma coisa. Ela, contudo, permanecia com seu cactus, e comprou outro quando chegou lá.
Aplicava o que aprendera fora das salas de aula diariamente quando estava sozinha, jamais descuidara de si. Vários jardineiros europeus quiseram pôr as mãos em seu jardim, em seus cactus solitários, mas ela não permitia que lhes regassem, admirar era a única opção.
Anos passaram. Ela terminou seus estudos e voltou ao Brasil para uma visita um pouco mais longa aos seus pais. Eles já estavam velhos, os seus olhos brilhavam pouco, cheios de amarguras e tristezas, cultivavam alegrias pretéritas e ela era uma delas, a filha única, a garotinha dos olhos cor de mel, de cabelos longos, que brincava com os garotos da rua. Hoje seu cabelo estava curto, e seus pais pareciam haver cortado, também, os laços um com o outro, como se vivessem juntos por conveniência.
Um dia ela descobriria que aquilo não era falta de amor nem desatenção. Seus pais tinham apenas um jardim, e esse jardim só permitia um cactus nascer. Quanta falta de cor, quanta falta de cheiros, um cactus só não poderia alimentar os olhos de uma família mais por muito tempo. Agora era hora de começar a plantar algumas orquídeas, violetas, rosas e outras mais.