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Fim da copa, fim do patriotismo
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E agora, José?
O que acontece depois que a seleção brasileira é eliminada da copa do mundo pela seleção da Holanda? O que acontece com a rotina? O que acontece com as aulas adiadas, os trabalhos suspensos, os churrascos e cervejas programados para os ex-vindouros jogos? O que acontece com o “patriotismo”?
Sinto muito, meu caro leitor, mas se você é daqueles que grita “eu sou brasileiro, com muito orgulho, com muito amor” em época de copa do mundo mas esquece para quem votou nas últimas eleições, você deve, imediatamente, fechar este blog e ir catar coquinho lá em Pernambuco.
Essa sensação de ser um estranho no meio de um monte de falsos patriotas está me deixando bastante zonzo. Além de querer gritar “enfie essa vuvuzela no seu c#, p*$%a”, gostaria de xingar muito no twitter aqueles que se vestem de amarelo e gritam pelo Brasil com uma força tão grande que, pelos quatros anos seguintes, fica indisposto para verificar o que o seu deputado eleito anda fazendo, o seu presidente da república anda aprontando e mais, nem ao menos se digna de levantar um dedo para apontar algo nesse país que possa melhorar e muito menos uma mão para ajudar na melhoria disso.
Pior do que quem reclama e não faz nada é que nem ao menos reclama.
Mas como pra brasileiros (sim, preciso generalizar, pois quem não age assim é exceção nesse país de maioria destrambelhada) adoram uma festinha, e qualquer coisa é pretexto, tenho certeza de que cerca de metade das pessoas voltam a levar a vida normalmente agora, mas a outra metade vai folgar nos horários dos jogos para secar os hermanos e xingar o Maradona. Não tenho dúvidas.
O que vai ser das caras pintadas de verde e amarelo gritando “sou brasileiro”? Vão esquecer que são brasileiros, esquecerão que precisam estar presentes com atenção e vigor no país para fiscalizar, agir, educar e trabalhar como um ser humano polido e educada para que se possa, quem sabe, gozar de uma nação menos perturbada daqui alguns anos.
2014? Que m$%*# vai ser isso? Um país que não consegue nem administrar a saúde pública e a educação quer sediar copa e olimpíadas? Vai mostrar o que? O olodum? Isso o Michael Jackson já fez, e muito bem. O carnaval? Tenho certeza que os gringos conhecem nossas “gostosas” pudicas.
Ah, já sei, vamos mostrar o crack, a corrupção, a sem-vergonhice e o “jeitinho brasileiro”. E mais, vamos mostrar nosso belíssimo futebol na terra do Pelé, afinal, somos o país do futebol, não é?
Eu tenho medo do rumo que as coisas tomam, do comportamento do povo brasileiro, das suas prioridades e anelos.
Eu tenho medo desse pessoal que só lembra que é brasileiro quando pode ser do trabalho para tomar uma cerveja e olhar o jogo da seleção sem culpa.
Feliz Copa do Mundo 2010
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E eu fiquei aqui, perguntando-me: o que escrever nesses dias de copa do mundo? O que escrever nesses dias em que o país parece mergulhar num banho criogênico, estagnar, exceto pelas urgências?
Pois bem, continuo me perguntando.
Poderia escrever sobre cientistas terem criado uma espécie de buraco negro, que absorve algumas microondas. Ou então, escrever sobre as descobertas que fizeram sobre a anti-matéria, que ela não é tão precisamente contrária à matéria, e isso implica em sérias dúvidas sobre o universo.
Não, isso é supérfluo, irrelevante diante do poder do futebol nesse país em que não gostar ou não ser fanático é quase uma doença.
Poderia falar acerca dos astronautas russos e norte-americanos, que viajam a uma estação espacial para uma missão que não é levar a bandeira do futuro campeão da Copa do Mundo 2010.
E se eu falasse sobre as milhares de mortes nos trânsito? E sobre o novo ajuste na aposentadoria? Sobre o projeto ficha limpa? Ahmm, não sei, acho que não têm importância isso tudo.
Ah, já sei!
Escreverei sobre as eleições. Aliás, tu te lembra? Estamos em ano de eleições.
Claro, a eleição do novo presidente da república do Brasil é um assunto importante, não é? Precisa ter uma certa audiência, não é possível que até isso seja relevado nesse momento que passamos… ou é?
Ao que me parece, até isso caiu em suspensão, foi posto em banho maria, ta sendo cozido em fogo baixo, enfim, o negócio amornou.
Mas o que esquenta é a seleção, são as cornetas (vuvuzelas), os foguetes, as pinturas na cara, o grito que vem do peito, esse patriotismo tão bonito que aparece em épocas de copa do mundo. Patriotismo lindo, né? Caras pintadas e gritos como aqueles do tempo da ditadura, lutando por um ideal tão nobre que eu jamais poderia ser bem compreendido se falasse agora em pão e circo.
Ah, já ia me esquecendo: cala a boca Galvão virou a maior piada “interna/nacional”, não é? Que orgulho que eu tenho disso tudo! Como somos engraçados e criativos!
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Pós-post -> resultado do jogo de hoje: um bêbado chato gritando na rua.
Ajuda humanitária (?) no haiti
6Até então preferi me abster de comentários acerca dos acontecimentos no Haiti. Preferi ficar calado por inúmeros motivos, contudo, ao assistir o Jornal da Globo News essa noite, vi algo que não me deixou mais ficar calado.
É incrível como o ser humano ainda é rudimentar, incipiente na arte de ser, de fato, algo digno de ser chamado ‘ser humano’. Primeiro porque é incrivelmente estúpido o argumento fanático-evangélico de que o Haiti sofreu tais catástrofes por um castigo de deus pela prática do vudu. Sejamos sensatos, meus caros evangélicos ou cristãos (ou sei lá o que) que se enquadraram nesse espaço, é preciso respeitar a crença alheia, e, no mínimo, saber um pouco antes de criticar. O vudu, assim como o candomblé, o espiritismo e outros, não é uma coisa do mau, aliás, o mau é coisa nossa, essa dicotomia (bem e mau) não deve existir, se falarem com deus como costumam fazer em alguns cultos, perguntem pra ele.
Inicialmente, fiquei indignado com esse empenho brasileiro em doar milhares de toneladas de alimentos e agasalhos (como se fizesse frio lá por aquelas bandas) e financiar a reconstrução de um país que já nasceu fadado ao insucesso (não que isso seja fator determinante).
Em primeiro lugar, nosso país já está fodido desmazelado o suficiente por si só. Os milhões doados para o Haiti poderiam ter sido empregados aqui, nas escolas que estão caindo aos pedaços, nas universidades mal equipadas, no salário dos professores, na segurança, e em tudo aquilo que estamos cansados de saber que o Brasil vai de mal a pior.
Essa síndrome de Madre Teresa vai além das poltronas putridamente habitadas lá no congresso, vai além do dedo que falta e da petralha russa, atinge nossas casas, nossos amigos, familiares, conhecidos, inimigos e toda sorte de pessoas que diariamente praticam a hipocrisia, a falta de caráter, o egoísmo e agora se condoem e se empenham em doar, como se isso os fizesse pessoas melhores.
Pois essa síndrome de Madre Teresa está encontrando um fim um tanto triste (mais ainda) lá no Haiti. Segundo o jornal da Globo News, haitianos fazem protestos nas ruas reclamando as doações que não lhes chegam, que ficam retidas nos chefes de estado. Parece que os que controlam as doações por lá estão cobrando dinheiro para dar cupons de retirada de alimentos. Isso é vergonhoso, e falo sendo um cidadão universal, não um cidadão brasileiro.
Se isso for verdade, espero que nenhum militar brasileiro esteja corroborando com tais sem-vergonhices, pois acredito que nossos compatriotas não teriam tamanha baixeza para agir dessa forma.
Fico bobo ao ver o que o ‘ser humano’ é capaz de fazer. Cobrar por comida que foi doada por milhares de pessoas para amenizar uma situação calamitosa. Essa pessoa deve deitar à noite e dormir um sono tranqüilo, sim, pois quem faz isso não deve ter consciência nenhuma para pesar.
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Após terminar o post, encontrei mais uma coisa bonita que foi feita: http://g1.globo.com/Noticias/Tecnologia/0,,MUL1475746-6174,00-CONTEINER+COM+AGUA+DESTINADA+AO+HAITI+E+ROUBADO+NA+RDOMINICANA.html
MST – Malandragem Sem Tamanho
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“E agora nós viemos aqui para, pelo menos, dar prejuízo para eles.”
Essa é uma frase no discurso de um dos chefes do MST, Miguel Cerpa (ou Serpa), mostrado num vídeo que pode ser visto nesta matéria do G1 (clique aqui).
O vídeo foi gravado antes de uma das invasões ocorridas no ano passado, naquela em que os malandros derrubaram milhares pés de laranja, saquearam casas e destruíram maquinários. É porque tudo isso é estritamente necessário para a ocupação produtiva de terras, né?
Não é de hoje minha implicância com esse bando de inescrupulosos, que saem por terras alheias exigindo que as mesmas lhes sejam dadas, que montam suas barracas como se fossem os proprietários do mundo, cagam e mijam onde bem entendem, trancam rodovias, fazem o que um legítimo grupo terrorista poderia fazer. Aliás, deixem que eu seja claro em minhas opiniões: MST é terrorismo com uma boa dosa de malandragem e vadiagem.
Nunca vi um advogado reclamando a falta de casos, ou um engenheiro civil protestando na rua pela falta de prédios. Quem eles pensam que são para exigir que lhes seja dado algo que não lhes pertence, apenas porque não sabem fazer de outra forma o seu sustento, pensam que podem reclamar pelo que é dos outros.
O vandalismo é intrínseco a esse movimento dos sem-terra, está grudado nessa corja, como siameses inseparáveis. Tenho certeza de que eles jamais saberiam como administrar as terras que anelam, sabem fazer demasiadamente bem o trabalho de marginais para que eu possa acreditar no talento e perseverança de verdadeiros agricultores residindo nos corpos dessas pestes.
Quando se pensa no MST não se pode dissociar a imagem da sujeira que habita naqueles barracos, e não falo de sujeira orgânica; contudo, agora que se pôde ver e ouvir o discursinho adolescente e estúpido do “dar prejuízo para eles”, qualquer outro termo escatológico utilizado seria meramente um eufemismo.
Pois que se lhes aponte o dedo e os chame: corja!
Em alto e bom som: Corja!

Aumento da gasolina… nada de novo
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Fico completamente perdido e sem saber por onde começar o texto. Tenho um misto de vergonha e indignação, ora, whatahell acontece com esse país? Aumento na gasolina de novo?
Somos bombardeados com propagandas da Petrobrás de que somos “um país auto-sustentável em petróleo”. Temos a campanha do pré-sal e toda aquela função dos caças e submarinos que iríamos gastar milhões na compra, no entanto, a gasolina vendida para os hermanos tem preço de mercado muito mais baixo do que o daqui de dentro do nosso país (coloque no diminutivo, estou tentando ser menos pejorativo).
Então, fico me perguntando da forma mais simples possível: de que adianta sermos auto-sustentáveis em petróleo? Nem nós, brasileiros, pagamos um preço justo pela gasolina, enquanto a Petrobrás (note que começa da mesma forma que a palavra Petralha) enche as cuecas, sapatos, bolsas e o que for de dinheiro, nosso dinheiro.
Tudo bem, havia uma espécie de acordo de que o preço da gasolina seria regulado de acordo com o preço do barril no exterior e com o preço do dólar. Contudo, a valorização dólar não vem caindo desesperadamente há tempos? E aí, como isso se relaciona com o aumenta da gasolina dessa vez? Qual é a equação que faz com que isso aconteça? Qual a oscilação da bolsa de valores que eu perdi que faz com que isso seja, no mínimo, coerente?
É espantosa a forma com que ficamos parados, conformados e sem reação diante dessa falcatrua imoderada.
Roubalheira, essa é a palavra. E eu pergunto: você quer ficar aí, sentadinho, sendo roubado, enquanto os bolsos de alguns embusteiros ficam recheados de garoupas?
Proteste, de qualquer forma, contra esses abusos.