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A Gangue da Matriz como você bem sabe
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É sob esse céu azul, em tapetes bem cuidados, que o crime acontece.
A esta altura do campeonato quase todos vocês já devem ter ouvido o rap do Tonho Crocco chamado Gangue da Matriz (que você pode ouvir no vídeo postado no final do texto), que cita, de forma muito inteligente e não-ofensiva o nome dos 36 deputados do estado do Rio Grande do Sul que votaram a favor do próprio aumento salarial em uma quantia pouco inocente de 73%.
Aliás, de inocência esses deputados do nosso querido estado gaúcho não têm nada.
Não é de hoje que vemos políticos enriquecendo às custas dos cofres públicos alimentados pelo dinheiro que eu e você pagamos em impostos em cada pequena mercadoria que adquirimos.
Ladrões, eu digo, porque não sou tão polido quanto o Tonho Crocco.
Tonho está sendo processado pela música supracitada, mostrando o quanto nossa liberdade de expressão ainda é limitada. Pisemos, pois, nos calos desses senhores deputados, desses e de outros senhores possuidores de riquezas e honrarias que muito me causam dúvidas de suas procedências, se lícitas ou merecidas…enfim, pisemos nos calos desses “poderosos” para vermos o quanto nossa liberdade é frágil, pois esses não se recusam em usar os meios mais perversos para tirar da frente quem lhes é contra, ou melhor, quem lhes é verdadeiro.
Uma mentira sustentada por várias pessoas acaba se tornando uma verdade, infelizmente, e um furto (pois é assim que eu classifico esse aumento) praticado por vários deputados acaba sendo aceito em uma dolorida e ignorante resignação.
Esses senhores não possuem vergonha, não possuem escrúpulos, são nossos Luís XIV, são nossas condessas Báthory melindradas na violência física.
Existe algo de muito errado nessa câmara destra do Congresso Nacional (obviamente existe algo de muito errado em todo esse congresso), sem excusas esses senhores ímprobos se movem e movem quantias absurdas de dinheiro para lá e para cá, montando seus patrimônios particulares sob nossos olhos e nada lhes acontece, nada lhes é imputado.
No entanto, quando alguém lhes ergue a voz dizendo “isto está errado”, essa voz é logo caçada, presa, enjaulada em grades de censura e “justiça”, e então esses senhores nos dizem “essas vozes nada provam, são as vozes de caluniadores, de desocupados amorais”.
Senhores que sorriem e mentem, senhores que com as mãos nos bolsos seguram o próprio dinheiro e, misteriosamente, também roubam o nosso instantaneamente. Senhores de ternos novos, de barba bem cortada e de perfumes importados acabam fedendo a ganância e falsidade. Inclusive esses que viveram uma vida correta, esperando apenas o momento certo de mostrar o caráter fraco e ordinário que possui, esses que moram tão perto que você chegou a pensar que não seriam capazes de rir da sua cara enquanto metiam a mão no seu bolso.
Ladrões, eu grito, porque não sou tão polido quanto o Tonho Crocco.