Posts tagged angústia

Antes da Parte Primeira

3

     Acordei sem despertador, algum barulho nos vizinhos me despertou. Já eram onze horas da manhã, o dia estava nublado, morno, com eletricidade no ar, obviamente teria temporal mais tarde. Sentei na cama com as mãos apoiando o corpo nos lados. Olhava para o chão, ou para meus pés, ou para o nada. Sentia-me suspenso, não necessariamente vazio, mas minha nota não soava, era latente.

     Depois de checar meus e-mails, tomei um banho e me arrumei. Nem orkut, nem twitter, nem nada me atraía hoje. Resolvi almoçar fora, sentia fome, mas tinha preguiça de comer, também não queria lugares movimentados, sinto uma ressaca social, uma fobia crescente que me afasta mais e mais.

     Almocei um sanduíche de atum no Sanduba, no centro da cidade. Depois, dei uma volta no centro aproveitando o ar morno que soprava. Comprei um café e continuei caminhando, agora acompanhado de um cigarro. Eu ainda era a mesma casca que acordou, eu ainda estava latente.

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Yngwie Malmsteen – I`d Die Without you

3

Acordei me sentindo inconscientemente nostálgico?

- Titião, como assim “inconscientemente” nostálgico?

Não sei explicar, não sei mesmo, talvez tenha sonhado com alguma coisa que me fez acordar assim. Ah, como um sonho pode afetar nossa alma, abalar nosso espírito, mexer com coisas que estão esquecidas dentro de nossos corações.

Essa sensação de pretérito não me durou muito, pois logo comecei a me ocupar de outras coisas. No entanto, depois, baixei um CD do Yngwie Malmsteen para ouvir a música I`d die without you. Aí sim pude estar nostálgico de verdade.

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sem razão interferindo

1

E dos teus olhos eu guardei o suficiente
Para perder o sono durante a noite
E desatentar na vigília durante o dia
Guardei-te em mim, e meu olhar agora vai ao nada
Mas meu pensamento se fixa em tua boca
E teima em não distrair, e insiste em não sair de ti
Daquela noite me sobrou sensações sem toques
E olhares sem um fim em si
E minha mão vazia guardando teu sabor
E eu, num lapso de sentidos, sou somente sentimento
Pura angústia, pois não os vejo em ti
E volto ao que me sobrou daquela noite
Olhos assim, dos quais eu não ousaria desviar os meus

(onomatopéia de cabeça batendo na parede)

1

São pó de angústia essas lágrimas
Que me ardem e secam
Que me cegam e pecam

São pó de angústia, um infinito
De velas com os dedos apagadas
De possibilidades pelo tempo perdidas

Angústia em pó, e eu em prantos
De velhos vícios condenados
De amores vivos maculados

Sou cegueira angustiante
E a poeira penetra pelos poros
Sou pó, pedras e muros

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consterna

2

Mal se acabaram e eu já sinto saudade
Das noites geladas de inverno,
Em que era eu ansiando pela solidão
E abrindo um livro de negrume vivo;
Mas ainda que a noite esquente,
Eu continuo com frio, dou frio, sou frio.
O inverno aqui dentro não cessa.
A dor de dentro aparece aí fora,
E eis um mundo que ela descobre,
E eis um mundo que eu abandono.
Fecho a alma como um corte cicatriza.
Fecho os olhos como ostra a guardar pérolas,
E as minhas são pó de angústia.
Pó de Angústia. Tomaram-na as maiúsculas.
Ai que não faço sentido.
E agora?
Mais fuga.

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