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Lei anti-fumo

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Sério, como assim proibir que se fume dentro de bares ou boates? O cheiro incomoda algumas pessoas, eu sei, mas tenho plena certeza que um bêbado chato incomoda várias vezes mais. Sério, proibir o cigarro em bares é eficaz para o Ministério da Saúde? Para mim não, eficaz seria proibir a fabricação dos cigarros, mas isso eu não quero.

Vi entrevistas nas ruas de São Paulo sobre a proibição do cigarro em bares e boates de São Paulo, as pessoas entrevistadas, sem exceção, ressaltaram unicamente o fato de que o cigarro tem um cheiro forte (fedido?) e isso incomoda. Nem uma rica alma lembrou-se de que o Ministério da Saúde busca uma diminuição nos gastos de tratamento de pessoas com problemas devido ao fumo passivo.

É óbvio que essa lei só será eficaz se forem fiscalizados os estabelecimentos, entretanto, devo dizer, temos um exemplo bem recente de lei que não deu certo. A tolerância zero do álcool ao volante existe ainda, mas aquele fervor do início já foi esquecido, a fiscalização foi deixada de lado quase totalmente, e as pessoas continuam dirigindo após beberem, estando ou não estando bêbadas. E isso não mata mais que fumar passivamente?

(mais…)

i, ii e iii

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i
Ai de mim, que de tanta dor sentindo
Esqueci-me de ser o meu Ser em vida
Ausentei-me de mim, da alma omitida,
E perdi meu tempo – comigo desavindo.

ii
Com uma película cobrindo meus olhos
Eu tateio em vão pelos contornos que vejo
E me bato e debato num parco lampejo
Nessa noite, contra os enormes escolhos

iii
Na noite mais escura eu consigo me ver de perto
E só assim eu suporto minha imagem
Quando cessa a dor e sou apenas eu à margem
Do meu Ser oceânico, com sede do incerto

uma anedota pro rei do pop

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E se acontecesse mais ou menos assim: terça-feira, às 10h da manhã em Los Angeles, 14h aqui no Brasil pelo horário de Brasília, o ginásio dos Lakers, Staples Center, completamente lotado de pessoas histéricas, ou muito mais do que histéricas. Do lado de fora mais outras tantas milhares de pessoas se empurrando numa confusão sem tamanho para assistir pelo telão posto do lado de fora.
São dez horas da manhã da terça-feira, 07 de julho, lá em Los Angeles, o telão, por enquanto, está com a imagem fixa do centro do ginásio, onde muitos seguranças estão se esforçando para manter um círculo com velas e tapete vermelho para onde há apenas um acesso vindo dos vestiários. De repente os gritos que haviam se acalmado recomeçam, ensurdecedores.
Seis homens vestidos de preto, seguidos por alguns poucos familiares e amigos, entram pelo corredor com tapete vermelho carregando, lentamente, o féretro do cantor. Enquanto se encaminham para o centro do ginásio os gritos se tornam tão fortes que até pensar se torna difícil. A agitação é enorme, os seguranças se esforçam muito para que não seja quebrada a segurança.
O caixão é depositado sobre quatro hastes que já estavam lá, revestidas em dourado. Tudo parece um incrível cenário de filme, com brilhos, luzes e toda a grandeza de Hollywood. Alguns minutos se passam após o ataúde ser deixado no centro e então, finalmente, o público parece começar a se acalmar.
Outros tantos minutos até que haja silêncio total. Janet está com o microfone em mãos, parada, imóvel, esperando pelo silêncio. Vira-se de frente para o caixão, inclina-se e um grito ecoa pelo ginásio, pelo lado de fora através dos alto-falantes, pelas casas que estão assistindo à transmissão ao vivo do funeral. O silêncio continua.
Como se viesse de longe, uma bateria começa a tocar com um ritmo implacável. Quase a atenção é desviada do caixão, onde Janet continua debruçada, impedindo a visão sobre o rosto de Michael. Então, outro grito alto e instrumentos se juntam à bateria. É claro, começa a música They Don`t Care About Us.
Janet sai de cima do caixão e o cantor, como num filme de terror, começa a se levantar. As pessoas que estão assistindo àquilo ficam sem reação, umas choram, outras ficam em transe, outras gritam, enfim, uma maré de sentimentos invade o ginásio Staples Center, e todos que assistem ao espetáculo. Lá está o astro, em pé, vivo, inexorável, brilhando em seu terno preto e prata e cantando.
Tudo se resolve, como num sonho bom, como na Terra do Nunca, e ele está em pé, cantando com sua irmã, no maior espetáculo que já se teve notícia. Todos parecem incrédulos do que está acontecendo, mas é inegável, lá está Michael Jackson.
Não seria de se admirar se algo assim acontecesse, tendo em vista a mania de grandeza do cantor e sua obsessão por clipes e filmes lúgubres. Não consigo imaginar melhor maneira de promover sua própria turnê.

therapeople

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Neste inverno, as tendências são: piadinhas de ironia popular, tão infrutíferas e sem sentido quanto a acomodação interpessoal de escolhas musicais, vestuárias, intelectuais e (oh! Que surpresa) desanimo anímico.
Vejo uma onda crescente do “cool”, descolado, desleixado, tudo isso tendendo a uma preocupação excessiva e excessivamente destoante da preleção inicial do estilo adotado. Pois bem, sinto-me cansado e com asco desse maneirismo.
Cresce, também, o gostinho pelo rockzinho iêiêiê, o orgulho de dizer “oi, sou retrô e escuto rock com quatro acordes”. Os Beatles estão voltando na pele de cordeirinhos copiões chamados The Kooks, The Kinks ou The qualquercoisaassim; Dylan na mão de outros pretensiosos Vanguart, Mallu Magalhães e outros jovens músicos ainda muito crus. Pois posso até comparar essa tendência às músicas fracas e simples com o Anticristo de Nietzsche, é como idolatrar o fraco, o não virtuoso, somente para aliviar a culpa de sermos tão pequenos e nos conformarmos com essa posição de músicos desajeitados. Ainda que eu tenha uma simpatia pelo Camelo pelo Los Hermanos, seu álbum solo me soou bastante necromante, ressucitando o que havia de mais simples na MPB há anos atrás.
Essas tendências nunca vêm sozinhas. O gênero das novas piadinhas despretensiosas, acusando o indivíduo de um auto-elogio ao se pensar tão inteligente e sarcástico de poder ter inventado tal jocosidade. As anedotas estão ficando cada vez mais rasas e inúteis, nada surpreendente para o nonsense tão em voga. Existem os que pensam que esse nonsense é pura arte moderna, a expressão do self, como um “limpar a chaminé” primitivo.
Contudo, o asco maior vai aos resultados dessa embromação psico-moderna: a falta de ânimo no espírito. Perdidos nas redes de como parecer ser não sendo nem o pretendido – é assim mesmo, um vai e não vai concomitante, talvez até o duplipensar do G. Orwell aqui cairia bem – o pessoalzinho vai perdendo a fibra, a força e a coragem. Eis o ócio no seu sentido mais vão, a preguiça mais inexorável e a desatenção mais perigosa.
Por conseguinte, só posso ver um resultado disso tudo: marasmo. Ficar estagnado, assistindo aos diversos papéis sem escolher um, fingindo ser protagonista quando nem figurante se é. A platéia bate palmas enquanto escapam de sua vida interna, secando cada vez mais.

M.O.

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E tentar negar um instinto
Deixar para trás o que a alma anseia
Já não me serve como servia a farsa
E se meu espírito for forte para esta empreitada
Para essa obra grandiosa
Haja em mim as luzes da vida em amor
Ao que é de mim e me faz a vontade verdadeira
Se uma rejeição de mim antes me forçou
A ficar num cárcere dourado
Hoje, assumir o trono sobre as ruínas me apraz
E se meus pés tocam a lama, minha cabeça encosta no nada
E meu coração reside no sol
Então, nisso tudo eu vejo um momento, seguido por outro momento
E nada mais do que sucessões temporais, privadas de sentidos alheios,
Eu vejo o rebanho e é só um rebanho
Eu vejo o mundo que chamam deus, mas eu chamo mundo
Nisso, minha alma aprendeu dos prótons e elétrons qual o spin da minha vida
Ressonando num só sentido, sentindo saborosos os frutos da entropia, a qual respiro com alegria
Ai de mim que estou no ocaso
Ai de mim que sou aurora
Ai dos barrocos e dos existencialistas, ai dos românticos e dos classicistas
Ai do que anseia por ser eterno
Ais e ais e ais sem um sentido
Se não fosse da mudança a vida feita, onde estaria nossa felicidade?

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