Posts tagged alma

desmanchando

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Tratava-se de um luto
Dele por si mesmo
Uma paixão não correspondida

Orvalhando pesadumes
Via-se num espelho distorcido
Sem corresponder ao seu pensamento
Sangrava sua alma pela noite

Queria ir embora, montanhosa solidão
A névoa o separava, aura sulfúrica
Exauria inexatos sentimentos
Ia do trôpego lamento, ao sôfrego carnaval

Fundia-se em suas ânsias, lamúrias finas
Disfarçava-as de princesas
Ah! Aquelas pútridas feiticeiras
Encantavam ao mofado lado da vida

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Deixava-te livre
Tu, pois, não retornava
Fazia-te jogos
Tu, pois, nem os percebia
Era vazio e vencido
Por um leve cansaço
Tratava-te rainha, ou então, ignorava
Tu nem idéia fazias, muito menos ideavas
Era teu primeiro, do início ao fim
Da luxúria à castidade
Da versátil vulgaridade
À ignóbil indiferença fingida
Era teu, de corpo e alma
Corpo e alma…

Impróprio

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Soube-se, num porém,
Sobre um descaso, um desdém,
Pairando paralelo
Ao meu sonho de farelo.

Sorve, solitária solidão,
Desejos íntimos de paixão;
E, a solidária auto-piedade,
Conforta-me com bondade.

Notas: sou todas elas,
Jamais escolhi alguma,
Quero portas sempre abertas…

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poema duma manhã de sábado

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Traz-me, agora, a saudade,
Uma calma conformada,
Como uma velha sentada
Tricotando sua idade.

Ah, mas há beleza
Até nessa pálida dor,
Como uma murcha flor
Esvaindo-se, indefesa.

É, a calma duma manhã
Saudosista,
Por mim bem quista.

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silencia

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Ah, se as notas brumosas
Calassem em minha mente,
Deixassem-me ausente
De suas marcas belicosas.

Cessaria minha poesia,
Matar-me-ia a ferocidade;
Ah, que felicidade:
Mente e alma em cortesia.

Porém, essas megeras quimeras
Vêm assaltando meus pensamentos,
Sorteando-me tormentos,
Por infindáveis eras.

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