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beijando uma memória
1Talvez ela esteja escondendo um sorriso
Para dar quando estiver perto de mim;
E eu tocando aquela pele de marfim
Seria uma curva inexata no paraíso.
Ao teu falar tão exato e conexo,
Calam-me as angústias da alma,
Invade-me, tão somente, uma calma
Por um tempo imaginário e complexo.
Sendo tão tenra e suave
Tens toda a chama de uma fada;
E os homens gritam: Encantada!
Mas a mim não há palavra que não trave.
tocar
1Como se suspendesse a escuridão
Em minha vida, vi teu rosto
De tanta beleza; dá-me tão bom gosto
Na alma, e enche-me de luz então.
Teus olhos na memória tangenciam,
Trazem conforto nesses meus dias;
E tu diferes: pois o resto são só Marias
Que, hoje, vê, só me enfastiam.
E me intriga a tua pele inefável,
Transbordando-me de tanto desejo
De beijos e toques que ensejo
O fim dessa distância interminável.
0
“1. Saiba, então, que como o homem nasce neste mundo em meio às Trevas da Matéria, e à luta de forças rivais; seu primeiro esforço deve, portanto, ser o de procurar a Luz atravez da reconciliação delas.
2. Tu então que tens provas e problemas, regozija-te por causa deles, pois neles está a Força, e por meio deles é aberta uma trilha àquela Luz.
3. Como poderia ser de outro modo, Ó homem, cuja vida é apenas um dia na Eternidade, uma gota no Oceano do tempo; como poderias tu, não fossem muitas as tuas provas, purgar tua alma da escória da terra? É apenas agora que a Vida Mais Elevada é assediada com perigos e dificuldades; não tem sido sempre assim com os Sábios e Hierofantes do passado? Eles foram perseguidos e ultrajados, eles foram atormentados por homens; ainda assim sua Glória crescera.”
http://www.astrumargentum.org/arquivos/ht/libri/libri_30.htm
Minguante
0I
Carrega a alma na poesia,
Satura versos de pestilência,
Revela toda a ausência
Da felicidade que trazia.
Em negro pesadume,
Engenha estrofes de enxofre;
Como irado limítrofe,
Queima por dentro, grande lume.
II
E, sob sombra anêmica,
Escondia-se meu não desejo
De viver um malfazejo
De fuga hiperglicêmica.
Vende-se
0O Radiohead, sempre inovador, sempre diferente, mesmo sem, talvez, ter vontade consciente disso. A banda lançou um álbum na internet e, pra variar um pouco do normal, cada um deve dar seu preço de compra. Enfim, uma coisa nada convencional até então.
Pergunto-me, ao ver uma coisa desse tipo, quanto pode valer a música? Temos um preço, mais ou menos, tabelado dos CDs atualmente, já nos acostumamos à pagar por isso, ou à baixar gratuitamente, mas, se você fosse o músico, quanto iria querer por seu trabalho? Quanto deveria valer aquele disco que contém uma parte da tua alma e grande parte do teu tempo?
Sejamos, agora, um pouco mais delicados. Se fosse um pintor, por quanto venderia suas telas? Aliás, realmente as venderia ou as guardaria todas, sua crias, filhas da tua imaginação e talento, conjugado de várias idéias e esforços do teu ser.
Escrevo, não sei se posso me chamar escritor, talvez muito menos poeta, mas afirmo: não saberia ofertar meus escritos, não saberia quanto cobrar por eles, eximiria de mim este peso, que ficasse com a editora essa responsabilidade.
Acredito que, no fim das contas, o que realmente importa, ao menos para amadores como eu, é o prazer de desabar em palavras, ou sua arte particular, mostrar sua anímica fragmentação e ser lido, ser decorado, ser citado, ser levado a sério, sendo isso bom ou não, gostem ou odeiem.
Voltando ao Radiohead, que não é das minhas bandas favoritas, mas merece respeito, faz música boa, de qualidade. O que eles gostariam de ganhar? Quanto eles mesmos pagariam pelo álbum recém lançado? Ninguém vende seu filho…bom, talvez se pagarem bem…