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	<title>Descompassado &#187; alma</title>
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		<title>Di&#225;logo I</title>
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		<pubDate>Sun, 02 Oct 2011 21:08:40 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Christian  Silveira</dc:creator>
				<category><![CDATA[Minicontos]]></category>
		<category><![CDATA[alma]]></category>
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		<description><![CDATA[                 &#160; Era de lembran&#231;as vazias que vivia. Aquela noite ele quis d&#225;-las de presente. Era tudo o que possu&#237;a de verdade, seus bens mais preciosos, e oferec&#234;-las era abrir sua alma de forma que n&#227;o poderia voltar atr&#225;s; era tudo que podia dar e, ainda que pensasse [...]]]></description>
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<p style="text-align: center;">                <img class="aligncenter" src="http://2.bp.blogspot.com/-IvyxgAJ-mNU/TadPYqN3CQI/AAAAAAAAADo/PntedngL6iE/s1600/Atlas.jpg" alt="" width="475" height="608" /></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Era de lembran&ccedil;as vazias que vivia. Aquela noite ele quis d&aacute;-las de presente. Era tudo o que possu&iacute;a de verdade, seus bens mais preciosos, e oferec&ecirc;-las era abrir sua alma de forma que n&atilde;o poderia voltar atr&aacute;s; era tudo que podia dar e, ainda que pensasse que aquilo, de fato, era um ato de doa&ccedil;&atilde;o, que era presente&aacute;-la com seu &acirc;mago, atirando-se num abismo de lembran&ccedil;as, era ele mesmo quem se presenteava.</p>
<p>Aconteceu que no dia do seu anivers&aacute;rio eles jantaram juntos e, ap&oacute;s a janta, sentados na sacada que dava para a rua onde, vez ou outra, um carro passava interrompendo o tom suave de confid&ecirc;ncia da conversa e a lua despontava minguando entre dois pr&eacute;dios altos, ele lhe contou coisas que permaneciam enterradas, coisas que s&oacute; ousava remexer sozinho mas que, n&atilde;o obstante, faziam parte de suas noites de ins&ocirc;nia, t&atilde;o freq&uuml;entes quanto os dias de vento norte.</p>
<p><em>Engole isso, acalme-se, </em>dizia de si para si, diariamente. Todos lidam com seus dem&ocirc;nios internos. <em>Acalme-se!</em> <em>N&atilde;o alimente com sangue quente essas bestas!</em></p>
<p>Era do qu&atilde;o humano era e o quanto se sentia pequeno e impotente diante da sua alma t&atilde;o universal, por&eacute;m, t&atilde;o alquebrada, que falava. Cada constela&ccedil;&atilde;o era uma cicatriz no seu &iacute;ntimo; as estrelas, os pontos da opera&ccedil;&atilde;o. Um sol ardia em seu peito, um sol que brilhava melancolicamente sozinho, querendo abra&ccedil;ar o mundo numas vezes; noutras, querendo explodir em toneladas de destrui&ccedil;&atilde;o.</p>
<p>- Eu tenho medo desse seu lado – ela dizia. Tenho medo de n&atilde;o conseguir acalmar essa fera que est&aacute; em seu peito.</p>
<p>Ele dizia “<em>calma, est&aacute; tudo sob controle</em>” como quem fala do papai Noel para uma crian&ccedil;a.</p>
<p>Crian&ccedil;a&#8230; via-se quando crian&ccedil;a, era cheio de energia e alegria. Onde aconteceu o rompimento? Em que lugar foram abandonadas a inoc&ecirc;ncia e a esperan&ccedil;a?</p>
<p>Brincava na rua com os amigos, anos mais tarde era o amigo beberr&atilde;o divertido, depois o homem ocupado, mas sempre se lembrava dessa semente vermelha que brotava na escurid&atilde;o do seu ser. De todos os dias que podia lembrar de sua vida, via sempre aquela fa&iacute;sca insustent&aacute;vel nos seus olhos, como quem sabe de um segredo mas n&atilde;o compartilhar&aacute;. Ele sabia que conhecia esse segredo, mas n&atilde;o podia se recordar de nada&#8230; nada.</p>
<p>Eram muitas vidas em uma. Queria gritar para que aquela crian&ccedil;a que fora lhe ouvisse, ela saberia gui&aacute;-lo naquela queda acelerada atrav&eacute;s da escurid&atilde;o do abismo.</p>
<p>Deu uma tragada no cigarro enquanto segurava a x&iacute;cara de caf&eacute; com a outra m&atilde;o.</p>
<p>- Eu n&atilde;o entendo como isso acontece, t&ecirc;m dias&#8230; melhor, t&ecirc;m horas que sinto um aperto no peito, como se um verme se alimentasse das minhas entranhas. De repente, vejo-me um r&eacute;ptil, uma gota, uma poeira estelar, um ca&ccedil;ador interglacial, ou talvez uma c&eacute;lula dele, ou a pr&oacute;pria causa da Glacia&ccedil;&atilde;o Wiscosin, o que for. Por vezes, sinto-me circundando o universo, abrangendo tudo, e vejo as coisas com tanta paz e clareza; noutras, sou circundado por el&eacute;trons, uma parte t&atilde;o &iacute;nfima de tudo que sinto que s&oacute; posso obedecer &agrave;s leis da in&eacute;rcia ou da gravidade.</p>
<p><em>Estou caindo. Eu sou a queda.</em></p>
<p>Freud parecia dar demasiada import&acirc;ncia para a sexualidade, da mesma forma procediam os vedantas, os monges, os magos, os tantras et Cetera. Excedendo ou anulando, o sexo parecia ser chave para a liberdade e para o entendimento, mas ele nunca encontrara no sexo essa superconsci&ecirc;ncia; era prazer, dom&iacute;nio, som, cheiro e tato, ritmo e gozo, depois tudo voltava ao normal. &Agrave;s vezes, pior.</p>
<p>Cansara de fugas, de &aacute;lcool e das drogas, dos transes e das abstra&ccedil;&otilde;es. Queria abrir os olhos para enfrentar o que era seu e ele insistia em se escapar.</p>
<p>A vida ia se abrindo, ia se rasgando como um v&eacute;u de tecido fino, queimando e estalando como o seu cigarro. E o presente era seu, de si para si.</p>
<p>Ela ouvia, tentava entender aquela alma complicada, feliz por ter sido escolhida por ele para compartilhar aquilo; insegura, por&eacute;m, sem saber como proceder com aquele universo que se abria no meio, recolhendo-a, permitindo sua entrada.</p>
<p>Ele abria ao meio seu universo como um filhote quebra a casca do ovo para sair ao mundo. <em>Abraxas, eu sempre lembro.</em> Tudo era pesado e lento, doloroso e quase insustent&aacute;vel.</p>
<p>- &Agrave;s vezes penso que vou quebrar.</p>
<p>- Eu me sinto incapaz de te ajudar. O que posso fazer? Perguntava ela.</p>
<p>Ele respondia “<em>nada</em>”, sabendo que era mentira. Ela existia e lhe ouvia como quem deve ouvir a si mesmo, como quem ouve Vivaldi, e essa era a ajuda; e quebrar a casca era cair em um abismo perigoso, solit&aacute;rio e necess&aacute;rio.</p>
<p>- Por vezes me sinto t&atilde;o universal que colapso sobre mim, um Big Crunch. Sou dois, tr&ecirc;s, muitos com a mesma intensidade que sou s&oacute; um perdido entre milh&otilde;es, incapaz de navegar apenas numa dire&ccedil;&atilde;o correta, &agrave; deriva, num oceano vasto demais para uma vida. Sinto que nunca realizarei minhas possibilidades.</p>
<p>- Dizem que quem n&atilde;o sabe para onde vai qualquer dire&ccedil;&atilde;o serve e&#8230;</p>
<p>- Ou nenhuma serve; ou, ainda, n&atilde;o tenho dire&ccedil;&atilde;o, navego em um c&iacute;rculo eternamente perfeito, olhando sempre para as mesmas paisagens que as esta&ccedil;&otilde;es se encarregam de mudar as sombras, criando a ilus&atilde;o de que realmente estou mudando mas&#8230;</p>
<p>- Mas na verdade n&atilde;o est&aacute;, n&atilde;o &eacute; mesmo?</p>
<p>- Acho que no fundo nunca mudei, de verdade. Creio, ali&aacute;s, que &agrave; poucos de n&oacute;s &eacute; permitida a mudan&ccedil;a.</p>
<p>- Como n&atilde;o mudou?!</p>
<p>- Sim. Essas mudan&ccedil;as aparentes j&aacute; s&atilde;o parte de mim, sinto como se estivessem guardadas em algum lugar, esperando, prontas para assumir o controle do que sou.</p>
<p>- Muitas vidas em uma&#8230; voc&ecirc; me parece Fernando Pessoa.</p>
<p>Muitas vidas em uma&#8230; &agrave;s vezes ele sentia que todas essas vidas se abra&ccedil;avam e se atiravam com ele naquele abismo. Nada havia &agrave; frente, ou, talvez, apenas n&atilde;o enxergasse um fim pr&oacute;ximo, prestes a lhe bater no rosto com uma for&ccedil;a descomunal.</p>
<p>Muitas vidas em uma&#8230; como pode? Tudo parecia uma s&eacute;rie de sonhos, ora concatenados com perfei&ccedil;&atilde;o, ora revelando vac&acirc;ncias terr&iacute;veis, lapsos assustadores. Mas n&atilde;o eram sonhos, pois dormir era mais quieto.</p>
<p>Tinha as m&atilde;os amarradas para si, enxergava tudo ao seu redor, mas n&atilde;o lhe era permitido ter controle sobre sua alma. O Atman, ele acreditou, o Inner Self, o SAG, o Daeimonos, o que for, era aquilo que deveria govern&aacute;-lo; cada a&ccedil;&atilde;o, cada gesto, cada pensamento, cada emo&ccedil;&atilde;o&#8230; tudo era controlado por algo que n&atilde;o compreendia, e ia para o diabo o livre arb&iacute;trio.</p>
<p>- Por que o mundo &eacute; assim? – Perguntou ele, depois de um tempo em sil&ecirc;ncio enquanto soprava a fuma&ccedil;a do cigarro que terminava. – Por que somos assim?</p>
<p>- Se existe uma raz&atilde;o nisso tudo, talvez o melhor mesmo seja que a desconhe&ccedil;amos.</p>

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		<title>Casa vazia</title>
		<link>http://descompassado.com/casa-vazia/</link>
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		<pubDate>Sun, 12 Jun 2011 15:33:33 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Christian  Silveira</dc:creator>
				<category><![CDATA[Poesia]]></category>
		<category><![CDATA[alma]]></category>
		<category><![CDATA[angústia]]></category>
		<category><![CDATA[dor]]></category>
		<category><![CDATA[vazio]]></category>

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		<description><![CDATA[Assim te vais, meio sem alma, Nesse mon&#243;logo ensurdecedor Gritas &#224;s paredes desta casa vazia, Ecoas maldi&#231;&#245;es no teu &#237;ntimo oco. Pensas nas almas e nos &#225;tomos, Meditas sobre o amor e o universo, E assim te esgotas, em gotas amargas. Lentamente, sem pressa nenhuma, Preenches teu corpo nesse escuro ocaso, T&#227;o pret&#233;rito quanto tua [...]]]></description>
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<p><img class="aligncenter" src="http://3.bp.blogspot.com/_vbb8UHOcmW4/TDdrWF4nOhI/AAAAAAAADn4/y2ZyOgU1nao/s1600/otto_grun_sala3.jpg" alt="" width="400" height="300" /></p>
<p>Assim te vais, meio sem alma,</p>
<p>Nesse mon&oacute;logo ensurdecedor</p>
<p>Gritas &agrave;s paredes desta casa vazia,</p>
<p>Ecoas maldi&ccedil;&otilde;es no teu &iacute;ntimo oco.</p>
<p>Pensas nas almas e nos &aacute;tomos,</p>
<p>Meditas sobre o amor e o universo,</p>
<p>E assim te esgotas, em gotas amargas.</p>
<p>Lentamente, sem pressa nenhuma,</p>
<p>Preenches teu corpo nesse escuro ocaso,</p>
<p>T&atilde;o pret&eacute;rito quanto tua vida esquecida,</p>
<p>T&atilde;o valioso quanto tua liberdade fria.</p>
<p>Assim te acabas, gota por gota,</p>
<p>Meio sem alma – histeria calma -,</p>
<p>E quando cessas tuas blasf&ecirc;mias altas,</p>
<p>Afogado no cansa&ccedil;o desse discurso,</p>
<p>Acabas por dormir nesse ch&atilde;o frio</p>
<p>Que ainda vibra gritos de casa vazia.</p>
<p>&nbsp;</p>

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		<title>Cinzeiro</title>
		<link>http://descompassado.com/cinzeiro/</link>
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		<pubDate>Sat, 25 Sep 2010 04:36:59 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Christian  Silveira</dc:creator>
				<category><![CDATA[Poesia]]></category>
		<category><![CDATA[alma]]></category>
		<category><![CDATA[amor]]></category>
		<category><![CDATA[melancolia]]></category>
		<category><![CDATA[solidão]]></category>

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		<description><![CDATA[Sacode a poeira como se fosse um cinzeiro Lan&#231;a as cinzas s&#243; para dar espa&#231;o a outras mais Mais frias, mais secas, mais tristes&#8230; . Deixa que lhe descartem os restos Apaga a &#250;ltima chama do que lhe trouxe prazer &#201; um fim em si e isso &#233; tudo, um semprefim . Ap&#243;ia o passado [...]]]></description>
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<p><img class="aligncenter" src="http://3.bp.blogspot.com/_PiDrEuK-qfQ/TGW_OEoTKPI/AAAAAAAAAIQ/LXFE8_3-ROw/s320/cinzeiro.jpg" alt="" width="320" height="320" /></p>
<p>Sacode a poeira como se fosse um cinzeiro</p>
<p>Lan&ccedil;a as cinzas s&oacute; para dar espa&ccedil;o a outras mais</p>
<p>Mais frias, mais secas, mais tristes&#8230;</p>
<p>.</p>
<p>Deixa que lhe descartem os restos</p>
<p>Apaga a &uacute;ltima chama do que lhe trouxe prazer</p>
<p>&Eacute; um fim em si e isso &eacute; tudo, um semprefim</p>
<p>.</p>
<p>Ap&oacute;ia o passado apagado</p>
<p>Carrega em si os l&aacute;bios que tocaram as sobras</p>
<p>Tem o gosto da ressaca de um mundo cinza</p>
<p>D&aacute; gosto &agrave; ressaca da alma que lhe toca</p>
<p>.</p>
<p>E permanece assim, guardando as cinzas por necessidade</p>
<p>Coleciona cada boca amarga que lhe toca</p>
<p>Como um cigarro de prostituta</p>

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		<title>Releitura</title>
		<link>http://descompassado.com/releitura/</link>
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		<pubDate>Sun, 05 Sep 2010 17:38:30 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Christian  Silveira</dc:creator>
				<category><![CDATA[Eu]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[alma]]></category>
		<category><![CDATA[best seller]]></category>
		<category><![CDATA[despertar]]></category>
		<category><![CDATA[Hermann Hesse]]></category>
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		<category><![CDATA[milan kundera]]></category>
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		<category><![CDATA[sujeira]]></category>

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<p><img class="aligncenter" src="http://cadernodemensagens.net/files/images/despertar.jpg" alt="" width="320" height="240" /></p>
<p>T&aacute;, eu elogiei bastante esses dias dois best-sellers aqui no blog.</p>
<p>Ta, eu sei que daqui um tempo eles deixar&atilde;o de ser best-sellers e poder&atilde;o ser lidos e criticados com mais imparcialidade.</p>
<p>N&atilde;o quero desdizer o que disse, n&atilde;o quero me retratar. Ali&aacute;s, reitero, A Menina Que Roubava Livros e O Guardi&atilde;o de Mem&oacute;rias s&atilde;o dois livros excelentes.</p>
<p>No entanto, sinto falta de um livro intenso do lado de dentro, que nos pegue pela alma. Que pegue nossa alma como quem pega um pano sujo do ch&atilde;o e vai lavando, e vai mostrando de que que &eacute; cada mancha que est&aacute; sendo retirada e v&aacute; al&eacute;m, que nos mostre a &aacute;gua suja no balde e diga “viu s&oacute; tudo que saiu”, s&oacute; n&atilde;o diz um “e ainda tem mais” por ser orgulhoso de si mesmo, o livro.</p>
<p>Sinto falta de nunca ter lido Demian, Sidharta e O Lobo da Estepe do Hermann Hesse, de nunca ter lido A Insustent&aacute;vel Leveza do Ser e A Brincadeira do Milan Kundera, de nunca ter lido Assim Falou Zaratustra do Nietzsche. Sinto muita falta de quando n&atilde;o tinha lido esses e muitos outros livros bons (que nos pegam pela alma).</p>
<p>Sinto falta de quando eram alheio a essas palavras porque eu podia l&ecirc;-las como quem l&ecirc; a si mesmo pela primeira vez, como quem tem uma janela aberta para o horizonte pela primeira vez, como quem acorda de um sonho&#8230; pela primeira vez.</p>
<p>Ter o in&eacute;dito em nossas vidas &eacute; t&atilde;o valioso que se torna, ao menos para mim, insustent&aacute;vel seguir sem buscar uma coisa nova. Por isso n&atilde;o sossego com autores e bandas, vou fu&ccedil;ando at&eacute; encontrar algo novo e bom.</p>
<p>Vou me tornando um po&ccedil;o de cultura in&uacute;til pra minha &aacute;rea de atua&ccedil;&atilde;o profissional, mas n&atilde;o tem muita import&acirc;ncia, isso &eacute; m hobby, &eacute; por prazer (ou por amor?).</p>
<p>Por&eacute;m, sinto falta de nunca ter lido esses livros supracitados, acima de tudo (creio eu), por ter sido ignorante sobre as sujeiras do pano.</p>

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		<title>Poema pra resistir</title>
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		<pubDate>Sat, 06 Feb 2010 22:11:57 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Christian  Silveira</dc:creator>
				<category><![CDATA[Poesia]]></category>
		<category><![CDATA[alma]]></category>
		<category><![CDATA[espírito]]></category>
		<category><![CDATA[nonsense]]></category>
		<category><![CDATA[sustentação]]></category>

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<p>Como um purgat&oacute;rio a sustenta&ccedil;&atilde;o,</p>
<p>Uma espera infinita e ansiosa,</p>
<p>Uma prova&ccedil;&atilde;o el&iacute;sea e belicosa;</p>
<p>- Quanto da minh`alma em suspens&atilde;o.</p>
<p>Quanto suporta num instante sorumb&aacute;tico,</p>
<p>De cair a f&eacute; e a certeza nesse embate</p>
<p>Que n&atilde;o socorre feridos em combate</p>
<p>Mas desola o corpo ao tr&aacute;gico.</p>
<p>Sair de mim ou de ti esse suspiro,</p>
<p>N&atilde;o importa qu&atilde;o envolvente o desengano,</p>
<p>&Eacute; sempre suspiro em dor de cigano.</p>
<p>Da alma que vai e volta como num giro.</p>
<p>Tentar escapar da roda &eacute; desilus&atilde;o,</p>
<p>Cabe em n&oacute;s, rotos, uma profana&ccedil;&atilde;o.</p>

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		<title>sensa&#231;&#245;es &#225;ridas</title>
		<link>http://descompassado.com/sensacoes-aridas/</link>
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		<pubDate>Sat, 05 Dec 2009 23:49:28 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Christian  Silveira</dc:creator>
				<category><![CDATA[Poesia]]></category>
		<category><![CDATA[alma]]></category>
		<category><![CDATA[aridez]]></category>
		<category><![CDATA[divagações]]></category>
		<category><![CDATA[espírito]]></category>
		<category><![CDATA[intimismo]]></category>
		<category><![CDATA[sensações]]></category>

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		<description><![CDATA[&#201; a nudez do meu corpo que mostra aonde est&#225; alma que deixa as cicatrizes contarem onde estive que deixa as formas falarem de quem sou das vit&#243;rias e das derrotas &#201; o corpo nu, numa grama intocada a natureza e s&#243; a natureza como ela sabe ser sem medo, sem pudor, sem bem ou [...]]]></description>
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<p>&Eacute; a nudez do meu corpo</p>
<p>que mostra aonde est&aacute; alma</p>
<p>que deixa as cicatrizes contarem onde estive</p>
<p>que deixa as formas falarem de quem sou</p>
<p>das vit&oacute;rias e das derrotas</p>
<p>&Eacute; o corpo nu, numa grama intocada</p>
<p>a natureza e s&oacute; a natureza como ela sabe ser</p>
<p>sem medo, sem pudor, sem bem ou mal</p>
<p>Na grama tocando meus p&eacute;s</p>
<p>no corpo sentindo o vento gelado duma noite crua</p>
<p>eu ouvi meu esp&iacute;rito conversar com as estrelas</p>
<p>e eles falavam de mim</p>
<p>e eles estavam tensos</p>

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		<title>O Grito &#8211; Edvard Munch</title>
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		<pubDate>Tue, 13 Oct 2009 15:00:58 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Christian  Silveira</dc:creator>
				<category><![CDATA[Eu]]></category>
		<category><![CDATA[alma]]></category>
		<category><![CDATA[Edvard munch]]></category>
		<category><![CDATA[falta de palavras]]></category>
		<category><![CDATA[o grito]]></category>

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		<description><![CDATA[T&#234;m poesias que, por mais que se tente, engasgam entre sinapses, n&#227;o v&#234;m do jeito que t&#234;m que vir ao mundo externo. Palavras &#224;s vezes se esquecem de ser alma, mas gritos s&#227;o sempre alma, s&#227;o sempre esp&#237;rito, puro, di&#225;fana, sincero. O famos&#237;ssimo O Grito do Edvard Munch &#233; a express&#227;o mais sincera que consigo [...]]]></description>
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<p>T&ecirc;m poesias que, por mais que se tente, engasgam entre sinapses, n&atilde;o v&ecirc;m do jeito que t&ecirc;m que vir ao mundo externo. Palavras &agrave;s vezes se esquecem de ser alma, mas gritos s&atilde;o sempre alma, s&atilde;o sempre esp&iacute;rito, puro, di&aacute;fana, sincero.</p>
<p>O famos&iacute;ssimo O Grito do Edvard Munch &eacute; a express&atilde;o mais sincera que consigo lembrar agora.</p>
<p>A arte &eacute; esgotar a si mesmo para se descobrir, descobrir os outros, aos outros, &eacute; descobrir o rosto diante do espelho.</p>
<p><img class="aligncenter size-full wp-image-405" title="ogrito-munch" src="http://descompassado.com/wp-content/uploads/2009/10/ogrito-munch.jpg" alt="ogrito-munch" width="500" height="615" /></p>

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		<title>Parte Quinta</title>
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		<pubDate>Mon, 14 Sep 2009 17:44:06 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Christian  Silveira</dc:creator>
				<category><![CDATA[Interlúdio]]></category>
		<category><![CDATA[alma]]></category>
		<category><![CDATA[angústia]]></category>
		<category><![CDATA[aventura]]></category>
		<category><![CDATA[Buenos Aires]]></category>
		<category><![CDATA[jornada]]></category>
		<category><![CDATA[viagem]]></category>

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		<description><![CDATA[                &#8211; N&#227;o, senta que eu quero te contar uma coisa. Falei enquanto agarrava seu bra&#231;o. Por mais inexato que possa parecer, isso n&#227;o &#233; uma fuga de nada, muito menos de mim, e espero que isso se abra dessa forma pra ti tamb&#233;m. N&#227;o &#233; uma fuga, &#233; uma busca. Siddarta precisou sair do [...]]]></description>
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<p>                &#8211; N&atilde;o, senta que eu quero te contar uma coisa. Falei enquanto agarrava seu bra&ccedil;o. Por mais inexato que possa parecer, isso n&atilde;o &eacute; uma fuga de nada, muito menos de mim, e espero que isso se abra dessa forma pra ti tamb&eacute;m. N&atilde;o &eacute; uma fuga, &eacute; uma busca. Siddarta precisou sair do seu meio para se reconhecer, Crowley ficou tempos fora, na hist&oacute;ria do Zaratustra ele foi para as montanhas, em v&aacute;rias outras pessoas encontraremos essa constante. N&atilde;o &eacute; uma fuga, &eacute; uma busca, e eu quero que tu v&aacute; comigo fazer isso, talvez eu seja covarde para ir sozinho, ou talvez eu simplesmente pense que tu deve estar l&aacute; ao mesmo tempo.</p>
<p>                N&atilde;o sabia como me fazer entender por ela, &eacute;ramos estranhos um ao outro, contudo, algo nos prendia como uma corrente de espinhos. O rumo da viagem n&atilde;o era t&atilde;o certo, t&atilde;o objetivo, mas justamente essa suspens&atilde;o do controle sobre os fatos &eacute; que nos deixaria nus o suficiente para reconhecer o que havia para ser reconhecido, se &eacute; que isso existia.</p>
<p>                Ela me respondeu que isso parecia um livro do Paulo Coelho, e eu respondi “e por que n&atilde;o encarar assim?”, eu n&atilde;o me sentia desconfort&aacute;vel em me ver dessa forma externa, com defeitos e qualidades, tinha consci&ecirc;ncia dessas coisas, tanto que sabia que faltava algo. Se eu pudesse, sentiria pena daqueles que passam a vida contentes com o pouco que t&ecirc;m em si, sem buscar o que h&aacute; por tr&aacute;s dos v&eacute;us da mente, dos olhos, da percep&ccedil;&atilde;o f&iacute;sica e aut&ocirc;mota a que somos submetidos e confinados. Se eu pudesse sentiria pena, acho que meu sentimento estava mais para asco, e da&iacute; vinha minha amargura, que a B&ecirc; confundia com revolta, com fuga.</p>
<p>                Aos poucos ela pareceu ir desistindo da id&eacute;ia de voltar para casa.</p>
<p>                Sa&iacute;mos do caf&eacute; e passeamos mais um pouco, agora longe dos pontos tur&iacute;sticos. Contei do que acontecera comigo nos anos em que estive fora da cidade, das namoradas, das crises, dos meus v&iacute;nculos com a magia e ordens espirituais, dos sucessos e insucessos com algumas experi&ecirc;ncias ritual&iacute;sticas e meditativas, etc. Por essas aventuras, que sabia que ela tamb&eacute;m passara, eu queria que ela fosse comigo a C&oacute;rdova. Apesar das nossas conversas n&atilde;o conseguirem atingir os pontos an&iacute;micos que eu queria, pois nossa comunica&ccedil;&atilde;o &eacute; t&atilde;o limitada, sabia que nos entend&iacute;amos, ou, ao menos, nos entender&iacute;amos em algum momento.</p>
<p>                O ocaso vermelho estava no fim, e o frio come&ccedil;ava a tomar espa&ccedil;o com um vento gelado. Paramos numa lan house, na frente havia um orelh&atilde;o, de onde liguei para o aeroporto para saber do pr&oacute;ximo v&ocirc;o para C&oacute;rdova: <em>once horas de la noche, </em>respondeu a atendente. Era quase sete e meia da noite, t&iacute;nhamos ainda mais de tr&ecirc;s horas por l&aacute; e nenhum lugar para ficar.</p>
<p>                Depois de sair da lan, caminhamos at&eacute; chegar na Pra&ccedil;a da Liberdade. J&aacute; estava escuro, mas o lugar era bem iluminado, vi um grupo de pessoas num banco fumando, bebendo e falando alto, eram roqueiros, todos tinham um estilo meio glam rock, e havia um viol&atilde;o escorado ao lado deles. Mais perto de n&oacute;s havia uma mulher sentada sozinha, olhando diretamente para n&oacute;s. Ela n&atilde;o fazia nada, quero dizer, n&atilde;o tinha livro nas m&atilde;os, n&atilde;o bebia nem fumava nada, n&atilde;o ouvia m&uacute;sica, apenas olhava diretamente para n&oacute;s como se quisesse falar conosco, como se soubesse que estar&iacute;amos ali. Uma sensa&ccedil;&atilde;o estranha percorreu meu corpo junto com uma brisa gelada.</p>
<p> </p>
<p>[Veja tamb&eacute;m: <a title="V&aacute;lvula de Escape" href="http://mairathums.com/parte-quinta/" target="_blank">V&aacute;lvula de Escape</a>]</p>

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		<title>Na hora morta</title>
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		<pubDate>Sun, 13 Sep 2009 03:09:30 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Christian  Silveira</dc:creator>
				<category><![CDATA[Eu]]></category>
		<category><![CDATA[alma]]></category>

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		<description><![CDATA[Quando pensei abandonar a mim mesmo No del&#237;rio da hora morta O engano era t&#227;o somente erro de percep&#231;&#227;o Eu me agarrava a mim como uma crian&#231;a E quando pensava estar me desprendendo Mais me unia ao desgostoso gosto do apego E gostava do conforto daquele marasmo impr&#243;prio Na hora morta, escura como um halo [...]]]></description>
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<p>Quando pensei abandonar a mim mesmo</p>
<p>No del&iacute;rio da hora morta</p>
<p>O engano era t&atilde;o somente erro de percep&ccedil;&atilde;o</p>
<p>Eu me agarrava a mim como uma crian&ccedil;a</p>
<p>E quando pensava estar me desprendendo</p>
<p>Mais me unia ao desgostoso gosto do apego</p>
<p>E gostava do conforto daquele marasmo impr&oacute;prio</p>
<p>Na hora morta, escura como um halo sideral</p>
<p>Eis que fiz de mim minha p&aacute;tria e meu pecado</p>
<p>Disfarcei nisso minha salva&ccedil;&atilde;o</p>
<p>E ceguei &agrave; &uacute;nica verdade que residia em mim</p>
<p>Minh`alma</p>

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		<title>ocaso</title>
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		<pubDate>Sun, 06 Sep 2009 22:04:30 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Christian  Silveira</dc:creator>
				<category><![CDATA[Poesia]]></category>
		<category><![CDATA[alma]]></category>
		<category><![CDATA[natureza]]></category>

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		<description><![CDATA[Ao longe vejo as linhas deste ocaso Rubro e denso, como se fosse parte da minha alma Pois que h&#225; anos eu deixo minha consci&#234;ncia de lado E fico completo nos segundos que dura esse espet&#225;culo   E silencia meu esp&#237;rito, troco os sons pelos grilos, Ou&#231;o o rotor do universo gemendo can&#231;&#245;es eternas Enquanto [...]]]></description>
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<div class="topsy_widget_data topsy_theme_blue" style="float: right;margin-left: 0.75em; background: url(data:,%7B%20%22url%22%3A%20%22http%253A%252F%252Fdescompassado.com%252Focaso%252F%22%2C%20%22style%22%3A%20%22big%22%2C%20%22title%22%3A%20%22ocaso%20%23%22%20%7D);"></div>
<p>Ao longe vejo as linhas deste ocaso</p>
<p>Rubro e denso, como se fosse parte da minha alma</p>
<p>Pois que h&aacute; anos eu deixo minha consci&ecirc;ncia de lado</p>
<p>E fico completo nos segundos que dura esse espet&aacute;culo</p>
<p> </p>
<p>E silencia meu esp&iacute;rito, troco os sons pelos grilos,</p>
<p>Ou&ccedil;o o rotor do universo gemendo can&ccedil;&otilde;es eternas</p>
<p>Enquanto o rubro cede ao negro intenso</p>
<p>Devaneio e desatino em mim mesmo</p>
<p> </p>
<p>Nem um vento vem a mim conturbar o velho ocaso</p>
<p>Nenhuma folha mexe nos galhos do novo mundo</p>
<p>Eu divido o horizonte em luz e sombras</p>
<p>Multiplico o mergulho e o elevo na loucura</p>
<p> </p>
<p>Dentro de mim h&aacute; a linha do ocaso:</p>
<p>Fico rubro antes de me dividir em sombr`e luz</p>
<p>Os ventos, contudo, s&atilde;o t&atilde;o mais fortes</p>
<p>A entropia das minhas ondas infinita</p>
<p>E o rotor gira muito mais r&aacute;pido</p>
<p>A can&ccedil;&atilde;o, por&eacute;m, eu n&atilde;o a ou&ccedil;o</p>
<p>Seria um pecado se n&atilde;o fosse na tua voz</p>

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