Artigos com o marcador alma
Poema pra resistir
06/02/10
Como um purgatório a sustentação,
Uma espera infinita e ansiosa,
Uma provação elísea e belicosa;
- Quanto da minh`alma em suspensão.
Quanto suporta num instante sorumbático,
sensações áridas
05/12/09
É a nudez do meu corpo
que mostra aonde está alma
que deixa as cicatrizes contarem onde estive
que deixa as formas falarem de quem sou
das vitórias e das derrotas
O Grito – Edvard Munch
13/10/09
Têm poesias que, por mais que se tente, engasgam entre sinapses, não vêm do jeito que têm que vir ao mundo externo. Palavras às vezes se esquecem de ser alma, mas gritos são sempre alma, são sempre espírito, puro, diáfana, sincero.
O famosíssimo O Grito do Edvard Munch é a expressão mais sincera que consigo lembrar agora.
A arte é esgotar a si mesmo para se descobrir, descobrir os outros, aos outros, é descobrir o rosto diante do espelho.
Parte Quinta
14/09/09
– Não, senta que eu quero te contar uma coisa. Falei enquanto agarrava seu braço. Por mais inexato que possa parecer, isso não é uma fuga de nada, muito menos de mim, e espero que isso se abra dessa forma pra ti também. Não é uma fuga, é uma busca. Siddarta precisou sair do seu meio para se reconhecer, Crowley ficou tempos fora, na história do Zaratustra ele foi para as montanhas, em várias outras pessoas encontraremos essa constante. Não é uma fuga, é uma busca, e eu quero que tu vá comigo fazer isso, talvez eu seja covarde para ir sozinho, ou talvez eu simplesmente pense que tu deve estar lá ao mesmo tempo.
Não sabia como me fazer entender por ela, éramos estranhos um ao outro, contudo, algo nos prendia como uma corrente de espinhos. O rumo da viagem não era tão certo, tão objetivo, mas justamente essa suspensão do controle sobre os fatos é que nos deixaria nus o suficiente para reconhecer o que havia para ser reconhecido, se é que isso existia.
Ela me respondeu que isso parecia um livro do Paulo Coelho, e eu respondi “e por que não encarar assim?”, eu não me sentia desconfortável em me ver dessa forma externa, com defeitos e qualidades, tinha consciência dessas coisas, tanto que sabia que faltava algo. Se eu pudesse, sentiria pena daqueles que passam a vida contentes com o pouco que têm em si, sem buscar o que há por trás dos véus da mente, dos olhos, da percepção física e autômota a que somos submetidos e confinados. Se eu pudesse sentiria pena, acho que meu sentimento estava mais para asco, e daí vinha minha amargura, que a Bê confundia com revolta, com fuga.
Na hora morta
13/09/09
Quando pensei abandonar a mim mesmo
No delírio da hora morta
O engano era tão somente erro de percepção
Eu me agarrava a mim como uma criança
E quando pensava estar me desprendendo
