sonho aproximado
Entre todas, as melhores maneiras que existiram foram aquelas apenas imaginadas. Imaginei em noites, em tardes, até em manhãs de sábado. Imaginei no inverno, verão, chuva, sol. Sempre era melhor no sonho do que na realidade.
Os gostos eram mais coloridos, os cheiros eram mais fortes. Percebi que era uma criança quando retornei de um dos desvarios. Quanta imaginação presa numa corrente de incertezas e inseguranças! Sob uma lua gelada a maré dos pensamentos inundava minha praia de águas doces, mas eu, tão denso, tão compacto, me fechei à umidade e permaneci seco por dentro, e o sol, no outro dia, me esquentava mais e mais.
Eu imaginei na praia também, mas não foi tão bonito, talvez por ser, dentre as opções delirantes, uma das mais comuns. Mas numa outra delas eu lembro que tu aparecias – não sei de onde ainda, não estava decidido quando minha cabeça gerou isso – sob a noite mais estrelada que eu já tinha visto, com a lua bem no horizonte, gigante e amarela, eu podia sentir o cheiro do luar, ou então era o teu. Eu não falei sobre estrelas, sobre sírius, sobre vênus; nem tu me falaste sobre a lua, sobre a brisa muito gelada que empurrava teu cachecol pro noroeste e a minha boca pra tua. Não falamos sobre coisa alguma, estávamos mudos e, assim, coesos.
Chegamos ao beijo, e pelo calor das nossas bocas deixamos de lembrar do frio, apesar do vento continuar leve e gelado, e nossa saliva era mel, era romã, era vinho, e cada vez que nos beijávamos crescíamos em intensidade e calor. E as roupas foram sendo tiradas. Lembro dos teus olhos expressando inocência que, mesmo no sonho, eu sabia ser apenas um charme, um engodo pra minha libido, mas era exatamente o nosso combinado, cada ato como se fôssemos dois virgens descobrindo o sexo, ou o amor. De repente estávamos sobre uma cama, a mais confortável, e, mesmo ao ar livre, naquele espaço não havia frio e nem vento mais, só os percebíamos pelo movimento e barulho das copas das árvores.
Tu já estavas apenas com as roupas de baixo, e estas também não sei dizer cor, mas sei da tua pele, alva, suave, com um perfume que só poderia ter vindo da Grécia, dado pelas próprias mãos de Afrodite, como se a própria tivesse te perfumado e te encantado para aquela noite. Então tirei toda tua roupa, e o maravilhoso cheiro se ergueu, e minha embriaguez era mais confortável que a resultada de um vinho.
Pus minhas mãos entre tuas coxas e senti o calor do teu corpo mais intenso, e teus suspiros me excitavam ainda mais. Já estávamos em transe, antes mesmo de iniciar qualquer penetração. Foi então, quando meu primeiro dedo tocou teu clitóris já úmido, e depois foi mais adentro, que teus suspiros se transformaram em gemidos e, nessa progressão, com a continuidade do ato e a penetração, transformaram-se, também, em gritos, e era como se ecoassem por aquela paisagem noturna vibrando o som do universo inteiro em harmonia. Melodia tão bela eu nunca mais escutei.
Após ser penetrada, tu te transformaste num misto de virgem Maria e Babalon, sentias prazer como uma garota mas o aproveitava como uma mulher. E assim suamos, e assim gozamos, tu uma, duas, três vezes. E mesmo o fim foi preenchido de um sentimento de potestade, como se fôssemos senhores do mundo.
Dos sonhos que tenho, as cores, os cheiros, os gostos não se esmorecem, ficam, pois, impertinentes em minha memória, lembrando que uma alucinação também traz sensações desconhecidas. E me pergunto, então, se te conheço.
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surpresas de feriado…
\o/
Na areia movediça de sua fala afundei.Na fogueira onde estala o teu desejo, queimei.
Lindo, intenso…Eros por todos os cantos!
Beijos.