Ser caminho, ser estrada
“I wanted to be changed by the road.
I so wanted to change the road.
But somehow we both resisted change.
Somehow we were both too strong.
And yet we have both winded away,
unsure of where we head.
And it’s like we’re both confused
as to who is who.
As if, late in the night,
you can’t tell the wanderer from the road
- the walker from the walked.
Maybe I’m just the road,
dreaming that I walk.”*
Essa é uma estrofe de uma das músicas novas do CD Road Salt do Pain of Salvation, a música se chama Of Dust.
Por alguma razão, isso ficou martelando na minha cabeça dias a fio; aliás, continua martelando. Talvez seja essa a razão de eu estar iniciando esse texto sem rumo, sem objetivo certo.
A vida, cedo ou tarde, acaba nos parecendo um jogo de um sarcasmo imprevisível, e tudo está tão intimamente ligado que, quando percebemos um pouco dessa teia incrível que é formada, só podemos sorrir e continuar caminhando de um novo jeito.
Quantas vezes não tentamos mudar as coisas ao nosso redor sem ter a menor preocupação em analisar se, na verdade, não somos nós quem devemos mudar e nos adaptar ao contexto?
Não importa o grau de profundidade em que você já mergulhou em si mesmo, a percepção de que você se adapta à vida e ela se adapta a você geralmente ocorre de qualquer forma; e é estranho perceber como é esse vai e vem, essa mola que ora nos empurra, ora nos puxa de volta, numa brincadeira de gangorra com a vida – o viajante e o caminho.
Estamos tão bitolados e preocupados com nossas tarefas diárias, com nossos lazeres entediantes, repetitivos e hipnóticos, que não colocamos o pé na estrada que há dentro de nós, não investigamos esse caminho terrivelmente vasto e escuro que vai, aos poucos, com esforço, se abrindo diante de nós.
Espero que sua resposta seja sim, mas vamos lá: você já parou pra pensar nas possibilidades que há em você? Na potência escondida, latente, em sua cabecinha acostumada à rotina, ao claustro cotidiano e ao conforto?
Já tentou enxergar o que você poderia fazer se, simplesmente, pudesse esquecer por um momento o medo, o orgulho, a preguiça e outros fatores que nos impedem de voar, de viajar no sentido literal, de conhecer o mundo e, talvez assim, mergulhar com mais voracidade em sua alma?
Tenho convicção de que quando fizer isso, mesmo na menor escala cabível, não verá tanta diferença entre você e o caminho, entre você e o meio em que vive, entre você e as situações da vida e suas atitudes para com ela. Tudo isso forma um emaranhado de causas e conseqüências indissolúveis, tão indissociáveis quanto o viajante da estrada; eles são um só, não há diferença. Aliás, creio que nem mesmo deva existir diferença substancial entre sonhar ser o viajante que caminha na estrada e ser o viajante que caminha na estrada.
Pra nós, as coisas são muito confusas, elas se confundem, se misturam e formam um mosaico que, no fim das contas, chamamos de vida.
Talvez eu tenha parado no meio da estrada, talvez eu tenha apenas sentido o cheiro da estrada, sem jamais colocar um pé nela. Só sei que o que vejo é um infinito escuro de possibilidades e incertezas, e isso tem um gosto terrivelmente bom, como sexo.
___
*
“Eu quis ser mudado pela estrada.
Eu quis tanto mudar a estrada.
Mas, de alguma forma, ambos resistimos às mudanças.
De alguma forma, ambos éramos muito fortes.
Assim, ambos ficamos sem fôlego,
Incertos de onde íamos.
É como se estivéssemos confusos de quem é quem.
Como se, tarde da noite,
Você não pudesse distinguir o viajante da estrada
- o caminhante do caminho.
Talvez eu seja apenas a estrada, sonhando que eu caminho.”
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Adooorei esse artigo Chris ;D Tá muito bom meu amigo…