Poesia
Ter-te todo tempo
3Dar-te de mim todo o tempo
O tempo todo querendo ter-te
Ter-te querendo ter-me
Ter-me em completude e totalidade em ti
Enquanto não me afogo em teus afagos
Tenha a mim, em teu colo e teu cheiro
Se ouvires
0É então que a surpresa nos ataca
Que o inesperado preenche o espaço
Faz do passo torto apenas outro passo
Faz da melodia apagada uma fermata
E entra num outro ato…
contaminado
3Tentar a si mesmo,
Da galáxia ao pó,
E nessa empresa, só
Descobrir-se, a esmo.
Provar de si o veneno,
Sorver a droga dispersiva
E bater e bater cabeça, inativa,
A veia vil que dá força
2Não há esperança em nenhum ato;
Não existe, nas ações, expectativa alguma;
É como cair de um trampolim sem uma
Rede que possa sustentar o impacto.
Inexiste qualquer fé no fazer ou reter;
te destruir
2Quero te machucar, antes de tudo;
Quebrar, do teu ser, cada pedaço;
Arruinar tua consciência, um andaço;
Desmoronar teu ego, esse campanudo.
Acabar com tudo aquilo que pensas ser