Poesia

Ter-te todo tempo

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Dar-te de mim todo o tempo

O tempo todo querendo ter-te

Ter-te querendo ter-me

Ter-me em completude e totalidade em ti

Enquanto não me afogo em teus afagos

Tenha a mim, em teu colo e teu cheiro

Em teu selo e teu zelo

E te ter tem sido o todo de tentativas

De apurar do tempo e encurtar o espaço

De passar o que demora e terminar o que separa

Pois que há em cada passo no hoje

Uma razão para o amanhã

Pois que há em cada respiração, hoje,

Uma intenção clara em ti, pra ti, de ti, no amanhã

Se ouvires

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É então que a surpresa nos ataca

Que o inesperado preenche o espaço

Faz do passo torto apenas outro passo

Faz da melodia apagada uma fermata

E entra num outro ato…

Ai dos meus dedos que não a tocam hoje

Ai dos meus ouvidos que não a ouvem longe

Mas abençoada seja minha alma que vibra

Por cada nota tocada na lembrança suave

Vibra, sim

E vibra ao sul

contaminado

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Tentar a si mesmo,

Da galáxia ao pó,

E nessa empresa, só

Descobrir-se, a esmo.

Provar de si o veneno,

Sorver a droga dispersiva

E bater e bater cabeça, inativa,

Nesse chão sujo, cheio de sereno.

Tão impreciso e oblíquo

Via lá de cima todo o teatro,

A triste comédia, lá do apoastro

- Era-me tudo tão iníquo.

A farsa, do pó à galáxia,

Contaminava como peste;

Eu, infeccionado, despia a veste,

Tentando, em desespero, prolaxia.

A veia vil que dá força

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Não há esperança em nenhum ato;

Não existe, nas ações, expectativa alguma;

É como cair de um trampolim sem uma

Rede que possa sustentar o impacto.

Inexiste qualquer fé no fazer ou reter;

É desprovido de qualquer significado

O viver, tão parco, pobre e mal edificado,

Não há elos nem liames que sustente meu ser.

Destituído duma ligação, uma união

Mais pura e verdadeira que a alma que tateia

Por entre vala, valsa, velha vila, veia,

E encontra, sempre, descaso da solidão.

Não perdoa mais a vida frágil

E se agarra ao tétrico sentimento

Como se fosse ele mesmo o tormento

Medonho, e nessa veia vil mais ágil.

te destruir

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Quero te machucar, antes de tudo;

Quebrar, do teu ser, cada pedaço;

Arruinar tua consciência, um andaço;

Desmoronar teu ego, esse campanudo.

Acabar com tudo aquilo que pensas ser

Teu Eu, teu âmago, quase intocado;

Aí eu te terei destruída, ao meu lado,

Sem nada que possa te prender.

Nua e terminada, em minha cama,

Terás uma vida que não imaginavas;

Incompleta verás que estavas,

E te enganavas por tanto drama.

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