Poesia
Um cometa canta
2É como ter no peito uma tempestade se formando
E um raio distante brilha e ecoa nesse deserto
Tão incerto de onde atingirá, se longe ou perto
Deixando a agonia de guardá-lo apodrecendo
Como se cada fibra ululasse e pulasse
Da mesma boca
3Tem gosto de traição,
Ainda que assim não seja;
Não é doce como cereja
Pois me é amargo, então.
Cabe a mim sentir na boca,
Na língua que me tocou,
Novavidanova
3Minhas folhas secas eu as deixo cair,
nesse momento nada deve pesar.
Desfaço os nós e solto as raízes
para que tudo seja levado pelo vento.
Sinto o cheiro de um outono tardio,
sensações áridas
2É a nudez do meu corpo
que mostra aonde está alma
que deixa as cicatrizes contarem onde estive
que deixa as formas falarem de quem sou
das vitórias e das derrotas
1, 2 e 3 numa noite
31
Eu tenho tanta vida que tudo ficou pesado
Sem ser como o resto dos mortos que pensam que vivem mas boiam
Eu afundei, na mais profunda correnteza do oceano
Por ter tanta vida e ter ficado pesado, afundei