Poesia
ocaso
2Ao longe vejo as linhas deste ocaso
Rubro e denso, como se fosse parte da minha alma
Pois que há anos eu deixo minha consciência de lado
E fico completo nos segundos que dura esse espetáculo
E silencia meu espírito, troco os sons pelos grilos,
Ouço o rotor do universo gemendo canções eternas
Enquanto o rubro cede ao negro intenso
Devaneio e desatino em mim mesmo
Nem um vento vem a mim conturbar o velho ocaso
Nenhuma folha mexe nos galhos do novo mundo
Eu divido o horizonte em luz e sombras
Multiplico o mergulho e o elevo na loucura
Dentro de mim há a linha do ocaso:
Fico rubro antes de me dividir em sombr`e luz
Os ventos, contudo, são tão mais fortes
A entropia das minhas ondas infinita
E o rotor gira muito mais rápido
A canção, porém, eu não a ouço
Seria um pecado se não fosse na tua voz
Eu morri ao ouvir tua voz
2Eu morri ao ouvir tua voz, eu morri
E desejei morrer outras mil vezes
Se por uma vez mais eu te ouvisse cantar ao meu lado
Quem sabe em outra vida, quando bater na janela eu seja música
E tu acompanharás com tua voz de orvalho meu ritmo
Orvalho, serás assim minhas lágrimas de saudade
Pois assim eu posso morrer ao ouvir tua voz
E chover em mim mesmo, molhar teus pés, redenção
Em cada acorde, agora, repousa tua voz, vibrando meu espírito
Eu morreria tantas outra vezes para poder ser tua melodia
Ai de mim que não tenho sol, ai de si mesmo, oh poeta barato, em bemol
Vivo para a música como meio de te tocar
E eu morreria um milhão de vezes se tu cantasses as notas da minha música
Eu morri ao ouvir tua voz, eu morri
re-pousa em ti
1Sim, eu te vi, e tu estavas linda
E era de ti que eu esperava minha felicidade
E é em ti que eu pouso minhas ilusões
Pois me é tão doce tua imagem, e tão alva tua presença
Ai de mim se sentisse de novo tua respiração
Se esse sopro pousasse em minha pele, eu seria reticências
Sim, eu te vi, e poderia ficar te olhando se suportasse pousar meus olhos nos teus
Porque se assim acontecesse, eu estaria trancado, eu ficaria preso
Em teu cárcere eu moraria de boa vontade
Porém, na minha alma eu sinto medo da gaiola
Assim, fingi não ter visto
neo aliteração de ti
2Ai que me esgotam as palavras e o tato
Se ao menos minhas letras em ti deitasse
Formaria o poema mais belo se deitasse
Em ti minhas palavras, ai mas me falta tato
Circulei o que te dizer, e disse que não diria nada
Mas se é da pele que sinto falta o meu tormento
Nada direi a respeito, nem mesmo por decreto
Sob hipótese alguma eu diria algo, eu diria nada
Pudesse eu repetir cada sensação em teus lábios
Essa boca cansaria e sangraria em tanta fúria
Em teus lábios eu repetiria tanta fúria
E sangraria a sensação cansada de distúrbios
Tragaria o haxixe do cânhamo do teu sangue
Sugaria tuas veias e volveria ao teu sexo
Ao teu sexo, tornaria perplexo ao teu sexo
Como se ecoasse e bebesse apenas do teu sangue