Indignação

Ateus, os culpados pela crise da Europa e dos EUA

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Segundo o artigo, que saiu na Folha ontem escrito pela senadora Kátia Abreu, o ateísmo é a causa de toda crise econômica que passa a Europa e Estados Unidos, ela cita valores morais para afirmar que sem uma fé em deus, não é possível tê-los.

Fico pensando como vai longe à religiosidade, usar grandes acontecimentos para defender uma crença. Se acreditar que não sendo fantoches estamos perdendo nossos valores? Me vem aquela idéia do deus perverso, “seja bonzinho para deus não castigar”, cadê seu senso do ridículo dona Kátia?

O homem de bem preserva seus valores morais porque isso faz parte do seu ser, da sua criação, da sua parte humana e RACIONAL como um homem de caráter e não por submissão a um personagem mitológico. A cultura racional e livre desses apegos imaginário só nos fazem crescer, avança nossa cultura e nossa inteligência, “abre os olhos” do povo, o ensina a tomar decisões e partido de assuntos, não os deixam seres influenciáveis e sim seres livres à suas próprias idéias.

Lendo um artigo assim escrito por uma senadora me constrange, não sei se ela mesma acredita nisso ou está de alguma forma querendo a manipulação da parte frágil (idiota e crente) de nosso povo. Esse povo que mais reza do que trabalha, que se sacrificasse tanto no seu trabalho como faz para pagar promessas, esse país certamente estaria muito melhor, e não como à senhora afirma que que estaria apto para uma possível crise.

Estou envergonhado.

A ausência

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São tantas coisas, tantas formas e tantos caminhos que me levam para determinados pensamentos que, na verdade, nem sei por onde começar.

Que seja, pois, rude.

Eu não posso acreditar em deus, não consigo sequer cogitar a ideia de acreditar num criador misericordioso, de suprema sabedoria, capaz de criar um mundo para seus “filhos” e permitir coisas hediondas como, por exemplo, o holocausto.

Falar do holocausto é uma coisa, ver imagens de corpos de milhares de seres humanos (não são judeus, não são negros, não são americanos prisioneiros, são única e tão somente seres humanos) amontoados, uns sobre os outros, numa geleira de ossos, pele e cabelo.

Corpos mortos, de bocas abertas, pronunciando um último grito mudo, que ficou ecoando até hoje e aqueles que querem ouvir que o ouçam. Talvez o que eles estavam gritando era algum “Por favor, deus, me ajude”, “Socorro, Senhor” ou “Pai nosso que estais no céu…” e, como resposta às suas preces, ouviram um tiro, um silêncio e só.

Não poderia acreditar em um deus que permitisse que um gênio, porém, completamente doente, chegasse tão longe. Tampouco consigo compreender porque ele “enviou seu filho para morrer por nós” e, menos ainda, como a morte de um ser humano pode “nos redimir de nossos pecados”.

Não posso concordar com um deus que vê, apaticamente, a fome e a miséria de um lado e um playboy gastando R$200,00 numa festinha de sexta-feira “pagando ceva pras mina” ou um milionário com sua mulher perua gastando R$500,00 em roupinhas para seu cachorrinho novo.

Expliquem-me: como posso acreditar em um deus que deixa que um viciado problemático entre em uma casa qualquer, mate quem quer que esteja dentro, para roubar e comprar mais drogas? Já não posso mais corroborar com essa falácia do deus cristão/católico/evangélico/et cetera.

Ah, mas se você me diz que deus criou o homem e o deixou livre para ser responsável por suas próprias atitudes eu tenho que concordar? Não!

Suponhamos que deus tenha, sei lá, novecentos trilhões de anos e o homem uns 200 bilhões (suponhamos), isso deve significar que deus é um pai bem adulto já, muito mais velho que seu filho (não um pai adolescente). Sendo assim, é correto deixar sua criança ao relento sem nem ao menos colocar sua mão para evitar que a criança faça besteiras? É correto não ensinar, ficar ausente e ainda cobrar a perfeição?

Se deus é pai e nós somos seus filhos, só posso concluir que ele é um sádico psicopata, deixando seus filhos se matarem uns aos outros, dando muito mais comida no almoço para uns e deixando outros disputarem sua comida com tigres e leões.

Não tenho ideia de como concluir um texto desses. Preciso ser categórico em minha opiniões/convicções. Cresci num ambiente católico e isso não fez de mim uma pessoa melhor, tampouco fez da maioria das pessoas que conheço e se dizem cristãs.

A inveja, a ganância, a maldade e a crueldade se escondem debaixo do dízimo de cada um de vocês e, se vocês acreditam em deus, só pode ter sido ele que, bem lá no fundinho dos seus genes, plantou essa malícia.

Citando Nietzsche, se bem me lembro: eu só poderia crer num deus que soubesse dançar.

O Rei está morto. Viva o Rei!

Para mim, um méson é muito mais real que essa crença toda.

E pra você que leu este texto até aqui e está pensando em como xingar discordar, assista esse vídeo antes:

A Gangue da Matriz como você bem sabe

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É sob esse céu azul, em tapetes bem cuidados, que o crime acontece.

A esta altura do campeonato quase todos vocês já devem ter ouvido o rap do Tonho Crocco chamado Gangue da Matriz (que você pode ouvir no vídeo postado no final do texto), que cita, de forma muito inteligente e não-ofensiva o nome dos 36 deputados do estado do Rio Grande do Sul que votaram a favor do próprio aumento salarial em uma quantia pouco inocente de 73%.

Aliás, de inocência esses deputados do nosso querido estado gaúcho não têm nada.

Não é de hoje que vemos políticos enriquecendo às custas dos cofres públicos alimentados pelo dinheiro que eu e você pagamos em impostos em cada pequena mercadoria que adquirimos.

Ladrões, eu digo, porque não sou tão polido quanto o Tonho Crocco.

Tonho está sendo processado pela música supracitada, mostrando o quanto nossa liberdade de expressão ainda é limitada. Pisemos, pois, nos calos desses senhores deputados, desses e de outros senhores possuidores de riquezas e honrarias que muito me causam dúvidas de suas procedências, se lícitas ou merecidas…enfim, pisemos nos calos desses “poderosos” para vermos o quanto nossa liberdade é frágil, pois esses não se recusam em usar os meios mais perversos para tirar da frente quem lhes é contra, ou melhor, quem lhes é verdadeiro.

Uma mentira sustentada por várias pessoas acaba se tornando uma verdade, infelizmente, e um furto (pois é assim que eu classifico esse aumento) praticado por vários deputados acaba sendo aceito em uma dolorida e ignorante resignação.

Esses senhores não possuem vergonha, não possuem escrúpulos, são nossos Luís XIV, são nossas condessas Báthory melindradas na violência física.

Existe algo de muito errado nessa câmara destra do Congresso Nacional (obviamente existe algo de muito errado em todo esse congresso), sem excusas esses senhores ímprobos se movem e movem quantias absurdas de dinheiro para lá e para cá, montando seus patrimônios particulares sob nossos olhos e nada lhes acontece, nada lhes é imputado.

No entanto, quando alguém lhes ergue a voz dizendo “isto está errado”, essa voz é logo caçada, presa, enjaulada em grades de censura e “justiça”, e então esses senhores nos dizem “essas vozes nada provam, são as vozes de caluniadores, de desocupados amorais”.

Senhores que sorriem e mentem, senhores que com as mãos nos bolsos seguram o próprio dinheiro e, misteriosamente, também roubam o nosso instantaneamente. Senhores de ternos novos, de barba bem cortada e de perfumes importados acabam fedendo a ganância e falsidade. Inclusive esses que viveram uma vida correta, esperando apenas o momento certo de mostrar o caráter fraco e ordinário que possui, esses que moram tão perto que você chegou a pensar que não seriam capazes de rir da sua cara enquanto metiam a mão no seu bolso.

Ladrões, eu grito, porque não sou tão polido quanto o Tonho Crocco.

Uma Fábula Reconfortante

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Esse é o terceiro vídeo da Série Sagan que eu, fortemente, recomendo que assistam todos.
Esse, em especial, inspirou/revoltou o texto a seguir.

Olhando para o planeta Terra, esse planeta que habitamos de forma inconseqüente, irresponsável e parasitária, olhando para ele, um ponto azul perdido num Universo infinitamente grande… nada acontece olhando de longe, em verdade, o que acontece é praticamente insignificante para o Universo.

Somos partículas infinitesimais de poeira sobre a superfície de um grão de poeira um pouco maior. Somos ácaros.

É uma arrogância exorbitante pensarmo-nos seres especiais nisso tudo. É, além de arrogante, estúpido pensar, por um momento sequer, que religiões, ideias, conceitos, opções sexuais, fronteiras nacionais ou qualquer outro motivo ou valor ou ideal tão transitório possa ser o único, o verdadeiro. Aquele que diz “eu tenho orgulho de ser assim, pois assim é o certo”, aquele que grita sua verdade (sua e somente sua), que levanta suas armas com outras centenas de milhares de pessoas que pensam estar no mesmo barco (pois cada um está sozinho no seu, porém, no mesmo oceano), é o maior arrogante, o maior estúpido, pois ele mata por um ideal inconsistente.

Aquele que pode se transformar num assassino ou agressor apenas para defender seu ponto de vista, defender sua bandeira, seja ela colorida, preta e branca ou a cor que for, está errado, ainda que nesse jogo não exista, de fato, tal coisa de estar totalmente errado.

“O Homem, em sua arrogância, pensa de si mesmo uma grande obra, merecedora da intervenção de uma divindade.” (Darwin)

O que te faz pensar que suas opções são melhores que as do outro? Por que pensas que tua causa é a mais justa e, por isso, um deus qualquer deve intervir e te apoiar e te permitir sobrepujar toda e qualquer pessoa ou coisa que esteja em seu caminho? Como chegaste a esse ponto?

Nós falhamos em compreender nosso universo.

Nós não nascemos prontos. Somos filhos de bilhões de anos de evolução, somos átomos, pó de estrela, carbono e energia, somos sinapses e, quem sabe, num outro instante, somos nada.

Não podemos dominar o Universo, não podemos domar deus (se ele existe) para que satisfaça nossos, indubitavelmente egoístas, desejos, não podemos muitas coisas pois somos limitados no que fazemos e no que compreendemos. Porém, podemos sim, esforçarmo-nos, de maneira tépida, calma e lenta mas consistente, para que nosso planetinha azul, perdido nesse infinito de escuridão e “vazios”, seja um lugar melhor.

Não pense que um deus qualquer vai te salvar quando tu ergueres as mãos para o céu pedindo perdão; tampouco seres de outro planeta (se existirem) virão te salvar desse caos, pois tu és merecedor.

Não! Não existem milagres!

Podemos ser filhos de um átomo em especial, o primeiro a ter sofrido uma mutação de sucesso, e ele foi nosso deus, e se for assim, ele não irá nos salvar novamente. Estamos sozinhos, abandonados à própria sorte, e já está mais do que na hora de limpar a nossa casa.

Olhando assim, de longe, também não parece tão suja. Mas daqui de dentro, essas diferenças que não sabemos suportar nos fazem imundos.

 

Inteligência (Primitivismo) Emocional

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E não adianta vir se gabar de que você sabe inúmeros ossos do corpo humano décor, que você sabe transplantar um coração, que você sabe usar a constituição e leu Kelsen, que você sabe integrar, derivar e entende tudo de físico-química.

Não adianta nada, nada adianta.

Adianta muito, mas não tem valor nenhum, portanto, quero dizer que não adianta nada acumular essa quantidade insustentável de conhecimento, de minúcias e especificidades, quando se vive, irrefutavelmente, ao lado do réptil que deixamos para trás há mais de cem mil anos.

 

 

Somos incrivelmente primitivos. Enjoei de dizer isso, cansei, vomitei até o que não podia desse asco que se nutre daquilo que podemos ser, dessa nossa vilania nata, tão rudimentar quanto um macaco: somos incrivelmente primitivos.

Não sabemos lidar com nossas emoções. Sequer sabemos quais são nossas emoções. Esse orgulho que sustentamos em dizer que somos da Geração Y, que sabemos fazer isso e aquilo, que seremos futuros empresários bem sucedidos prontos para subir numa montanha de dinheiro e, lá de cima, gritar ao mundo (que é o próprio ego gigantesco) que conseguiu.

Estamos pouco ou quase nada preocupados com o que sentimos, com o que somos por dentro e com como afetamos, através das nossas nem sempre boas atitudes/palavras, aqueles que nos rodeiam.

Sabemos muito bem, desde pequenos, ser maus.

 

 

Vide crianças e essa moda do bullying: se isso não é pura expressão da maldade e as crias personificações do que há de mais irrefreado em nosso inconsciente primitivo, então tem muita coisa errada com o que acontece depois da infância.

Além do erro da agressão moral/física, há a nossa incapacidade de lidar com as impressões externas. Sabemos de forma muito insatisfatória controlar nossos impulsos, emoções e pensamentos.

Claro, é natural que tenhamos que nos lapidar, sabedoria exige tempo e esforço que uma criança ainda não dispõe, mas nós, adultos, deveríamos ser mais sábios. Nós, adultos, somos igualmente primitivos.

Crescemos hostis, estressados e egoístas.

Ter bom humor é antônimo de credibilidade; ser paciente é sinônimo de inoperância; ser altruísta é, e essa de fato tem sido assim, interesse.

Assassinos, estupradores, terroristas, homens-bomba… vamos engrandecendo nossa loucura, vamos remontando os anos de história de forma idêntica, continuamos brigando pela terra santa e pela razão da verdade absoluta.

Defendemos, cegos, nossas bandeiras, maculadas e mortas. Há quem mate por um time de futebol… e há quem morra por isso.

Somos macacos brigando por uma penca de bananas, dispostos a usar da nossa mais alta inteligência, a violência, para conseguir o prêmio. Passamos a vida lutando, e isso é tudo.

Impacientes, inconsequentes. Wellington matou crianças no Realengo, alguém duvida de que ele nunca soube lidar com suas emoções e impulsos e pensamentos? Uma bomba estourou numa estação de trem. Um homem se explodiu defendendo sua religião/limite territorial.

Somos primitivos, não sabemos levantar a mão e pedir a palavra. Levantamos a mão para um soco apenas, um soco letal, é o mesmo golpe que levamos dentro de nós a vida inteira e queremos pôr pra fora: não sabemos lidar com nossas emoções, extravasamos em violência.

Não somos sábios, somos inteligentes, e só por isso você lê isso na internet hoje.

Só por isso eu escrevo, só por isso eu me indigno.

 

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