Eu
Experiências
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Passamos a vida inteira buscando coisas, procurando nossa essência, mais felicidade, mais intensidade, mais festa, mais mais e mais.
Mas afinal, por que isso? Onde queremos chegar? O que isso tudo representa pra nós?
Cada miudeza que vivemos é só uma experiência, nada além, nada aquém. É assim com todos, não se pode fugir disso.
Os conceitos dessas experiências são maniqueístas, duais, não se pode estabelecer de forma absoluta um valor ou um adjetivo qualificando como bom ou ruim, os conceitos e as explicações que se seguem são como as próprias experiências, eles existem por si só.
Tomar bomba em uma prova é uma experiência (ruim?), você não vai poder mudar isso, você já viveu e agora isso faz parte de um passado, está guardado em algum lugar da sua mente como uma marca, uma espécie de trauma, e o máximo que pode ser feito daqui por diante é tirar algum proveito dessa circunstância já vivida.
Aquele carro novo que você ganhou/comprou só vai te dar uma vez a sensação de abrir a porta pela primeira vez, dar a primeira partida e a primeira volta nele, depois a experiência de novidade acaba, a endorfina diminui cada vez mais e a necessidade de comprar algo novo de novo aumenta. Você quer ter, outra vez, a sensação da “primeira vez”, mas essa experiência em sua legitimidade ficou para trás, é só lembrança.
Assim é o consumismo, assim é a paixão, assim é o conhecimento. Tudo vicia, tudo estagna, tudo cansa e tudo fica pra trás. Por isso a necessidade de se renovar, de renovar o que há dentro de si.
Aliás, renovar o que há dentro de nós, acredito, é primordial para uma vida saudável. Chame de revolução espiritual, programação mental, reforma psicológica, qualquer coisa, o importante é que quanto mais você mudar a si mesmo (esperando que seja pra algo que possamos chamar de melhor) mais experiências “novas” você poderá ter, a vida vai se apresentando sob novos prismas constantemente.
Não tenha medo de voltar atrás.
Não tenha medo de inventar.
Não tenha medo de sair da sua zona de conforto.
Não tenha medo.
Se tudo é dinâmico, se as coisas que vivemos se tornam passado, apenas experiências vividas, por que há essa neurose coletiva em comprar e ser isso ou aquilo?
Quando olho pros lados vejo crianças presas em corpo de gente grande, com a mesma evolução emocional de um pré-adolescente. “Eu quero!”, é o que ouço as pessoas gritando, e elas se esperneiam quando não conseguem, ficam burras, viram cínicas, se tornam monstros incapazes de compreender o que é ser humano, o que é viver experiências de vida não apenas experiências de “Eu, eu, eu!”.
Qual a experiências que queremos levar dentro de nós? A sensação de um celular novo ou a sensação de uma noite feliz com amigos em um bar? A sensação do carro novo, importado, ou do beijo conquistado a muito custo daquela pessoa desejada?
Reavalie suas prioridades, revise seus conceitos, reveja suas medidas. Obrigue-se a viver experiências que valham a pena, que te façam chorar de alegria e não de remorso.
O peso do passado
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Não deveríamos ter que carregar para sempre o peso daquilo que falamos, escrevemos ou fazemos. Mas carregamos.
Até hoje sou trollado por um dos meus textos mais radicais e famosinhos do blog (sobre fetiche por pés). É claro que fiz questão de ser incisivo, na verdade, queria ser jocoso, e não me arrependo particularmente desse texto, no entanto, existem outros que leio e só não deleto porque não quero negar o que fui, o que pensei.
Assim é com tudo, assim funciona com todos nós. É natural.
Repetem ad nauseum um “provérbio” que diz que existem três coisas que não voltam, a flecha lançada, a palavra pronunciada e a oportunidade perdida. É uma pena que esse provérbio tenha vulgarizado, ele é ótimo.
Mudamos incessantemente, somos novos a cada dia, nossas ideologias são mutantes, e acredito que isso seja muito mais válido do que passar a vida acreditando em uma coisa só. Mudar significa sair da inércia, não ficar estagnado, estar disposto a procurar coisas novas e tentar melhorar.
Tenho certeza de que alguns olharão pra trás daqui uns anos e dirão “e eu nem acredito que já fui emo”.
Não podemos julgar as pessoas, não sabemos o que as levou até ali, dos processos que se desenvolveram em sua mente e em sua vida somos ignorantes. Somos ignorantes de nós mesmos.
À medida que vamos nos conhecendo, percebemos algumas nuances em nossa mente, percebemos o quanto somos infantis e corriqueiros, o quanto somos egoístas e imperfeitos. Por isso, mudamos, olhamos para trás e temos uma espécie de arrependimento, uma culpa, uma vontade de gritar, pedir desculpas, abraçar pessoas, agir de forma diferente diante de uma situação que, infelizmente, ficou no passado.
É quase uma injustiça carregar a culpa do próprio passado, é quase como carregar os erros de outra pessoas, pois é certo que somos frutos do que fomos um dia, mas não somos mais aquilo que passou. É, eu acho que é isso: não somos mais aquilo que passou.
Somos outros, somos novos, somos diferentes. Nem sempre mudamos para melhor, infelizmente, mas mudamos.
Não tenho ideias hiperativas, que ficam gritando e pedindo atenção para que eu não as esqueça. Não tenho uma ideologia para morrer por ela, não sou Gandhi, nem Che, nem Hitler, nem Newton.
Poder se desprender de coisas, de pessoas e de ideias é difícil, contudo, por vezes, é mais difícil ainda se deixar prender, se deixar fisgar, morder a isca desse mundo e dizer que se tem os pés no chão, que vive-se, de fato, num mundo de pessoas de carne, osso e lágrimas.
É injusto que nos façam ficar presos ao que dissemos quando éramos mais jovens. Não somos mais os mesmos, não temos mais o mesmo discurso, não lançamos mais a flecha da mesma maneira.
A esquerda não é mais a mesma, a direita não é mais a mesma. O socialismo se confunde com o capitalismo em países desse planeta. O preto vai virando o branco e a gente nem percebe, no entanto, somos sectaristas e conservadores quando se trata de apontar o dedo e jogar uma pedrinha.
Mundos ideais
3
Todos nós idealizamos uma espécie de mundo ideal, não um lugar dos sonhos, ainda que um sonho represente perfeitamente bem aquilo que, teoricamente, queremos.
Passamos dias, meses, anos imaginando, detalhando, aprimorando e destruindo um lugar que nos parece ser perfeito, uma situação queria o máximo da possível a uma vida experimentar nessa encarnação e um estado de espírito perfeito, harmonicamente dinâmico.
Pois é justamente aí que reside o principal e mais real (e, provavelmente o mais terrível) erro: o estado de espírito, a disposição anímica.
Se prestarmos atenção, são incontáveis as vezes em que o ideal se apresenta na nossa frente, nos dá a mão e nos convida para um passeio. Está tudo perfeito, tudo ótimo, e a vida é só café, flores, sol e amor.
Isso acontece repetidas vezes, muito mais do que somos capazes de avaliar e entender, simplesmente acontece e nós deixamos passar. Ou ficamos assistindo, ou deixamos escapar por desleixo, ou ainda, largamos da mão do perfeito e vamos em busca de outra coisa.
Nosso estado de espírito é como as cinzas de um cigarro fumado no sétimo andar em um dia de vento: saem voando sem rumo certo, e vão se despedaçando, virando partículas cada vez menores até que deixamos de enxergar.
O vento rasgou o dia e levou as cinzas.
A vida rasgou nossa força e levou nossa constância, somos espíritos inconstantes e medrosos, e é por isso que há a necessidade de construir um novo mundo ideal toda vez que outro, que já não serve mais, é destruído ou alcançado.
Não é a insatisfação que nos move, é o medo.
Viver de café e flores, sol e sexo, rock and roll e risos.
Os mundos platônicos vêm e vão, mas a nossa maior habilidade é ser constante em nossa inconstância. Mudar, mudar e mudar e nunca mudar de verdade.
Releitura
1
Tá, eu elogiei bastante esses dias dois best-sellers aqui no blog.
Ta, eu sei que daqui um tempo eles deixarão de ser best-sellers e poderão ser lidos e criticados com mais imparcialidade.
Não quero desdizer o que disse, não quero me retratar. Aliás, reitero, A Menina Que Roubava Livros e O Guardião de Memórias são dois livros excelentes.
No entanto, sinto falta de um livro intenso do lado de dentro, que nos pegue pela alma. Que pegue nossa alma como quem pega um pano sujo do chão e vai lavando, e vai mostrando de que que é cada mancha que está sendo retirada e vá além, que nos mostre a água suja no balde e diga “viu só tudo que saiu”, só não diz um “e ainda tem mais” por ser orgulhoso de si mesmo, o livro.
Sinto falta de nunca ter lido Demian, Sidharta e O Lobo da Estepe do Hermann Hesse, de nunca ter lido A Insustentável Leveza do Ser e A Brincadeira do Milan Kundera, de nunca ter lido Assim Falou Zaratustra do Nietzsche. Sinto muita falta de quando não tinha lido esses e muitos outros livros bons (que nos pegam pela alma).
Sinto falta de quando eram alheio a essas palavras porque eu podia lê-las como quem lê a si mesmo pela primeira vez, como quem tem uma janela aberta para o horizonte pela primeira vez, como quem acorda de um sonho… pela primeira vez.
Ter o inédito em nossas vidas é tão valioso que se torna, ao menos para mim, insustentável seguir sem buscar uma coisa nova. Por isso não sossego com autores e bandas, vou fuçando até encontrar algo novo e bom.
Vou me tornando um poço de cultura inútil pra minha área de atuação profissional, mas não tem muita importância, isso é m hobby, é por prazer (ou por amor?).
Porém, sinto falta de nunca ter lido esses livros supracitados, acima de tudo (creio eu), por ter sido ignorante sobre as sujeiras do pano.
Mas e se…
5
Quando começamos a correr muito, a ir depressa demais, as coisas começam a se perder pelo caminho. Os valores vão caindo da carroça, a moralidade e a ética ficam em alguma estalagem beirando a estrada, as pessoas importantes vão dando um adeus tímido através da poeira do caminho e nós nos vemos apenas como sombras, e vamos, meio sem querer, vivendo o que acontece.
É comum inúmeras posses e pessoas terem seus ciclos fechados em nossa vida, é natural que muito disso se torne apenas lembrança. No entanto, a pressa do dia-a-dia, a ânsia por mais e a vontade de ganância abafam muitas cores que ainda deveriam brilhar inocentemente em nossas vidas. Mas nos mexemos tão rápido que essas cores se tornam borrões no espaço deixado pra trás.
Aliás, borrões são, mais ou menos, aquilo que enxergamos da realidade.
Não só nos é impossível ter uma compreensão completa e exata do que cada coisa significa para uma pessoa, ou até pra nós mesmos, como somado à isso parecemos fazer questão de perder a pequena habilidade de razão e entendimentos, que nos são inerentes como seres humanos, e perdemos isso por descuido, por pressa e por ansiedade.
Mas e se tudo isso (ansiedade, pressa, afobamento, desatenção et Cetera) for apenas um resultado tão simples e notório da angústia que a vida nos traz? Se for assim, como deixar o brilho voltar às cores? Como permitir que a angústia encontre uma porta de saída e nos deixe em paz naquela clareira em que paramos na estrada, cheia de flores e sons e cheiros de sossego?
Mas e se só soubermos levantar hipóteses e não conseguirmos parar para entender o que a estrada está nos dizendo?
São tantos “mas e se” que eu me canso.
Vou pro meu sossego.