Eu
Inteligência e Sabedoria
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A diferença não é nada sutil, ainda assim, muitas pessoas costumam confundir inteligência com sabedoria. Então, deixa-me contar um segredo: inteligência e sabedoria são coisas bem diferentes.
A inteligência é a habilidade de manejar conhecimento e aplicá-lo. Se uma pessoa passa 16 horas por dia estudando sozinha ela se torna inteligente, quer dizer, ao menos deveria ser assim se não há problemas de atenção ou cognitivos no processo.
Enfim, uma pessoa pode ficar inteligente com muito estudo, mas uma rotina que afaste sua atenção dos próprios processos mentais e emocionais e psíquicos, das relações do seu próprio âmago e também das relações interpessoais jamais permitirá que ela se torne sábia.
Sabedoria é uma virtude em falta atualmente. Crianças são criadas para ser boas em línguas, matemática, física, química, passar no vestibular, ser o número um, etc. Crescer nessa competitividade nos trouxe um avanço fenomenal na capacidade de reter, interpretar e aplicar informações; com isso, inventamos o carro, o avião, a bomba, a internet, os transplantes, e muitas outras coisas, no entanto, nesse emaranhado de novidades e desejos de ter e comprar, nos perdemos.
A sabedoria não nasce do cárcere de idéias. Uma pessoa que pode se tornar sábia é uma pessoa atenta, alguém que sabe aprender com situações, seja com os bons ou maus momentos, com exemplos.
Também não é sinônimo de experiência, passar por inúmeros problemas sem que se saiba avaliar e pesar os acontecimentos não faz de nós sábios. Aliás, sabedoria poderia ser explicada como uma espécie de mistura entre experiência e inteligência. É saber calcular e estudar com atenção as experiências, é ter humildade para reconhecer quando se erra e não se vangloriar de vitórias.
Em uma parte da música Nihil Morari do Pain of Salvation é dito o seguinte: You think we have developed fast; that we’re civilized and intelligent
I’ll let you in on a secret: we have developed Things!
The rest is simply knowledge passed on
Hell, 99% of humanity couldn’t put together a simple light bulb if you
put a gun to their heads!
And the intellect rubs off on fear.
Estamos em um período assim, passando conhecimento adiante, seria otimista demais, temos sido assim desde sempre, apenas passando conhecimento.
Em não muito tempo teremos uma sociedade extremamente madura em tecnologia e conhecimentos, contudo, completamente infantilizada no campo emocional, que nos faria sábios. O egoísmo, a posse, a guerra, a raiva, são sentimentos nosso, inatos, mas é impossível deixar de vê-los como, e tão somente, nossa animalidade se manifestando.
Vejo homens ricos, bem sucedidos, mestres, doutores, pesquisadores, médicos, advogados, todos, atolados em carros importados e móveis de luxo, sem a mínima noção de humildade, de vivência emocional, são pedras teimosas que assistem televisão e discutem a tabela FIPE e falam do dólar, e isso é tudo que podem fazer, é tudo que aprenderam a fazer.
Pois eu vou lhes contar um outro segredo: somos inteligentes, mas não o suficiente para usarmos essa inteligência em nós mesmos, não para avaliarmos a necessidade de sabedoria.
Enquanto isso, na Casa Branca, Dalai Lama se encontra com Obama…
Google Buzz – O novo bebê da Google
4A nova ferramenta do Google, o Google Buzz, chegou de repente e não há dúvida de que logo vira uma avalanche, uma bola de neve, tal como foi com o Google Wave uns meses atrás.
O GBuzz tem uma funcionalidade interessante, integrado ao Gmail, ele parece funcionar mais ou menos como o Twitter, com uma interface mais elaborada, pois pode-se agregar fotos e vídeos e os mesmos aparecem no próprio posto do Google Buzz, praticamente como se fosse um post de um blog comum e não de um microblog.
A fórmula, a princípio, é a mesma do Twitter: compartilhar mensagens, textos, vídeos, sites, dicas, etc., de uma forma rápida e concisa. Porém, essa ferramenta do google conta com uma diferença que pode puxá-lo para um lado mais ‘rede social’, que é a função de sugestão de pessoas para seguir baseado em endereços de e-mails já existentes na conta do Gmail e, também, em interesses de acordo com os ‘buzz’ de cada um.
O Google Buzz pode ser integrado com o Google Reader, o Picasa, o Flickr, o Blogger e o twitter, o que aumenta o seu público.
Comecei a experiência com essa ferramenta nesta quarta-feira e sei que é meio cedo pra dar opiniões concretas, mas a primeira impressão que tenho é de que essa avalanche vai se dissipar rapidamente, assim como a onda do Google Wave. São ferramentas ótimas, sim, não tenho dúvida, mas algo nelas não está trazendo a atenção necessária para um sucesso mais potente tal como foi o Orkut e Twitter.
Acredito que isso esteja ocorrendo devido a pouca facilidade de manuseia que oferecem o GBuzz e o GWave.
Ainda assim, preciso dizer, a Google está sendo corajosa, inovadora e bastante inteligente nas suas estratégias. Espero estar errado quanto ao dois, GBuzz e GWave, e que eles possam se popularizar e melhorar sempre mais.
Aliás, só eu que enxerguei algo de The Big Bang Theory, ou Sheldon, nessa ferramenta nova? Quero dizer, no Brasil o Sheldon fala Bazzinga!, com A, contudo, no original em inglês (corrija-me se eu estiver errado) o correto é Buzzinga!. Entende? BUZZinga!
Nuit Blanche – Sobre o amor
4Nuit Blanche from Spy Films on Vimeo.
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O cenário é clássico, que isso possa ser entendido como sinônimo de típico – ou clichê. Contudo, não é assim o tal do “amor”? As coisas são sempre iguais, as histórias não mudam, os personagens tem uma forma bastante limitada de participar dessa emoção, desse sentimento, e a equação disso é complexa, porém conhecida: umas reações químicas ali, outras físicas aqui, umas sinapses, uns olhares, umas conversas, sexo, ingredientes que fazem a paixão que precede (ou sucede, ou orbita, ou sei lá) o amor.
Assisti a esse vídeo hoje à tarde e achei excelente.
Não posso relevar a fotografia impressionantemente bem feita, bem calculada, e muitos outros bens por aí. As cores foram escolhidas com perfeição, o tom escuro, a cor do vinho, os olhos, tudo, e gostaria muito de saber me expressar melhor sobre cinema para poder dar pitacos por aqui.
A primeira coisa que acontece é a troca de olhares, o momento em que as ondas e partículas de luz cruzam esse espaço-tempo e conectam os dois estranhos se mostra insustentável e edênico.
Logo após o primeiro contato, aquilo que é pra ser uma coisa ígnea, o amor a primeira vista, o tempo pára, ou quase isso. Reparem que as pessoas começam a caminhar mais devagar, tudo fica mais devagar, e o tempo se dissocia do espaço e não mais anda, arrasta-se, como quem não quer perder o que está prestes a presenciar.
Não bastando o tempo se curvar nessa gravidade imensa que se criou entre os dois personagens, tudo afora o contato parece perder o sentido, e muito mais, perde também toda e qualquer força. Molécula, átomos, elétrons, mésons, destituem-se de energia, decaem, cedem à força que se criou entre o casal que submerge numa hiper-realidade.
É assim no amor, não é? Tudo é possível, as coisas que não estão envolvidas na relação perdem valor, os obstáculos perdem a força que antes tinham e não mais podem oferecer resistência ao agora inevitável. Um carro se dobra como uma árvore nova, o vidro se quebra como um finíssimo cristal, a chuva não molha, o vento não resfria, e toda a física, de Newton à Schroedinger, passa a necessitar de um novo entendimento.
A imagem da mulher, depois de estilhaçar o vidro e indo encontrar o homem é perfeita, a fisionomia de pureza, a beleza imaculada compõem o arquétipo desse ato, e isso na realidade é fato, não numa realidade absoluta, mas na mente do próprio homem: a amada é imaculada para ele.
Quando o casal constrói para si uma realidade única e compartilhada, aí sim penso que se possa acreditar no relacionamento. Isso, obviamente, não é tão poético quanto aparece no filme, nem tão evidente, no entanto, o compartilhamento de emoções, sensações e pensamentos não é exclusividade de um casal, isso acontece com multidões.
Mas ao final, quando se descobre um devaneio, ainda há a possibilidade de fazer acontecer, pois a imaginação é assim, uma ponte ilimitada e cheia de ornamentos entre a realidade e o desejo.
Mulheres de coxas grossas
38Pois bem, muitos devem ter lido a coluna de hoje do Paulo Sant`Ana na Zero Hora criticando essa “epidemia” de pernas grossas em mulheres, e ele ainda foi adiante ao fazer uma afirmação perigosíssima: “Não é isto que nós, homens, queremos”, referindo-se às pernas grossas. Quem pode, de forma assim tão simples, generalizar a opinião masculina sobre o corpo das mulheres? Como eu sempre falo “gosto é gosto, dizia uma velha lambendo sabão”.
Particularmente (notem que não disse “os homens” em geral), sou adepto da mulher “prato cheio”, se tiver coxas grossas, ótimo, se tiver peitos grandes, excelente, se for alta, muito bom. Essas características não devem importar, protestas contra isso serve apenas como um incentivo (e sei que o Sant`Ana destacou que é contra) à anorexia.
Contudo, existem mulheres e mulheres. Existem aquelas que não combinam, ao meu ver, com coxas grossas, existem aquelas que são lindas mesmo magras, por mais que eu diga que gosto de “carne”.
Não devo estar enganado, creio que lembro de ter lido o próprio Paulo ter escrito sobre a anorexia anos atrás, sobre a magreza das modelos, repudiando esse tipo de corpo, pra desespero daquelas mulheres que tentam, incansavelmente, criar corpo. Esse caso é o mesmo, critica-se o biotipo contrário, e nunca nenhuma mulher está satisfeita.
Com o Sant`Ana reclamando assim dos corpos femininos estou começando a pensar que… ahm, bem, melhor deixar pra lá.
Sejamos bem claros, mulher precisa se sentir bem, sem paranóias, precisa ser linda do jeito que é, do jeito que quer ser, sem buscar um padrão de beleza, senão aquele que ela deseja, pois hoje temos opções – malhadas ou secas. Mulher tem que ter pele macia, tem que ser cheirosa, carinhosa, inteligente e, é claro, feminina.
Eu, primeira pessoinha do singular, gosto de mulher com coxas grossas, peitos grandes e alta, porém, isso não quer dizer nada, posso, perfeitamente, me apaixonar por uma mulher com biotipo bastante diferente.
Daria por encerrado aqui o texto, no entanto, tem uma outra frase interessante no texto de hoje do Paulo: “Está aí o mercado de desfiles de moda a pregar claramente que o caminho para a beleza está na esbeltez.”
Segue abaixo duas fotos, uma de uma modelo de passarela (como na frase logo acima) e outra de uma modelo fotográfica. Você escolhe o que acha mais atraente.
Milan Kundera e a existência
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“Tenho sempre diante dos olhos Tereza sentada sobre um tronco, acariciando a cabeça Karenin, e pensando no desvio da humanidade. Ao mesmo tempo, surge para mim uma outra imagem: Nietzsche esta saindo de um hotel em Turim. Vê diante de si um cavalo, e um cocheiro espancando-o com um chicote. Nietzsche se aproxima do cavalo, abraça-lhe o pescoço, e sob o olhar do cocheiro, explode em soluços. Isso aconteceu em 1889, e Nietzsche já estava também distanciado dos homens. Em outras palavras: foi precisamente nesse momento que se declarou sua doença mental. Mas, para mim, e justamente isso que confere ao gesto seu sentido profundo. Nietzsche veio pedir ao cavalo perdão por Descartes. Sua loucura (portanto seu divorcio da humanidade) começa no instante em que chora sobre o cavalo. E este Nietzsche que amo, da mesma forma que amo Tereza, acariciando em seus joelhos a cabeça de um cachorro mortalmente doente. Vejo-os lado a lado: os dois se afastam do caminho no qual a humanidade, “senhora e proprietária da natureza”, prossegue sua marcha para a frente.”
- A Insustentável Leveza do Ser
(Retirado do http://pt.wikiquote.org/wiki/Milan_Kundera )
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Relembrando algumas coisas do Kundera, me deparei com esse trecho do livro A Insustentável Leveza do Ser. Li esse livro quando ainda fazia faculdade de Direito em Cruz Alta, provavelmente em 2005. Marcou-me muito o estilo de escrita, o conteúdo tão intimista e filosófico, foi o primeiro livro do Milan Kundera que li, e foi à partir desse que virei fã do autor e li tudo dele que caiu nas minhas mãos até agora.
O trecho está, obviamente, descontextualizado, contudo, o importante, no momento, é a idéia principal e inicial que ele me traz à mente, e uma conclusão quase lógica e escatológica (sim, isso mesmo).
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O ser humano, essa enorme peste que habita o planetinha, transformou-se num parasita de primeira, e isso é irrefutável, só não enxerga quem tem demasiado orgulho de se sentir humano, quando, na verdade, poderíamos excluir o ‘humano’ e ficar apenas com o ‘ser’, um vivente pouco pensante.
Pois bem, mergulhado em diversas divagações, terminei por entender que, de fato, o que mais me encanta na humanidade é essa capacidade tão pouco explorada de cair na “loucura” e deixar que sensações, emoções e pensamentos tenham vazão, da forma que vierem à superfície, sem retaliações imediatas da mente, sem preconceitos.
Ao deixarmo-nos sentir e pensar o que se é levado a sentir e pensar no momento, sem se penitenciar por isso ou aquilo ser feio ou proibido, é que teremos a oportunidade única de observar quem somos, o que somos, como fomos nos construindo ano após ano e qual a idiossincrasia que vai nos por em contato com nossa própria cabecinha (não a de baixo).
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Acontece que tudo é tão feio e digno de repressão hoje. Ao passar por um negro mal vestido na rua um não pensa nada, outro pensa em segurar bem sua carteira, outro ainda pensa em linchamento, mas quem está errado? Quem está certo? Cada um passou por experiências únicas e sabe (na verdade não sabe, mas seu inconsciente deve saber) porque, instintivamente, age de tal forma.
Como um thelemita, me obrigo, a contragosto, a citar uma frase do Líber AL vel Legis: “A palavra de pecado é restrição”. Cada um sabe o que carrega dentro de si, e só terá luz para analisar o que há em seu cérebro quando deixar que as coisas venham à superfície.
Nietzsche sentiu algo incrível e irrefreável na cena descrita no trecho acima, assim como a personagem Tereza com o cão Karenin. E é assim, no limite, quando somos jogados ao extremo do colapso e desestruturação, que temos a ferramenta necessária para jogar luz ao âmago e perceber o que há em nós de tão humano (ou louco, se preferir).
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Particularmente, acho muito mais interessante aquela pessoa que percebe seus conflitos e os trata como parte de si e não do mundo, prefiro aquele que se olham sem medo àqueles que têm suas unhas cravadas no braço da poltrona com medo de sair de frente da televisão.
