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	<title>Descompassado &#187; Eu</title>
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		<title>Foco e Sabedoria</title>
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		<pubDate>Tue, 31 May 2011 02:14:35 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Christian  Silveira</dc:creator>
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<p><em>“- Quando algu&eacute;m procura muito — explicou Sidarta — pode facilmente acontecer que seus olhos se concentrem exclusivamente no objeto procurado e que ele fique incapaz de achar o que quer que seja, tornando-se inacess&iacute;vel a tudo e a qualquer coisa porque sempre s&oacute; pensa naquele objeto, e porque tem uma meta, que o obceca inteiramente. Procurar significa: ter uma</em></p>
<p><em>meta, Mas achar significa: estar livre, abrir-se a tudo, n&atilde;o ter meta alguma. Pode ser que tu, &oacute; vener&aacute;vel, sejas realmente um buscador, j&aacute; que, no af&atilde; de te aproximares da tua meta, n&atilde;o</em></p>
<p><em>enxergas certas coisas que se encontram bem perto dos teus olhos.</em></p>
<p><em>(&#8230;)</em></p>
<p><em>- Olha, meu querido Govinda, entre as id&eacute;ias que se me descortinaram encontra-se esta: A sabedoria n&atilde;o pode ser comunicada. A sabedoria que um s&aacute;bio quiser transmitir sempre cheirar&aacute;</em></p>
<p><em>a tolice.</em></p>
<p><em>— Est&aacute;s brincando? — perguntou Govinda.</em></p>
<p><em>— N&atilde;o brinco, n&atilde;o. Digo apenas o que percebi. Os conhecimentos podem ser transmitidos, mas nunca a sabedoria. Podemos ach&aacute;-la; podemos viv&ecirc;-la; podemos consentir em que ela nos norteie; podemos fazer milagres atrav&eacute;s dela. Mas n&atilde;o nos &eacute; dado pronunci&aacute;-la e ensin&aacute;-la.” (Sidarta &#8211; Hermann Hesse)</em></p>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter" src="http://1.bp.blogspot.com/-M2WHKuo83_k/TbSuKEgNaNI/AAAAAAAAElk/ydUkGxkNyFo/s1600/Foco.jpg" alt="" width="442" height="577" /></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Senta que l&aacute; vem hist&oacute;ria.</p>
<p>PARTE 1</p>
<p>Esse di&aacute;logo, cortado muito pela metade, est&aacute; nos &uacute;ltimos cap&iacute;tulos do livro Sidarta do Hermann Hesse. Sidarta explica a Govinda, com muito bom gosto, do que se sucede quando um homem procura demasiadamente algo, quando se torna cego, fan&aacute;tico, e, assim, simplesmente se fecha ao que lhe est&aacute; em volta.</p>
<p>Pode parecer bastante auto-ajuda, mas na verdade, acho que &eacute; muito mais pra psicologia isso. N&oacute;s n&atilde;o somos capazes de captar muitas informa&ccedil;&otilde;es, ao menos n&atilde;o tantas quanto gostar&iacute;amos de ser capazes.</p>
<p>Por exemplo, memorize cinco palavras e as procure numa lista gigantesca de outras palavras. Infelizmente, voc&ecirc; notara que estar&aacute; propenso a dar mais aten&ccedil;&atilde;o a uma ou outra palavra como principal nessa busca e s&oacute; depois de encontr&aacute;-la que voc&ecirc; ir&aacute; adiante, dando mais &ecirc;nfase &agrave; outra.</p>
<p>N&atilde;o somos t&atilde;o multitarefa assim, creio que n&atilde;o rodamos num processador core 2 duo.</p>
<p>Um atleta n&atilde;o fica pensando em cada jogada que vai fazer com uma precis&atilde;o milim&eacute;trica, ele n&atilde;o fecha os olhos para o que h&aacute; em volta no campo para poder fazer um &uacute;nico drible que, provavelmente, n&atilde;o ter&aacute; a oportunidade de conseguir. N&atilde;o, um jogador est&aacute; aberto e atento &agrave;s oportunidades singulares e temporais que a situa&ccedil;&atilde;o lhe propicia, e assim, esquecendo de uma l&oacute;gica, apenas encontrando uma maneira de realizar o feito, ele vai l&aacute; e faz.</p>
<p>Nossa vida deveria ser mais assim (ao menos no que diz respeito ao &acirc;mbito psicol&oacute;gico ou espiritual ou an&iacute;mico ou como preferir). Gastamos energia, tempo, dinheiro, sa&uacute;de e tudo que temos buscando coisas que talvez, e nada mais do que talvez, sejam, de fato, da nossa mais &iacute;ntima vontade. Quando teimamos assim, nos fechamos a oportunidades inesperadas, n&atilde;o estamos mais dispostos aos imprevistos, aos “acasos”, as surpresas, boas ou ruins ou neutras, que a “vida” nos oferece.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><img class="aligncenter" src="http://casal10.evonblogs.com.br/wp-content/uploads/2008/11/cerebro.jpg" alt="" width="330" height="400" /></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>PARTE 2</p>
<p>Certa vez (ou mais de uma) escrevi acerca da sabedoria e da intelig&ecirc;ncia, de suas diferen&ccedil;as. Pois bem, n&atilde;o sou, obviamente, um s&aacute;bio, fico longe disso ainda, mas entendo que toda sabedoria &eacute; quase incomunic&aacute;vel.</p>
<p>Temos capacidade de comunicar conhecimentos, ainda que de maneira parcial, pois esbarramos, primeiramente, na barreira das palavras/comunica&ccedil;&atilde;o e, depois, na da compreens&atilde;o/idiossincrasia alheia.</p>
<p>Pois bem, digamos que comunicamos da forma mais articulada poss&iacute;vel um conhecimento essencial para outra pessoa. Se ela n&atilde;o viveu aquilo que tentamos comunicar, n&atilde;o importa qu&atilde;o boa possa ser sua capacidade cognitiva, ela n&atilde;o ter&aacute; um conhecimento total da experi&ecirc;ncia, perder&aacute; a ess&ecirc;ncia num labirinto de imaginados “talvezes” e “porvires”.</p>
<p>O conhecimento total de uma ideia pode ser, quem sabe, chamado de sabedoria.</p>
<p>Um Buda n&atilde;o lhe faria conhecer o Nirvana apenas comunicando os m&eacute;todos, sensa&ccedil;&otilde;es e apar&ecirc;ncias da experi&ecirc;ncia.</p>
<p>Palavras n&atilde;o podem ser cheiradas, n&atilde;o t&ecirc;m cor, n&atilde;o pesam, n&atilde;o tem arestas nem sabor. Palavras n&atilde;o possuem sabedoria, apenas carregam conhecimento.</p>
<p>A sabedoria nunca foi encontrada aqui, nunca ser&aacute; encontrada, embora aqui esteja contida. Cabe a n&oacute;s apenas pegar essas palavras, transform&aacute;-las em conhecimento, amadurec&ecirc;-las e fazer delas sabedoria.</p>
<p>Urgente, pois que vejo um mundo de pessoas transbordando de ignor&acirc;ncia.</p>
<p>&nbsp;</p>

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		<title>Sidarta e a roda da vida</title>
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		<pubDate>Fri, 27 May 2011 04:25:10 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Christian  Silveira</dc:creator>
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<p><em>“Veio-lhe &agrave; mem&oacute;ria que perante Kamala gabara-se de saber realizar tr&ecirc;s coisas, de dominar tr&ecirc;s artes, nobres, insuper&aacute;veis: jejuar, esperar e pensar. Isso representava tudo que ent&atilde;o possu&iacute;a. Servira-lhe de esteio s&oacute;lido. Dera-lhe for&ccedil;a e poder. Nos anos duros, laboriosos, de sua juventude, Sidarta assimilara essas tr&ecirc;s artes, s&oacute; elas. Mas depois as perdera. A essa altura nenhuma delas pertencia-lhe: nem a arte de jejuar, nem a de esperar nem a de pensar.”</em> (Sidarta &#8211; Hermnann Hesse)</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><img class="aligncenter" src="http://3.bp.blogspot.com/_c2uaRRtAD48/TT8CXFlomqI/AAAAAAAAAD0/eBFLCxQIlPA/s1600/scover.jpg" alt="" width="328" height="508" /></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Esse &eacute; um trecho do livro <em>Sidarta </em>do autor alem&atilde;o <em>Hermann Hesse</em>. O personagem Sidarta era, quando novo um br&acirc;mane, estudioso, aplicado e &uacute;nico na intelig&ecirc;ncia e espiritualidade, por&eacute;m, insatisfeito com o que a erudi&ccedil;&atilde;o lhe dava, ou melhor, com o que ela n&atilde;o lhe dava, pois seu cora&ccedil;&atilde;o continuava sedento, nele ainda morava um vazio opressor, Sidarta foi ter, ent&atilde;o, com os <em>samanas</em>, monges peregrinos.</p>
<p>Sidarta j&aacute; era um rapaz quando se juntou aos <em>samanas,</em> deles aprendeu muitos truques, medita&ccedil;&otilde;es, habilidades e, com eles, obteve in&uacute;meros transes e insights; contudo, o jovem Sidarta continuava sedento e vazio.</p>
<p>Gotama, o Buda da hist&oacute;ria, &eacute; encontrado por Sidarta quando este decide deixar os <em>samanas</em>. Sidarta conversa brevemente com o Buda e entende que, apesar da doutrina de Gotama ser perfeita, ele n&atilde;o deve seguir doutrina alguma, pois que sua maior busca &eacute; a si mesmo.</p>
<p>&Eacute; nessa busca incessante que Sidarta, de certa forma, se perde pelas vilanias do jogo, da avareza, do dinheiro e do <em>sansara</em>. Assim, no trecho citado acima, o j&aacute; n&atilde;o t&atilde;o novo Sidarta, agora beirando os 40 anos, resolve se desfazer das riquezas acumuladas nos “anos de desvio”, sentindo profundo asco de si mesmo.</p>
<p>Numa epifania, percebe que, de algum jeito, estava aprendendo seu caminho, ali entende que j&aacute; n&atilde;o era mais o Sidarta do passado, mas ainda era Sidarta, reconhecia-se n&atilde;o sendo ele mesmo.</p>
<p>A r&aacute;pida compreens&atilde;o de que j&aacute; n&atilde;o sabia mais as principais artes que o constitu&iacute;am o faz, de certa forma, sentir-se bem. A&iacute; entra a hist&oacute;ria toda: a mudan&ccedil;a.</p>
<p>Somos assim, nossa vida passa enquanto reclamamos, enquanto cansamos, enquanto brigamos com coisas que n&atilde;o podemos mudar. Nesse emaranhado de emo&ccedil;&otilde;es conturbadas, perturbadas, nessa entropia que vai aumentando em nossa mente, esquecemos de aprender, de observar, de pensar.</p>
<p>Eu tamb&eacute;m soube, um dia, jejuar (n&atilde;o tanto quanto o personagem), soube esperar e soube pensar. Hoje n&atilde;o domino mais essas artes.</p>
<p>Aprendemos e desaprendemos tantas coisas. N&atilde;o me refiro apenas &agrave;s mat&eacute;rias do col&eacute;gio que nunca mais usamos, quero me referir ao jeito que fomos. Muitos de n&oacute;s aprenderam a ser r&aacute;pidos e respons&aacute;veis, mas desaprendemos a calma e o relaxamento. Criamos v&iacute;nculos com coisas desnecess&aacute;rias e n&atilde;o sabemos mais cortar essas ra&iacute;zes; desvinculamo-nos de coisas boas e nos importamos demais.</p>
<p>Logo depois, Sidarta “escuta” o rio, entende que, como o rio &#8211; que n&atilde;o tem passado nem futuro, pois est&aacute; na sua fonte, na sua foz, no estreito, na balsa, nas cataratas, e tudo no &uacute;nico momento presente -, n&oacute;s tamb&eacute;m somos um &uacute;nico ser, com sombras do passado e do futuro, somos o ido e o porvir, por&eacute;m, o somos somente agora.</p>
<p>Eu j&aacute; n&atilde;o sei jejuar, nem esperar, tampouco sei pensar como antes. Agora, espero que a vida me ensine a “escutar” o rio, entender da roda da vida e das ilus&otilde;es do mundo das configura&ccedil;&otilde;es.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>

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		<title>Dom&#237;nio e Dignidade</title>
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		<pubDate>Wed, 25 May 2011 02:39:55 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Christian  Silveira</dc:creator>
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<p><img class="aligncenter" src="http://1.bp.blogspot.com/-H_IcDwTGSp4/TV0YOjDTRqI/AAAAAAAACBk/jGuQ9F5C2Xg/s1600/carater.jpg" alt="" width="400" height="302" /></p>
<p>Pois bem, poucos est&atilde;o a par do causo que se sucedeu no in&iacute;cio do ano quando fui fazer minha mudan&ccedil;a, do t&eacute;rmino do meu contrato com o antigo apartamento, das multas pagas (que n&atilde;o existiam) apenas para n&atilde;o arrecadar estresse e tempo perdido, dos inconvenientes, das burocracias e falta de vontade (para n&atilde;o dizer m&aacute;-vontade e mau-car&aacute;ter) dos corretores.</p>
<p>N&atilde;o entrarei em detalhes acerca disto, tampouco vou revelar o nome da imobili&aacute;ria que, por falta de bons modos, fez de tudo para arrecadar um dinheiro a mais. Ah, se um Jo&atilde;o-de-barro fosse indigno assim com sua pr&oacute;pria moradia&#8230;</p>
<p>Enfim, o que venho lhes contar &eacute; que, dia desses (e n&atilde;o foi a primeira vez) estava caminhando pela rua e cruzei com o dito corretor imobili&aacute;rio/dono da imobili&aacute;ria; fiz-me pronto para dar um “oi”, fazer uma certa ironia quando este me olhasse e me cumprimentasse; por&eacute;m, qual n&atilde;o foi minha surpresa ao reparar que, nervosamente, o senhor (pois passa, certamente, dos 50 anos, o que torna a situa&ccedil;&atilde;o mais c&ocirc;mica para o meu lado e mais triste e mendicante para o lado dele) desviou o olhar, procurou alguma coisa no ch&atilde;o enquanto caminhava, tateava em sua consci&ecirc;ncia procurando uma lanterna, uma vela qualquer que lhe ajudasse a procurar aquela dignidade que, ele ainda n&atilde;o entendeu, est&aacute; perdida.</p>
<p>Fiquei pensando em como o ser humano trai a si mesmo constantemente. Obviamente, raras s&atilde;o as vezes em que nos tra&iacute;mos diante dos outros de forma t&atilde;o clara, aprendemos, com o tempo a ser dissimulados (uns mais, outros menos).</p>
<p>O problema &eacute; que o homem comum (esse como voc&ecirc; e eu, seu pai, seus amigos e quase todas as pessoas que voc&ecirc; conhece) n&atilde;o sabe o que se passa em seu inconsciente, n&atilde;o sabe se perceber como indiv&iacute;duo, dotado de personalidade, caracter&iacute;sticas particulares e emo&ccedil;&otilde;es &uacute;nicas.</p>
<p>As emo&ccedil;&otilde;es constituem mat&eacute;ria de dif&iacute;cil entendimento, mais complicadas ainda para auto-compreens&atilde;o. Poucos s&atilde;o os que sabem de forma satisfat&oacute;ria (o que n&atilde;o quer dizer, nem de longe, completa) o que se passa em seu esp&iacute;rito, o que s&atilde;o e por que assim s&atilde;o essas emo&ccedil;&otilde;es, e os poucos que podem dizer que entendem um tanto sobre si mesmos ficam mais escassos ainda quando se lhes pergunta se eles conseguem ter um controle sobre isso.</p>
<p>N&atilde;o &eacute; &aacute; toa que o amor &eacute; algo t&atilde;o forte, que a raiva tamb&eacute;m o seja, s&atilde;o emo&ccedil;&otilde;es primitivas do homem, est&atilde;o demasiadamente arraigadas em nossa alma para que sejam, simplesmente, sobrepujadas, ludibriadas ou coisa que valha. Por isso, muitas vezes, pessoas s&atilde;o pegas nos detalhes, nos atos falhos, em pequenos erros ou descuidos que fazem com que verdade graves e perigosas sejam trazidas &agrave; tona.</p>
<p>N&oacute;s, pessoas normais – homens, n&atilde;o sobre-homens de Nietzsche -, n&atilde;o nos dominamos, n&atilde;o escondemos tudo, n&atilde;o sabemos tudo de n&oacute;s mesmos e n&atilde;o podemos encarar os olhos de algo que nos traz temor e vergonha.</p>
<p><strong>Jamais poder&iacute;amos olhar nos olhos de quem nos revelou a perda da pr&oacute;pria dignidade.</strong></p>

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		<title>A incerteza do futuro</title>
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		<pubDate>Mon, 31 Jan 2011 04:31:52 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Christian  Silveira</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Continuando as tradicionais an&#225;lises mundo-humano/mundo-animal, ontem tive mais um insight nem um pouco brilhante sobre nossa possibilidade de mudar nosso destino. Estava terminando minha corrida s&#225;bado &#224; tarde quando come&#231;ou a ventar bastante. Nessa ventania que se iniciava e prenunciava temporal vi folhas e flores voando, nuvens fechando o c&#233;u que, pouco tempo atr&#225;s, era [...]]]></description>
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<p>Continuando as tradicionais an&aacute;lises mundo-humano/mundo-animal, ontem tive mais um insight nem um pouco brilhante sobre nossa possibilidade de mudar nosso destino.</p>
<p>Estava terminando minha corrida s&aacute;bado &agrave; tarde quando come&ccedil;ou a ventar bastante. Nessa ventania que se iniciava e prenunciava temporal vi folhas e flores voando, nuvens fechando o c&eacute;u que, pouco tempo atr&aacute;s, era claro e, o que me chamou aten&ccedil;&atilde;o, um mosquito sendo simplesmente arrastado pelo vento, sem possibilidade nenhuma de se defender daquela for&ccedil;a que ultrapassava em muito sua capacidade de resist&ecirc;ncia.</p>
<p>Um vento forte varre um mosquito para longe. Um vento muito forte pode destruir casas e, infelizmente, vidas.</p>
<p><strong>A natureza &eacute; espetacularmente devastadora.</strong></p>
<p>Agora, quero ir al&eacute;m da for&ccedil;a da natureza, n&atilde;o quero falar das vezes que ela, em toda sua for&ccedil;a, arrasta tudo para longe, quero pensar sobre as sutilezas que nos cercam sem que nos demos conta, aquelas que v&atilde;o nos moldando, nos direcionando, pouco a pouco, por caminhos que, se formos um pouco deterministas, podemos chamar de <em>“m&atilde;o &uacute;nica”</em>.</p>
<p><img class="aligncenter" src="http://t1.gstatic.com/images?q=tbn:ANd9GcTbrifdzoxIm6cjvPC1jr3s2GJEoUMfsQ8_Fhcfcf6atR8ujZwvHw" alt="" width="232" height="218" /></p>
<p>Quando assisti ao filme <em>Mr. Nobody</em> fiquei maravilhado com a hiperb&oacute;lica cena em que uma borboleta voa, o vento de suas asas move algumas folhas formando um vento mais forte em um bosque, desse bosque uma folha seca se desprende e voa at&eacute; a cal&ccedil;ada fazendo um homem cair e ser ajudado por uma mulher que passava por ali. Resumo da &oacute;pera: os dois se casam e t&ecirc;m um filho.</p>
<p>Talvez nossa vida seja assim, decidida fatalmente n&atilde;o em momentos &uacute;nicos, mas em eventos extraordinariamente exclusivos e fora do nosso controle. E se n&atilde;o tiv&eacute;ssemos ca&iacute;do de skate e quebrado a perna aos doze anos de idade? E se tiv&eacute;ssemos ganhado aquele campeonato? E se n&atilde;o tiv&eacute;ssemos pegado exame naquela mat&eacute;ria? Se tiv&eacute;ssemos passado no vestibular? E se tiv&eacute;ssemos amado mais? Ou melhor: e se tiv&eacute;ssemos amado melhor?</p>
<p>N&atilde;o podemos prever uma falha na rampa nem um jogador excepcional no time alheio. N&atilde;o sabemos as quest&otilde;es que cair&atilde;o na prova nem no vestibular. N&atilde;o podemos, at&eacute; onde sei, controlar de forma satisfat&oacute;ria nossas emo&ccedil;&otilde;es, as nuances que envolvem as idas e vindas dos nossos cora&ccedil;&otilde;es se escondem no esp&iacute;rito, no inconsciente, e seus caminhos s&atilde;o muito mais complexos do que um tapa do pai ou um mimo da v&oacute;. Talvez ter olhado cinco minutos a mais para um p&ocirc;r-do-sol bonito tenha nos feito ter pensamentos espessos, densos, que nos fizeram mudar completamente nosso comportamento emocional.</p>
<p><strong>A vida n&atilde;o pode ser calculada.</strong></p>
<p>Em outra cena do mesmo filme, o personagem recebe um bilhete com o telefone da mulher que amava escrito a caneta. Por&eacute;m, naquele instante, uma chuva torrencial repentina faz com que um pingo caia bem na tinta rec&eacute;m colocada no papel, e o telefone se apaga, e essa chuva foi ocasionada por um, no caso do filme, brasileiro que matou o trabalho e esqueceu um ovo cozinhando na sua cozinha, o vapor fez com que, no outro hemisf&eacute;rio, acontecesse tal temporal.</p>
<p><img class="aligncenter" src="http://t2.gstatic.com/images?q=tbn:ANd9GcSdPfAQHnB003HlfPoeL_TThlV2C86Jey5MnK6mGilnP2rcPYT_Zg" alt="" width="225" height="225" /></p>
<p>Ser&aacute; que, agora mesmo, nossa vida n&atilde;o est&aacute; sendo determinada por algo que vai muito al&eacute;m da nossa capacidade cognitiva? E ser&aacute; que &aacute;tomos, ondas eletromagn&eacute;ticas ou a mais nova famosa mat&eacute;ria-escura n&atilde;o est&atilde;o, igualmente, interferindo incessantemente nas nossas <em>“escolhas”</em>? Ser&aacute; que o homem vai cruzar a corda-bamba que para o lado do macaco ou do <em>&Uuml;bermensch</em>?</p>

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		<title>Humanos engra&#231;adinhos</title>
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		<pubDate>Mon, 24 Jan 2011 17:46:49 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Christian  Silveira</dc:creator>
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<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter" src="http://martinshelio.files.wordpress.com/2009/05/199937191_b764eefc02.jpg" alt="" width="450" height="383" /></p>
<p>Muitas vezes assistimos v&iacute;deos “engra&ccedil;adinhos” de animais, cachorrinhos brincando, caindo, gatos errando o pulo, trapalhadas de bichos selvagens, ca&ccedil;a e predador, enfim, s&atilde;o in&uacute;meros os tipos e teores de v&iacute;deos sobre o comportamento animal.</p>
<p>Sempre que assisto a esses animais se relacionando entre si, com o mundo, com suas pr&oacute;prias patas e rabos, penso em como &eacute; interessante a forma como se comportam, do qu&atilde;o privados de uma consci&ecirc;ncia eles s&atilde;o, agindo sempre de forma instintiva, com suas capacidades limitadas, comparados a n&oacute;s, seres humanos.</p>
<p>Acima de tudo, penso que somos iguais.</p>
<p>Penso ser uma estupidez gigantesca acreditar-mo-nos t&atilde;o cheios de consci&ecirc;ncia, capacidades, possibilidades e superioridade.</p>
<p>N&atilde;o precisamos ir longe para percebermos o qu&atilde;o bestiais ainda somos.</p>
<p>N&atilde;o precisamos pisar no solo sujo dos homicidas, dos enganadores, dos pregui&ccedil;osos ou dos drogados. Temos exemplos da nossa, ainda, prec&aacute;ria capacidade racional e/ou emocional em diversas ocasi&otilde;es do dia-a-dia.</p>
<p>Acredito que, por exemplo, com um ente querido em um hospital a milhares de quil&ocirc;metros de voc&ecirc;, mesmo sabendo que n&atilde;o h&aacute; nada que voc&ecirc; possa fazer a n&atilde;o ser esperar not&iacute;cias dadas pelo m&eacute;dico, voc&ecirc; dificilmente conseguiria redigir uma simples mensagem de 140 caracteres. Suas habilidades motoras ficariam prejudicadas, seus pensamentos muito confusos e voc&ecirc;, em quest&atilde;o de segundos, seria um animal obedecendo a instintos n&atilde;o muito mais evolu&iacute;dos que os do seu cachorro de estima&ccedil;&atilde;o.</p>
<p>Se uma arma estiver apontada para sua cabe&ccedil;a, sou levado a acreditar que voc&ecirc;, homem, dificilmente conseguiria mijar dentro de uma privada; ou voc&ecirc;, mulher, dificilmente saberia passar batom sem errar muito.</p>
<p>Ora, temos algumas op&ccedil;&otilde;es quando nos analisamos, no que tange &agrave; racionalidade. Podemos buscar controle, conhecimento e sabedoria. Buda, certamente, foi um mestre em t&eacute;cnicas de controle, isso &eacute; muito explorado no mundo esot&eacute;rico, bem se sabe, mas conhecimento e sabedoria n&atilde;o adv&eacute;m apenas do exerc&iacute;cio de controle mental e corporal, &eacute; necess&aacute;rio estudo e experi&ecirc;ncia, viv&ecirc;ncia e contempla&ccedil;&atilde;o do que se pode compreender dessa nossa vida, muitas vezes, parca e autom&aacute;tica.</p>
<p>Podemos, tamb&eacute;m, nos aceitarmos como animais igualmente limitados, com algumas coisas especiais como a dupla polegar-indicador ou a capacidade de criar algoritmos que fazem programas de computador, mas jamais seremos deuses, donos, por completo, de nossas ideias, dos nossos sentimentos e emo&ccedil;&otilde;es e, assim, curvar-nos diante do grande mist&eacute;rio que &eacute; a vida e pensar, l&aacute; no cantinho da nossa psique: algu&eacute;m est&aacute; nos assistindo e est&aacute; dando risada e achando isso tudo muito engra&ccedil;ado, ou est&aacute; com pena.</p>
<p>Se o Olho que Tudo V&ecirc; existe, acho que ele deve estar meio fechado, assim, como se desse risada.</p>

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		<title>Filhos das estrelas</title>
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		<pubDate>Thu, 13 Jan 2011 04:35:44 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Christian  Silveira</dc:creator>
				<category><![CDATA[Eu]]></category>
		<category><![CDATA[comportamento]]></category>
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<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter" src="http://davidcamargo.files.wordpress.com/2009/05/planetas_sao_destruidos_quando_caem_em_estrelas.jpg" alt="" width="512" height="320" />﻿</p>
<p>Acho incr&iacute;vel a fascina&ccedil;&atilde;o que as estrelas me causam.</p>
<p>Lembro que desde crian&ccedil;a gostava de ficar muito tempo deitado, ao ar livre, olhando o c&eacute;u da noite, a lua e as estrelas, sem uma causa aparente, sentia uma atra&ccedil;&atilde;o por isso, uma sensa&ccedil;&atilde;o boa, de paz, calma, sossego e harmonia.</p>
<p>Inicialmente, havia algo puramente m&iacute;stico nisso, como se nesse simples ato de observa&ccedil;&atilde;o e, por que n&atilde;o, integra&ccedil;&atilde;o, eu estivesse transcendendo o que sou, passando a uma esp&eacute;cie de outro n&iacute;vel de consci&ecirc;ncia, e &eacute; um absurdo perceber, agora, que eu fazia isso nos idos dos meus treze anos, talvez at&eacute; menos.</p>
<p>Com o tempo as coisas foram mudando, meu interesse por astronomia cresceu, bem como pela f&iacute;sica. Aos poucos fui entendendo o funcionamento de algumas coisas sobre esses astros, a ideia de que aquilo era uma assinatura divina foi dando espa&ccedil;o, ou melhor, coabitando, vivendo em simultaneidade harm&ocirc;nica com o entendimento de que eram luzes, f&oacute;tons, &aacute;tomos, ondas, energias e milhares de coisas puramente f&iacute;sicas que, depois de muito tempo, chegavam a Terra com essas informa&ccedil;&otilde;es. A luz hipn&oacute;tica era t&atilde;o comum quanto o sol, diferindo (simploriamente) apenas pelo fato de demorar um tempo maior para chegar at&eacute; n&oacute;s. Aquela velha hist&oacute;ria, a luz que vemos de uma estrela hoje pode ter sa&iacute;do dela h&aacute; mais de dez anos; pode ser que estejamos vendo somente um fantasma, pois n&atilde;o se descarta a hip&oacute;tese de que esse astro possa ter morrido nesse meio tempo.</p>
<p>Ainda assim, a noite e suas estrelas conserva sua poesia eterna, misteriosa e perfeita. Se n&atilde;o me engano, foi em um livro do Dawkins que li uma vez que a f&iacute;sica n&atilde;o estragaria a poesia, a beleza dos fen&ocirc;menos, apenas daria um novo sentido, e eu devo complementar: um sentido mais profundo e intrigante, portanto, mais po&eacute;tico.</p>
<p>Acho que essa quest&atilde;o astron&ocirc;mica continua tendo seu peso esmagadoramente introspectivo e ensurdecedoramente transcendente porque, mesmo inconscientemente, sabemos que aquilo faz parte da nossa hist&oacute;ria, da hist&oacute;ria do universo inteiro. Um dia fomos apenas &aacute;tomos, p&oacute;, carbono ou nem isso, uma energia amorfa e desarm&ocirc;nica, ou, colocando isso de uma forma mais bonitinha: poeira c&oacute;smica.</p>
<p>Somos filhos de um mesmo evento.</p>
<p>Somos irm&atilde;os em mat&eacute;ria e energia.</p>
<p>Sa&iacute;mos da mesma m&atilde;e e do mesmo pai, e podemos cham&aacute;-los Cosmos.</p>
<p>Talvez seja isso que nos deixe perplexos diante da insustent&aacute;vel infinitude da noite, o fato de ela tentar nos contar, diariamente, que somos fruto de uma coisa s&oacute;.</p>
<p>Talvez seja por isso que ficaremos eternamente impressionados com a imensid&atilde;o do universo, precisamos entender, trazer do inconsciente ao consciente a ideia, ou o fato, de que somos irm&atilde;os de &Eacute;ons atr&aacute;s.</p>
<p>Tamb&eacute;m, talvez o universo se expanda conforme a nossa ignor&acirc;ncia, a nossa prepot&ecirc;ncia e a nossa arrog&acirc;ncia: antes &eacute;ramos um condensado &uacute;nico, esse deve ter sido nosso auge, depois disso viramos mat&eacute;ria e fomos nos distanciando, abrindo, cada vez mais, espa&ccedil;o para um vazio que agride nossa alma.</p>
<p>Hoje, h&aacute; um imenso vazio, e ele pode ser chamado de estupidez humana.</p>

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		<title>Da folha em branco e a nova velha forma de escrever</title>
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		<pubDate>Wed, 05 Jan 2011 03:03:14 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Christian  Silveira</dc:creator>
				<category><![CDATA[Eu]]></category>
		<category><![CDATA[correção]]></category>
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<p><img class="aligncenter" src="http://ayrllys.files.wordpress.com/2009/05/folha1.jpg?w=461&amp;h=370" alt="" width="461" height="370" /></p>
<p>Hoje comprei um pacote de folhas de of&iacute;cio. Minha necessidade de escrever h&aacute; dias vem se arrastando e minha cabe&ccedil;a tem resistido a estas teclas que uso no momento. Teimei&#8230;teimei, ent&atilde;o resolvi tentar &agrave; moda antiga: papel e caneta.</p>
<p>Sentei numa mesa, na frente do Caf&eacute; &amp; Afins, em Balne&aacute;rio Cambori&uacute;, coloquei as folhas na minha frente, peguei a caneta na m&atilde;o e esperei, talvez uns cinco minutos e pronto, uma hist&oacute;ria come&ccedil;ou a criar forma, algo que n&atilde;o tinha me passado pela cabe&ccedil;a ainda, tenho quase certeza de que n&atilde;o foi uma das milhares ideias que me v&ecirc;m e v&atilde;o sem que eu anote ou escreva logo.</p>
<p>T&aacute;, n&atilde;o vou contar nada por enquanto, vou deixar que o enredo tome forma mais clara. O importante, ali&aacute;s, o interessante &eacute; observar o processo de constru&ccedil;&atilde;o na forma manual. &Eacute; irrefut&aacute;vel: escrever com papel e caneta exige (ou simplesmente confere) uma forma de cria&ccedil;&atilde;o um tanto diferente, est&aacute;-se consciente dos erros, eles ficam gravados como na vida real, n&atilde;o podem ser apagados por um backspace ou um delete, assim, eles n&atilde;o s&atilde;o esquecidos, ou se s&atilde;o, sempre se pode voltar e lembrar onde, como e porque ele aconteceu.</p>
<p>Quando se escreve em papel uma hist&oacute;ria as ideias fluem de uma forma diferente, elas s&atilde;o constru&iacute;das com cuidado, por&eacute;m, subjetivas, espera-se reler alguns peda&ccedil;os para encontrar o sentido claro do que foi escrito, apoderar-se da acep&ccedil;&atilde;o contida nas entrelinhas e continuar.</p>
<p>A vida &eacute; algo assim. Uma imensa folha branca na sua frente, um monte delas, ali&aacute;s; voc&ecirc; olha para ela com um certo receio, n&atilde;o sabe bem como come&ccedil;ar, como grafar a primeira letra, ali&aacute;s, n&atilde;o se sabe bem nem com que palavra se come&ccedil;a cada cap&iacute;tulo, mas assim mesmo se vai escrevendo, pouco a pouco, um trabalho de formiga, com paci&ecirc;ncia e, geralmente, sem muita sapi&ecirc;ncia, inicialmente.</p>
<p>Com muito cuidado e aten&ccedil;&atilde;o as palavras, al&eacute;m de mais coesas e sensatas, podem, outrossim, principiar a indicar uma certa dire&ccedil;&atilde;o. Voc&ecirc; erra, risca, rasura, mas a caneta n&atilde;o pode ser apagadas, n&atilde;o sem deixar severas marcas. Assim mesmo &eacute; com a vida, por&eacute;m, voc&ecirc; n&atilde;o tem permiss&atilde;o para amassar a folha e jogar fora, isso n&atilde;o.</p>
<p>Acredito que, se a partir de hoje, voc&ecirc; tentar prestar aten&ccedil;&atilde;o &agrave;s palavras que tem escrito, logo come&ccedil;ar&aacute; a compreender melhor o rumo da hist&oacute;ria, logo perceber&aacute; como os personagens interagem, e poder&aacute;, talvez at&eacute;, modelar de forma mais s&aacute;bia esse roteiro.</p>
<p>E n&atilde;o se preocupe, lapsos de criatividade acontecem, &eacute; s&oacute; esperar com calma.</p>

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		<title>Ainda sobre o fetiche por p&#233;s</title>
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		<pubDate>Sat, 27 Nov 2010 22:25:15 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Christian  Silveira</dc:creator>
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		<category><![CDATA[arrependimento]]></category>
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<p><img class="aligncenter" src="http://1.bp.blogspot.com/_y8rl-w62WKk/S-7GmRwHVwI/AAAAAAAAAkI/dpH7nIQku6I/s400/pes.jpg" alt="" width="328" height="400" /></p>
<p>Engra&ccedil;ado, o texto que escrevi ano passado no Descompassado sobre fetiche por p&eacute;s sempre me rendeu muita trollagem, xingamentos e, no entanto, por muito tempo foi meu texto mais lido.</p>
<p>Contudo, o &uacute;ltimo coment&aacute;rio que fizeram sobre ele realmente me fez pensar um pouco, e me sinto obrigado a dizer que j&aacute; n&atilde;o sustento mais a mesma opini&atilde;o pueril daquela forma que fiz no texto. Quer dizer, p&eacute;s femininos continuam sendo irrelevantes pra mim, prefiro olhos, bocas, seios e pernas, mas &eacute; aquela hist&oacute;ria, cada um com seu cada qual, n&atilde;o acho mais o absurdo que achava gostar tanto de p&eacute;s.</p>
<p>Encarem isso como uma retrata&ccedil;&atilde;o humilde.</p>
<p>E introspectiva.</p>
<p>Introspectiva. No mesmo coment&aacute;rio, o leitor fala que “sempre gostou dos meus textos” mas aquele era rid&iacute;culo e estragava muito do que eu j&aacute; tinha feito. Exato! Reitero, n&atilde;o dever&iacute;amos carregar para sempre o estigma de palavras ditas h&aacute; tempos, por isso digo que aquela opini&atilde;o j&aacute; se foi, n&atilde;o &eacute; mais minha nem eu sou dela, simples assim.</p>
<p>(Leia: <a href="http://descompassado.com/o-peso-do-passado/">http://descompassado.com/o-peso-do-passado/</a>)</p>
<p>&Eacute; interessante o quanto uma nota errada pode desconstruir toda melodia, tirar tudo do ritmo e do tom. Posso ter escrito cem textos bons (e n&atilde;o to dizendo que fiz isso), mas basta ter um ruim nestes tantos (pior ainda se esse ruim for justamente o &uacute;nico lido) para que todo o empenho, talento ou sei l&aacute; o que, sejam afogados numa privada de um banheiro de beira de estrada, assim, sem dignidade nenhuma.</p>
<p>Falando em dignidade, temos uma peculiaridade nesse nosso sistema cultural muito diferente do que dizemos ser bonito e bom. Retratar-se em p&uacute;blico, mudar de opini&atilde;o (n&atilde;o superficialmente), investigar-se e se descobrir diferente do que era h&aacute; um, dois, dez anos atr&aacute;s parece uma heresia, um pecado; como se o homem que pedisse desculpas ou se arrependesse perdesse toda a sua virilidade no mesmo instante.</p>
<p>Estamos cercados de exemplos de orgulho, de soberba, de pessoas que se vangloriam por sua teimosia insensata, a que chamam de car&aacute;ter e persist&ecirc;ncia. N&atilde;o, seguir burro n&atilde;o &eacute; ter car&aacute;ter e persist&ecirc;ncia.</p>
<p>A &uacute;nica fidelidade que se deve ter &eacute; a si mesmo, todo o resto &eacute; teimosia descart&aacute;vel.</p>
<p>E, afinal, p&eacute;s n&atilde;o podem ser t&atilde;o ruins assim, n&atilde;o &eacute;? Deve ter sido algum trauma na minha psique sendo exorcizado de maneira indecorosa naquele texto, algum psic&oacute;logo deve saber explicar. Mas enquanto n&atilde;o me explicam, fica aqui meu retratamento para com os que se sentiram ofendidos e para os p&eacute;s, coitados, que, como diria o ratinho do Castelo R&aacute;-tim-bum, nos ag&uuml;entam o dia inteiro.</p>

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		<title>Inoc&#234;ncia e liberdade (ou lentilha de ano novo)</title>
		<link>http://descompassado.com/inocencia-e-liberdade-ou-lentilha-de-ano-novo/</link>
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		<pubDate>Thu, 18 Nov 2010 22:20:28 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Christian  Silveira</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Hoje tive vontade de comer lentilha. T&#225;, e da&#237;? N&#227;o, n&#227;o foi um desejo por lentilha assim, simples e despretensioso, foi um desejo impregnado de um saudosismo quase infundado. Eu tive vontade de comer lentilha de ano novo, porque ela representa na minha vida, depois de tantas repeti&#231;&#245;es, um momento estranho com a minha fam&#237;lia, [...]]]></description>
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<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter" src="http://www.artmajeur.com/0/images/images/ruialbuquerque_2992645_Charneca-ao-Entardecer---We.jpg" alt="" width="576" height="390" /></p>
<p>Hoje tive vontade de comer lentilha. T&aacute;, e da&iacute;?</p>
<p>N&atilde;o, n&atilde;o foi um desejo por lentilha assim, simples e despretensioso, foi um desejo impregnado de um saudosismo quase infundado. Eu tive vontade de comer lentilha de ano novo, porque ela representa na minha vida, depois de tantas repeti&ccedil;&otilde;es, um momento estranho com a minha fam&iacute;lia, um momento em que todos acabam sendo mais “flor da pele”, tiram um pouquinho o cora&ccedil;&atilde;o do peito e mostram que ele tem l&aacute;grimas escondidas, acumuladas, que ele &eacute; de manteiga e que tudo pode ser t&atilde;o maravilhosamente triste, ainda assim, num paradoxo fabuloso, belo e alegre.</p>
<p>Eu sempre tive pavor de ano novo e natal, dessas festas de fim de ano, cheias de gente, comida e risadas&#8230; parecia que eu nunca fora feito para isso.</p>
<p>Desde crian&ccedil;a eu passava a tarde fora de casa, n&atilde;o participava dos preparativos, &agrave; noite ficava no quarto lendo, se poss&iacute;vel com a luz apagada, iluminado apenas por uma lumin&aacute;ria ao lado da cama. Socializava com o resto do pessoal apenas quando estritamente necess&aacute;rio, ou seja, momentos antes da janta e o m&iacute;nimo depois.</p>
<p>Amo minha fam&iacute;lia, adoro estar com eles, mas &eacute; que pra mim esse neg&oacute;cio de natal e ano novo nunca fez muito sentido, s&oacute; depois de um tempo passou a ter o significado de festa e feriado, nada al&eacute;m disso, pra mim (leia-se bebedeira, risadas e ressaca).</p>
<p>Fiquei sem entender bem porque senti esse desejo de lentilha, essa vontade de ano novo, porque a sensa&ccedil;&atilde;o que me veio n&atilde;o foi a de querer esse ano novo de hoje, com muita champagne, vodka e whisky, mas sim aquele da lumin&aacute;ria, dos livros do Paulo Coelho, de passar a tarde jogando t&ecirc;nis e &agrave; noite, sem &aacute;lcool nem internet, dormir.</p>
<p>N&atilde;o quero ser precipitado, mas acho que eu fui muito mais maduro quando era crian&ccedil;a e pr&eacute;-adolescente. Eu n&atilde;o vivia em busca de prazer e risos, tudo bem que eu n&atilde;o era muito expansivo, era um tanto t&iacute;mido, contudo, eu estava muito mais pr&oacute;ximo do <a title="Princ&iacute;pio de Realidade - Wikipedia" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Princ%C3%ADpio_de_realidade" target="_blank">Princ&iacute;pio de Realidade</a>.</p>
<p>Tudo muda com o tempo, nos tornamos homens e mulheres mais funcionais, din&acirc;micos, no entanto, pessoas mais pesadas, mais viscosas, vamos escorrendo pela vida e nos apegando a coisas, sentimentos e sensa&ccedil;&otilde;es e acabamos esquecendo como &eacute; ser livre, de verdade, como uma crian&ccedil;a.</p>
<p>Na verdade, para tornar a ser livre, apenas recuperando a inoc&ecirc;ncia, por isso a ingenuidade e a falta de mem&oacute;ria pode at&eacute; ser algo bom.</p>
<p>Penso que esse desejo de lentilha foi al&eacute;m de uma vontade de ano novo, passou pelos campos da adolesc&ecirc;ncia, ficou olhando pra liberdade pintada em algum retrato por a&iacute; e sentindo falta daquela inocente liberdade ou livre inoc&ecirc;ncia.</p>

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		<title>Viscosidade da vida</title>
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		<pubDate>Thu, 28 Oct 2010 13:19:35 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Christian  Silveira</dc:creator>
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		<category><![CDATA[estresse]]></category>
		<category><![CDATA[fluidos]]></category>
		<category><![CDATA[psicologia]]></category>
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<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter" src="http://freedomwallpaper.com/image_files6/Pattern-Fractal-29371.jpg" alt="" width="590" height="442" /></p>
<p>Fluidos, de uma maneira geral, podem ser identificados como gases e l&iacute;quidos, a maioria de voc&ecirc;s deve lembrar disso e de alguns conceitos que ser&atilde;o apresentados no texto, s&atilde;o conceitos introduzidos no ensino m&eacute;dio e, para alguns, complementados e aprofundados no ensino superior.</p>
<p>Pois bem, os fluidos t&ecirc;m uma propriedade chamada Viscosidade (din&acirc;mica ou cinem&aacute;tica). Viscosidade pode ser facilmente visualizada quando citamos dois exemplos: &aacute;gua escorrendo e mel escorrendo. Qual o mais viscoso? Obviamente o mel, n&eacute;?</p>
<p>O mel &eacute;, sim, mais viscoso, isso quer dizer que ele tem resist&ecirc;ncia interna para fluir maior que a da &aacute;gua. O atrito que existe dentro da estrutura do pr&oacute;prio fluido &eacute; determinante disso, ou seja, quanto maior o atrito interno maior a viscosidade do fluido.</p>
<p>Essa propriedade de viscosidade &eacute; influenciada pelas intera&ccedil;&otilde;es intermoleculares do fluido, e essas, por sua vez, s&atilde;o diretamente influenciadas pela temperatura. Fica mais f&aacute;cil de entender usando exemplo: se voc&ecirc; pegar o mesmo mel e aquecer, ele vai escorrer muito mais facilmente, ou seja, maior a temperatura menor a viscosidade.</p>
<p>T&aacute; bom, Christian, vai ficar dando aulinha de fluidos agora? N&atilde;o, calma a&iacute; que a viagem t&aacute; chegando.</p>
<p>Nossos pensamentos fluem, costumamos dizer, mas o que faz com que, de tempos em tempos, nos sintamos mais ou menos criativos? Mais ou menos inteligentes e atentos?</p>
<p>As ideias, por vezes, parecem escorrer amargamente devagar em nossa mente, parecem grudar em cada sinapse, em cada neur&ocirc;nio, e v&atilde;o t&atilde;o lentamente que ficamos inaptos ao desenvolvimento intelectual satisfat&oacute;rio (sim, tenho me sentido assim, por isso do texto).</p>
<p>Quando os pensamentos demoram a escoar por nosso sistema nervoso, ficamos ap&aacute;ticos cerebralmente, algo assim, n&atilde;o entendemos as coisas, nos faltam insights, nos falta luz nas ideias, clareza em tudo.</p>
<p>Seria, essa viscosidade, uma conseq&uuml;&ecirc;ncia de alguma frieza dentro de n&oacute;s? Quero dizer, como se baix&aacute;ssemos a “temperatura” de algo dentro do nosso ser, e isso trouxesse o infeliz resultado da diminui&ccedil;&atilde;o do rendimento intelectual?</p>
<p>Ou ent&atilde;o, sendo mais atual, poder&iacute;amos traduzir os v&aacute;rios tipos e n&iacute;veis de estresse como o “atrito interno” do nosso fluido de pensamentos, e assim, nossas ideias ficariam mais pegajosas, nojentas, pesadas et Cetera?</p>
<p>&Eacute; fato, n&atilde;o se pode negar, o estresse (n&atilde;o aquele que chamam atualmente de “estresse saud&aacute;vel”) compromete nossas faculdades mentais, f&iacute;sicas e espirituais, tudo fica distante e barulhento, nos tornamos barulhentos e ca&oacute;ticos de dentro pra fora, ficamos viscosos.</p>
<p>Por&eacute;m, o que fazer para consertar esse escoamento que traduz nossa vida?</p>
<p>&Eacute; sabido que exerc&iacute;cios f&iacute;sicos t&ecirc;m a propriedade de esquentar nosso corpo, nossas rela&ccedil;&otilde;es e nossa sa&uacute;de, melhora muito o rendimento em v&aacute;rios n&iacute;veis, em v&aacute;rios aspectos. Mas vamos al&eacute;m disso: mudar, quebrar a rotina, rir mais, ler, estudar, trabalhar diferente, ou seja, se reinventar diariamente parece modificar essa estrutura “intermolecular”, facilitando o escoamento das ideias, melhorando a fluidez dos pensamentos.</p>
<p>Ai ai, esse texto foi fluindo t&atilde;o bem que nem parece que tenho andado meio viscoso, como sempre, vai pro ar sem revisar, o escoamento n&atilde;o volta atr&aacute;s, desculpem-me se fui ficando desconexo, mas sabem como &eacute;, a entropia vai acontecendo e&#8230;</p>
<p>E acho que isso fica pra outro dia.</p>
<p>Mas antes: como voc&ecirc; tem andado, viscoso como o mel ou como a &aacute;gua?</p>

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