Erótico
A noite e a náusea
3
Quando ele saiu da cama e começou a colocar a cueca ela já se sentia suja. Olhava para aquele corpo de cheiro forte que se levantara e agora vestia a calça, olhando para ela de maneira satisfeita, com um sorriso no canto da boca; aqueles olhos denotando uma malícia que ela achava hilariamente repugnante, como um cachorro mordendo seu osso, tudo tão ralo e superficial, só instinto e ignorância.
Ele sentou-se ao lado dela e, antes de se curvar para colocar as meias e os tênis, fez um carinho em seus cabelos. Ela retribuiu com um sorriso, uma atriz perfeita, escondia com maestria a ânsia de se ver sozinha, livre daquela presença masculina, fingiu querer que ele ficasse, mas cuidando para ser defensiva, de forma que ele não aceitasse a pequena oferta.
- Desculpe, mas tenho que ir. Obrigado pela noite.
Ele se referia ao sexo divertido e prazeroso. Ela era boa de cama, ela sabia disso, escolhia suas presas de uma forma muito particular, e sempre experimentava o que queria, quando queria. Ele correspondeu ao que ela esperava, e só, nada mais. Isso de não ir além, de ser só o esperado, decepcionava-a, cada vez mais essa inaptidão de sentimentos e satisfação ia cansando.
O cheiro pesado de suor de homem manchava seus lençóis, ela se continha para não tirá-los da cama e atirá-los longe enquanto ele estava ali. Ela era um sorriso simples e fingido, uma pureza de prazer dissimuladamente satisfeito.
O que lhe causava mais asco era impreciso, cheiro, suor, humores, sorrisos fingidos ou sua própria alma. Não poderia escolher, não poderia arrolar tudo. Era nojo de si mesma e do mundo.
Entra e sai, gemidos, líquidos, palavras, gozos ou interpretações. Era sempre igual, a mesma sensação, a mesma doença e a mesma náusea.
Ele vestiu a camiseta e ela se levantou e pôs uma camisola para ir abrir-lhe a porta, controlava-se para não mostrar a pressa. O mesmo tchau, o mesmo beijo, o mesmo “amanhã nos falamos”.
Ela se perguntava sobre quando conheceria aquele homem que mereça ser chamado de homem. Queria saber quando pararia de abrir a porta e as pernas para esse tipo de adulto fazendo hora extra na adolescência.
Assim que fechou a porta foi tomar um banho, demorado, cheio de sabonetes, xampus, cremes e prantos. Sentada, sentindo a água morna escorrer em seus cabelos, deslizar sobre sua pele, ela chorava, soluçava, sentia-se muito suja. A água levava uma sujeira viscosa e invisível, choro sublimava aquela podridão, mas havia, em algum lugar dentro dela, uma fonte inesgotável de dor asquerosa.
Queria sentir-se digna do colo de seus pais de novo, queria conforto do lar. Queria ser algo que não era mais. Sentiria mais saudade do que nunca fora e seguiria com sua doença, continuaria lavando sua sujeira e madrugadas imundas.
A Nova Sexualidade
2
Não sei não, acho que não fico mais surpreso com a forma precoce com que o sexo acontece na vida dos adolescentes, ou, devo dizer, crianças.
Esse comportamento não é nada senão o produto do que os adultos, tão estranhamento ligados em suas vaidades, impõem, como diria o Humberto Gessinger, “na mídia, na moda, nas farmácias”.
Eu fico, sim, preocupado com a forma com que o sexo é tratado, de forma geral, em todos os lugares, mas principalmente nesse mundo trajado de ridículo, de pessoas querendo se espelhar em celebridades, em modas e em reportagens sem o mínimo de razoabilidade publicadas em revistas que têm, mas não deveriam ter, credibilidade popular.
Sexo está deixando de conter um significado de prazer e passando ao sentido de obrigação. Trata-se falta de desejo como doença ou depressão, desempenho como uma prova de superioridade e freqüência como uma corrida de cavalos.
Aliás, infelizmente, às vezes me parece que cavalo é justamente o que algumas mulheres esperam dos homens, não no tamanho do falo (também), mas na idiotice de atitudes beirando às cavernas.
Dizem que em Roma o sexo era normal, sem culpa ou envolvimento ou cobranças, se assim for, eu acredito em prazer. Se me falarem de duração, de como, de quando, de quanto, de onde et Cetera, eu já penso que há inexperiência e insegurança no interlocutor.
Sexo deve ser uma coisa natural, espontânea, com calor e um pouco de nervosismo. Quando se tem a sensação de estar abrindo um presente muito esperado, aí é que o sexo é bom, aí é que reside o maior prazer.
Desculpem-me os editores de revistas, os sexólogos e charlatães do kama-sutra por aí, mas quando tratam do sexo como uma ciência exata e sem sal vocês matam o prazer. Não há amendoim, catuaba, Viagra ou coisa qualquer que traga vida ao sexo sem a sensação de espírito inundado de prazer. Só o corpo é prazer efêmero, e depois vem o que todo mundo já conhece…
Sexo é ser tarado, pervertido, sem restrição e com espontaneidade. Esquecer o que as revistas te disseram, o que a moda disse que teu corpo deve ser, o que o especialista disse que tu tinhas que comer, é essencial pra redescobrir o sexo como um jardim de prazeres e nada mais, como ele deveria ser.
Da tua visita
5Tá bom, chega de férias de mim mesmo. Natal passou, ano novo também e meu cérebro foi sendo engolido pelo senso comum. Preciso me recuperar até o próximo equinócio. Amém. Pois falando em amém…
O que realmente vale a pena é quando a tenho nos meus braços, quando ela agarra meu pescoço e me beija com tanta força que chega a doer, mas depois passa, e é só o gosto doce do sangue que eu sinto, o meu e o dela. O que faz tudo melhor é quando a vejo, quando ela me aperta contra seus seios mornos e suas coxas quentes e seu sexo molhado. É quando ela geme bem no meu ouvido e me faz esquecer dos últimos anos de mulheres frígidas e problemáticas. Gosto mesmo quando ela pula em cima de mim, e eu entro e saio do seu corpo quente e molhado; ou gosto mais quando puxo os seus cabelos e ela me olha de canto dum jeito que só pode significar: mais forte. E eu faço tudo cada vez mais forte até ela pedir pra parar. Então eu não paro, apenas vou mais devagar. Quando esqueço que dei tantos beijos sem gosto, que provei tantos corpos insossos e tantos sexos sensabores, quando esqueço disso é porque estou com ela, que me agarra com tanta força que sei que as marcas ficarão por mais do que apenas um dia. O seu perfume é o que deveria ser o cheiro dos campos Elíseos, e isso já me deixa com tesão, porque cada célula do meu corpo entende que, ao sentir esse aroma, é sinal de que a vida volta, a eletricidade corre, o sangue esquenta e circula como se não houvesse amanhã. O cheiro. Eu faria uma missa ao perfume dela. Do que há nesses encontros, nada pode ser dito, senão que apenas aquilo é vida, todo o resto é interlúdio.
Noites assim
2Ela chegou de viagem naquela noite e eu fui buscá-la na rodoviária. Era sexta-feira e ela iria passar o final de semana comigo.
O ônibus chegava sempre às 22h, e eu já estava lá esperando que aquela morena linda descesse, com o rosto um pouco amassado de sono, os cabelos desgrenhados, mas assim parecia mais sexy ainda para mim, só de respirar o mesmo ar que ela respirava eu sentia tesão.
Abracei bem forte pela cintura e a beijei, ela com gosto de chiclete de canela na boca. Peguei suas malas e levei até o carro, com a minha mão esquerda segurando sua direita.
Chegamos em casa e ela quis tomar um banho para sairmos jantar. Aceitei o banho sem fazer menção de nada mais, apesar de querer. Ela deixou a porta aberta e ficamos conversando enquanto eu brincava com uma bola de tênis sentado na cama do meu quarto.
Vestiu-se na minha frente, aquele corpo extremamente lindo…
Agarrei ela e comecei a beijá-la, enquanto ela ria e fazia força para me afastar até que cedi, deixei que terminasse de se arrumar.
Saímos de casa perto das 23:30 e fomos a uma boate onde estavam alguns amigos. Pedimos uma porção de alcatra e outra de batatas fritas. Enquanto o pedido não vinha, começamos, de barriga vazia mesmo, a tomar uma garrafa Bacardi com Schweppes Citrus, enquanto o resto do pessoal tomava cerveja.
Perto da 01h o lugar estava cheio, e uma banda de rock de Porto Alegre estava tocando. Ainda tínhamos metade da garrafa e metade das porções, com a bebida havíamos perdido a fome.
Ela levantou para ir ao banheiro com uma das gurias que estavam junto na mesa. Logo depois também quis ir ao banheiro. Na saída encontrei elas saindo também, e a puxei junto de mim, a banda tocava Kings of Leon, e comecei a beijá-la como se fosse a primeira vez que nos víamos.
Tudo foi esquentando muito rápido, rápido demais.
Vamos sair daqui? Perguntei pra ela.
Voltar pra mesa? Ela respondeu.
Não, sair daqui da boate, ir pro apartamento.
Mas ainda é cedo, tá todo mundo aí. Além do mais, temos mais meia garrafa nos esperando.
Ambos estávamos começando a ficar bêbados. Aceitei ficar mais um pouco, continuar bebendo. Logo a festa animou mais e todos levantaram, ficamos em volta da mesa dançando e curtindo a música.
Ela dançava com calma e sensualidade, muito longe de ser vulgar como muitas das gurias em volta, tinha classe.
Novamente, nos agarramos, e dessa vez foi impossível continuar ali.
Enquanto subíamos pelo elevador até o sétimo andar, começamos a nos agarrar ali mesmo. O barulho da boate e o álcool ainda nos deixava confusos e afobados. Logo ao entrar, derrubei-a no sofá e comecei a beijá-la e tirar sua roupa, enquanto ligava o som da sala, sem olhar para o controle, para que a música disfarçasse os gemidos ou gritos e ela se sentisse mais a vontade para se soltar.
Primeiro, lentamente, beijei sua barriga, começando um pouco abaixo do umbigo e subindo até os seios, depois o pescoço e a orelha esquerda. Sentia suas mãos me agarrando as costas com força, e um pouco das unhas arranhando. Seu corpo tremia em pequenos e curtos espasmos de prazer, seu pelos arrepiavam e sua pele se tornava tesa.
Sentia suas coxas se espremerem contra a minha num esforço enorme, como se me quisesse logo dentro dela e não quisesse mais me deixar sair. Decidi parar de brincar e comecei a penetração, no início devagar para não machucá-la, depois aumentando o ritmo. Sentia sua respiração forte e via as veias do seu pescoço dilatarem enquanto segurava seus cabelos. Seu fôlego mais ofegante e suas veias mais dilatadas indicavam que ela estava quase lá, e num gemido que se escapou meio sem querer ela teve seu primeiro orgasmo.
Segurou-me contra seu corpo, abraçando com força, sem me deixar sair de dentro dela e, também, sem deixar que me movesse.
Eu trouxe uma surpresa – sussurrou no meu ouvido. Vamos pro quarto, está na mala. Continuou.
Eu sentia seu sexo molhado enquanto tirava o meu de dentro dela.
Fomos até o quarto e ela pegou na mala um óleo novinho, sabor de chocolate. Começou a passar no meu corpo e me beijar. Na verdade, era eu quem queria fazer aquilo, porém, deveria deixá-la usar das suas brincadeiras também.
Ela foi brincando com o óleo até começar a fazer sexo oral. Só eu sei o quanto me controlei para não gozar naquelas carícias.
Depois de um tempo, puxei ela para cima, de frente pra mim e saí debaixo, deixando-a de bruços. Tomei o óleo de sua mão e comecei a pingar em suas costas. Reiniciei o ritual de beijar seu corpo, comecei pelo início das suas costas e fui subindo até a nuca, e sentia seu corpo como um arrepio contínuo e intenso, mal dando passagem para o ar entrar em seus pulmões.
Aos poucos fui penetrando assim mesmo, enquanto assistia suas mãos se agarrarem aos travesseiros e seus cabelos bagunçados permitindo que eu visse apenas seus lábios deliciosos e um pouco do seu olho.
Dessa vez não foi tão fácil fazê-la gozar, variamos as posições algumas vezes, e nossos corpos suados se encaixavam tão bem que aquilo não precisava terminar. Ela pediu que eu gozasse, e eu disse que só o faria quando ela gozasse novamente.
Coloquei-a deitada de costas e, depois de entrar nela, fechei suas pernas sem tirar meu pênis. Continuamos assim, e logo ela estava com os mesmos sintomas de orgasmo, e eu fui me preparando para poder gozar também.
Não gozamos juntos: ela gozou, ela gritou, e eu insisti mais um pouco e ejaculei dentro dela. Mantivemos aquela posição, mantive meu pau ereto o quanto consegui dentro dela, e ela me beijava com aquela boca deliciosamente molhada, apaixonada, até sentir-se cansada e dormir, daquele jeito mesmo. O sol já estava quase nascendo.
Nem ressaca tivemos no outro dia, quando acordamos e fomos tomar banho, agora juntos.
Podsex MTV – Encontros Desastrosos
3
Ontem à noite, como geralmente acontece nos domingos, fui deitar perto da uma e meia da madrugada. Liguei a televisão e estava passando Podsex MTV. E sim, meu leitor, vai mais um post sobre o programinha da Titi e da Kika (ah, a Kika).
Ontem (porque eu assisti a reprise) elas falaram um pouco sobre encontros desastrosos, contaram alguns causos como dum cara que na saída do motel não tinha dinheiro, então a guria teve que ficar lá, na recepção, esperando ele voltar com o dinheiro. Coisa linda isso.
Quem nunca teve um encontro ou uma história erótico-amorosa desastrosa para lembrar que atire a primeira calcinha (ou cueca). Não vamos nos iludir em pensar que aquelas pessoas bonitas, cheias de pose, ricas, famosas, ou não, nunca tiveram suas noites de decepção.
Acontece da mulher mais linda não ser boa de cama. O cara espera e se esforça por meses (ou horas), finalmente consegue levar a beldade prum motel e, no fim das contas, a moça faz coisas de amadora, isso acontece.
Ou a mulher arruma o cabelo, malha a semana inteira, não come um chocolate, se maquia e perfuma, leva o homem, que ela esperou a semana inteira, para a cama depois de uma balada e o cara, semi-bêbado, apenas inicia o serviço e dorme.
Coisas assim acontecem nas melhores famílias, todos têm o direito de falhar, de errar, de não saber como o outro funciona, pois isso demora, às vezes, criar um ritmo e harmonia na cama com uma parceira nem sempre é tão simples. Descobrir como estimular, como segurar, como brincar com a mulher, isso demanda muita atenção e entrega da pessoa.
Um encontro desastroso inicia já no excesso de ansiedade e de expectativas. Raramente a bancarrota de um encontro é responsabilidade apenas de uma pessoa, pode acontecer do outro ter sido afoito e causado alguma sensação estranha ou ruim (ou boa demais muito rapidamente) ao parceiro, que acaba se tornando o “responsável” pela tragédia.
Temos o costume de cobrar demais do outro, supervalorizar o sexo, fazer disso superlativos simplesmente por termos a ideia (vendida diariamente) de que o sucesso na cama é a chave da felicidade. Se assim fosse, atores pornôs ganhariam o Oscar e pegariam a Gisele Bündchen.