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	<title>Descompassado &#187; Citações</title>
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		<title>Sartre &#8211; A Idade da Raz&#227;o &#8211; Mathieu</title>
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		<pubDate>Wed, 06 Oct 2010 03:00:02 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Christian  Silveira</dc:creator>
				<category><![CDATA[Citações]]></category>
		<category><![CDATA[A Idade da Razão]]></category>
		<category><![CDATA[Jean Paul]]></category>
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<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter" src="http://www.rsraridades.com.br/sebo/images/jean%20paul_idade%20da%20razao.jpg" alt="" width="280" height="432" /></p>
<p>&#8220;Esperara tanto tempo. Seus &uacute;ltimos anos tinham sido uma vig&iacute;lia. Esperara atrav&eacute;s de mil e uma preocupa&ccedil;&otilde;es cotidianas. Naturalmente, durante esse tempo andara atr&aacute;s de mulheres, viajara e ganhara a vida. Mas atrav&eacute;s de tudo isso sua &uacute;nica preocupa&ccedil;&atilde;o fora manter-se dispon&iacute;vel. Para uma a&ccedil;&atilde;o. Um ato. Um ato livre e refletido que acarretaria o destino de sua vida e seria o in&iacute;cio de uma nova exist&ecirc;ncia. Nunca pudera amarrar-se definitivamente a um amor, a um prazer, nunca fora realmente infeliz; sempre lhe parecera estar alhures, ainda n&atilde;o nascido completamente. Esperava. E enquanto isso, devagar, sub-repticiamente, os anos tinham chegado, e o haviam envolvido.&#8221;</p>
<p>O &acirc;mago de Mathieu, personagem do livro, sendo exposto.</p>
<p>Interessante, n&atilde;o?</p>

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		<title>Milan Kundera e a exist&#234;ncia</title>
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		<pubDate>Sat, 23 Jan 2010 02:47:09 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Christian  Silveira</dc:creator>
				<category><![CDATA[Citações]]></category>
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		<category><![CDATA[a insustentável leveza do ser]]></category>
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<p><img class="aligncenter" title="Capa do livro A Insustent&aacute;vel Leveza do Ser" src="http://www.terracotabolsas.com/rato/imagens-blog/insustentavel%20leveza%20ser.jpg" alt="" width="360" height="500" /></p>
<p>&#8220;Tenho sempre diante dos olhos Tereza sentada sobre um tronco, acariciando a cabe&ccedil;a Karenin, e pensando no desvio da humanidade. Ao mesmo tempo, surge para mim uma outra imagem: Nietzsche esta saindo de um hotel em Turim. V&ecirc; diante de si um cavalo, e um cocheiro espancando-o com um chicote. Nietzsche se aproxima do cavalo, abra&ccedil;a-lhe o pesco&ccedil;o, e sob o olhar do cocheiro, explode em solu&ccedil;os. Isso aconteceu em 1889, e Nietzsche j&aacute; estava tamb&eacute;m distanciado dos homens. Em outras palavras: foi precisamente nesse momento que se declarou sua doen&ccedil;a mental. Mas, para mim, e justamente isso que confere ao gesto seu sentido profundo. Nietzsche veio pedir ao cavalo perd&atilde;o por Descartes. Sua loucura (portanto seu divorcio da humanidade) come&ccedil;a no instante em que chora sobre o cavalo. E este Nietzsche que amo, da mesma forma que amo Tereza, acariciando em seus joelhos a cabe&ccedil;a de um cachorro mortalmente doente. Vejo-os lado a lado: os dois se afastam do caminho no qual a humanidade, &#8220;senhora e propriet&aacute;ria da natureza&#8221;, prossegue sua marcha para a frente.&#8221;</p>
<p>- <em>A Insustent&aacute;vel Leveza do Ser</em></p>
<h5><em>(Retirado do <a href="http://pt.wikiquote.org/wiki/Milan_Kundera">http://pt.wikiquote.org/wiki/Milan_Kundera</a> )</em></h5>
<h1>♦</h1>
<p>Relembrando algumas coisas do Kundera, me deparei com esse trecho do livro A Insustent&aacute;vel Leveza do Ser. Li esse livro quando ainda fazia faculdade de Direito em Cruz Alta, provavelmente em 2005. Marcou-me muito o estilo de escrita, o conte&uacute;do t&atilde;o intimista e filos&oacute;fico, foi o primeiro livro do Milan Kundera que li, e foi &agrave; partir desse que virei f&atilde; do autor e li tudo dele que caiu nas minhas m&atilde;os at&eacute; agora.</p>
<p>O trecho est&aacute;, obviamente, descontextualizado, contudo, o importante, no momento, &eacute; a id&eacute;ia principal e inicial que ele me traz &agrave; mente, e uma conclus&atilde;o quase l&oacute;gica e escatol&oacute;gica (sim, isso mesmo).</p>
<h1>♦</h1>
<p>O ser humano, essa enorme peste que habita o planetinha, transformou-se num parasita de primeira, e isso &eacute; irrefut&aacute;vel, s&oacute; n&atilde;o enxerga quem tem demasiado orgulho de se sentir humano, quando, na verdade, poder&iacute;amos excluir o ‘humano’ e ficar apenas com o ‘ser’, um vivente pouco pensante.</p>
<p>Pois bem, mergulhado em diversas divaga&ccedil;&otilde;es, terminei por entender que, de fato, o que mais me encanta na humanidade &eacute; essa capacidade t&atilde;o pouco explorada de cair na “loucura” e deixar que sensa&ccedil;&otilde;es, emo&ccedil;&otilde;es e pensamentos tenham vaz&atilde;o, da forma que vierem &agrave; superf&iacute;cie, sem retalia&ccedil;&otilde;es imediatas da mente, sem preconceitos.</p>
<p>Ao deixarmo-nos sentir e pensar o que se &eacute; levado a sentir e pensar no momento, sem se penitenciar por isso ou aquilo ser feio ou proibido, &eacute; que teremos a oportunidade &uacute;nica de observar quem somos, o que somos, como fomos nos construindo ano ap&oacute;s ano e qual a idiossincrasia que vai nos por em contato com nossa pr&oacute;pria cabecinha (n&atilde;o a de baixo).</p>
<h1>♦</h1>
<p>Acontece que tudo &eacute; t&atilde;o feio e digno de repress&atilde;o hoje. Ao passar por um negro mal vestido na rua um n&atilde;o pensa nada, outro pensa em segurar bem sua carteira, outro ainda pensa em linchamento, mas quem est&aacute; errado? Quem est&aacute; certo? Cada um passou por experi&ecirc;ncias &uacute;nicas e sabe (na verdade n&atilde;o sabe, mas seu inconsciente deve saber) porque, instintivamente, age de tal forma.</p>
<p>Como um thelemita, me obrigo, a contragosto, a citar uma frase do L&iacute;ber AL vel Legis: “A palavra de pecado &eacute; restri&ccedil;&atilde;o”. Cada um sabe o que carrega dentro de si, e s&oacute; ter&aacute; luz para analisar o que h&aacute; em seu c&eacute;rebro quando deixar que as coisas venham &agrave; superf&iacute;cie.</p>
<p>Nietzsche sentiu algo incr&iacute;vel e irrefre&aacute;vel na cena descrita no trecho acima, assim como a personagem Tereza com o c&atilde;o Karenin. E &eacute; assim, no limite, quando somos jogados ao extremo do colapso e desestrutura&ccedil;&atilde;o, que temos a ferramenta necess&aacute;ria para jogar luz ao &acirc;mago e perceber o que h&aacute; em n&oacute;s de t&atilde;o humano (ou louco, se preferir).</p>
<h1>♦</h1>
<p>Particularmente, acho muito mais interessante aquela pessoa que percebe seus conflitos e os trata como parte de si e n&atilde;o do mundo, prefiro aquele que se olham sem medo &agrave;queles que t&ecirc;m suas unhas cravadas no bra&ccedil;o da poltrona com medo de sair de frente da televis&atilde;o.</p>

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		<title>Augusto dos Anjos &#8211; Mon&#243;logo de uma Sombra</title>
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		<pubDate>Wed, 07 Oct 2009 02:30:29 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Christian  Silveira</dc:creator>
				<category><![CDATA[Citações]]></category>
		<category><![CDATA[augusto dos anjos]]></category>
		<category><![CDATA[literatura]]></category>
		<category><![CDATA[monólogo de uma sombra]]></category>
		<category><![CDATA[poema]]></category>
		<category><![CDATA[Poesia]]></category>

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<p>N&atilde;o gosto e nem costumo postar textos que n&atilde;o sejam meus, mas esse &eacute; necess&aacute;rio. Minha vida na literatura &eacute; dividida em eras, e uma delas foi marcada pela presen&ccedil;a constante da poesia desse poeta deslocado de sua gera&ccedil;&atilde;o.</p>
<p>O poema Mon&oacute;logo de uma Sombra &eacute;, como quase todos poemas de Augusto, intenso, soturno, impressionante, denso, e uma s&eacute;rie de adjetivos impotentes diante da for&ccedil;a de sua poesia.</p>
<p>Diz-se que ele costumava construir suas poesias em voz alta, caminhando, declamando, e isso faz muito sentido, pois a sonoridade delas &eacute; sempre muito en&eacute;rgica.</p>
<p><strong>Mon&oacute;logo de Uma Sombra</strong></p>
<p><span style="font-family: 'Bookman Old Style'; font-size: x-small;"><strong>Sou uma Sombra! Venho de outras eras,<br />
Do cosmopolitismo das moneras&#8230;<br />
P&oacute;lipo de rec&ocirc;nditas reentr&acirc;ncias,<br />
Larva de caos tel&uacute;rico, procedo<br />
Da escurid&atilde;o do c&oacute;smico segredo,<br />
Da subst&acirc;ncia de todas as subst&acirc;ncias!</strong></span></p>
<p><span style="font-family: 'Bookman Old Style'; font-size: x-small;"><strong>A simbiose das coisas me equilibra.<br />
Em minha ignota m&ocirc;nada, ampla, vibra<br />
A alma dos movimentos rotat&oacute;rios&#8230;<br />
E &eacute; de mim que decorrem, simult&acirc;neas,<br />
A s&aacute;ude das for&ccedil;as subterr&acirc;neas<br />
E a morbidez dos seres ilus&oacute;rios!</strong></span></p>
<p><span style="font-family: 'Bookman Old Style'; font-size: x-small;"><strong>Pairando acima dos mundanos tetos,<br />
N&atilde;o conhe&ccedil;o o acidente da </strong><em><strong>Senectus<br />
</strong></em><strong>- Esta universit&aacute;ria sanguessuga<br />
Que produz, sem disp&ecirc;ndio algum de v&iacute;rus,<br />
O amarelecimento do papirus<br />
E a mis&eacute;ria anat&ocirc;mica da ruga!</strong></span></p>
<p><span style="font-family: 'Bookman Old Style'; font-size: x-small;"><strong>Na exist&ecirc;ncia social, possuo uma arma<br />
- O metafisicismo de Abidarma -<br />
E trago, sem bram&aacute;nicas tesouras,<br />
Como um dorso de az&eacute;mola passiva,<br />
A solidariedade subjetiva<br />
De todas as esp&eacute;cies sofredoras.</strong></span></p>
<p><span style="font-family: 'Bookman Old Style'; font-size: x-small;"><strong>Como um pouco de saliva quotidiana<br />
Mostro meu nojo &aacute; Natureza Humana.<br />
A podrid&atilde;o me serve de Evangelho&#8230;<br />
Amo o esterco, os res&iacute;duos ruins dos quiosques<br />
E o animal inferior que urra nos bosques<br />
E com certeza meu irm&atilde;o mais velho!</strong></span></p>
<p><span style="font-family: 'Bookman Old Style'; font-size: x-small;"><strong>Tal qual quem para o pr&oacute;prio t&uacute;mulo olha,<br />
Amarguradamente se me antolha,<br />
&Agrave; luz do americano plenil&uacute;nio,<br />
Na alma crepuscular de minha ra&ccedil;a<br />
Como urna voca&ccedil;&atilde;o para a Desgra&ccedil;a<br />
E um tropismo ancestral para o Infurt&uacute;nio.</strong></span></p>
<p><span style="font-family: 'Bookman Old Style'; font-size: x-small;"><strong>A&iacute; vem sujo, a co&ccedil;ar chagas pleb&eacute;ias,<br />
Trazendo no deserto das id&eacute;ias<br />
O desespero end&ecirc;mico do inferno,<br />
Com a cara hirta, tatuada de fuligens<br />
Esse mineiro doido das origens,<br />
Que se chama o Fil&oacute;sofo Moderno!</strong></span></p>
<p><span style="font-family: 'Bookman Old Style'; font-size: x-small;"><strong>Quis compreender, quebrando est&eacute;reis normas,<br />
A vida fenom&ecirc;nica das Formas,<br />
Que, iguais a fogos passageiros, luzem&#8230;<br />
E apenas encontrou na id&eacute;ia gasta,<br />
O horror dessa mec&acirc;nica nefasta,<br />
A que todas as coisas se reduzem!</strong></span></p>
<p><span style="font-family: 'Bookman Old Style'; font-size: x-small;"><strong>E h&atilde;o de ach&aacute;-lo, amanh&atilde;, bestas agrestes,<br />
Sobre a esteira sarc&oacute;faga das pestes<br />
A mostrar, j&aacute; nos &uacute;ltimos momentos,<br />
Como quem se submete a uma charqueada,<br />
Ao clar&atilde;o tropical da luz danada,<br />
O esp&oacute;lio dos seus dedos pe&ccedil;onhentos.</strong></span></p>
<p><span style="font-family: 'Bookman Old Style'; font-size: x-small;"><strong>Tal a finalidade dos estames!<br />
Mas ele viver&aacute;, rotos os liames<br />
Dessa estranguladora lei que aperta<br />
Todos os agregados perec&iacute;veis,<br />
Nas eteriza&ccedil;&otilde;es indefin&iacute;veis<br />
Da energia intra-at&ocirc;mica liberta!</strong></span></p>
<p><span style="font-family: 'Bookman Old Style'; font-size: x-small;"><strong>Ser&aacute; calor, causa ub&iacute;qua de gozo,<br />
Raio X, magnetismo misterioso,<br />
Quimiotaxia, ondula&ccedil;&atilde;o a&eacute;rea,<br />
Fonte de repuls&otilde;es e de prazeres,<br />
Sonoridade potencial dos seres,<br />
Estrangulada dentro da mat&eacute;ria!</strong></span></p>
<p><span style="font-family: 'Bookman Old Style'; font-size: x-small;"><strong>E o que ele foi: clav&iacute;culas, abd&ocirc;men,<br />
O cora&ccedil;&atilde;o, a boca, em s&iacute;ntese, o Homem,<br />
- Engrenagem de v&iacute;sceras vulgares -<br />
Os dedos carregados de pe&ccedil;onha,<br />
Tudo coube na l&oacute;gica medonha<br />
Dos apodrecimentos musculares!</strong></span></p>
<p><span style="font-family: 'Bookman Old Style'; font-size: x-small;"><strong>A desarruma&ccedil;&atilde;o dos intestinos<br />
Assombra! Vede-a! Os vermes assassinos<br />
Dentro daquela massa que o h&uacute;mus come,<br />
Numa glutoneria hedionda, brincam,<br />
Como as cadelas que as dentu&ccedil;as trincam<br />
No espasmo fisiol&oacute;gico da fome.</strong></span></p>
<p><span style="font-family: 'Bookman Old Style'; font-size: x-small;"><strong>E unia tr&aacute;gica festa emocionante!<br />
A bacteriologia inventariante<br />
Toma conta do corpo que apodrece&#8230;<br />
E at&eacute; os membros da fam&iacute;lia engulham,<br />
Vendo as larvas malignas que se embrulham<br />
No cad&aacute;ver mals&atilde;o, fazendo um s.</strong></span></p>
<p><span style="font-family: 'Bookman Old Style'; font-size: x-small;"><strong>E foi ent&atilde;o para isto que esse doudo<br />
Estragou o vibr&aacute;til plasma todo,<br />
&Agrave; guisa de um faquir, pelos cen&oacute;bios?!&#8230;<br />
Num suic&iacute;dio graduado, consumir-se,<br />
E ap&oacute;s tantas vig&iacute;lias, reduzir-se<br />
&Agrave; heran&ccedil;a miser&aacute;vel de micr&oacute;bios!</strong></span></p>
<p><span style="font-family: 'Bookman Old Style'; font-size: x-small;"><strong>Estoutro agora &eacute; o s&aacute;tiro peralta<br />
Que o sensualismo sodomista exalta,<br />
Nutrindo sua inf&acirc;mia a leite e a trigo&#8230;<br />
Como que, em suas c&eacute;lulas vil&iacute;ssimas,<br />
H&aacute; estratifica&ccedil;&otilde;es requintad&iacute;ssimas<br />
De uma animalidade sem castigo.</strong></span></p>
<p><span style="font-family: 'Bookman Old Style'; font-size: x-small;"><strong>Brancas bacantes b&ecirc;bedas o beijam.<br />
Suas art&eacute;rias h&iacute;rcicas latejam,<br />
Sentindo o odor das carna&ccedil;&otilde;es abst&ecirc;mias,<br />
E &aacute; noite, vai gozar, &eacute;brio de v&iacute;cio,<br />
No sombrio bazar do meretr&iacute;cio,<br />
O cuspo afrodis&iacute;aco das f&ecirc;meas.</strong></span></p>
<p><span style="font-family: 'Bookman Old Style'; font-size: x-small;"><strong>No horror de sua an&ocirc;mala nevrose,<br />
Toda a sensualidade da simbiose,<br />
Uivando, &aacute; noite, em l&uacute;bricos arroubos,<br />
Como no babil&ocirc;nico sansara,<br />
Lembra a fome incoerc&iacute;vel que escancara<br />
A mucosa carn&iacute;vora dos lobos.</strong></span></p>
<p><span style="font-family: 'Bookman Old Style'; font-size: x-small;"><strong>S&ocirc;frego, o monstro as v&iacute;timas aguarda.<br />
Negra paix&atilde;o cong&ecirc;nita, bastarda,<br />
Do seu zooplasma of&iacute;dico resulta&#8230;<br />
E explode, igual &aacute; luz que o ar acomete,<br />
Com a veem&ecirc;ncia mav&oacute;rtica do ar&iacute;ete<br />
E os arremessos de uma catapulta.</strong></span></p>
<p><span style="font-family: 'Bookman Old Style'; font-size: x-small;"><strong>Mas muitas vezes, quando a noite avan&ccedil;a,<br />
Hirto, observa atrav&eacute;s a t&ecirc;nue tran&ccedil;a<br />
Dos filamentos flu&iacute;dicos de um halo<br />
A destra descamada de um duende,<br />
Que tateando nas t&ecirc;nebras, se estende<br />
Dentro da noite m&aacute;, para agarr&aacute;-lo!</strong></span></p>
<p><span style="font-family: 'Bookman Old Style'; font-size: x-small;"><strong>Cresce-lhe a intracef&aacute;lica tortura,<br />
E de su&#8217;alma na cavema escura,<br />
Fazendo ultra-epil&eacute;ticos esfor&ccedil;os,<br />
Acorda, com os candieiros apagados,<br />
Numa coreografia de danados,<br />
A fam&iacute;lia alarmada dos remorsos.</strong></span></p>
<p><span style="font-family: 'Bookman Old Style'; font-size: x-small;"><strong>&Eacute; o despertar de um povo subterr&acirc;neo!<br />
E a fauna cavern&iacute;cola do cr&acirc;nio<br />
- Macbetbs da patol&oacute;gica vig&iacute;lia,<br />
Mostrando, em rembrandtescas telas v&aacute;rias,<br />
As incestuosidades sang&uuml;in&aacute;rias<br />
Que ele tem praticado na fam&iacute;lia.</strong></span></p>
<p><span style="font-family: 'Bookman Old Style'; font-size: x-small;"><strong>As alucina&ccedil;&otilde;es t&aacute;cteis pululam.<br />
Sente que megat&eacute;rios o estrangulam&#8230;<br />
A asa negra das moscas o horroriza;<br />
E autopsiando a amar&iacute;ssima exist&ecirc;ncia<br />
Encontra um cancro ass&iacute;duo na consci&ecirc;ncia<br />
E tr&ecirc;s manchas de sangue na camisa!</strong></span></p>
<p><span style="font-family: 'Bookman Old Style'; font-size: x-small;"><strong>M&iacute;ngua-se o combust&iacute;vel da lanterna<br />
E a consci&ecirc;ncia do s&aacute;tiro se inferna,<br />
Reconhecendo, b&ecirc;bedo de sono,<br />
Na pr&oacute;pria &acirc;nsia dion&iacute;sica do gozo,<br />
Essa necessidade de </strong><em><strong>horroroso,<br />
</strong></em><strong>Que &eacute; talvez propriedade do carbono!</strong></span></p>
<p><span style="font-family: 'Bookman Old Style'; font-size: x-small;"><strong>Ah! Dentro de toda a alma existe a prova<br />
De que a dor como um dartro se renova,<br />
Quando o prazer barbaramente a ataca&#8230;<br />
Assim tamb&eacute;m, observa a ci&ecirc;ncia crua,<br />
Dentro da elipse ign&iacute;voma da lua<br />
A realidade de urna esfera opaca.</strong></span></p>
<p><span style="font-family: 'Bookman Old Style'; font-size: x-small;"><strong>Somente a Arte, esculpindo a humana m&aacute;goa,<br />
Abranda as rochas r&iacute;gidas, torna &aacute;gua<br />
Todo o fogo tel&uacute;rico profundo<br />
E reduz, sem que, entanto, a desintegre,<br />
&Agrave; condi&ccedil;&atilde;o de uma plan&iacute;cie alegre,<br />
A aspereza orogr&aacute;fica do mundo!</strong></span></p>
<p><span style="font-family: 'Bookman Old Style'; font-size: x-small;"><strong>Provo desta maneira ao mundo odiento<br />
Pelas grandes raz&otilde;es do sentimento,<br />
Sem os m&eacute;todos da abstrusa ci&ecirc;ncia fria<br />
E os trov&otilde;es gritadores da dial&eacute;tica,<br />
Que a mais alta express&atilde;o da dor est&eacute;tica<br />
Consiste essencialmente na alegria.</strong></span></p>
<p><span style="font-family: 'Bookman Old Style'; font-size: x-small;"><strong>Continua o mart&iacute;rio das criaturas:<br />
- O homic&iacute;dio nas vielas mais escuras,<br />
- O ferido que a hostil gleba atra escarva,<br />
- O &uacute;ltimo solil&oacute;quio dos suicidas -<br />
E eu sinto a dor de todas essas vidas<br />
Em minha vida an&ocirc;nima de larva!&#8221;</strong></span></p>
<p><span style="font-family: 'Bookman Old Style'; font-size: x-small;"><strong>Disse isto a Sombra. E, ouvindo estes voc&aacute;bulos,<br />
Da luz da lua aos p&aacute;lidos ven&aacute;bulos,<br />
Na &acirc;nsia de um nervos&iacute;ssimo entusiasmo,<br />
Julgava ouvir mon&oacute;tonas corujas,<br />
Executando, entre caveiras sujas,<br />
A orquestra arrepiadora do sarcasmo!</strong></span></p>
<p><span style="font-family: 'Bookman Old Style'; font-size: x-small;"><strong>Era a elegia pante&iacute;sta do Universo,<br />
Na podrid&atilde;o do sangue humano imerso,<br />
Prostitu&iacute;do talvez, em suas bases&#8230;<br />
Era a can&ccedil;&atilde;o da Natureza exausta,<br />
Chorando e rindo na ironia infausta<br />
Da incoer&ecirc;ncia infernal daquelas frases.</strong></span></p>
<p><span style="font-family: 'Bookman Old Style'; font-size: x-small;"><strong>E o turbilh&atilde;o de tais fonemas acres<br />
Trovejando grandiloquos massacres,<br />
H&aacute;-de ferir-me as auditivas portas,<br />
At&eacute; que minha ef&ecirc;mera cabe&ccedil;a<br />
Reverta &aacute; quieta&ccedil;&atilde;o da treva espessa<br />
E &agrave; palidez das fotosferas mortas!</strong></span></p>

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		<title>Extin&#231;&#227;o, de Thomas Bernhard &#8211; Da fotografia</title>
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		<pubDate>Mon, 28 Sep 2009 01:26:24 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Christian  Silveira</dc:creator>
				<category><![CDATA[Citações]]></category>
		<category><![CDATA[Extinção]]></category>
		<category><![CDATA[fotografia]]></category>
		<category><![CDATA[literatura]]></category>
		<category><![CDATA[Thomas Bernhard]]></category>

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		<description><![CDATA[Solil&#243;quio do personagem principal do livro sobre sua opini&#227;o acerca da fotografia. “No fundo eu odeio fotografias e a mim mesmo nunca passou pela cabe&#231;a tirar fotografias, com exce&#231;&#227;o dessas de Londres, de Sankt Wolfgang, de Cannes, minha vida inteira n&#227;o possu&#237; m&#225;quina fotogr&#225;fica. Desprezo as pessoas que fotografam constantemente e que andam o tempo [...]]]></description>
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<p>Solil&oacute;quio do personagem principal do livro sobre sua opini&atilde;o acerca da fotografia.</p>
<p>“No fundo eu odeio fotografias e a mim mesmo nunca passou pela cabe&ccedil;a tirar fotografias, com exce&ccedil;&atilde;o dessas de Londres, de Sankt Wolfgang, de Cannes, minha vida inteira n&atilde;o possu&iacute; m&aacute;quina fotogr&aacute;fica. Desprezo as pessoas que fotografam constantemente e que andam o tempo todo com sua m&aacute;quina fotogr&aacute;fica pendurada ao pesco&ccedil;o. Constantemente elas est&atilde;o em busca de um tema e fotografam absolutamente tudo, at&eacute; as coisas mais absurdas. Constantemente elas n&atilde;o t&ecirc;m nada na cabe&ccedil;a a n&atilde;o ser retratar a si mesmas, e sempre de maneira mais repulsiva, coisa de que no entanto elas pr&oacute;prias n&atilde;o t&ecirc;m consci&ecirc;ncia. Em suas fotos elas captam um mundo perversamente deformado, que n&atilde;o tem nada em comum com o mundo real sen&atilde;o a perversa deforma&ccedil;&atilde;o de que elas s&atilde;o respons&aacute;veis. O fotografar &eacute; uma mania s&oacute;rdida que pouco a pouco se apodera de toda a humanidade, porque ela n&atilde;o est&aacute; somente apaixonada pela deforma&ccedil;&atilde;o e pela perversidade, mas louca por elas, e com o tempo, de tanto fotografar, ela toma efetivamente o mundo deformado e perverso como o &uacute;nico verdadeiro. Aqueles que fotografam cometem um dos crimes mais s&oacute;rdidos que podem ser cometidos ao transformar a natureza, em suas fotografias, num grotesco perverso. Em suas fotografias, as pessoas s&atilde;o marionetes rid&iacute;culas, irreconhec&iacute;veis de t&atilde;o distorcidas, mutiladas mesmo, que com ar obtuso, repulsivo, fitam assustadas suas lentes s&oacute;rdidas. O fotografar &eacute; uma paix&atilde;o abjeta que se apoderou de todos os continentes e todas as camadas sociais, uma doen&atilde; de que foi acometida toda a humanidade e da qual n&atilde;o pode mais ser curada. O inventor da arte fotogr&aacute;fica &eacute; o inventor da mais desumana de todas as artes. A ele devemos a definitiva deforma&ccedil;&atilde;o da natureza e do ser humano que nela vive, reduzidos &agrave; careta perversa de um e de outro. Ainda n&atilde;o vi em nenhuma fotografia uma pessoa natural, quer dizer, verdadeira e real, como ainda n&atilde;o vi em nenhuma fotografia uma natureza verdadeira e real. A fotografia &eacute; a maior desgra&ccedil;a do s&eacute;culo XX.” Extin&ccedil;&atilde;o, de Thomas Bernhard.</p>

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		<title>Part&#237;culas Elementares &#8211; Michel Houellebecq</title>
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		<pubDate>Thu, 24 Sep 2009 16:48:38 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Christian  Silveira</dc:creator>
				<category><![CDATA[Citações]]></category>
		<category><![CDATA[literatura francesa]]></category>
		<category><![CDATA[Michel Houellebecq]]></category>
		<category><![CDATA[Partículas Elementares]]></category>

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		<description><![CDATA[                    Aqui vai pequenos trechos do final do livro Part&#237;culas Elementares, de Michel Houellebecq, o qual acabei de ler h&#225; pouco. Farei (ou n&#227;o) uma resenha mais tarde, por&#233;m, desde j&#225; indico o livro.                                 “Pode-se encarar as coisas da vida com humor durante anos, por vezes durante muitos anos; em alguns casos, praticamente at&#233; o fim; [...]]]></description>
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<p> </p>
<p>                  Aqui vai pequenos trechos do final do livro Part&iacute;culas Elementares, de Michel Houellebecq, o qual acabei de ler h&aacute; pouco. Farei (ou n&atilde;o) uma resenha mais tarde, por&eacute;m, desde j&aacute; indico o livro.                 </p>
<p>               “Pode-se encarar as coisas da vida com humor durante anos, por vezes durante muitos anos; em alguns casos, praticamente at&eacute; o fim; mas, definitivamente, a vida parte o cora&ccedil;&atilde;o. Apesar da coragem, do sangue-frio e do humor, sempre se acaba com o cora&ccedil;&atilde;o partido. Ent&atilde;o, termina o riso. Ao final das contas, s&oacute; h&aacute; a solid&atilde;o, o frio e o sil&ecirc;ncio. Nada al&eacute;m da morte.” (Walcott)</p>
<p>                “ ‘Ele tinha algo de terrivelmente triste’, declararia Walcott. ‘Acho que foi o ser mais triste que encontrei na vida e, ainda assim, a palavra tristeza parece-me fraca; decia dizer que existia nele algo <span style="text-decoration: underline;">destru&iacute;do</span>, inteiramente devastado. Sempre tive a impress&atilde;o de que a vida para ele era um fardo, que n&atilde;o tinha mais nenhuma rela&ccedil;&atilde;o com a vida. Creio que suportou exatamente o necess&aacute;rio para terminar as suas investiga&ccedil;&otilde;es; ningu&eacute;m de n&oacute;s pode imaginar o esfor&ccedil;o que realizou para isso.’ “</p>

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		<title>do escrever</title>
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		<pubDate>Sun, 23 Aug 2009 21:41:29 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Christian  Silveira</dc:creator>
				<category><![CDATA[Citações]]></category>
		<category><![CDATA[Eu]]></category>
		<category><![CDATA[espírito]]></category>
		<category><![CDATA[frases]]></category>
		<category><![CDATA[Poesia]]></category>
		<category><![CDATA[Vontade]]></category>

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		<description><![CDATA[           Tenho uma &#226;nsia de escrever da alma, do esp&#237;rito, do universo e da vida, de coisas assim, mas que minha &#226;nsia n&#227;o limita ao escrever. Quero, um dia, quem sabe, ter tanta propriedade e sabedoria em minhas palavras para que alguma outra alma venha a utilizar alguma passagem do que digo como uma cita&#231;&#227;o. [...]]]></description>
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<p>           Tenho uma &acirc;nsia de escrever da alma, do esp&iacute;rito, do universo e da vida, de coisas assim, mas que minha &acirc;nsia n&atilde;o limita ao escrever. Quero, um dia, quem sabe, ter tanta propriedade e sabedoria em minhas palavras para que alguma outra alma venha a utilizar alguma passagem do que digo como uma cita&ccedil;&atilde;o.</p>
<p>        Nietzsche dizia que n&atilde;o escrevia para ser apenas lido, mas para ser decorado, talvez devesse acrescentar que tamb&eacute;m deveria ser compreendido, de cabo &agrave; rabo. Pois eu diria algo semelhante, gostaria de ter escrito in&uacute;meras das frases e dos textos maravilhosos que j&aacute; li em minha vida, como os fragmentos do livro Gertrud que postei anteriormente, como frases do Assim falou Zaratustra do Nietzsche, entre outros.</p>
<p>     Quando leio Fernando Pessoa, mais precisamente Alberto Caeiro, sinto uma enorme vergonha de ter a pretens&atilde;o de me chamar poeta (at&eacute; mesmo pseudo-poeta ainda me &eacute; pesado). Queria ter escrito cada linha do Guardador de Rebanhos, assim, quando leio esse livro, sinto-me em casa, como se retornasse a mim mesmo por alguns segundos.</p>
<p>   &#8221; Toda a poesia &#8211; e a can&ccedil;&atilde;o &eacute; uma poesia ajudada &#8211; reflete o que a alma n&atilde;o tem. Por isso a can&ccedil;&atilde;o dos povos tristes &eacute; alegre e a can&ccedil;&atilde;o dos povos alegres &eacute; triste.&#8221; Fernando Pessoa</p>
<p>      Existem dias em que  ficar calado &eacute; mais apropriado, pois que eu n&atilde;o quero profanar a alma de nenhum grande poeta e escritor que pisou ou pisa neste planeta. Hesse, Kundera, Pessoa, Augusto dos Anjos e muitos outros mestres da literatura que me perdoem, mas eu vou insistir.</p>

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		<title>Fragmentos &#8211; Gertrud (II)</title>
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		<pubDate>Thu, 20 Aug 2009 04:45:17 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Christian  Silveira</dc:creator>
				<category><![CDATA[Citações]]></category>
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		<category><![CDATA[Hermann Hesse]]></category>
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<p><img title="hermann hesse - gertrud2" src="http://descompassado.com/wp-content/uploads/2009/08/hermann-hesse-gertrud2.jpg" alt="hermann hesse - gertrud2" width="316" height="470" /></p>
<p>HESSE, Hermann. Gertrud. 4. ed. Rio de Janeiro: Civiliza&ccedil;&atilde;o Brasileira, 1977.</p>
<p>“E nisso ocorreu-me uma senten&ccedil;a de Muoth que repeti ao meu pai. Muoth dissera, certa vez, se bem que n&atilde;o a s&eacute;rio, que considerava a juventude como o per&iacute;odo mais dif&iacute;cil da exist&ecirc;ncia, e que achava que as pessoas idosas s&atilde;o, nas mais das vezes, muito mais alegres e contentes do que os jovens. Meu pai riu e depois, pensativo, opinou:</p>
<p>- N&oacute;s, velhos, dizemos o contr&aacute;rio, naturalmente. Nem por isso o teu amigo deixou de acertar com uma parte da verdade. Eu penso que, na vida, e poss&iacute;vel estabelecer-se um limite preciso entre a juventudo e a velhice. A juventude acaba quando acaba o ego&iacute;smo, a velhice come&ccedil;a quando se come&ccedil;a a viver para os outros. Entendo isso do seguinte modo: os jovens t&ecirc;m, em sua vida, muitos prazeres e muitos sofrimentos, porque vivem somente para si mesmos. Ent&atilde;o, todo o desejo e toda a id&eacute;ia que v&ecirc;m &agrave; cabe&ccedil;a s&atilde;o importantes, saboreia-se todo o prazer ou amarga-se todo o sofrimento, at&eacute; o fim, e h&aacute; mesmo quem, n&atilde;o julgando seus desejos realiz&aacute;veis, atire a vida fora. Isso &eacute; pr&oacute;prio da juventude. Para a maioria dos homens, no entanto, chega um tempo em que essa atitude muda e em que passam a viver mais para os outros, <span style="text-decoration: underline;">n&atilde;o por virtude</span>, em absoluto, mas muito naturalmente. Com a maioria, &eacute; a fam&iacute;lia que o determina. A pessoa, quando tem filhos, pensa menos em si e nos seus desejos. Outros, perdem o ego&iacute;smo em prol de um cargo, da pol&iacute;tica, da arte ou da ci&ecirc;ncia. A juventude quer divertir-se, a velhice, trabalhar. Ningu&eacute;m se casa s&oacute; para ter filhos, mas, uma vez que os tem, eles o modificam e, no fim, ele percebe que tudo, com efeito, acontecera somente em fun&ccedil;&atilde;o deles. Isso prende-se ao fato de que a juventude, sem d&uacute;vida, gosta de falar da morte, mas nunca pensa nela. Com os velhos, d&aacute;-se o contr&aacute;rio. Os jovens julgam que v&atilde;o viver eternamente; da&iacute;, poderem reportar a si mesmos todos os seus desejos e pensamentos. Ao contr&aacute;rio, os velhos j&aacute; perceberam que, num ponto qualquer, existe um fim e que tudo o que algu&eacute;m tem ou faz s&oacute; para si mesmo, acaba por cair no vazio e por ter acontecido em v&atilde;o. Assim, necessitam de outra eternidade, bem como da cren&ccedil;a de que n&atilde;o est&atilde;o trabalhando unicamente para os vermes. Para isso existem mulher e filhos, atividades e cargos e p&aacute;tria: para saber-se por quem &eacute;, afinal de contas, que suportamos a lida e o desgaste e as afli&ccedil;&otilde;es cotidianas. Nesse ponto, o teu amigo tem toda a raz&atilde;o: a pessoa est&aacute; mais contente quando vive para os outros do que quando vive para si pr&oacute;pria. S&oacute; que os velhos n&atilde;o deveriam fazer tanto alarde disso, como de uma sorte de hero&iacute;smo, que n&atilde;o &eacute;. E, ainda, verifica-se que os melhores dentre os velhos prov&ecirc;m dos jovens mais vivos e n&atilde;o daqueles que j&aacute; se portaram como av&ocirc;s nos bancos da escola.”</p>

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		<title>Fragmentos de Gertrud</title>
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		<pubDate>Mon, 17 Aug 2009 17:16:31 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Christian  Silveira</dc:creator>
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		<category><![CDATA[2009]]></category>
		<category><![CDATA[amor]]></category>
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		<description><![CDATA[HESSE, Hermann. Gertrud. 4. ed. Rio de Janeiro: Civiliza&#231;&#227;o Brasileira, 1977. &#8220;Afinal de contas, &#233; insensato indagar assim da felicidade ou infelicidade, pois penso que mais dificilmente renunciaria aos dias infelizes da minha vida do que aos alegres&#8221; &#8220;O que um homem &#233; para si e o que vive interiormente, de que maneira se torna [...]]]></description>
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<div id="attachment_232" class="wp-caption aligncenter" style="width: 290px"><img class="size-full wp-image-232 " title="Hermann Hesse - Gertrud" src="http://descompassado.com/wp-content/uploads/2009/08/hermann-hesse-gertrud.jpg" alt="Hermann Hesse - Gertrud" width="280" height="280" /><p class="wp-caption-text">HESSE, Hermann. Gertrud. 4. ed. Rio de Janeiro: Civiliza&ccedil;&atilde;o Brasileira, 1977.</p></div>
<p>&#8220;Afinal de contas, <strong>&eacute; insensato indagar assim da felicidade ou infelicidade</strong>, pois penso que mais dificilmente renunciaria aos dias infelizes da minha vida do que aos alegres&#8221;</p>
<p>&#8220;O que um homem &eacute; para si e o que vive interiormente, de que maneira se torna outro e cresce e adoece e morre, tudo isso &eacute;<strong> inenarr&aacute;vel</strong>.&#8221;</p>
<p>“Acompanhei-a, penalizado, com o olhar; e, durante muito tempo, n&atilde;o me livrei mais daquela vis&atilde;o. Seria eu, deveras, um ser inteiramente diferente de todos eles, de Marion, de Lotte, de Muoth? E aquilo seria, realmente, amor? Eu as via todas, essas criaturas de paix&atilde;o, cambalear como arrastadas pelas tormentas e flutuarem no desconhecido: o homem, torturado, hoje, pelo desejo, amanh&atilde;, pelo fastio, amado sombriamente e rompendo brutalmente, inseguro de qualquer inclina&ccedil;&atilde;o, <span style="text-decoration: underline;">descontente com qualquer amor</span>; e as mulheres, arrebatadas, suportando ofensas e pancadas, por fim enxotadas e, contudo, <span style="text-decoration: underline;">ainda agarradas a ele, aviltadas pelo ci&uacute;me e pelo amor repelido, numa fidelidade canina</span>. Naquele dia, pela primeira vez, desde muito tempo, eu chorei. Chorei l&aacute;grimas de indigna&ccedil;&atilde;o e de ira por essas criaturas, pelo meu amigo Muoth, pela vida e pelo amor; e l&aacute;grimas silenciosas e secretas por mim mesmo, que vivia em meio a tudo isso<strong> como num outro planeta</strong>, que n&atilde;o compreendia a vida, que ardia em sede de amor e que, no entanto, devia tem&ecirc;-lo.”</p>

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