Ciência

O que somos no universo

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Não recordo qual físico disse uma frase que, antes de eu a conhecer, eu já pensava nela: estudar o universo nos ensina humildade. Tá, não era bem assim a frase, mas o sentido é esse.

Há uns dias atrás li uma matéria sobre o que seria o universo pré-big bang ( http://super.abril.com.br/universo/havia-antes-big-bang-598331.shtml ). São quase abstrações paradoxais bastante difíceis de serem compreendidas pela mente. Na verdade, acredito que entender o universo e sua história pré-existencial é justamente conformar-se em não entender. Isso vai além da nossa capacidade.

Uma teoria interessante que estava nessa matéria é a de que o Universo poderia seguir uma linha mais ou menos como a de Darwin para a vida no planeta. Algo como reprodução de universos, como se os buracos negros, que não nos permitem ter ideia do que há dentro deles, fossem outros universos criados à partir deste, e dentro deles poderiam haver outras crias.

Então, se somos um grãozinho numa escala planetária, quer dizer, em relação ao planeta Terra, que é muito menor do que o sol que, por sua vez, é muito, mas muito mesmo, menor que a estrela VY Canis Majoris, quer dizer que somos o que?

Bom, não sei bem o que posso dizer que somos, tenho a mania de dizer que somos nada e muitos iriam me xingar por isso. Mas se não somos uma poeirinha, se representamos algo dentro desse universo, representamos pouquíssimo.

Se é assim, o que nossos problemas representam para o mundo? O que deus tem a ver com o prazo que você perdeu? Com os quilos que você ganhou? Com o café que você derramou no livro? O que diabos (whatahell!!!) isso significa? Nada. Ou melhor, NADA!

Quando alguém me diz que deus castiga, que pagamos por nosso pecados, eu tenho um pensamento: se ele é tão grande e pai, porque seria tão ruim conosco a ponto de nos colocar nos círculos infernais que o poeta Dante Alighieri deu uma leve explicadinha (hey, ironia, ok?)? Por acaso um pai condena um filho à vida inteira de penitência porque ele quebrou o vaso de porcelana chinesa jogando bola dentro de casa?

Se esse pensamento não é o suficiente para entender o que são essas amenidades humanos diante de um ser que, acredita-se, ser superior e criador do universo, obedeçamos a escala do vídeo. Logo, deixamos de ser um filho de um pai muito superior e passamos a ser uma poeirinha que passa quase perto do nariz dele, talvez nem isso.

E agora, o que representamos no universo? O que nossa ressaca tem a ver com isso? O que aquele pão com nutella que caiu virado para baixo significa para o universo? Nada, a não ser para nós em nossa insignificância pretensiosa e mimada.

Quando mudamos de escala de pensamento, vamos aprendendo a ter humildade diante do universo. Isso é um processo lento e doloroso, mas gratificante.

Espaço-tempo e a entropia na mente

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Tradicionalmente, somos levados a acreditar que toda superfície que olhamos é plana: uma tábua de madeira, uma parede de concreto bem feita, uma bola de sinuca, enfim, todos esses objetos que se nos apresentam em grande escala diariamente e nos dão a impressão de serem perfeitamente lisos.

Contudo, hoje já é mais propriedade do senso comum entender que em uma escala menor esses elementos possuem ranhuras, texturas que não são tão lisas assim. O que não é tão conhecido assim é que esses mesmos objetos podem apresentar lacunas em suas estruturas, lugares e caminhos em que não haja matéria.

Se partirmos para uma escala mais ampla, teremos que analisar o tempo e o espaço. Comecemos pelo último.

O espaço cósmico nos parece um infinito de…ahm, bem… um infinito de espaço, com estrelas, planetas, gases e outras coisas por vez ou outra. O que acontece é que um sem número de correntes eletromagnéticas, de energias que o olhos pode não enxergar, está naquela imensidão, espalhado de forma não linear, ou seja, porcamente falando, essas energias estão desorganizadas no infinito cósmico, isso significa que o espaço é como uma parede de concreto cheia de ranhuras e lapsos em sua estrutura.

Porém, é no tempo que existe a parte interessante. O tempo, segundo a Teoria Geral da Relatividade, pode ser comprimido ou expandido conforme o campo gravitacional, ou força eletromagnética, ao qual é submetido. Por exemplo, o tempo aqui na superfície da Terra corre mais lentamente (claro que muito pouco) que o tempo medido pelos satélites de GPS que gravitam o planeta, isso ocorre porque as forças gravitacionais a que estão submetidos são diferentes.

É difícil conceber a ideia de viajar ao passado, Stephen Hawking fala muito nisso, devido aos paradoxos possivelmente criados, como aquela história do filme De Volta para O Futuro, que os personagens não podiam deixar seus “eus” do passado encontrarem esses “eus” que voltavam no tempo. No entanto, viagens ao futuro, até seriam possíveis, se… se muitas coisas ainda acontecessem.

Há a teoria do Buraco de Minhoca (Wormhole), em que portais de energia (mas muita energia mesmo) seriam criados, curvando a dimensão espaço-tempo e transportando objetos, pessoas ou naves para lugares extremamente distantes no infinito desse espaço num piscar de olhos.

Agora, se isso tudo é assim, tão impreciso, não seria, do mesmo jeito, nossa mente? Você realmente acredita que sua mente é uma superfície plana, de pensamentos organizados e tangíveis? Acredita que não existe nenhuma fissura nesse emaranhado de ideias? Aliás, acredita que não existem lapsos, lugares tão vazios na mente que poderiam abrigar pensamentos intrusos ao que qualquer um chamaria de “Eu”?

Pensar é um processo complicado, exige energia, eletricidade, sinapses, movimento, e se isso tudo acontece, há um certo distúrbio na “gravidade” interna, entre os átomos envolvidos nisso, o que geraria curvas no espaço-tempo da nossa cabeça. Veja bem, isso são apenas elucubrações que me esforço pra transmitir, e sei que de maneira falha, mas se isso tudo ocorre dessa maneira, o ser humano nasce já propenso ao erro.

Isso ocorre porque com tantos distúrbios no espaço-tempo da mente de uma pessoa, o processo de entropia mental (uma espécie de desordem) tenderia ao infinito muito rapidamente (uma vida é rápida).

Sendo assim, meu querido e paciencioso leitor que me leu até o final deste post nojentinho, relaxa, o erro é culpa da física. E a física… bem, a física é culpa de deus, não é?

Crescimento humano X Crescimento bacteriano

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Se você ainda não compreendeu bem o que acontece com o mundo, fique atento.

O quadro abaixo foi retirado do http://www.un.org/esa/population/publications/sixbillion/sixbilpart1.pdf

TABLE 1. WORLD POPULATION, YEAR 0 TO NEAR STABILIZATION
Year Population
(in billions)
0 0.30
1000 0.31
1250 0.40
1500 0.50
1750 0.79
1800 0.98
1850 1.26
1900 1.65
1910 1.75
1920 1.86
1930 2.07
1940 2.30
1950 2.52
1960 3.02
1970 3.70
1980 4.44
1990 5.27
1999 5.98
2000 6.06
2010 6.79
2020 7.50
2030 8.11
2040 8.58
2050 8.91
2100 9.46
2150 9.75
Near stabilization (after 2200) Just above 10 billion

Source: United Nations Population Division.

Se você não teve paciência para prestar atenção, eu resumo: quando começamos a contar os anos (“depois de Cristo”), éramos em 0,3 bilhões de pessoas sobre a terra, hoje somos 6,79 bilhões, o que nos dá um crescimento de mais de 2000%, não?

O interessante disso tudo é analisar como somos uns monstrinhos, ou, tendo uma visão mais fofa, uns animaizinhos inconscientes, prontos pra lutar cegamente e explorar tudo que temos ao alcance: cheirar e copular com as fêmeas, parir, comer, conquistar, matar, copular, morrer e deixar a prole continuar o mesmo esquema.

Tão legal é ver que o mesmo comportamento, claro que estou fazendo analogias e não sendo literal, têm as bactérias. O crescimento microbiano segue a mesma curva padrão (exponencial) que nós seguimos, e sabe como é? Não? Vou explicar bem rapidinho:

Primeiro, temos a chamada Fase Lag, quando há bastantes nutrientes, poucos microrganismos, e um crescimento relativamente baixo. Depois, temos a fase exponencial, quando há alimento, muitas bactéria, e a reprodução começa a ficar grande e rápida. Em pouco tempo, pouco mesmo, entra-se na Fase Estacionária, quando as bactérias se estabilizam, pois o alimento já fica escasso, o espaço também, e depois de certo tempo, com a falta de tudo que é necessário à sobrevivência, as coitadinhas vão morrendo, também rapidamente, na chamada Fase de Declínio.

http://www.profcupido.hpg.ig.com.br/bioqbacterias-3.gif

Pois bem, o que acontece é que crescemos assustadoramente nos últimos 2000 anos, muito mais, mas muito mesmo, do que crescemos nos 2000 mil anos anteriores ao D.C. no calendário cristão.

A curva do crescimento populacional mundial segue a mesmíssima forma, e ainda estamos na fase exponencial. Não sei de como será (se existir) a fase estacionária, ou, pior, a fase de declínio, e nem quero descobrir.

Vamos crescendo, nos reproduzindo, poluindo tudo, nossas casas, nossas ruas, nosso mundo, nossas mentes, nossos ouvidos, et Cetera.

Até quando pode durar isso?

Existem quase tantas ironias nisso tudo quanto pessoas vivendo na superfície terrestre. Uma dessas ironias é que temos a mania de nos pensarmos especiais, abençoados por deus, livres de todo mal e detentores de toda sua graça e sabedoria. Ledo engano, pequeno gafanhoto, você não é especial, eu não sou especial e arrisco a dizer que ninguém é especial. Forçando, diria que Gandhi foi especial, Jesus, Crowley, Sidharta, Hesse, Nietzsche, sei lá mais quem, podem ter sido especiais, ou não, pois que o mundo ainda é o mesmo, se não até pior.

Descubra-se fora dessa cultura bacteriana, depois diga que é especial e que tem sabedoria.

Enquanto isso não acontece, dê uma olhadinha nos gráficos das curvas e fique meditando sobre o assunto.

http://www.globalchange.umich.edu/globalchange2/current/lectures/human_pop/human_pop.html

A Matéria Escura e a Mente

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Pronto pra mais uma viagem, peque gafanhoto? Então vamos lá.

Matéria escura é uma espécie de matéria que não emite luz, portanto, não pode ser observada pelos nossos olhos. Não sabemos a forma, mas podemos mensurar, mais ou menos, o tamanho de um “aglomerado” (?) de matéria escura através de cálculos super divertidos em que dados são retirados de observações da interação dessa matéria escura com a matéria “normal” ao seu redor, uma vez que influências são exercidas por aquela sobre esta, em seu campo gravitacional e energético.

Mas o que é a matéria escura? Não se sabe ao certo, uma vez que não pode ser observada, não se pode determinar com precisão do que é formada, apenas teorias vão sendo formuladas e as mais plausíveis vão sendo levadas adiante.

Tá, mas o que que tem a ver essa tal da matéria escura, Christian?

Bom, astrônomos dizem que a matéria escura forma cerca de 83% (sim, oitenta e três) do universo, isso, por si só, já é interessantíssimo, imagine, algo que não sabemos o que é formar quase a totalidade do universo.

Contudo, não é nos mistérios do universo que quero mergulhar; quero, na verdade, trazer isso para dentro, para o ser humano, para os mistérios da mente.

Muitas e muitas vezes nos pegamos dizendo e fazendo coisas estranhas a nós mesmos, pensando sem controle nenhum, e isso só aumenta à medida que o tempo passa e as devidas atitudes não são tomadas. Perder a atenção sobre o que se passa nas nossas mentes tem sido o mal da humanidade, quanto mais velhos mais desatentos aos processos internos vamos ficando, sejam eles mentais, sejam emocionais ou sejam sentimentais (a desatenção ao âmago é diretamente proporcional ao tempo de vida, não resisti à proposição).

Nossa vida interna é formada por coisas incríveis e desconhecidas, uma superfície muito sutil nos é possível conhecer naturalmente, e eu diria que é algo semelhante aos 17% de matéria visível (ou não-escura) do universo.

Pense na sua mente como um universo particular, cheio de planetas, estrelas, nebulosas, meteoros, etc. Cada coisa dessas representa um pensamento, uma emoção, e você pode fazer a atribuição que quiser a cada um deles, o fato é que muito ainda está lá sem ser conhecido, regiões ermas, distantes, que apenas um mergulho destemido e sem medo de perder o caminho de volta pode acabar iluminando.

Essas áreas tão recônditas são o inconsciente, ou o Self, algo muito interno, profundo e de difícil alcance até pro mais hábil psicanalista ou pro mais destemido e esforçado espiritualista, meditando com afinco.

E eu ainda espero uma conciliação das várias ciências (física, química, psicologia, etc.) com o mundo do espírito do homem, da alma, ou a mente, ou como resolver chamá-lo.

Fractais e o mundo

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Talvez muitos de vocês ainda não tenham ouvido falar nos Fractais, ou então já ouviram e não procuraram entender melhor o que é essa coisinha linda descoberta na matemática moderna. Não é de se admirar que não tiveram interesse em saber mais sobre isso, afinal, matemática, gráficos e termos como “tender ao infinito”, de fato, não são muito atraentes aos olhos de todos.

Pois vamos adiante, de uma forma bem simples.

Fractal quer dizer “fração”, e esse termo foi cunhado pelo matemático francês Benoit Mandelbrot (e tem fractais apelidados com o nome dele, obviamente). Mas por que fração?

Vocês devem lembrar-se do colégio, quando a ‘tia’ pedia pra fazer o gráfico de uma função de primeiro grau, que dava uma reta, ou do segundo grau, que dava uma parábola, depois, quem vai pra área das exatas na faculdade, acaba vendo toda sorte de gráficos bizarros. Pois bem, fractal nada mais é (sendo bem simplório) do que uma função que tem o seu gráfico repetido ad nauseam, como se fosse um déjà vu impossível de escapar (“hey, já vi isso antes”).

O importante aqui é relacionar essa geometria atípica (só digo isso porque ela não é euclidiana) com o mundo ao nosso redor. Forçando a barra, eu sei, as coisas não se apresentam assim aos nossos olhos, repetidas, semelhantes, retornáveis, no entanto, mesmo no mundo físico, pode-se observar inúmeras vezes esses fractais, pra mim, o próprio universo deve ser um fractal gigantesco, como se o deus brincalhão nos olhasse de um caleidoscópio e dissesse “bah, tá repetindo tudo” (porque deus é gaúcho né).

O grandessíssimo filósofo loucão Friedierich Nietzsche falou do eterno retorno em seus livros ele não tinha nem idéia da teoria dos fractais, quando Buda falou aos seus discípulos, não conhecia Mandelbrot, contudo, todos eles se juntam numa espécie, ironia ou não, de repetição inevitável.

Nossos pensamentos são repetitivos, nossas ações tendem à repetição, e se existe uma vida após a morte, não tenderia ela também a essa repetição agonizante? Como Prometeu, que tinha seu fígado comido todos os dias como castigo de Zeus.

Se fosse possível modelar uma função matemática da nossa vida, através desses métodos iterativos que só softwares bem poderosos podem nos fornecer – num aspecto geral, considerando pensamentos, ações, emoções, sensações, e todo o conjunto humano – que forma será que teria esse fractal? Será que Nietzsche usaria isso para afirmar sua filosofia?

Bom, se Nietzsche não pode defender isso, eu digo aqui, como um bom e afobado emissor de pitacos: fractais são a modelagem matemática não só dos gráficos infinitos pra nós mas também da alma do homem.

E como dizem que o Einstein disse, “deus não joga dados com o universo”, eu diria mais: não joga dados, mas faz cálculo, e manja muito.

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