Mas vês, ainda assim possuís a mim;
E me tens, sempre sem saber.
E calo no que deveria dizer,
E pronuncio o calar sem fim.

Falo em teorias, em poesias,
Em textos, em palavras parcas…
Farto das próprias marcas,
Distraio, a ti e a mim, em fantasias.

Prolixo, silencio no importante.
Firme, falo, em fria fonética,
Da alma, mente, moral e ética,
Para trazer-te a mim num instante.

E, ainda assim, em olhos me tens,
E em pele, ouvido, cheiro e boca,
Quando, numa voz baixa e rouca,
Sussurro: tu assim me tens.

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