Hoje sou dono de um corpo cansado

De músculos doloridos

De ossos comprimidos

E um cérebro manchado

Sou dono de uma insone impenetrabilidade

De uma fatigante impossibilidade de descansar

Sou o mestre de minhas coisas, mas hoje me parecem alheias

Vão conforme o vento, e fogem de mim como o tempo

Sou dono de visões infundadas, de passados inventados

Sou a versão mais nova da minha maldade

Sou a versão mais nova da minha crueldade

Sou o velho monstro que saiu do abismo

E abro minhas asas escuras como quem quer dominar o mundo

Hoje sou dono de minhas visitas impossíveis

E elas me parecem alucinação

Hoje sou dono de um corpo cansado

E tenho todos os pontos finais na minha língua

Mas nas os uso, nenhum, em momento algum

Ponto

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