Enterra de mim o que ainda há de vivo,

Enquanto enterro a mim em teu coração

E me lambuzo dessa oca comoção,

Qual pranto me seria tão incisivo.

Afogo-me em teu distante passado

E me debato afundando nas ondas

De águas tão frias e tão insossas

Como um lembrete pardo e borrado.

Como a falta de senso que dominava

Nossos compassos desbaratinados

Em tempos e discussões sem lados

Donde um beijo ou riso nos salvava.

Tecer uma linha da tua alma delicada

Enquanto sopro um coração quente

É queimar o que existe de latente

Em uma caixa de madeira, trancada.

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