entropeople
1Contrario a física:
Não tenho equilíbrio térmico,
Vou gelando, e gelando, e gelando…
Copio a física:
Aumento minha entropia,
Expando com o universo,
Desenvolvo minha inaptidão da vida
E vou parando para o retrocesso.
Em um tempo imaginário,
Poderia ser diferente,
Há uma possibilidade,
É a confusão a mim inerente.
Aos meus curvos pensamentos,
Permiti uma nova vida,
Agora carrego duas malas;
Ambas, porém, são de partida.
estribos
0Crepitava, subiam as fagulhas…
E eu ia queimando tudo.
Num delírio, distorcia minhas vidas;
Ali, diante do fogo, atirava-me a ele toda vez que renascia.
Era naquela falta de impossibilidade, vendo-me tão capaz,
Que desejava a senilidade… por medo.
Atirava-me ao impossível;
Olhava para o abismo…
tirando os pregos
0Escarro nessa bandeira pálida da moral.
Cuspo no bem e no mal – já não se sabe o que é valor.
Se a virtude é ser decrépito, caminhar de costas em direção à própria cova, prefiro não ser virtuoso.
Se valoroso é aquele que esquece do corpo e da realidade tangível para se refugiar numa fé em além-mundos, quero estar longe desse valor.
Não há função na flagelação, senão conhecer os próprios limites. É a arte de conhecer o prazer e a dor, isso nos provê conhecimento de si. Agora, como poderia eu crer em um deus que bonifica aquele que maltrata o próprio templo?
A divindade está na realidade, nas matizes mais diversas, no rato e na borboleta. Orar é agradecer a si mesmo também.
Causa-me náuseas esse culto à senilidade, às olheiras do ascetismo, às túnicas negras e cheirando a velhice dos sacerdotes. Recuso e refuto essas sandices.
A razoabilidade está no mundo real, ali está tudo que é divino e sacro. O nosso deus é um deus de liberdade e força, de poder e de evolução. O nosso deus grita: basta com a negação da criação; saí sob as estrelas e brincai, minhas crianças!
ritmo
0Eu terminei a fala e tu já nem sabias, esperavas por mais, ansiavas por mais… e já nem mais te queria.
Ah, ternura, tu te defasaste, desgastaste teus olhares e tuas luzes.
Bem que eu poderia tornar a paixão, mas não há vontade.
Ah, doçura, vamos apenas brincar agora. Certo?
Não esperes mais minhas falas, e quando as escutares, saibas que não são sobre ti, nem sobre esta e nem aquela, são além e vão ao nada.
E quando vieres, traga tua indecência… e mertiolate.
bico seco
0Depois que tomei um chá com Platão, fiquei meio assim, longe
Então tomei um café com Machado de Assis, e a realidade ficou tão crua
Lembrei da cerveja com Nietzsche, quando superava minha finitude humana
Jung me disse, certa feita, para eu acompanhar seu pensamento
Mas Crowley disse para eu acompanhar o meu
Sidharta, ele me mostrou um silêncio que acompanhava tudo isso
Na distância e na realidade, minha limitação indiferente, calou-se
Hoje só tomo água, porque ela me lembra nada.