regaço

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Quando solto um laço
Sem querer ver-me separado,
Amarguras canto, como bardo,
É assim que vivo, que faço.

Desapega, dizem-me, aconselhando,
Mas como me dói partir
Sabendo que, no porvir,
Estarei sozinho caminhando.

E me anuviam os pensamentos;
Busco moralidade, ética ou retidão,
Mas como posso seguir, senão
Com os de mim, os meus companheiros.

E me tranca o ar, sufoco,
Ao pensar no tempo e espaço,
Longe do amor, do regaço,
Perco-me em mim, perco o foco.

Pain of Salvation – Pilgrim

1

Pilgrim
Pain of Salvation
Composição: Indisponível

‘In fire, we can see our past and our coming. For, as with us and our time,
these flames are solely born through the complete and utterly consumption
of its surroundings. By which, the fire itself is also condemned to be
destroyed. Demanding, beautiful and very lethal, it lives itself to death…’

The higher I am reaching – the closer to the sun
The more I learn the less I know for sure
For each machine I’m leaving I find a bigger one
For each step I turn wiser than before
But it’s burning me…
Pilgrim, where are you going?
Pilgrim, your roads turning bleak
Pilgrim, true to your knowing
But what will you pay for the Grail that you seek?

Though these roads seem endless
And life seems out of reach
The roads I left were better off unwalked
If I had just been stronger
If I had dared to see
Maybe I would not have had to go this far
But still I won’t give in…

Pilgrim, where are you going?
Pilgrim, your roads turning bleak
Pilgrim, This quest is your calling
…the curtains are falling…
Pilgrim, where are you going?
And who sets the price on the answers you seek?

entropeople

1

Contrario a física:
Não tenho equilíbrio térmico,
Vou gelando, e gelando, e gelando…

Copio a física:
Aumento minha entropia,
Expando com o universo,
Desenvolvo minha inaptidão da vida
E vou parando para o retrocesso.

Em um tempo imaginário,
Poderia ser diferente,
Há uma possibilidade,
É a confusão a mim inerente.

Aos meus curvos pensamentos,
Permiti uma nova vida,
Agora carrego duas malas;
Ambas, porém, são de partida.

estribos

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Crepitava, subiam as fagulhas…
E eu ia queimando tudo.

Num delírio, distorcia minhas vidas;
Ali, diante do fogo, atirava-me a ele toda vez que renascia.

Era naquela falta de impossibilidade, vendo-me tão capaz,
Que desejava a senilidade… por medo.

Atirava-me ao impossível;
Olhava para o abismo…

E eu, tão apto, tão ágil, tão venenoso,
Queria recusar as possibilidades
E ter o caminho estreitado.

tirando os pregos

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Escarro nessa bandeira pálida da moral.
Cuspo no bem e no mal – já não se sabe o que é valor.
Se a virtude é ser decrépito, caminhar de costas em direção à própria cova, prefiro não ser virtuoso.
Se valoroso é aquele que esquece do corpo e da realidade tangível para se refugiar numa fé em além-mundos, quero estar longe desse valor.
Não há função na flagelação, senão conhecer os próprios limites. É a arte de conhecer o prazer e a dor, isso nos provê conhecimento de si. Agora, como poderia eu crer em um deus que bonifica aquele que maltrata o próprio templo?
A divindade está na realidade, nas matizes mais diversas, no rato e na borboleta. Orar é agradecer a si mesmo também.
Causa-me náuseas esse culto à senilidade, às olheiras do ascetismo, às túnicas negras e cheirando a velhice dos sacerdotes. Recuso e refuto essas sandices.
A razoabilidade está no mundo real, ali está tudo que é divino e sacro. O nosso deus é um deus de liberdade e força, de poder e de evolução. O nosso deus grita: basta com a negação da criação; saí sob as estrelas e brincai, minhas crianças!

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