hmpf
04/10/07
Eu queria estar lá pra parar a tua lágrima, mas, mais ainda, minha presença era por mim desejada para ter certeza dessa lágrima. Caíra ela?
Queria estar lá escutando teus suspiros doridos, quando, então, dormirias exausta de lamentação. Será que foi assim?
Aquela lágrima morna, salgada, teu bafo gemendo e remoendo uma dor incurável. Nada disso, nada do que imagino… não posso ter certeza. Como confiar?
Minha predileção pelo transcendental, pelo espiritual, pelo metafísico me raptam, às vezes… noutras, estou contigo, em ti.
Cada subjetividade é uma tortura. Mas quando fomos objetivos? Já nem sei.
Que besteira, essa de se preocupar.
Já perdi tantas chances, já perdeste outras tantas. Foram tantas idas e vindas, tantos fatos e atos, ou omissões desconcertantes. Silêncios, lágrimas, memórias, planos…
Aonde foi que paramos?
24/09/07

Pensei em escrever um texto bonitinho, ajeitadinho, que nem filhinho de vovó, com as bochecha bem gorduchas. Porém, percebi que não combinava.
Então, será que um texto raivoso, iracundo, cheio de indignação e palavrões não seria melhor? Também não, palavras ainda estão faltando.
Resumamos, ora, pois: tô apavorado com o mundo.
Leia o jornal, assista ao noticiário, enfim, escolha o meio de comunicação, ou, melhor, vá ao centro da cidade e fique assistindo, ou na frente de onde mora… escolha o seu método. Anote quantas barbáries verá, quantas idiotices, quantas hipocrisias e tiranias.
Entretanto, os jornais são mais divertidos: capitalismo desenfreado, mortes, acidentes, tragédias, caos. Intervalo: COMPRE!
Repito:
- Tô apavorado com o mundo.
.i
23/09/07
Deixava-te livre
Tu, pois, não retornava
Fazia-te jogos
Tu, pois, nem os percebia
Era vazio e vencido
Por um leve cansaço
Tratava-te rainha, ou então, ignorava
Tu nem idéia fazias, muito menos ideavas
Era teu primeiro, do início ao fim
Da luxúria à castidade
Da versátil vulgaridade
À ignóbil indiferença fingida
Era teu, de corpo e alma
Corpo e alma…
estrelas
22/09/07
Vivemos como se dançássemos… o bom e velho rock’n’roll. Comemoramos nossa própria indignação, avivamos a chama de qualquer sentimento, elogiamos o inimigo, pois, assim, maior é a nossa vitória.
Saímos sob as estrelas, bebemos em nome da própria vida, comemoramos a nós mesmo, e tudo o mais que estivermos com vontade. Nascemos pra fazer filosofia, de bar, de vida, pobre, fingida, ébria e esquecida…esquecida.
Fumamos, a fumaça nos faz recordar a etérea esperança de retornar ao etéreo. Voamos em pensamento, nos comprazemos diante de qualquer brilho de beleza, de força, seja sob a forma que quiser se manifestar.
Dançamos parados, nossos pensamentos são tão rápidos e altivos quanto uma águia… são águias. Mas eles que são, nós mesmo ainda não, por isso eles podem ter um horizonte muito mais amplo pra vislumbrar, mas nós teremos um dia, todos eles, toda singular vastidão de cada um, são profundos e leves.
Somos de nós, somos para nós, só depois nos damos, nos engrandecemos. Somos viajantes, renovadores, novos, mutáveis e voláteis; somos a águia e a serpente, o fogo e a água, de tudo que há, escolhemos o nosso, e aquele é o nosso pão, nada mais… nada mais.
E já é muito.
