i’m the one who wants
16/06/07
Constantemente apaixonado por si mesmo
às vezes mais, às vezes além
apaixonado, então, por quem?
"trapped inside my embryonic cell"
15/06/07
Fruto do descaso
De mim comigo mesmo,
Dum correr sempre à esmo,
Em constante atraso.
Cineticamente instável,
Transformei a velocidade
Em infeliz saudade
Do cárcere inviolável.
Assim, prendi-me de novo,
Nem queria pedir ajuda,
Minha vida estava muda:
- O paupérrimo estorvo.
Ao abismo indecifrável
14/06/07
Acima do prédio, ele estava no parapeito do terraço. Olhava para baixo, apenas algumas luzes na avenida movimentada ele conseguia observar, pois, além da enorme altura em que estava, o vento gelado fazia seus olhos lacrimejarem, atrapalhando a visão.
Como disse, ventava, muito, gelado. Seus cabelos voavam desordenadamente, e até em sua barba sentia o vento. Absorto em um mundo impensável, ele percebeu novamente seu corpo por um frio na espinha. Ao acordar de seus devaneios, tirou a camiseta e a soltou de lá mesmo, para o chão.
Assistiu a queda daquele pedaço de tecido, não muito barato. Ia caindo sem direção certa, às vezes flutuava um pouco, mas normalmente ia sendo tragado pelas rajadas. Lembrou-se de sua vida, sempre fora carregado como aquela camiseta, inerte e impotente, seguia a corrente, descaracterizado de si mesmo, vivera às custas das decisões alheias. Fantoche, robô, respondia a estímulos externos sem reagir por si, cada escolha fora feita por influência de seus pais.
Impotente!! Gritava para si mesmo.
Impotente!! Gritava para o mundo, sabendo que ninguém lhe escutaria.
Em um acesso de fúria, voltou ao centro do terraço, correndo, tremendo, não pelo frio que sentia, mas pelo sentimento inominável. Era indecifrável para si mesmo, um mundo de infinitas possibilidades, e ele temia sua própria infinitude. Pegou um tijolo que estava lá, provavelmente pela construção ainda incompleta de um jardinzinho, e o jogou na torre de antenas. O bloco bateu nas grades de ferro e se despedaçou, estilhaços se espalharam pelo ar.
“Minha consciência é o conjunto desses estilhaços: se todos juntos, sou impassível e letárgico; entretanto, quando provocados por uma ação, separa-se em milhares de pensamentos, consciências difusas dentro de mim mesmo, perco o foco, fico inócuo, inconcusso. O inferno se estabelece em mim, perco-me. Paranóia!!”
Juntou um pedaço grande do tijolo. Rabiscou no chão uma frase:
“Ao mundo indecifrável, devoro o fogo que me consome, conquisto minha independência”
Pensava que aquela era a primeira e última vez que tomava uma decisão por si só.
Largou o bloco. Levantou-se, algumas lágrimas, estufou o peito como um guerreiro que enfrentará sozinho uma tropa. Correu até o parapeito e, no ato mais covarde, como ainda teve tempo de reconhecê-lo como tal, saltou contra a vida.
Segundos, milésimos de segundos, antes de perder a consciência, percebeu a infantilidade de sua atitude. Questionara-se: se foi capaz de tal ação, do que mais não seria capaz? A maior das covardias alicerçada numa intransponível coragem.
Caiu, já inconsciente, sobre o meio fio da calçada.
Finado Mr. Money.
Honey, …
13/06/07
Estranho e cinza o dia nasceu;
Bom, como eu disse que seria.
Nem tanta alegria caberia,
- Precisaria dum sonho teu.
Para o brilho teu,
Não há referência possível:
Olhos de luz incrível.
- Preciso dum sonho teu.
Doçura, mel sobre-sentido,
Sabes, não se pode dizer;
O que posso, então, fazer:
Deixar algo subentendido.
