"there’s nowhere to set my aim, so I aim everywhere"
0então, de olhos abertos ficava difícil
eram muitos alvos, nenhum muito claro, mas estavam todos ali
os olhos nem piscavam, buscavam em qual deles atirar
mas, por fim, não escolhia nenhum
era difícil
preferível, portanto, fechar os olhos
de olhos fechados, o tiro é disparado para algum lugar…
incerto.
dança
2Alguém que se desprenda, eis o que precisamos. Um salvador, um Zaratustra.
Há demasiada carência em nossas almas, procuramos por sustentações, usamos os outros de bengalas; portanto, é necessário que nasça o nosso pilar maior.
Falo de outro profeta, alguém que entenda o povo e o leve à consciência. Não falo em pastores, mestres, padres… não falo em igreja universal da puta que pariu, do quadrado da sétima constelação do santo do último dia no apocalipse… nada disso. Precisamos dum centro de pensamentos, ele será o salvador, não uma pessoa, não uma instituição, uma corrente, uma filosofia, um novo jeito de pensar e agir. Não terá olhos nem boca, mas deve ver e falar. Será estrelas, vales, mares, matas, muitas coisas que queremos conceber.
E tudo isso, numa fagulha de inovação, far-nos-á despertar para a Dança Cósmica que nos convida a Natureza há milhões de anos.
Não, o santíssimo não nasceu, ele está há mais tempo do que é permitido nascer. Mas não parou desde então a sua dança. Apoiemo-nos nesse par e dancemos, pois esta é a nossa fortaleza, firme.
Zaratustra disse à mente sagaz de Nietzsche que só poderia crer em um Deus que soubesse dançar. Pois aí está, para todos, a dança, a música e o dançarino. Chega de guerra com os galhos que vão quebrar no outono e no inverno.
Dancemos sobre as folhas.
nauticus II
1Há imensidão…
E um mar azul… Sim, azul
Não havia um único sinal Dela, mas deveria existir.
Onde estaria? Onde procurar?
Fui pelo mar, pela floresta…
Encontrei-me, então, num deserto tão vasto quando o Nada.
Alguns ventos me disseram que eu estava perdido:
- Grande novidade!
Eu procurava pelo pedacinho dourado, e o verde e o azul, e o Branco Ilimitado.
E a cada hora passavam-se anos, e meus passos, não mais lentos, não mais cansados, porém mais tensos, mais confusos, conduziam-me por terras já vistas.
Mas, ah, elas estavam diferentes, como a história de que o rio que se mergulha hoje não tem as mesmas águas de ontem.
E eu assistia ao terrível espetáculo do Fluir, do ir e só ir… Tudo em movimento.
E eu queria estática.
Mas eis que ao retornar ao mar, aquele insustentável mar azul, vi-me sem mim, em um barquinho.
E dela caíam-me lágrimas douradas, por vezes madre-pérola, e era como se o gozo da vida fosse o fim.
Desejava morrer ali, mas não, a morte não era para mim.
A morte não é para mim.
Navega.
re(lembra)
1Traz-me de volta aquelas horas suaves,
A leveza do toque da tua pele,
Que ao mais alto paraíso me impele,
Devolve-me teus beijos amáveis.
Tão simples de querer e amar,
É-me insustentável tua ausência;
Vêm, e traz contigo minha essência
Esquecida no teu abraço de âmbar.
Evoco lembranças com teu retrato,
Colho azedume de um desespero silencioso;
Canso, penso, em ranço – sofrimento ardoroso -,
Sentado, sozinho, desencontrado.
closing
0Aqui está mais escuro, mais gelado,
Mas é tão confortável,
É sinistro, soturno, mas tão poderoso
O lugar,
Eu,
Enfim…
Que naquele caos que havia,
Aconteceu outra explosão
E eu me vi tão despedaçado que não consegui mais me remontar.
Uma parte está aqui.
Aos redores eu vejo a ausência de tudo
E mais além a presença de nada,
Mas talvez possam reaver minhas idéias, minhas memórias.
Talvez possa reconquistar meus amores, reviver minhas alegrias;
Se houver um caminho por ali eu gostaria de ver os meus.