Memórias sem luz
10/07/10

Ele havia encostado o revólver sob seu queixo. Ele pensou em como era engraçada a sensação do aço gelado encostando sua pele, era como se experimentasse o tato através de outra pessoa, não sentia, de verdade, que era ele quem segurava o peso daquela arma, escura, carregada de pólvora e chumbo e de medo e angústia.
Não tremia, um segundo do frio na sua pele parecia representar anos e anos de vida marcada pela falta de presença de si em si, sempre como se assistisse um teatro, em fato, a vida acabava lhe parecendo uma enorme galeria de personagens, e ele era livre para pegar e largar o papel que quisesse a hora que bem entendesse, era assim que se relacionava com os outros, com o mundo, mas não consigo.
Assistindo de olhos fechados
07/07/10

Em que momento foi que perdemos a nossa habilidade de sentir e estar presente aos momentos? Quando foi que esquecemos de presenciar a própria vida como parte dela? Quando deixamos de lado a atenção a todas as sensações causadas pelos cheiros, sons e luzes que nos tocam o tempo todo?
Ontem à noite, antes de dormir, liguei a TV na MTV e estava passando um clipe muito velho, isto é, do meu tempo de criança: Kid Abelha, na rua na chuva na fazenda. Tudo bem, nunca gostei tanto dessa música quanto eu gosto da Paula Toller, no entanto, ela me lembra minha casa em Cruz Alta, aquela onde cresci com meus irmãos.
Concursos (máfia?)
06/07/10

Todo mundo tem um (ou vários) amigos, ou pelo menos um amigo de um amigo, que está estudando para concursos. Parece que virou uma nova modalidade de carreira, a febre do momento. Antes era estudar, se formar e ir pro mercado de trabalho, ou então teimar com o mercado financeiro, ou o caixa eletrônico dos pais, e seguir para o doutorado/mestrado, optando por ter um retorno financeiro mais demorado, para embarcar na vida acadêmica. Agora temos a nova opção: concursos.
Geralmente, os concurseiros são bacharéis em direito, e, muitas vezes, ainda não conseguiram passar no tenebroso Exame da Ordem dos Advogados do Brasil, ordem na qual, talvez, possamos incluir posteriormente nesse post como uma correlata das organizações descritas.
Fim da copa, fim do patriotismo
03/07/10

E agora, José?
O que acontece depois que a seleção brasileira é eliminada da copa do mundo pela seleção da Holanda? O que acontece com a rotina? O que acontece com as aulas adiadas, os trabalhos suspensos, os churrascos e cervejas programados para os ex-vindouros jogos? O que acontece com o “patriotismo”?
Sinto muito, meu caro leitor, mas se você é daqueles que grita “eu sou brasileiro, com muito orgulho, com muito amor” em época de copa do mundo mas esquece para quem votou nas últimas eleições, você deve, imediatamente, fechar este blog e ir catar coquinho lá em Pernambuco.
Do episódio da garagem
02/07/10

Na noite desta quarta-feira que passou, dia 30 de Junho, um episódio ineditamente engraçado aconteceu nessa minha humilde vidinha, tão inescrupuloso que eu resolvi compartilhar com vocês, meus queridíssimos leitores pacienciosos.
