Esses dias atuais…
4E segue a disputa pelo maior número de mortes pela gripe do porquinho nos estados brasileiros. Os paulistas tão liderando, muito a frente dos cariocas. Que bonito isso, uma disputa saudável e sem brigas entre os estados, muuuuuito melhor que futebol. Né?
Não sei, foram suspensas minha aulas, consequentemente, meu estágio, portanto, sem nada para fazer, sinto uma quase obrigação de vir aqui escrever bobagens. Né?
Então pessoas, leiam o meu blogue, cada vez mais e mais e mais e mais…
Por quê? Porque sim, oras, vocês não têm nada para fazer, precisam ficar em casa, longe de lugares com muitas pessoas, com um chazinho vick do lado e umas pastilhas de vitamina C.
Sendo assim: leeeeeeeia este blog.
E não vá, sob hipótese alguma, à Igreja Universal do Reino do Deus Deles. Não dê dinheiro para eles, dê para mim se quiser, eu prometo a salvação sob nome do deus que desejar. Além do mais, eu abençoo sua alma daqui de casa mesmo, e você fica aí, fechadinho, protegido, não precisa se misturar com um monte de gente tossindo e espirrando nuns bancos duros, num templo gelado escutando um homem gritar lá na frente “Jesus salva, irmão!! Sacrifique seu dinheiro em nome do senhor”. No fim da frase bem que podiam especificar o nome do senhor beneficiado (Edir Macedo?).
Acho que vou fundar uma igreja também. Alguém me ajuda?
Amém.
Atchim.
cansando
1Tá, e não se pode mais fumar em alguns lugares.
E não se deve exercitar-se ao ar livre nem permanecer em ambientes fechados.
Não se deve tomar muito café nem comer frituras.
E não podemos rir alto que é falta de educação.
Apelidar pode ser interpretado como racismo ou preconceito.
Se cansado, então é tristeza.
Se triste, então é depressão.
E não se pode mais ser gordo em paz.
Para tudo tem um remédio: rivotril, paroxetina, sibutramina, ritalina, etc.
Tem um que entra numa academia e mata quem está pela frente e depois se mata; tem outro que faz o mesmo numa escola, outro ainda no cinema.
Mais calvo e mais branco, tem outro que rouba e desvia milhões e milhões, e ainda tem cargo no senado nacional.
Ai que isso tudo me cansa.
Lei anti-fumo
2Sério, como assim proibir que se fume dentro de bares ou boates? O cheiro incomoda algumas pessoas, eu sei, mas tenho plena certeza que um bêbado chato incomoda várias vezes mais. Sério, proibir o cigarro em bares é eficaz para o Ministério da Saúde? Para mim não, eficaz seria proibir a fabricação dos cigarros, mas isso eu não quero.
Vi entrevistas nas ruas de São Paulo sobre a proibição do cigarro em bares e boates de São Paulo, as pessoas entrevistadas, sem exceção, ressaltaram unicamente o fato de que o cigarro tem um cheiro forte (fedido?) e isso incomoda. Nem uma rica alma lembrou-se de que o Ministério da Saúde busca uma diminuição nos gastos de tratamento de pessoas com problemas devido ao fumo passivo.
É óbvio que essa lei só será eficaz se forem fiscalizados os estabelecimentos, entretanto, devo dizer, temos um exemplo bem recente de lei que não deu certo. A tolerância zero do álcool ao volante existe ainda, mas aquele fervor do início já foi esquecido, a fiscalização foi deixada de lado quase totalmente, e as pessoas continuam dirigindo após beberem, estando ou não estando bêbadas. E isso não mata mais que fumar passivamente?
O mais ridículo foi um bar que apareceu na televisão onde foi pintada uma faixa amarela limitando onde se pode ou não fumar. Claro, uns trinta centímetros são o suficiente para impedir a fumaça do cigarro de chegar aos outros.
Pois então, se existem aqueles que estão incomodados com o cigarro nos bares e boates, eu levanto e digo que me sinto incomodade com os bêbados fiasquentos, com as pessoas grosseiras, com os músicos ruins, todas essas espécimes que se acham nas noites das cidades. Então, posso exigir que se proiba a bebida para que os bêbados não surjam nos incomodando, ou que seja proibida a entrada ou permanência de bêbados dentro dos estabelecimentos. Tenho ainda mais propriedade para pedir o veto das pessoas grosseiras nos bares e boates, aquelas que brigam, que empurram, que são intencionalmente mal-educadas e toda sorte desses descorteses que têm hábitos noturnos.
Um parágrafo especial para manifestar meu desejo de proibir que músicos ruins toquem nos bares ou boates. Se uns se incomodam com o cigarro, eu me incomodo muito com músicos e músicas ruins. Penso que a música toca tão facilmente as emoções das pessoas que essas ofensas aos ouvidos possam causar tanto mal quant o fumo passivo. Posso até fazer uma advertência: O Ministério da Saúde adverte, músico ruim causa ansiedade, estresse e raiva.
Vamos proibir, vamos segregar, quem fuma vem aqui, quem bebe vai ali, quem é grosseiro vai pro galinheiro e músico ruim vai pra câmara de gás.
i, ii e iii
4i
Ai de mim, que de tanta dor sentindo
Esqueci-me de ser o meu Ser em vida
Ausentei-me de mim, da alma omitida,
E perdi meu tempo – comigo desavindo.
ii
Com uma película cobrindo meus olhos
Eu tateio em vão pelos contornos que vejo
E me bato e debato num parco lampejo
Nessa noite, contra os enormes escolhos
iii
Na noite mais escura eu consigo me ver de perto
E só assim eu suporto minha imagem
Quando cessa a dor e sou apenas eu à margem
Do meu Ser oceânico, com sede do incerto
cena em cinza
4Pois bem, deixe que eu seja, por momentos, mais pessoal, mais humano do que eu gostaria de ser, mais inapto ao convívio do que deveria ser.
Acabo de voltar de um bar, se tomei um copo de cerveja foi muito, fumei alguns cigarros para curar a ansiedade de estar num lugar que não me sinto confortável, com muitas pessoas ao redor, com música mais alta do que eu gostaria, músicas ruins, aliás. Acendo cada cigarro para ficar em paz, por alguns breves minutos, meu único companheiro quando não posso estar com minhas letras ou meu violão.
Ri, com certeza ri muito, mas esses momentos parecem ser sobrepujados de maneira intratável por qualquer outro sentimento de retração, ira ou dor que possa vir. Acendo outro cigarro para tentar expelir junto com a fumaça essa dor, e então continuar rindo, sorrindo, ouvindo o que me falam, mesmo que tu me pareça bobagem, e tudo me parece bobagem desnecessária. Sinto-me deslocado.
Estou investigando algumas coisas sobre mim, digo, estou apenas procurando confirmação científica do que há (ou não há) em mim. Sou incapaz de sentir o que deveria, e se alguém quiser definições melhores sobre isso (não falarei nada por enquanto) procure no google por despersonalização.
Como posso, então, sair e não me sentir um estranho? Ao menos se eu bebesse, como vinha fazendo há anos, seria mais social e instintivo, então tudo estaria bem. Hoje não bebi, ontem não bebi, em nenhuma das últimas noites eu bebi. Assisti às pessoas e não soube me incluir muito bem no contexto. Estou ficando mais e mais deslocado.
Agora, ouço algo gritando em mim, um urro desesperado, irado, estridente e rasgado, quase um ruído terrível, e estou rachando. Não sei o que esperar, tentei abafar muitas vezes esse verme, mas acho que preciso abraçá-lo e colocá-lo de frente com meu resto. Sinto-me dividido.
Preciso por as ideias no lugar. Não sei o que disse, não irei reler o que disse. E se é de humanidade que há sede, pois aqui está um pote cheio de fraquezas e defeitos, e não vejo nada mais humano, e assim será, sem revisões, sem editar, o meu humano cru. Sinto-me nu.