Ainda sobre o fetiche por pés

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Engraçado, o texto que escrevi ano passado no Descompassado sobre fetiche por pés sempre me rendeu muita trollagem, xingamentos e, no entanto, por muito tempo foi meu texto mais lido.

Contudo, o último comentário que fizeram sobre ele realmente me fez pensar um pouco, e me sinto obrigado a dizer que já não sustento mais a mesma opinião pueril daquela forma que fiz no texto. Quer dizer, pés femininos continuam sendo irrelevantes pra mim, prefiro olhos, bocas, seios e pernas, mas é aquela história, cada um com seu cada qual, não acho mais o absurdo que achava gostar tanto de pés.

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Inocência e liberdade (ou lentilha de ano novo)

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Hoje tive vontade de comer lentilha. Tá, e daí?

Não, não foi um desejo por lentilha assim, simples e despretensioso, foi um desejo impregnado de um saudosismo quase infundado. Eu tive vontade de comer lentilha de ano novo, porque ela representa na minha vida, depois de tantas repetições, um momento estranho com a minha família, um momento em que todos acabam sendo mais “flor da pele”, tiram um pouquinho o coração do peito e mostram que ele tem lágrimas escondidas, acumuladas, que ele é de manteiga e que tudo pode ser tão maravilhosamente triste, ainda assim, num paradoxo fabuloso, belo e alegre.

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Alva

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Tinha os olhos miúdos, pequenos e belos, duas esferas negras contrastando, monocromaticamente, com aquela pele tão alva. As bochechas levemente rosadas revelavam, ao se moverem, um sorriso encantador, era ali que aqueles olhos se fechavam ainda mais, apenas uma leve luz escapava daquela gravitação que atraía.

A primeira vez que abriu a boca para lhe falar qualquer coisa, ele ouviu aquela voz suave, com um rouco, como se arrastasse uma garrafa de malbec por sobre a mesa, estendendo-lhe uma taça. Qualquer coisa, não lembrava o que ela havia lhe dito, ao certo, fora algo com muita timidez, demasiadamente sucinta, a garota dos olhos pequenos.

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A noite e a náusea

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Quando ele saiu da cama e começou a colocar a cueca ela já se sentia suja. Olhava para aquele corpo de cheiro forte que se levantara e agora vestia a calça, olhando para ela de maneira satisfeita, com um sorriso no canto da boca; aqueles olhos denotando uma malícia que ela achava hilariamente repugnante, como um cachorro mordendo seu osso, tudo tão ralo e superficial, só instinto e ignorância.

Ele sentou-se ao lado dela e, antes de se curvar para colocar as meias e os tênis, fez um carinho em seus cabelos. Ela retribuiu com um sorriso, uma atriz perfeita, escondia com maestria a ânsia de se ver sozinha, livre daquela presença masculina, fingiu querer que ele ficasse, mas cuidando para ser defensiva, de forma que ele não aceitasse a pequena oferta.

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Sutura a sanidade

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É preciso que eu me agarre a minha loucura

Diariamente, como uma única esperança

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