Partículas Elementares – Michel Houellebecq
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Aqui vai pequenos trechos do final do livro Partículas Elementares, de Michel Houellebecq, o qual acabei de ler há pouco. Farei (ou não) uma resenha mais tarde, porém, desde já indico o livro.
“Pode-se encarar as coisas da vida com humor durante anos, por vezes durante muitos anos; em alguns casos, praticamente até o fim; mas, definitivamente, a vida parte o coração. Apesar da coragem, do sangue-frio e do humor, sempre se acaba com o coração partido. Então, termina o riso. Ao final das contas, só há a solidão, o frio e o silêncio. Nada além da morte.” (Walcott)
“ ‘Ele tinha algo de terrivelmente triste’, declararia Walcott. ‘Acho que foi o ser mais triste que encontrei na vida e, ainda assim, a palavra tristeza parece-me fraca; decia dizer que existia nele algo destruído, inteiramente devastado. Sempre tive a impressão de que a vida para ele era um fardo, que não tinha mais nenhuma relação com a vida. Creio que suportou exatamente o necessário para terminar as suas investigações; ninguém de nós pode imaginar o esforço que realizou para isso.’ “
Pesquisa de Energia Escura no Brasil (DES-Brazil)
2Eu sou sempre um dos primeiros a sair criticando as coisas que acontecem nesse país.
Falo da falta de: saneamento, educação, cultura, etc.
Falo da sobra de: corrupçao, desigualdade, violência, et cetera.
Ah, mas que vejo uma coisa maravilhosa acontecendo no nosso país: http://www.des-brazil.org/
A física é uma das áreas mais bonitas da ciência, Dawkins (se não me engano) disse que a ciência pode trazer a nova poesia, que vai falar da beleza dos átomos, dos caimentos de hadrions, dos quanta, quarks e tudo mais. Concordo plenamente, se existe um deus, de fato, ele está nesses átomos, prótons, elétrons, ondas, estrelas e tudo que há de energia no universo.
Vale a pena dar uma conferida no site, até pra quem não entende nada de física, porque acho difícil que não haja curiosidade sobre algo que compõe a maior parte do universo.
A Fluoxetina matou a poesia
5A fluoxetina terminou com o que seria a nova geração de poetas. Hoje ninguém mais pode se sentir triste, porque a tristeza é errada, é medonha, é ruim. Se assim o fosse, de fato, teríamos que banir Byron, Florbela, Augusto dos Anjos, Álvares de Azevedo.
A tristeza, os tempos difíceis, as melancolias, são os responsáveis pela maior parte do crescimento espiritual de um ser, aqueles que nunca se sentiram frágeis e impotentes, que nunca se perceberam inaptos à felicidade dos homens, esses nunca terão qualquer tipo de coroa, poderão sentar num trono mas sem reinar.
Nietzsche corria por essa idéia, de que a infelicidade traz conhecimento e crescimento interno, Hermann Hesse, seguia pela mesma senda.
Quando vejo essa mania de tomar remédio pra tudo, de curar a depressão com 6 miligramas, de afastar qualquer conflito interno com pílulas, penso que não teremos mais grandes poetas no estilo do romantismo da segunda geração, por exemplo.
É imponente a obrigação de ser feliz, de ser social, de ser comum. Eu cuspo nesses hábitos ridículos da mesmice e da formatação psíquica.
No livro Admirável Mundo Novo, do Huxley, todos problemas são curados com algumas gramas do “soma”, não vejo dissociação disso com o que ocorre hoje, exceto pela eficiência da droga do livro, que parecia ser muito melhor. Contudo, estamos nos tornando robôs, completamente programados e subjugados.
Eu quero ver o que vai ser da poesia nesse mundo neurótico e cheio de fluoxetina e afins.
Dormir é alívio II
1Analgésico, calmante, relaxante muscular, ansiolítico
Paracetamol, dipirona, paroxetina, morfina
Café, café, café e um chocolate
Cigarros, muitos cigarros
Dois Noctal
Boa noite
Dormir é alívio
Dormir é alívio
3Desacreditar, duvidar, de novo e de novo
Acordar como cotidiano, dormir como alívio
E se manter na rotina, morta, sem razão evidente
Deixar as horas sem luzes de vida
Dormir como um alívio e perder-se no sono
Encontrar-se num sonho
Acordar como morte
- Dormir é alívio