Antes da Parte Primeira
21/08/09
Acordei sem despertador, algum barulho nos vizinhos me despertou. Já eram onze horas da manhã, o dia estava nublado, morno, com eletricidade no ar, obviamente teria temporal mais tarde. Sentei na cama com as mãos apoiando o corpo nos lados. Olhava para o chão, ou para meus pés, ou para o nada. Sentia-me suspenso, não necessariamente vazio, mas minha nota não soava, era latente.
Depois de checar meus e-mails, tomei um banho e me arrumei. Nem orkut, nem twitter, nem nada me atraía hoje. Resolvi almoçar fora, sentia fome, mas tinha preguiça de comer, também não queria lugares movimentados, sinto uma ressaca social, uma fobia crescente que me afasta mais e mais.
Almocei um sanduíche de atum no Sanduba, no centro da cidade. Depois, dei uma volta no centro aproveitando o ar morno que soprava. Comprei um café e continuei caminhando, agora acompanhado de um cigarro. Eu ainda era a mesma casca que acordou, eu ainda estava latente.
Modern Day Delilah
20/08/09
Então, depois de eternos onze anos, os veteranos do Kiss resolveram fazer coisa nova. Tava mais do que na hora.
Depois de um tempo que as bandas se acomodam, devemos nos perguntar se o artista chegou ao seu limite. Nesse interim, pressionamos, questionamos e fazemos os músicas lançarem coisas novas. Alguns, abarrotados e cansados, fazem revisitações do que já haviam feito há muito tempo, mera repetição. Não condeno, criatividade, às vezes, tem limite, e, no caso do Kiss, eles vinham ganhando dinheiro sossegados fazendo o que sempre fizeram. Em time que tá ganhando não se mexe.
Ah, mas vieram as críticas. Eles devem ter sentido as alfinetadas da mídia e do fãs.
Fragmentos – Gertrud (II)
20/08/09

HESSE, Hermann. Gertrud. 4. ed. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1977.
“E nisso ocorreu-me uma sentença de Muoth que repeti ao meu pai. Muoth dissera, certa vez, se bem que não a sério, que considerava a juventude como o período mais difícil da existência, e que achava que as pessoas idosas são, nas mais das vezes, muito mais alegres e contentes do que os jovens. Meu pai riu e depois, pensativo, opinou:
Arctic Monkeys – Humbug
19/08/09

Só agora, escutando bem o álbum novo do Arctic Monkeys, Humbug (corrija-se o post anterior sobre ele), é que pude perceber a perfeição da junção entre Alex Turner e Josh Homme.
O Arctic Monkeys sempre teve uma sonoridade dissonante, que conferia, por vezes, um certo clima soturno às músicas, mas mostrando muito da influência dos Beatles ainda. No projeto The Last Shadow Puppets, parece que Alex continuou na mesma senda, talvez mostrando um pouco mais dos arranjos lúgubres, com uma pitada a mais de influência do The Who. Agora a coisa ficou séria, a afobação adolescente foi deixada de lado, mas a banda não perdeu a identidade, de forma alguma.
re-pousa em ti
18/08/09
Sim, eu te vi, e tu estavas linda
E era de ti que eu esperava minha felicidade
E é em ti que eu pouso minhas ilusões
Pois me é tão doce tua imagem, e tão alva tua presença
Ai de mim se sentisse de novo tua respiração
Se esse sopro pousasse em minha pele, eu seria reticências
Sim, eu te vi, e poderia ficar te olhando se suportasse pousar meus olhos nos teus
Porque se assim acontecesse, eu estaria trancado, eu ficaria preso
Em teu cárcere eu moraria de boa vontade
Porém, na minha alma eu sinto medo da gaiola
Assim, fingi não ter visto
