Causos abafados

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Por que a vida alheia é tão importante? Por que é tão necessário se identificar ou se deliciar com os problemos dos outros? Por que queremos tanto ler, ver, saber notícias das vidas que não as nossas?

Quanto mais chocante, melhor. A audiência e a importância crescem de forma diretamente proporcional à intensidade da desgraça.

Também, temos uma enorme necessidade de expôr, de colocar pra fora, de limpar a alma falando ou escrevendo sobre nossos medos, angústias, ansiedades, dores, alegrias, conquistas, vangloriamo-nos e assim nos queremos bem.

Pois bem, tendo tudo isso em vista – e fazendo desse site uma espécie de divã nada junguiano, muito menos freudiano, e nem vou falar de Lacan, behaviourismo, et cetera -, à partir de hoje fico à disposição de quem quiser contar sobre sua vida para que seja dramatizada aqui.

A idéia funciona assim: tu me contas os fatos, o cenário, a situação e tudo que puderes, acrescentas como quer que seja romantizado, e eu faço a peça trocando nomes e qualquer característica que possa denunciar quem são as pessoas. Será como se assitir sob os olhos de outra pessoa e, ainda, com uma dose de fantasia.

Qualquer situação tá valendo: no ônibus, na balada, numa viagem, na divagação mais impossível da vida humana.

Voltamos ao lema: sua angústia compreendida ou seu dinheiro de volta.

André Matos – Mentalize – 2009

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andre_matos_menatlize_cover

O álbum deixou um tanto a desejar, me pareceu meio imaturo, mas como sou fã do André Matos, digo que ficou muito bom e vale a pena escutar.

Agora, um maldoso faixa-à-faixa:

1-      Leading On : a fórmula clássica do power metal by André Matos, instrumentos simples mas bem colocados. O vocal de tom médio nos versos e os tradicionais agudos dele nos refrões. Um bridge no meio da música traz a atmosfera de power metal que dá um ar triunfal à música. Refrão de novo. A letra deixa um tanto a desejar.

2-      I Will Return: a música começa com um coro atípico, não lembro do André Matos ter usado isso no pós-Angra, nem no Virgo, nem no Shaman, nem no último CD solo. O bom gosto pra construção da melodia é inegável, trazendo elementos “pra cima”, faz dela uma música bastante animadora e gostosa de ouvir. Sem cair no virtuosismo, evitando ficar maçante. A letra é bem simpática.

3-      Someone Else: um pouco mais pesada que as outras músicas, Someone Else tem uma letra um pouco mais interessante, contudo, acredito que o forte do André Matos não é ser letrista. As linhas de vocais, por vezes, me lembram o projeto Virgo, e as de guitarra com alguma coisa de Black Sabbath época do Dio.

4-      Shift The Night Away: Nada de novo, mesmo: bateria de bumbo duplo, sem variações excepcionais, guitarra solo de velocista (a não ser por volta dos 3 minutos) e acordes de tensão compassados. O vocal segue com os agudos tradicionais do Matos, notas difíceis de sustentar pra qualquer mortal.

5-      Back to You: Balada, finalmente uma balada, com uma letra triste (all over now/watch overhead/ nothing left but/some painful words). Na minha opinião, uma das melhores músicas do álbum, com as pitadas pop indispensáveis aos singles de power metal, a música sobe de tom no final e tudo termina calmo.

6-      Mentalize: a faixa título do álbum, no meio do CD, me deixou decepcionado com a letra, foi tentada uma aventura pela ciência, misturadas com idéias de Nova Era, mas não me parece ter ficado boa a mistura. A música tem força, isso é certo, boa para tocar ao vivo com muita vontade.

7-      The Myriad: uma faixa mais madura, como se tivesse feito sem tanta pressa, traz um clima que me lembra adolescência, tempos de Rhapdsody, Nightwish, blind Guardian, etc (como se tivesse mudado até hoje). A letra é fraca, novamente, tem acontecido algo como se as intenções e as boas idéias estivessem ali, mas não soubessem sair da melhor maneira.

8-      When The Sun Cried Out: poderia ter saído num álbum do Stratovarius, ou melhor, num do Kamelot. Como a faixa anterior, saiu da mesmice do power metal, trouxe alguns elementos diferentes do “aquilo de sempre”.  “Here we go, the falling rain will come again no matter where or when, it will pour down in the end.

9-      Mirror Of Me: ou eu estou com dificuldades de interpretação, ou as letras estão realmente vagas, um pouco desconexas. Mirror of Me segue o power metal versão sem sal, precisava ainda de alguma coisa ali no meio pra ficar uma música que se pode chamar de boa, e olha que nem nos agudos o André Matos se aventura muito nessa.

10-   Violence: ironicamente, a faixa de título Violence começa como uma música do Era, ou Tori Amos, só uns segundos depois vira rock. Uma das minhas faixas de preferência do álbum, não tem nada demais, mas simpatizei com ela, com a letra também. O vocal e o piano dão uma segurada na monotonia em que a música poderia cair.

11-   A Lapse In Time: outra balada, muito boa. Um piano meio neo-clássico, sem roupagem de metal, e os vocais do André fazem a música, vocais, esses, tenho que dizer, excelentes, impecáveis, quase me remetendo a umas músicas do Holy Land do Angra.

12-   Power Stream: Power Metal do início ao fim, dos pés à cabeça, não é ruim a música, aliás, é boa sim, mas não tenho nem o que dizer, é exatamente o típico.

13-   Don`t Despair: essa música deveria ser a que entitula o álbum, o traduz perfeitamente, e é muito boa no estilo dela. A parte instrumental não cai no marasmo, e chega até mesmo perto do esbanjamento (o que não é muito da banda), e os vocais vão aos agudos altos e fortes, enérgicos. Fora as baladas, minha faixa preferida.

Pandora 101 – Nothing Will Remains

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Pra quem gosta de heavy metal bem feito, do país das olimpíadas de 2016, Pandora 101 é uma banda que vale muito a pena conhecer.

É sempre importante ver o que há de bom no âmbito do rock no Brasil, o país do funk, sertanejo e pagode. Esse site se compromete em dar apoio às bandas novas (e nem tão novas assim), que façam música com dedicação e propriedade.

Pandora 101 faz um heavy metal com classe, a formação musical dos integrantes da banda não deixa dúvida sobre a qualidade com que o som é feito.

O CD está disponível para download no site da banda ( www.pandora101.com ), e segue aqui o último vídeo lançado no youtube.

Campanha Ouça Rock!

Augusto dos Anjos – Monólogo de uma Sombra

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Não gosto e nem costumo postar textos que não sejam meus, mas esse é necessário. Minha vida na literatura é dividida em eras, e uma delas foi marcada pela presença constante da poesia desse poeta deslocado de sua geração.

O poema Monólogo de uma Sombra é, como quase todos poemas de Augusto, intenso, soturno, impressionante, denso, e uma série de adjetivos impotentes diante da força de sua poesia.

Diz-se que ele costumava construir suas poesias em voz alta, caminhando, declamando, e isso faz muito sentido, pois a sonoridade delas é sempre muito enérgica.

Monólogo de Uma Sombra

Sou uma Sombra! Venho de outras eras,
Do cosmopolitismo das moneras…
Pólipo de recônditas reentrâncias,
Larva de caos telúrico, procedo
Da escuridão do cósmico segredo,
Da substância de todas as substâncias!

A simbiose das coisas me equilibra.
Em minha ignota mônada, ampla, vibra
A alma dos movimentos rotatórios…
E é de mim que decorrem, simultâneas,
A sáude das forças subterrâneas
E a morbidez dos seres ilusórios!

Pairando acima dos mundanos tetos,
Não conheço o acidente da
Senectus
- Esta universitária sanguessuga
Que produz, sem dispêndio algum de vírus,
O amarelecimento do papirus
E a miséria anatômica da ruga!

Na existência social, possuo uma arma
- O metafisicismo de Abidarma -
E trago, sem bramánicas tesouras,
Como um dorso de azémola passiva,
A solidariedade subjetiva
De todas as espécies sofredoras.

Como um pouco de saliva quotidiana
Mostro meu nojo á Natureza Humana.
A podridão me serve de Evangelho…
Amo o esterco, os resíduos ruins dos quiosques
E o animal inferior que urra nos bosques
E com certeza meu irmão mais velho!

Tal qual quem para o próprio túmulo olha,
Amarguradamente se me antolha,
À luz do americano plenilúnio,
Na alma crepuscular de minha raça
Como urna vocação para a Desgraça
E um tropismo ancestral para o Infurtúnio.

Aí vem sujo, a coçar chagas plebéias,
Trazendo no deserto das idéias
O desespero endêmico do inferno,
Com a cara hirta, tatuada de fuligens
Esse mineiro doido das origens,
Que se chama o Filósofo Moderno!

Quis compreender, quebrando estéreis normas,
A vida fenomênica das Formas,
Que, iguais a fogos passageiros, luzem…
E apenas encontrou na idéia gasta,
O horror dessa mecânica nefasta,
A que todas as coisas se reduzem!

E hão de achá-lo, amanhã, bestas agrestes,
Sobre a esteira sarcófaga das pestes
A mostrar, já nos últimos momentos,
Como quem se submete a uma charqueada,
Ao clarão tropical da luz danada,
O espólio dos seus dedos peçonhentos.

Tal a finalidade dos estames!
Mas ele viverá, rotos os liames
Dessa estranguladora lei que aperta
Todos os agregados perecíveis,
Nas eterizações indefiníveis
Da energia intra-atômica liberta!

Será calor, causa ubíqua de gozo,
Raio X, magnetismo misterioso,
Quimiotaxia, ondulação aérea,
Fonte de repulsões e de prazeres,
Sonoridade potencial dos seres,
Estrangulada dentro da matéria!

E o que ele foi: clavículas, abdômen,
O coração, a boca, em síntese, o Homem,
- Engrenagem de vísceras vulgares -
Os dedos carregados de peçonha,
Tudo coube na lógica medonha
Dos apodrecimentos musculares!

A desarrumação dos intestinos
Assombra! Vede-a! Os vermes assassinos
Dentro daquela massa que o húmus come,
Numa glutoneria hedionda, brincam,
Como as cadelas que as dentuças trincam
No espasmo fisiológico da fome.

E unia trágica festa emocionante!
A bacteriologia inventariante
Toma conta do corpo que apodrece…
E até os membros da família engulham,
Vendo as larvas malignas que se embrulham
No cadáver malsão, fazendo um s.

E foi então para isto que esse doudo
Estragou o vibrátil plasma todo,
À guisa de um faquir, pelos cenóbios?!…
Num suicídio graduado, consumir-se,
E após tantas vigílias, reduzir-se
À herança miserável de micróbios!

Estoutro agora é o sátiro peralta
Que o sensualismo sodomista exalta,
Nutrindo sua infâmia a leite e a trigo…
Como que, em suas células vilíssimas,
Há estratificações requintadíssimas
De uma animalidade sem castigo.

Brancas bacantes bêbedas o beijam.
Suas artérias hírcicas latejam,
Sentindo o odor das carnações abstêmias,
E á noite, vai gozar, ébrio de vício,
No sombrio bazar do meretrício,
O cuspo afrodisíaco das fêmeas.

No horror de sua anômala nevrose,
Toda a sensualidade da simbiose,
Uivando, á noite, em lúbricos arroubos,
Como no babilônico sansara,
Lembra a fome incoercível que escancara
A mucosa carnívora dos lobos.

Sôfrego, o monstro as vítimas aguarda.
Negra paixão congênita, bastarda,
Do seu zooplasma ofídico resulta…
E explode, igual á luz que o ar acomete,
Com a veemência mavórtica do aríete
E os arremessos de uma catapulta.

Mas muitas vezes, quando a noite avança,
Hirto, observa através a tênue trança
Dos filamentos fluídicos de um halo
A destra descamada de um duende,
Que tateando nas tênebras, se estende
Dentro da noite má, para agarrá-lo!

Cresce-lhe a intracefálica tortura,
E de su’alma na cavema escura,
Fazendo ultra-epiléticos esforços,
Acorda, com os candieiros apagados,
Numa coreografia de danados,
A família alarmada dos remorsos.

É o despertar de um povo subterrâneo!
E a fauna cavernícola do crânio
- Macbetbs da patológica vigília,
Mostrando, em rembrandtescas telas várias,
As incestuosidades sangüinárias
Que ele tem praticado na família.

As alucinações tácteis pululam.
Sente que megatérios o estrangulam…
A asa negra das moscas o horroriza;
E autopsiando a amaríssima existência
Encontra um cancro assíduo na consciência
E três manchas de sangue na camisa!

Míngua-se o combustível da lanterna
E a consciência do sátiro se inferna,
Reconhecendo, bêbedo de sono,
Na própria ânsia dionísica do gozo,
Essa necessidade de
horroroso,
Que é talvez propriedade do carbono!

Ah! Dentro de toda a alma existe a prova
De que a dor como um dartro se renova,
Quando o prazer barbaramente a ataca…
Assim também, observa a ciência crua,
Dentro da elipse ignívoma da lua
A realidade de urna esfera opaca.

Somente a Arte, esculpindo a humana mágoa,
Abranda as rochas rígidas, torna água
Todo o fogo telúrico profundo
E reduz, sem que, entanto, a desintegre,
À condição de uma planície alegre,
A aspereza orográfica do mundo!

Provo desta maneira ao mundo odiento
Pelas grandes razões do sentimento,
Sem os métodos da abstrusa ciência fria
E os trovões gritadores da dialética,
Que a mais alta expressão da dor estética
Consiste essencialmente na alegria.

Continua o martírio das criaturas:
- O homicídio nas vielas mais escuras,
- O ferido que a hostil gleba atra escarva,
- O último solilóquio dos suicidas -
E eu sinto a dor de todas essas vidas
Em minha vida anônima de larva!”

Disse isto a Sombra. E, ouvindo estes vocábulos,
Da luz da lua aos pálidos venábulos,
Na ânsia de um nervosíssimo entusiasmo,
Julgava ouvir monótonas corujas,
Executando, entre caveiras sujas,
A orquestra arrepiadora do sarcasmo!

Era a elegia panteísta do Universo,
Na podridão do sangue humano imerso,
Prostituído talvez, em suas bases…
Era a canção da Natureza exausta,
Chorando e rindo na ironia infausta
Da incoerência infernal daquelas frases.

E o turbilhão de tais fonemas acres
Trovejando grandiloquos massacres,
Há-de ferir-me as auditivas portas,
Até que minha efêmera cabeça
Reverta á quietação da treva espessa
E à palidez das fotosferas mortas!

Stereophonics – Keep Calm And Carry On

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Eis a capa do novo CD do Stereophonics que está marcado para lançamento no dia 16 de novembro.

Enquanto esperamos  o álbum sair (ou vazar na net), ficamos com a capa.

stereophonics-keep calm and carry on

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