O Rei – Capítulo 3 – Da nova construção

Dizem que o coração do homem morre aos poucos quando não é submetido a certos perigos e aventuras. Pois eu, infelizmente, me percebi de uma forma única até então, inédita, eu me sentia angustiado, ansioso. Estava apaixonado, assim, uma sementinha ia crescendo no meu peito e ia tomando o lugar do meu fôlego, e a ansiedade disparava meu coração sereno.

Estava apaixonado, e acordar sem ver Viviane foi angustiante, repetitivamente angustiante. Inescapável era minha desconexão entre razão e sentimento, mas deveria ser ela, aquela mulher linda, ela que deveria ser inescapável dos meus braços. Incrível, primeira noite juntos, não transamos, e eu durmo como um bebê.

Eu lembro daquele dia como um filme, consigo, por vezes, me projetar pra fora do meu corpo e reviver a situação como um espectador entusiasmado com o espetáculo. Remonto os pedaços da peça, as cenas naquele teatro que parecia. Ainda bem que ela nunca ficou sabendo dessa minha criancice momentânea, ficaria admirada ao saber que, quando fora até a padaria que funcionava ao lado do prédio para comprar pão novo, o seu acompanhante desesperou como um bebê abandonado.

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A preguiça do mundo

Esse mundo que se move

com pernas moles e preguiçosas

e vai girando sem vontade alguma,

senão a de balançar nossas ideias torpes.

E vai lento e insidioso,

nos fazendo acreditar na mudança

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Noite dos afortunados

A alma apaga à cada passo errado que é dado

as fibras do peito estremecem perante a dúvida

e trôpego, ofegante e inexato passa o tempo

varrendo em fortes tempestades o ímpeto

O ânimo desvanece como um cordeiro

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