A felicidade compartilhada

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“A felicidade só é real quando compartilhada

Com a frase acima termina o filme, de livro homônimo, Na Natureza Selvagem. Não vou entrar no mérito do livro porque não li, nem no do filme porque já o vi há tempos e não sou um especialista em cinema, só posso dizer que gostei muito.

A frase final do filme é bastante impactante, principalmente para quem presta atenção às coisas sutis da vida.

Somos, possivelmente, felizes sozinhos, pulando pra cá e pra lá entre pessoas, contudo, é uma felicidade contida, comedida, incompleta. É como quando amigos se encontram e contam os causos das suas vidas, as suas alegrias e vitórias, fazem isso não para se vangloriar e ostentar como se colocando acima do outro, pelo contrário, o amigo conta as coisas boas da sua vida, pois sabe que o ouvinte alegrar-se-á ao ouvi-las, compartilhando um pedaço da alma, do sentido dessa felicidade.

O homem que parte em busca de si mesmo, do auto-conhecimento, caminha por um caminho por vezes solitário, entretanto, deve retornar ao meio social de onde veio (salvo exceções), e ele o faz porque nenhum conhecimento da própria alma tem completude sem a vivência com aqueles que a vida pôs em seu caminho. O caminhante solitário só é sozinho em etapas decisivas, o guerreiro não luta uma guerra sozinho.

Eu vivencio isso o tempo todo, quando encontro uma banda nova que acho legal, ou um vídeo divertido para alegrar uns minutos da vida de um amigo vou correndo para mostrá-lo, quero que compartilhe da minha alegria.

Ter pessoas com quem se possa compartilhar momentos de ócio, ou não-ócio, sem nada para fazer além de ser companhia é fundamental, sejam essas pessoas familiares, amigos ou namoradas.

Talvez isso seja uma necessidade muito primitiva do homem, talvez seja herança da evolução da espécie, ou ainda, um imperativo do âmago do ser, disso que chamamos alma e não sabemos definir, desconhecemos e até, por vezes, desprezamos, mas está sempre lá para nos lembrar o que somos e, se necessário, nos infligir crises internas para que nos reencontremos, e é aí que entram os companheiros de jornada, e é aí que entendemos que a felicidade só é real quando compartilhada.

A tragédia no Rio de Janeiro e a culpa de deus

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É tão desesperador ver o que está acontecendo no Rio de Janeiro, ver os prantos das pessoas que perderam além de suas casas e pertences seus familiares e amigos.  Essa é, de fato, uma das piores coisas que uma pessoa pode enfrentar, é a completa desolação.

No entanto, como se não se compadecessem diante dessas tragédias, vemos aqueles pastores, infames, martelando em nossos ouvidos suas pregações mais ridículas: o castigo de deus.

Não é hora para sermões desse tipo, é hora de ajuda, de filantropia, de caridade.

Já não basta o que as pessoas passam nessas horas, vem um pastor Zezinho da Graça De Vina gritar que deus está punindo os homens por suas atitudes. Nossa, que bela e sábia é, também, essa atitude de apontar o dedo e acusar: você faz tudo errado.

Pois eu vou lhes contar uns segredinhos, pregadores de plantão: tremores de terra vêm do interior do planeta, um ambiente hostil, terrivelmente quente e instável, lá existem forças enormes que movem as chamadas placas tectônicas; chuvas são causadas por nuvens carregadas de água que será precipitada, seja por encontro com outra massa de ar ou com um terreno elevado; morros e encostas são feitos de rocha e terra, que não são imunes às leis da física e da química, são afetados pelo clima, sol, chuva, vento, e, naturalmente, podem desmoronar. É simples assim, ninguém decide quando e como.

É cansativo ver essa necessidade dos crentes e tementes a esse deus, que me parece muito perverso, de colocarem a culpa nos homens. Aliás, falando em perversidade, quantos desses que criticam tanto se empenharam a fazer qualquer coisa em ajuda de outro?

É fácil demais berrar num Show da Fé para pessoas desamparadas e incautas. Contudo, doar alimentos, pousos, roupas, atenção, carinho, respeito ou até mesmo uma simples palavra de consolo é muito mais dispendioso e cansativo.

Quem acredita nesse deus cristão deveria agir com mais sabedoria e irmandade (vide exemplo de espíritas).

Antigamente eu diria que Nietzsche acertou ao dizer que o único cristão verdadeiro foi Cristo, todos os outros que se dizem cristãos não merecem esse título. Hoje, no entanto, acredito um pouco mais na bondade de algumas almas, e queria muito poder exaltá-las como exemplos de dignidade e humanidade.

Penso que essa palavra deveria ser repensada: humanidade.

A Matéria Escura e a Mente

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Pronto pra mais uma viagem, peque gafanhoto? Então vamos lá.

Matéria escura é uma espécie de matéria que não emite luz, portanto, não pode ser observada pelos nossos olhos. Não sabemos a forma, mas podemos mensurar, mais ou menos, o tamanho de um “aglomerado” (?) de matéria escura através de cálculos super divertidos em que dados são retirados de observações da interação dessa matéria escura com a matéria “normal” ao seu redor, uma vez que influências são exercidas por aquela sobre esta, em seu campo gravitacional e energético.

Mas o que é a matéria escura? Não se sabe ao certo, uma vez que não pode ser observada, não se pode determinar com precisão do que é formada, apenas teorias vão sendo formuladas e as mais plausíveis vão sendo levadas adiante.

Tá, mas o que que tem a ver essa tal da matéria escura, Christian?

Bom, astrônomos dizem que a matéria escura forma cerca de 83% (sim, oitenta e três) do universo, isso, por si só, já é interessantíssimo, imagine, algo que não sabemos o que é formar quase a totalidade do universo.

Contudo, não é nos mistérios do universo que quero mergulhar; quero, na verdade, trazer isso para dentro, para o ser humano, para os mistérios da mente.

Muitas e muitas vezes nos pegamos dizendo e fazendo coisas estranhas a nós mesmos, pensando sem controle nenhum, e isso só aumenta à medida que o tempo passa e as devidas atitudes não são tomadas. Perder a atenção sobre o que se passa nas nossas mentes tem sido o mal da humanidade, quanto mais velhos mais desatentos aos processos internos vamos ficando, sejam eles mentais, sejam emocionais ou sejam sentimentais (a desatenção ao âmago é diretamente proporcional ao tempo de vida, não resisti à proposição).

Nossa vida interna é formada por coisas incríveis e desconhecidas, uma superfície muito sutil nos é possível conhecer naturalmente, e eu diria que é algo semelhante aos 17% de matéria visível (ou não-escura) do universo.

Pense na sua mente como um universo particular, cheio de planetas, estrelas, nebulosas, meteoros, etc. Cada coisa dessas representa um pensamento, uma emoção, e você pode fazer a atribuição que quiser a cada um deles, o fato é que muito ainda está lá sem ser conhecido, regiões ermas, distantes, que apenas um mergulho destemido e sem medo de perder o caminho de volta pode acabar iluminando.

Essas áreas tão recônditas são o inconsciente, ou o Self, algo muito interno, profundo e de difícil alcance até pro mais hábil psicanalista ou pro mais destemido e esforçado espiritualista, meditando com afinco.

E eu ainda espero uma conciliação das várias ciências (física, química, psicologia, etc.) com o mundo do espírito do homem, da alma, ou a mente, ou como resolver chamá-lo.

Como mudamos com o tempo

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Não sou um cara muito chegado a fotos, quero dizer, odeio tirar fotos, sou tímido pra isso, e não é de hoje, acho que desde pequeno fui assim, por tal motivo, é muito difícil encontrar fotografias minhas de quando era criança ou adolescente.

Contudo, às poucas fotos que tenho gosto de dar certa atenção especial, não por narcisismo (obviamente não), mas por uma ânsia de me descobrir, de encontrar algum segredo bem escondido naquele rosto que já não é mais o mesmo, naqueles olhos que já não têm o mesmo brilho, no corpo bem diferente.

É interessante perceber as pequenas, as ínfimas, sensações que essas observações podem nos trazer, bem como alguns eventuais insights importantes no caminho tão abstrato do auto-conhecimento.

Eu olho sempre nos meus próprios olhos nas fotografias, lembro de Demian, personagem do livro homônimo do escritor alemão Hermann Hesse. Tive um olhar sagaz, penetrante, e, ao mesmo tempo, cheio de vida, quase zombando da própria vida. Hoje está mais para um olhar de quem assiste Big Brother e acha que assistir Luciana Gimenez e criticar o que está passando é bom para a alma (tá, exagerei).

Fico perplexo ao perceber o quanto vamos perdendo território dentro da própria psique para uma espécie de piloto automático, para convenções sociais, pra costumes e tradições nem sempre muito saudáveis para a mente.

Olho para fotos antigas e me pergunto “quem é esse cara? Pra onde ele foi?”. Fica tão distante que não sei perceber o fio que me liga até esse passado, a linha que une essas pérolas nesse colarzinho que é o Self.

Inevitável lembrar da música dos Titãs, Não vou me Adaptar, que traduz de forma bem simples essa perda de continuidade da mente, essa cisão do que “sou” e do que “fui”.

A vida é dinâmica, e acompanhar o que sucede dentro e fora da gente nem sempre é fácil.

Soltar laços, desapegar, deixar que as coisas vão e talvez não voltem pode ser doloroso, no entanto, não se pode impedir que isso aconteça.

Como que eram os seus olhos nas fotos de criança? Famintos de vida? E agora?

Pain of Salvation – Road Salt (2010)

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Como muitos já sabem, sou fã da banda Pain of Salvation, pelo estilo musical, pela qualidade instrumental, pelo vocal excelente e pelas letras incríveis que o vocalista, Daniel Gildenlöw, compõe.

Pois esse ano sai o novo CD da banda, o Road Salt. Sei que já está pronto, gravado, mixado e tudo mais, só não saiu pra venda ainda.

Fica aqui uma das músicas do novo álbum, espero que vocês gostem.

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