Ao longe vejo as linhas deste ocaso

Rubro e denso, como se fosse parte da minha alma

Pois que há anos eu deixo minha consciência de lado

E fico completo nos segundos que dura esse espetáculo

 

E silencia meu espírito, troco os sons pelos grilos,

Ouço o rotor do universo gemendo canções eternas

Enquanto o rubro cede ao negro intenso

Devaneio e desatino em mim mesmo

 

Nem um vento vem a mim conturbar o velho ocaso

Nenhuma folha mexe nos galhos do novo mundo

Eu divido o horizonte em luz e sombras

Multiplico o mergulho e o elevo na loucura

 

Dentro de mim há a linha do ocaso:

Fico rubro antes de me dividir em sombr`e luz

Os ventos, contudo, são tão mais fortes

A entropia das minhas ondas infinita

E o rotor gira muito mais rápido

A canção, porém, eu não a ouço

Seria um pecado se não fosse na tua voz

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