O lado escuro da vida

A gente logo cansa daquele cheirinho de limpo
De jasmim e flores do campo, do artificial e do disfarce
Quero mais o cheiro pesado dessas consciências
Que ora fedem álcool e cigarro, ora fedem ressaca e fritura
Logo se torna cansativo o falar baixo e educado
Depois busca-se um linguajar de pensamentos desconexos e perdidos
Deixados em algum lugar entre a guerra e a ganância
Entre a fome e a fama
Entre o jasmim e o bar
E dessas ideias tão mais mal cheirosas percebe-se a profundidade
Como um hálito de jejum, profundo e denso
Ancorado pela boca de saliva espessa
A gente logo cansa desse mundo de luz tratada e voz tunada
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