Nuit Blanche – Sobre o amor
Nuit Blanche from Spy Films on Vimeo.
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O cenário é clássico, que isso possa ser entendido como sinônimo de típico – ou clichê. Contudo, não é assim o tal do “amor”? As coisas são sempre iguais, as histórias não mudam, os personagens tem uma forma bastante limitada de participar dessa emoção, desse sentimento, e a equação disso é complexa, porém conhecida: umas reações químicas ali, outras físicas aqui, umas sinapses, uns olhares, umas conversas, sexo, ingredientes que fazem a paixão que precede (ou sucede, ou orbita, ou sei lá) o amor.
Assisti a esse vídeo hoje à tarde e achei excelente.
Não posso relevar a fotografia impressionantemente bem feita, bem calculada, e muitos outros bens por aí. As cores foram escolhidas com perfeição, o tom escuro, a cor do vinho, os olhos, tudo, e gostaria muito de saber me expressar melhor sobre cinema para poder dar pitacos por aqui.
A primeira coisa que acontece é a troca de olhares, o momento em que as ondas e partículas de luz cruzam esse espaço-tempo e conectam os dois estranhos se mostra insustentável e edênico.
Logo após o primeiro contato, aquilo que é pra ser uma coisa ígnea, o amor a primeira vista, o tempo pára, ou quase isso. Reparem que as pessoas começam a caminhar mais devagar, tudo fica mais devagar, e o tempo se dissocia do espaço e não mais anda, arrasta-se, como quem não quer perder o que está prestes a presenciar.
Não bastando o tempo se curvar nessa gravidade imensa que se criou entre os dois personagens, tudo afora o contato parece perder o sentido, e muito mais, perde também toda e qualquer força. Molécula, átomos, elétrons, mésons, destituem-se de energia, decaem, cedem à força que se criou entre o casal que submerge numa hiper-realidade.
É assim no amor, não é? Tudo é possível, as coisas que não estão envolvidas na relação perdem valor, os obstáculos perdem a força que antes tinham e não mais podem oferecer resistência ao agora inevitável. Um carro se dobra como uma árvore nova, o vidro se quebra como um finíssimo cristal, a chuva não molha, o vento não resfria, e toda a física, de Newton à Schroedinger, passa a necessitar de um novo entendimento.
A imagem da mulher, depois de estilhaçar o vidro e indo encontrar o homem é perfeita, a fisionomia de pureza, a beleza imaculada compõem o arquétipo desse ato, e isso na realidade é fato, não numa realidade absoluta, mas na mente do próprio homem: a amada é imaculada para ele.
Quando o casal constrói para si uma realidade única e compartilhada, aí sim penso que se possa acreditar no relacionamento. Isso, obviamente, não é tão poético quanto aparece no filme, nem tão evidente, no entanto, o compartilhamento de emoções, sensações e pensamentos não é exclusividade de um casal, isso acontece com multidões.
Mas ao final, quando se descobre um devaneio, ainda há a possibilidade de fazer acontecer, pois a imaginação é assim, uma ponte ilimitada e cheia de ornamentos entre a realidade e o desejo.
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| Imprimir artigo | Este artigo foi escrito por Christian Silveira em 10 de fevereiro de 2010 às 01:13, e está arquivado em Eu. Siga quaisquer respostas a este artigo através do RSS 2.0. Você pode deixar uma resposta ou fazer um trackback do seu próprio site. |






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