A alma apaga à cada passo errado que é dado

as fibras do peito estremecem perante a dúvida

e trôpego, ofegante e inexato passa o tempo

varrendo em fortes tempestades o ímpeto

O ânimo desvanece como um cordeiro

carneado para o prato do meu banquete

o diabólico da carne que nutre meu corpo

que nutre minha alma que não mata nada

E vão-se dias de rotinas de fim impreciso

vão-se porras em corpos nem sempre quentes

a beleza não se mede no corpo que se vê

nem o conforto se percebe no olhar

Hoje não me deito acompanhado

e meu espírito descansa sossegado

tépido, tétrico, sereno em soledade

quem tem a marca sabe da verdade

É noite dos uivos incansáveis

dos gritos intermináveis

das almas que não descansam

e recrutam poetas que as ouçam

para que suas angústias expressem

para que seus devaneios se revelem

e quando a chuva cai no corpo

é a alma que é lavada

e quando a chuva cai no corpo

é a alma acalentada

quando o sinal não arde

quando a água abranda a pena

que a consciência se nos revela

da besta a forte marca

como uma sentença de conhecimento

como um corte que não fecha

e o remédio não cura

a noite da alma dura

noites dos afortunados

inquietos por tanto tato

noite de luz sombria

que se ouve o que não queria

do recôndito tecido nervoso

e se controla o que se sabia

com uma boa dose de sono

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