Noite dos afortunados
A alma apaga à cada passo errado que é dado
as fibras do peito estremecem perante a dúvida
e trôpego, ofegante e inexato passa o tempo
varrendo em fortes tempestades o ímpeto
O ânimo desvanece como um cordeiro
carneado para o prato do meu banquete
o diabólico da carne que nutre meu corpo
que nutre minha alma que não mata nada
E vão-se dias de rotinas de fim impreciso
vão-se porras em corpos nem sempre quentes
a beleza não se mede no corpo que se vê
nem o conforto se percebe no olhar
Hoje não me deito acompanhado
e meu espírito descansa sossegado
tépido, tétrico, sereno em soledade
quem tem a marca sabe da verdade
É noite dos uivos incansáveis
dos gritos intermináveis
das almas que não descansam
e recrutam poetas que as ouçam
para que suas angústias expressem
para que seus devaneios se revelem
e quando a chuva cai no corpo
é a alma que é lavada
e quando a chuva cai no corpo
é a alma acalentada
quando o sinal não arde
quando a água abranda a pena
que a consciência se nos revela
da besta a forte marca
como uma sentença de conhecimento
como um corte que não fecha
e o remédio não cura
a noite da alma dura
noites dos afortunados
inquietos por tanto tato
noite de luz sombria
que se ouve o que não queria
do recôndito tecido nervoso
e se controla o que se sabia
com uma boa dose de sono
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é uma musica né?! a-há! Eu percebi a sonoridade nos versos – ou inventei isso.
Alma se transformou num termo muito banalizado, um clichê que já não diz mais nada além de quatro letras replicadas por quaisquer bocas que nada sabem de a-l-m-a.
"A gente goza com o que tem na cabeça, não na cama."
bejoca