E sentir o arfar dos teus seios
Enquanto te abraço, no teu sono,
É como um lento gozo diáfano,
Onírico, dos meus anseios.

E tu tens um riso comedido
Que me absorve os sentidos,
Beijo-te os lábios unidos
Nesse teu cansaço rendido.

Bocas, peles e cheiros se confundem,
E teu som é sempre harmônico,
Nessas notas tuas fico afônico,
E ao te tocar meus dedos tremem.

Tens o teu encanto de prazer,
E quanta memória não se apaga,
Da tua mão que hoje afaga
Outro homem e meu doer.

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